segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A Previdência e a gestão do Congresso

                                                             
       Como o leitor que honra este blog não terá deixado de notar, transcrevi o longo e importante artigo de Carlos Pereira, em três partes na Folha de S. Paulo, que se ocupa da gestão do Congresso por Temer, comparando-a favoravelmente com as demais administrações da Nova República.  
       Assinala, a propósito, O Estado de S.Paulo que, com a pressão da base aliada por uma reforma ministerial, a contabilidade para aprovar o novo texto da reforma da Previdência terá de ser pragmática: ceder apenas nos pontos que trazem votos.
        O aviso em apreço provém do relator do texto na Câmara, Deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), que trabalha na costura de uma versão que diminua a resistência dos parlamentares.
        A esse propósito, assinala Oliveira Maia: "Essa contabilidade agora tem de ser muito pragmática. Não adianta mais ficar numa conversa teórica. É preciso saber o que traz os votos", disse o deputado.
        "É necessário que o governo realize um gesto político com sua base. Esse gesto político se traduzirá certamente em uma mudança ministerial". 
         O relator já tem em mãos uma versão preliminar da emenda que  irá à votação direto no plenário da Câmara,  o que ainda não tem data  para acontecer.
          A proposta mais enxuta retira pontos sensíveis do texto aprovado na comissão especial em maio: mudanças na aposentadoria rural, nos  benefícios de assistência social (BPC) e aumento no tempo mínimo de contribuição. Há ainda negociação para retirar do relatório as restrições que foram criadas para o acúmulo de aposentadorias e pensões, uma medida que teria grande impacto na economia de despesas no curto prazo.
           A minireforma passou a ser negociada no início da semana passada, após quase seis meses de paralisação na tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras previdenciárias. O projeto ficou travado em razão da delação dos executivos  do grupo JBS, que levou a Câmara  a analisar as duas denúncias contra o Presidente Michel Temer.
               O governo tem uma janela estreita para tentar aprovar  a reforma ainda este ano. Com o calendário de feriados, restam efetivamente apenas quatro semanas de atividade legislativa antes do início do recesso do final do ano. Pelos cálculos de políticos, se não for à votação agora, a proposta não passará em 2018, ano eleitoral.
                 Com tanta dificuldade, as mudanças em negociação só seráo aprovadas depois que o presidente Michel Temer fizer a reforma ministerial cobrada pela base aliada.
                 "Há um descontentamento muito grande com o atual formato do ministério. E o presidente Temer certamente saberá conduzir esse assunto para que, a partir dele, possamos de fato, encaminhar as mudanças de mérito", declara o relator.
                   Oliveira Maia critica a posição de parlamentares que pregam que a reforma da Previdência só deveria ser aprovada depois das eleições. "Não vejo nada mais falso", disse. Para ele, cada deputado deve deixar clara a sua posição. "Defendo que se tente aprovar no plenário, perdendo ou ganhando, mas teremos um resultado", afirmou o relator, deputado Arthur Oliveira Maia.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )     

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