quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Visita do Vice Presidente Pence a Buenos Aires

                          

          Continuando no seu tour na América Latina, o Vice-presidente Mike Pence foi recebido pelo Presidente  Maurício Macri, em Buenos Aires.
           Pence estivera antes em Bogotá, onde declarou que, além da solução militar, aventada pelo presidente Donald Trump, há outras alternativas para resolver a "tragédia da Venezuela, causada pela tirania". Aduziu que os EUA "não vão ficar de braços cruzados", mas que querem trabalhar junto com os países da região e que apóiam a decisão do Mercosul em suspender Caracas do bloco.
           "Acreditamos que a América Latina pode fazer mais para tentar restabelecer a democracia na Venezuela e gostaria de chamá-los a fazer mais. É preciso aumentar a pressão diplomática e econômica", declarou Pence.
          O vice americano assinalou que ficara chocado com relatos que ouviu na Colômbia de venezuelanos "que tiveram que cruzar a fronteira para fugir da tirania."
          Nesse contexto, disse o vice Mike Pence que "o povo venezuelano está sofrendo e morrendo, há muita pobreza, as crianças têm fome.  Era um povo livre e agora está vivendo sob um regime brutal e sem liberdade de expressão."
            Por sua vez, o Presidente Macri declarou que não vê "o uso da força como uma alternativa". Junto ao Mercosul tentariam usar "todos os campos da democracia".
            Mas as declarações do Vice Mike Pence - que de certo não os terá feito de motu proprio - não pararam por aí. Segundo Pence, o seu país vê a "Argentina como liderança regional e global" e elogiou as realizações dos encontros da OMC (Organização Mundial do Comércio) em dezembro, e do G-20, no ano que vem.
             Como já foi oportunamente referido por este blog, o Vice america-no está em um tour pela América Latina,  que inclui também o Chile, a Colômbia e o Panamá - e o Brasil ficou de fora.
                  Ainda trazendo água para os moinhos argentinos, ele assinalou que o Presidente Trump apóia as "reformas econômicas da gestão atual, sob liderança do presidente Macri, aliado e amigo  de outras épocas do presidente do Presidente Trump."
                    Tal declaração no que tange à liderança argentina, foi perseguida por longos anos pelo Presidente peronista Carlos Menem, que dizia nutrir a Argentina uma "amizade carnal" com Washington. Parece que após tantos anos - e não havendo essa paixonite de Menem lhe trazido os resultados com que contava colher eml Washington, esses arroubos entre as duas Nações caíram no esquecimento.
                     Mas agora pelo visto, o surpreendente Presidente Trump parece cair de amores por Buenos Aires, e a capital platina semelha voltar à proeminência que gozara no fim do século dezenove
                     Como a liderança argentina e o atual alijamento do Brasil no que tange aos caprichos de Donald Trump, a novela diplomática das Américas parece ter dado uma virada inesperada.
                      Como Itamaraty no improvisa, resta saber qual a reação de Brasília diante desse inaudito e inesperado desafio?


Equador: cisão no chavismo?


       No Equador, o atual presidente, Lenin Moreno, vem mostrando atitude diversa daquela de seu padrinho político eleitoral, Rafael Correa. Ele está preocupado - e com justa razão se diga de paso - "com a quantidade de presos políticos" na Venezuela.
       A atitude do novo presidente, embora faça questão de frisar o respeito à autodeterminação dos povos e a não-ingerência - que é a posição de Quito desde o início da crise venezuelana - não deixou, outrossim, de condenar "de forma enérgica" as mortes nas manifestações (provocadas pelos meios letais utilizados pelas forças repressoras de Maduro).
        Ainda crítica a voz de Lenin Moreno verberou: "Não deixa de nos preocupar também a quantidade de presos políticos. A democracia é aquela em que os problemas se resolvem  com o diálogo entre todos os atores."
         Auspiciosamente, assim continuou o novel presidente equatoriano: "Lembro que o melhor mecanismo é a democracia direta, que para os mandatários deveria ser a última palavra. Nossa profunda solidariedade com o Povo venezuelano, e o mais profundo desejo de que cheguem à Paz logo e que não se derrame nem uma gota de sangue a mais."
         É de assinalar-se  que esta é a primeira declaração de Moreno sobre a crise venezuelana, desde a sua posse em 24 de maio. Nesse período, quem se manifestou sobre o conflito foi a ministra das relações exteriores, Maria Fernanda Espinosa.
         Afastando-se do apoio incondicional anterior dos aliados chavistas, o discurso não parece contribuir para compor a já difícil relação entre o sucessor Moreno e o seu padrinho, Rafael Correa. Ainda mais, porque no sábado doze, o ex-presidente chamou o sucessor de traidor e o acusou de querer destruir seu legado e cassar seus direitos políticos.


( Fonte: Folha de S. Paulo )

A Caravana de Lula no Nordeste

                              

        Saído da presidência e depois da condenação  do Juiz Sérgio Moro, a agenda da viagem do ex-Presidente Lula ao Nordeste incluirá encontro com um reitor que sofreu ameaça,  honraria que está sendo contestada na Justiça, e a entrega de um título de cidadão proposto há ... duas décadas.
        Segundo assinala a Folha, a caravana que se iniciará  amanhã, na quinta-feira dezessete,  demandou engenharia complexa para conciliar homenagens ao ex-presidente em nove estados nordestinos.
         Na Paraíba, o ex-presidente vai receber um título de cidadão de João Pessoa, proposto em 1997 pelo então vereador Júlio Rafael (PT), morto em 2013. A proposta, aprovada na época, foi resgatada pelo vereador Marcos Henriques (PT).
          Não obstante, o ato deverá ocorrer sem a presença da Mesa Diretora da Câmara: "Não vamos participar. Entendemos que é um contrassenso  entregar um título a alguém condenado por corrupção", declara o vice-presidente da Câmara, vereador Lucas de Britto (PSL)
           A honraria de duas décadas atrás foi a solução encontrada após a entrega de título de doutor honoris causa ao ex-presidente não ter sido confirmada pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba).
           O ato chegou a ser divulgado pelo PT, mas a reitora Margareth Diniz informou que não teria tempo hábil para organizar a solenidade. Segundo ela, "não há viés político" na decisão de postergar a entrega do título,  aprovado pela universidade em 2011.
           Em Alagoas, por outro lado, a entrega do título de doutor h.c. a Lula da Silva foi confirmada pela Uneal.  O ato acontecerá na quarta-feira, dia 23, em Arapiraca.
           O reitor da universidade alagoana, Jairo José Campos da Costa,    refere ter sido ameaçado de morte no final de julho, dias depois da di-vulgação da homenagem.
            Por sua vez na Bahia, bastaram três semanas para que a Uni-versidade Federal do Recôncavo  propusesse, aprovasse e marcasse a data  para a entrega de honraria similar.
            Não obstante, o vereador de Salvador Alexandre Aleluia (DEM) entrou com ação popular na Justiça Federal pedindo a suspensão da homenagem. "A gente não pode achar normal que se conceda uma honraria a uma pessoa que foi condenada. Criminoso não merece título, merece sentença", diz o vereador, que também questiona o uso da universidade como palco de "campanha antecipada".
            Em entrevista a uma rádio, o ex-governador Jaques Wagner (PT-BA) disse que o vereador era movido pela "inveja". "Quem sabe, se trabalhar,  ele pode chegar ao nível que o presidente Lula chegou."
             Em Estância (SE), o vereador Sandro de Bibi (PRB) entrou com um pedido de anulação do título de cidadão que será concedido ao ex-presidente. Ele alega que a homenagem foi aprovada em regime de urgência, desrespeitando o regimento interno.
              O PT também foi forçado a mudar a programação em Salvador. Um ato que seria realizado no Cerimonial Pupileira, administrado pela Santa Casa da Bahia, foi transferido para a área interna do estádio da Fonte Nova.
               Presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação afirma que a Administração da Santa Casa vetou o uso do local, alegando que seria inadequado para eventos políticos. Jaques Wagner disse que houve "preconceito" com Lula.
                A respeito, a Santa Casa nega o veto e diz que o ato foi anun-ciado no local pelo PT, antes que um contrato fosse firmado.

( Fonte: Folha de S. Paulo )


P.F. liga Bethlem a Paes e Crivella

                    

          O ex-deputado federal Rodrigo Bethlem é alvo da Lava-Jato, em mandados de busca e apreensão da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro.
         Bethlem foi ex-secretário municipal de Eduardo Paes (PMDB) e é atualmente aliado do prefeito Marcelo Crivella (PRB).  Objeto atualmente de suspeitas de intermediar propina paga por empresários de ônibus a políticos.
         Bethlem, no curso de investigação determinada pelo juiz Marcelo Bretas, braço da Lava-Jato no Rio de Janeiro, foi ouvido na Polícia Federal e teve os sigilos bancários, fiscal, telefônico e telemático (e-mails) quebrados por determinação judicial.
           Mensagens de celular e de e-mails, interceptadas pelo Ministério Público Federal na Operação Ponto Final, que prendeu empresários de ônibus, levaram os agentes a suspeitar de Bethlem.
           Nesse sentido, o ex-deputado federal enviou mensagem a 28 de dezembro a Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes), que atualmente se acha preso, dizendo para que "tranquilizasse a 'turma', pois o esquema seria supostamente mantido,  ao que tudo indica, pela atual administração municipal", diz a Procuradoria.
         "Meu amigo garantiu que se o atual fizer,ele mantém.Entendeu?"
          Foi o que escreveu Bethlem a Teixeira, pouco após pedir um encontro "urgente".
           Uma das suspeitas é que a mensagem seja endereçada ao empresário  Jacob Barata Filho, também preso na Ponto Final.  Há diversos e-mails que indicam reuniões frequentes entre os dois.
            Já no dia 2 de janeiro, ele afirma a Teixeira que "este vice vai dar muito trabalho", em referência ao vice-prefeito Fernando Mac Dowell que assumiu a Secretaria  Municipal de Transporte.
             Engenheiro indicado pelo PR para a vaga, MacDowell vetou o reajuste contratual da tarifa de ônibus este ano e tem protagonizado embates com as empresas do setor.
              "Ele que criou caso. Os dois tinham se acertado", escreveu o ex-deputado.
            Bethlem teve forte atuação tanto no governo Sérgio Cabral (PMDB), preso desde novembro, como na gestão Eduardo Paes (PMDB). No Estado, foi secretário de Governo.  No município,era uma espécie de braço direito do ex-prefeito na Ordem Pública e, depois, na Assistência Social.
             O Juiz Marcelo Bretas afirmou em sua decisão que as suspeitas sobre ele reforçam a tese de que exista "uma extensão da organização criminosa do Rio na capital.
                Paes rompeu com o ex-aliado após a divulgação de gravações que indicavam que ele mantinha contas na Suiça.

 Com relação às alegações das partes envolvidas nas investigações:

                   Em nota, o ex-prefeito Eduardo Paes afirmou que a operação "não guarda qualquer relação com o período em que Rodrigo Bethlem foi secretário do Governo do ex-prefeito."
                    Por sua vez, a gestão Crivella da Prefeitura do Rio de Janeiro, declara em nota que "repudia com veemência as insinuações descabidas de qualquer possibilidade de escândalos no setor de transportes do governo anterior ter continuado na atual gestão."
                    A Prefeitura Crivella  disse ainda que "no mês passado conseguiu impedir novamente o aumento da tarifa de ônibus urbanos do município, contrariando a reivindicação dos empresários."


( Fonte: Folha de S. Paulo )

A proposta do petista Cândido

                              

       O projeto de reforma política apresentado pelo deputado petista Vicente Cândido ressuscita as doações ocultas, e amplia os limites para as pessoas físicas.

        Em linha repressiva, cria barreiras à divulgação de pesquisas eleitorais.   Hoje elas podem ser divulgadas até no dia da eleição. O  deputado petista estabeleceu que elas só poderão ser publicadas até o sábado da semana anterior à disputa.

        Eis  determinação do petista de índole repressiva, antipática mesmo para o Povo Soberano. Afigura-se mesquinho, e mesmo nocivo impor essa restrição de uma semana ao eleitor. Dificulta-se de forma gratuita que tenha qualquer acesso a informação relevante, pois é privado de dados essenciais para a sua escolha, diferentemente dos políticos, que terão acesso a suas pesquisas internas...

       A notícia da Folha não dá indicação de que como se acha a "emenda Lula", que aumenta acintosamente o prazo para a validade da aceitação das candidaturas,em típica tentativa desesperada de impedir que Lula seja proibido a concorrer, por  sentença do TRF-4, confirmando a muito bem-fundamentada pena imposta pelo Juiz Moro,  que o tornaria  condenado em segundo grau, e, portanto, proibido de concorrer à presidência.


( Fonte:  Folha de S. Paulo )

A Queda nas Contas

                              
        A situação fiscal do Governo Temer continua a piorar.  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou ontem, quinze de agosto, a revisão nas metas fiscais da União, ampliando para R$ 159 bilhões o rombo previsto para 2017 e também o mesmo para 2018.
         Também até as projeções de médio prazo pioraram. Se antes previa que as contas voltariam ao azul em 2020, agora se estima déficit para os próximos três anos.
          Ainda que de forma seletiva, haverá sob Temer alta de impostos, eis que o governo criou tributação para fundos de investimentos exclusivos, usados para aplicar valores elevados. Tampouco decidiu não reduzir a alíquota do Reintegra, para exportadores. 
          O governo vai adiar reajustes dos servidores do Executivo e cobrar 14% de contribuição para a Previdência de funcionários que ganhem mais de R$ 5 mil. Serão extintos 60 mil cargos vagos no Executivo. 
           Analistas viram como inevitável a revisão das metas, mas lembram que muitas das medidas dependem de aval do Congresso.
            Essa advertência não é feita em vão. O atual Congresso se tem mostrado mais tendente a desconhecer limites do que a aplicá-los. O irrealismo continua a pautar muitas de suas decisões. Em outras palavras, a situação pode ficar ainda pior de o que está.


( Fonte: O Globo )

Cabe ao Congresso cair na real

                         

      Em últimas propostas feitas pelos senhores congressistas, se tem a impressão de que vivam em outro país. Alçar proposta de fundo público de financiamento eleitoral com custo de R$ 3.6 bilhões, é dar prova de, no mínimo, abismal  falta de senso de realidade quanto às finanças públicas, a par de carência acentuada de bom senso, máxime no que tange aos limites aceitáveis  do orçamento.
       Como referido em blogs desta semana, a capacidade do orçamento público está sendo levada a limites não mais suportáveis, a ponto de acarre-tar drásticos cortes em atividades de alto interesse público, como as da defesa nacional. A situação quase falimentar de nossas forças foi descrita com os necessários detalhes no blog de segunda feira, catorze de agosto corrente, em que retrata o drástico corte nas verbas discricionárias das FFAA brasileiras (44,5%!), indo para um irresponsável R$ 9,7 bilhões.
        A História está cheia de países que, no passado[1], julgaram possível economizar com as verbas relativas às suas dotações militares. No momento presente, dada a dinheirama que é gasta com a multiplicação partidária - o que o eleitor pode ver na chamada propaganda política gratúita em programas obrigatórios, acintosamente colocados pelo legislador no horário de maior audiência - aquele reservado ao noticiário, que costuma ser o de maior público - se dá, por conta da húbris do estamento político aos anúncios de partidos em geral desconhecidos, e que são o triste resultado da decisão do Supremo contra a cláusula de barreira.
          Está mais do que hora que o Supremo confirme - o que muitos de seus membros já assinalaram - o pesado erro ao retirar os limites ao número de partidos no Brasil.  Na Alemanha, o partido que não obtém 5% do voto nacional perde a sua representação no Congresso.  Tal ocorre amiúde com o F.D.P. (Frei Deutsche Partei[2]) que costuma ser fiel aliado da CDU (União Cristã Democrática), que é o partido hoje majoritário que sustenta o governo de Frau Angela Merkel.
           Quando tal ocorre, o FDP tende a reagir, regressando nas próximas eleições (o prazo se não me engano é quadrienal), e entrementes a CDU tem que buscar outro parceiro - ou uma grande coalizão com a SPD (Social Partei Deutslands[3]), ou com algum outro partido menor.
             Para evitar essa sopa política de legendas partidárias - todas elas ganham subsídios e, portanto, tem um custo para a União - o Congresso deveria tratar de repropor nova legislação, estabelecendo limites para os diversos partidos, de forma a impedir que haja explosão de legendas (todas elas dispõem de subsídio orçamentário) e que na verdade nada significam politicamente.
              Além de participar das notórias legendas de aluguel, essas associações (que não passam de frentes sem qualquer significação eleitoral) não refletem, na verdade, as pétalas da flor ideológica, como romântica e erradamente (como hoje eles próprios reconhecem) a sua mítica amplitude ideológica, mas na triste realidade, mais um jeitinho no país deles de tirar vantagem da Viúva (no caso, a designação chistosa do Tesouro Público).
                Seria, pois, de todo interesse - tanto público, quanto nacional - que esse festival político seja encerrado, e venha a ser substituído por um número restrito (pelo bom senso e a Lei) de partidos que realmente representem ideológicamente o Brasil. Para tanto, eles não podem continuar a ser o que hoje são - letras que não tem correspondência na realidade, e de que muitos tomam incômoda ciência quando das eleições presidenciais, em que comparecem também grêmios políticos que na verdade só representam os respectivos "donos",  que são aqueles que, a cada quadriênio, surgem na telinha proclamando uma ambição presidencial - e reivindicando fotos com os principais candidatos - i.e., aqueles que tem uma chance real de virar presidente - num teatro, que de tão ridículo nos dá uma dor no pescoço[4], eis que tais senhores - que carregam as chamadas legendas de aluguel - tem chance que beira o zero em virar presidente...
                  É bom lembrar, por fim, que um dos maiores especialistas em reforma política do país, o Ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, reforça o coro contra a aprovação de um fundo público de financiamento eleitoral com um custo de R$ 3,6 bilhões (!). "Em lugar do financiamento, é preciso pensar no barateamento das eleições", disse Barroso à Coluna do Estadão.
         
( Fonte:  O  Estado de S. Paulo )



[1] A antiga Polônia é um exemplo, e por isso foi vítima de partilhas pelos fortes vizinhos (então Rússia, Prússia e Aústria-Hungria);
[2] Partido Alemão Livre.
[3] Partido Socialista Alemão
[4] aquela dor sentida por Lord Altricham, quando ouvia a então jovem rainha discursar...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A reação de Maduro a Trump

                       
       No mínimo farsesca a reação de Nicolás Maduro à ameaça do Presidente Donald Trump de adotar  uma eventual "opção militar" para a crise na Venezuela.
       Além de determinar às Forças Armadas  'um exercício cívico-militar de defesa integral da Pátria', acrescentou  o mandatário: "O povo está decidido a enfrentar o ódio racista dos Estados Unidos. Go home!"
        Por sua vez, com a covarde tática habitual de fazer a oposição pagar por reações da opinião pública internacional ,  e em especial a americana, o ditador acrescentou que "ele pediu à Assembleia Nacional Constituinte - que é o seu instrumento para a implantação plena da ditadura no país - que investigue um suposto "elo da oposição" venezuelana com a declaração do Presidente americano.
          Maduro não se pejou de ligar a ameaça americana "ao fracasso dos protestos da oposição contra seu governo", que deixaram 125 mortos no país  abril último. E ainda por cima aditou: que os opositores que não criticaram a fala de Trump, podem ser julgados ... por traição.
           É muito cinismo desse ditador de fancaria que ousa atribuir o "fracasso dos protestos da oposição contra seu governo" como se fora que as  mortes em praça pública representassem  o recibo da prevalência de um governo corrupto e odiado  pela esmagadora maioria da gente venezuelana.
            As vítimas do carrasco usurpador não morreram em vão. A brava gente venezuelana - que vota com os pés, seja emigrando para a Colômbia ou o Brasil, seja enfrentando os covardes assassinos dos coletivos estipendiados pelo Tirano, seja negando-se a comparecer às habituais farsas eleitorais - sabe que a História será sempre o próprio apoio, e que a pontualidade do castigo pode tardar com a eventual mudança dos ventos, e as rápidas saídas de cena.
            Por ora, a escolha ainda está nas mãos do Ditador. Na calada da noite, quem sabe?,  partirá sem deixar saudades.  Não será decerto o primeiro - nem o último!

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Furado acordo Joesley - MPR

                              

      Noticia o Estado de S. Paulo que o empresário Joesley Batista e outros executivos do Grupo J&F esconderam crimes praticados no BNDES em delação premiada.

      O notório e polêmico acordo do grupo  J&F - negociado com a Procuradoria-Geral da República - que levou à sua delação premiada, em que o empresário Joesley Batista e outros executivos do Grupo J&F esconderam crimes praticados no BNDES, e se livraram de cumprir pena de prisão - agora é denunciado pelo Procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal em Brasília.
      O Procurador Marx afirma que - apesar da imunidade penal obtida pelos delatores no acordo com a PGR - as fraudes em aportes feitos na empresa estão demonstradas. 
       Nesse sentido, Marx pretende apresentar denúncia e cobrar R$ 1 bilhão por prejuízos ao Erário público.

        No inédito e polêmico Acordo de Leniência de R$ 10,3 bilhões firmado pelo Ministério Público Federal com a J&F, esse valor não foi coberto.   
        A negociação em tela foi conduzida pelos procuradores da Operação Greenfield, que apura desvios em negócios do frigorífico e em outras empresas do grupo com fundos de pensão. "Nós (da Bullish) não aderimos a esse acordo", afirmou. Tanto a JBS quanto o BNDES preferiram não se manifestar.

        Nesse sentido, o Procurador Ivan Marx, do Ministério Público Federal, em Brasília, afirmou que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam em suas delações premiadas, crimes praticados no BNDES. Não obstante a polêmica imunidade penal obtida pelos delatores da J&F no acordo com a Procuradoria Geral da República (PGR), Marx disse  que pretende apresentar denúncia pelos delitos e cobrar R$ 1 bilhão a mais da empresa por prejuízos ao Erário Público.

         O Procurador Marx é responsável pela Operação Bullish, que tem como objetivo os negócios da instituição financeira (BNDES) com o frigorífico. Nesse sentido, Marx afirma que as fraudes em aportes bilionários feitos na empresa estão demonstradas na investigação. "Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou mais de R$ 1 bilhão de problemas em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação", disse Marx ao Estado de S. Paulo.

             Entre 2005 e 2014 - portanto em pleno céu azul petista, nas administrações Lula e Dilma - o BNDES aportou R$ 10,63 bilhões ao Grupo J&F que controla a JBS, para viabilizar a aquisição de outras companhias, o que a transformou em líder mundial no segmento de proteína animal. Essa política foi amplamente adotada nos governos Lula e Dilma, com vistas à criação de campeões nacionais em alguns setores da economia.
                Em delação, homologada pelo STF,  executivos da JBS disseram ter pago propina ao ex-Ministro da Fazenda Guido Mantega para não atrapalhar (sic) os trâmites  das operações no BNDES. (Mantega nega).  Contudo, alegaram eles, que não houve interferência na análise técnica e na concessão dos aportes pelo banco.
               Laudos da Bullish, deflagrada em maio, apontam que houve fraudes em pelo menos seis aportes feitos pelo Banco na empresa. Marx disse que as investigações mostram que houve, no mínimo, gestão temerária nas operações. Para ele, tal justifica processar tantos os gestores do banco, quanto os executivos, na condição de coautores.
              "O BNDES não fez isso sozinho. Foi sempre por demanda deles (a JBS )", afirmou Marx, ressaltando que os crimes estão "muito bem detalhados" no inquérito. "A empresa errou quando se 'esqueceu' que o problema dela" é o BNDES, disse o Procurador Ivan Marx.
              A operação avalia agora se houve outros delitos, além de gestão temerária. Não há prazo para a eventual denúncia. Tanto a JBS quanto o BNDES não se manifestaram.
                No que tange à Delação, o Procurador Marx declara que não é sua tarefa, mas da PGR, tomar eventuais  medidas para suspender ou anular as colaborações, por possível omissão de fatos criminosos. E assevera: "O que me cabe é dizer que tenho prova dos crimes e processá-los."
                 Nesse sentido, o Procurador Marx criticou a conduta adotada com delatores, de chamá-los para complementar depoimentos quando se demonstra que ocultaram informações dos investigadores. Para ele, a prática, conhecida como recall,  passa a mensagem de que vale a pena esconder dados no momento dos depoimentos e só revelá-los depois, se descobertos: "Se você provar, eu faço recall".

                   O procurador também avalia ajuizar ação de improbidade administrativa para cobrar da JBS prejuízos causados pelas operações do BNDES, por ora calculados em R$ 1 bilhão. Segundo Marx, o valor em tela não foi compensado pelo acordo de leniência de R$ 10,3 bilhões firmado pelo próprio Ministério Público Federal com o Grupo J&F.
                     A negociação foi conduzida pelos procuradores da Operação Greenfield, que apura desvios em negócios do frigorífico e outras empresas do grupo com fundos de pensão. "Nós (da Bullish) não aderimos a esse acordo", disse Marx.
                  As críticas de Marx aos delatores da JBS  não se limitam a tais observações.  Como foi ontem mostrado pelo Estadão, o procurador alega que a empresa J&F tem sonegado documentos.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O estranho êxito do míssil intercontinental

                  

        E não é que nossa muito conhecida Ucrânia tem boa parte das respostas que explicam o surpreendente feito do míssil de Kim Jong-un?
        Segundo desconstruída pelos X-9 e os expertos em mísseis do Ocidente, a tal proeza missilística da Coréia do Norte teve muito mais a ver com a inesperada ajuda por baixo do pano. E vem de usina localizada perto de Dnipro, na Ucrânia, em território que gospodin Putin vem tentando arrancar dessa antiga república soviética.
         É a Yuzhmash, que sem encomendas do vizinho patrão russo, atravessa tempos difíceis desde que o corrupto presidente Viktor Yanukovych, fiel aliado do Kremlin, foi derrubado  em 22 de fevereiro de 2014. Quando mandava Yanukovych não faltaram ordens do governo russo para que a Yuzhmash produzisse motores de míssil, mas dentre os males que caíram sobre a Ucrânia após a expulsão do presidente aliado de Putin - e não foram poucos, como a perda da Criméa, e a fajuta revolução no leste do país, com lutas dos separatistas com armas fornecidas por babuchka Putin (que até hoje persistem) o demonstram, a própria Yuzhmash estaria em maus lençóis.
          Mas a empresa, especialista na construção de motores para grandes mísseis intercontinentais, pode ter abocanhado tal inesperada oportunidade, e assim se explicaria, porque do dia para a noite o grande Kim Jong-un resolveria o probleminha do grande míssil, indispensável para assustar a Superpotência...
           Assim, segundo a análise detalhada dos investigadores das Nações Unidas, na segunda investida, seis anos depois do intento de furtar segredos missilísticos do complexo ucraniano, Pyongyang teria tido êxito.
            Parece inegável que houve cochilo dos muitos países que monitoram a Coréia do Norte, o que levou a um pesado e agourento fracasso do sistema de controle missilístico de Pyongyang.
            E a "descoberta" de Kim Jong-un do foguete Hwasong-14, que espantou o Ocidente cobrindo distância para ameaçar o Alaska, na verdade, mal encobria o que acontecera. Por "cortesia" da fábrica ucraniana surgiu como possível substituto o RD-250.
             Como temiam os expertos na matéria, a exemplo de Michael Elleman, especialista em mísseis  do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos,  os tais saltos tecnológicos da Coréia do Norte não existiram. O que houve foi quase certamente a apropriação indébita de  míssil fabricado na Ucrânia pela empresa Yuzhmash, usina estatal que atravessa tempos difíceis...  


( Fonte: The New York Times )

Querem desarmar o gigante Brasil ?

                       

      Segundo assinala o Estado de S. Paulo, em manchete, nos últimos cinco anos, os recursos orçamentários das Forças Armadas brasileiras foram reduzidos em 44,5%. Só as verbas ditas discricionárias caíram de R$ 17,5 bilhões para R$ 9,7 bilhões.
     Tais valores não incluem despesas coercitivas, v.g. com alimentação, salários e saúde dos militares.
       Enquanto o Congresso dispõe alocações para fundos partidários - que já estão inflados e que poderiam ser reduzidos, eis que estão na contramão  da opinião pública, dada a manifesta proliferação de partidos que muita vez nada representam senão o ego do respectivo controlador. Já no campo da Defesa Nacional, segundo o comando das Forças Armadas, no ano de 2017, houve contingenciamento de 40% e os recursos só são bastantes para atender a gastos até setembro.
        Se não houver liberação de mais verba, o plano é de reduzir o expediente e antecipar a baixa dos recrutas. Atualmente, já há substituição do quadro de efetivos por temporários, para reduzir o custo previdenciário. Nesse sentido, integrantes do Alto Comando do Exército, Marinha e Aeronáutica avaliam que há risco de colapso.
         Esses cortes forçados implicam em  não-realização de atividades que têm muito a ver com a segurança nacional. Dessarte, a Diretoria de Fiscalização  de Produtos Controlados (DFPC) do Exército, responsável por monitorar o uso de explosivos, está sendo atingida.  Nesse sentido, perdeu ela parte da capacidade operacional para impedir o acesso  à dinamite por facções criminosas, como o dito "Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho", que roubam e depredam bancos e caixas eletrônicos.
        Mostrando o interesse público dessa atividade das Forças Armadas, que a vêem coartada em ação de alto interesse do Povo brasileiro, eis que o dito "contingenciamento" reduz de forma drástica a fiscalização do uso de explosivos, o que abre as portas para o incremento das explosões de caixas dos bancos. Nesse sentido, a DFPC é um dos órgãos das FF.AA. de apoio ao sistema de segurança pública atingidos em cheio pela falta de recursos a serem providos pelo Estado.
             Como se verifica acima, há uma razão bastante constrangedora para esse corte nos fundos estatais. Essa sequência de explosões de caixas bancárias, notadamente em bancos públicos no interior,  mas não só na área interiorana, como há explosão do cofre de agência da Caixa, fronteira à praça da Paz, no elegante bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, o que mostra com gráficos e incômodos detalhes o crescente atrevimento dos bandidos, que já não mais se cingem a ataques contra filiais interioranas de bancos.
              Diante dessa falta de fundos, a diretoria competente das Forças Armadas está tendo crescentes dificuldades em manter operações, assim como o combate a desvios de explosivos para o crime organizado.  É interessante assinalar que no passado mês de julho, a Federação Nacional de Bancos (Febraban) esteve na Comissão de Segurança Pública da Câmara para pedir maior combate ao crime organizado. Há 23 mil agências e 170 mil terminais de autoatendimento no país. Só no corrente mês de agosto, quadrilhas destruíram com dinamite agências em Lindóia (SP), em Indaiatuba (SP), e em Capelinha (MG).  Em junho, a bandidagem agiu em Brasília - e são 22 ações desde 2016 no Distrito Federal.
                Pressionados por incremento tal na ação do crime organizado, que é diretamente imputável à diminuição de recursos de órgãos de alto interesse público, como é os que cuidam de dificultar o acesso do crime organizado aos explosivos, o Estado colheu declarações de altas autoridades, que só servem no momento para sublinhar que a dificuldade nesse campo de alto interesse nacional continua. Dessarte, o Presidente Michel Temer disse estar tomando medidas em relação ao contingenciamento: "Nós queremos devolver dinheiro, digamos assim, para os vários setores da Administração, e, em particular, às Forças Armadas."
                 Além disso, a respeito das compreensíveis reclamações das FFAA, que se vêem impedidas de exercer as suas atribuições constitucionais, manifestou-se, outrossim, o Ministério do Planejamento, ainda que através da respectiva assessoria, ao afirmar que se "esforça" para resolver os problemas "mais graves". "Entretanto, qualquer ampliação de limites" - apressou-se em assinalar o citado Ministério - "sem que haja redução em outros ministérios, depende de aumento do espaço fiscal."
                  O que está afetando às atividades de interesse público das Forças Armadas? A lista, infelizmente, e sobretudo para o Povo brasileiro, não é pequena: a falta de recursos afeta notadamente a vigilância na fronteira, os pelotões do Exército na Amazônia, a fiscalização da Marinha nos rios dessa região e na costa brasileira. Outrossim, por medida de economia, a Aeronáutica paralisou atividades, reduziu efetivos e acabou com esquadrões permanentes, nas bases dos Afonsos, no Rio, de Fortaleza, de Santos e de Florianópolis.
    
                          Não se é ingênuo para pensar que tais cortes sejam voluntários e que eles não impliquem em afrouxar o controle ao contrabando, tanto na fronteira, quanto na Amazônia, sem mencionar outra importante figura, que não pode ser empurrada para baixo do tapete, que é a implícita, mas também clara ameaça contra a segurança nacional.
                       Para que se tenha ideia da medida em que tais cortes - ainda que involuntariamente - facilitem a ação do tráfico, do contrabando e de outras forças que ameaçam à segurança de nosso Povo, tais cortes - motivados pelos gastos desmesurados de certos setores, como os do fundo partidário e de outras áreas afetas ao Congresso Nacional - se efetuam, sobretudo, em projetos inseridos no PAC (programa de aceleração do crescimento). O contingenciamento pode antecipar a dispensa de recrutas, assim como atrapalhar o treinamento de soldados para, v.g. agir no Rio de Janeiro (contra a brutal extensão da criminalidade na antiga Capital - i.e. roubo sem limite de carga em caminhões, domínio pelo tráfico de grandes vias de circulação, como a Linha Vermelha, áreas a que o comum dos mortais não tem acesso por determinação do tráfico de entorpecentes, que golpeia de morte quem nelas adentra, mesmo por motivos fora da vontade de tais infelizes que são exterminados pelas balas do tráfico de entorpecentes. A par disso, as Forças Armadas se vêem obrigadas a impedir a realização de voos para interceptar aeronaves clandestinas !

                         Que redução é essa do orçamento nacional que corta recursos indispensáveis à segurança nacional?

                          Para reduzir os gastos, as Forças Armadas também estão trocando o quadro efetivo pelo temporário e, por conseguinte, reduzindo a tropa.  As altas autoridades militares têm demonstrado muita contenção, talvez mesmo acima do que a situação impõe.  Nesse sentido, segundo o comandante do Exército, general-de-exército  Eduardo Villas Bôas, os cortes "foram muito elevados, fora dos padrões." (meu o grifo)
                            Com 40% do orçamento contingenciado, a Aeronáutica cogita de suspender o expediente às sextas-feiras. Para se adaptar, a Força Aérea centralizou as atividades em Anápolis e Natal.  "A FAB já voou duzentas mil horas por ano no passado. Este ano havia um planejamento para voarmos 122 mil horas.", declarou o Brigadeiro Nivaldo Rossato, comandante da Aeronáutica. "As restrições orçamentárias de toda ordem devem reduzir esse montante de 110 mil horas em 2017"

                               Com navios de 35 anos de idade média, a Marinha coleciona no mar e nas águas da Bacia Amazônica embarcações obviamente ultrapassadas para as funções que lhe são cometidas.  O comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira declarou que é preciso pelo menos R$ 800 milhões a mais por ano para manter a esquadra. "Isso precisa ser acertado ou a nossa esquadra de superfície vai desaparecer em pouco tempo", asseverou o Comandante de nossa Marinha de Guerra.

                                 O alcance dos cortes impostos pelo Congresso e o Presidente da República preocupa o Comandante da Marinha, e não creio estar extrapolando, quando enfatizo que tais cortes atingem de forma igualmente prejudicial, pelo menos, ao conjunto de nossas Forças Armadas, tanto o Exército, quanto a Marinha e a Aeronáutica.
                                   É de toda pertinência, por conseguinte, a observação do Comandante da Marinha de Guerra, no que tange a 2018. Data venia, não nutro a menor dúvida, que preocupações e perigos similares rondem as outras duas Forças Nacionais, tanto o Exército, quanto a Aeronáutica militar: "Antevemos o risco para programas estratégicos e também para o funcionamento pleno das nossas atividades diárias, com reflexos em serviços que atingem diretamente a população, como aqueles relacionados à segurança da navegação."


(Fonte: O Estado de S. Paulo)

domingo, 13 de agosto de 2017

Colcha de Retalhos E 27

                          
O abrupto ocaso de Usain Bolt

         O maior velocista do mundo caíu vítima da hubris, ou da excessiva confiança na sua capacidade atlética, passados os trinta anos.
         De acordo com o médico da delegação jamaicana, Kevin Jones, Bolt teve uma cãibra no músculo posterior da coxa esquerda. "Muito da dor advém igualmente da decepção por perder a corrida" (que costumava ga- nhar com facilidade)." As últimas três semanas foram duras para ele.
        Segundo o americano Justin Gatlin, de 35 anos, Bolt vai voltar aos campos em dois anos. "Ele estará pronto, porque tem paixão pelo esporte. Ama os fãs e eles amam Bolt."
         Como se verifica, o americano Justin Gatlin, que é mais velho(35) do que Bolt  (30) confia em que ambos voltarão às pistas.
          Bolt por ora tem oito ouros olímpicos e onze em mundiais.  Além das medalhas, ele tem dois recordes dos 100m (9s58), dos 200m (19s19) e do 4 x 100m (36s84)

Primária legislativa é desafio para Macri e Cristina.

          No domingo treze, os argentinos voltam às urnas.Renova-se um terço do Senado (24 cadeiras) e quase a metade da Câmara de Deputados (127).
          Como os institutos de pesquisa da Argentina não são confiáveis - foi por eles prevista a derrota do atual presidente Macri já no primeiro turno - há muito incerteza quanto ao resultado dessa eleição.
           Haverá pelas urnas a primeira avaliação do governo Macri (19 meses no cargo). O objetivo da aliança governista Cambiemos (mudemos) será garantir a governabilidade, com vistas a ganhar mais cadeiras no Congresso.
             Cristina sairá como candidata a uma eleição majoritária. Aposta no seu futuro político como representante no Senado da província de Buenos Aires.
             Por ora, as pesquisas dão a Cristina uma pequena vantagem sobre seu adversário direto, Esteban Bullrich, ex-ministro da educação.
             Outro problema dos peronistas é que não lograram unificar-se ao redor de uma candidatura. A própria Cristina não quis sequer disputar internamente com outro peronista dentro do Partido Justicialista. Preferiu sair, batendo a porta, e criando um, o Unidad Ciudadana.

Falta de Perspectivas para o Rio

             A antiga cidade maravilhosa não está tão maravilhosa quanto pensam o Governador Pezão e a notória Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), tampouco tem mostrado a vontade de mudar para melhor.
             O problema do Rio se agrava também com as balas perdidas, que continuam impávidas, especializadas que são em matar inocentes.
            O nascituro cuja vida começou a ser ceifada no ventre da mãe - o parto estava previsto para o dia seguinte, quando a infeliz genitora foi ferida por um projétil ( bala perdida ) e um drama que comoveu uma cidade já quase insensibilizada começou.
            A equipe médica fez todo o possível para salvar Artur, e a princípio pareceu que o nascituro-vítima iria escapar.  No entanto, a má sorte persegue até os inocentes, e os médicos prognosticavam que o bebê Artur nasceria já hemiplégico.
            Infelizmente, o jovem casal e o menino lutaram em vão.

Roubo de cargas

           Como a polícia ou não funciona, ou não dispõe de meios para tanto, a Cidade Maravilhosa vem registrando aumento sustentado no roubo (é roubo mesmo, e não furto) de cargas, em geral próximo de zonas de favelas.
           Falou-se muito de um auxílio extraordinário do Exército para o Rio. Muita conversa - seria coleta de dados para atuação mais segura - mas a situação não mudou (após uma breve inflexão inicial).
           O Globo de hoje já resume o que isto significa para os consumidores. Como não há repressão, os camelôs se tornaram os principais receptadores de mercadorias roubadas nas estradas de acesso ao Rio de Janeiro.
          Assim, a mala vita proporciona carnes congeladas, cereais e até iogurtes, a preços muito convidativos (para quem se aventure a compra de tais vendedores), eis que em geral estão abaixo em até 20% dos preços do mercado.
           Comprar desses "revendedores" além de tecnicamente configurar um crime, alimenta o roubo de cargas, que é um dos delitos mais comuns  nessa 'cidade-livre' do Rio de Janeiro. Os roubos de carga estão pelo 28 por dia, e por isso já surgem as zonas de exclusão onde entregas já não são feitas.
           E não se esqueçam que nenhum caminhão de entrega está livre. Nesta semana, atacaram caminhões de entrega de jornais e revistas.
           Entrementes o Governador,dando os motivos de praxe, crê oportuno pedir autorização para adquirir um jato para que ele se transporte com mais rapidez.
           Dada a situação do Estado, os salários atrasados dos servidores, inclusive de aposentados, a postulação do Sr. Pezão preocupa. Não tanto pela possibilidade de que venha o Estado a comprar ou alugar a dita aeronave, dada a sua situação financeira. Mas se falta a esse senhor Pezão um mínimo de percepção da crise que enfrenta o Estado (os PMs vem sendo mortos de uma forma tão brutal, quanto sistemática, que os poderes não digo do Rio, mas deste mundo já se afiguram inadequados para enfrentar essa brutal deficiência nas forças do Estado, para aonde que o nervoso e inquieto olhar da população aventurar-se possa).


( Fontes: O Globo, Rede Globo,vida diuturna do carioca )

Esse Congresso...

                              

         Repercutiu muito mal junto à opinião pública a votação em comissão de um ultra-generoso Fundo Partidário para a próxima eleição.
         Em época de graves problemas orçamentários, a cegueira política em olhar apenas para os próprios interesses egoístas, em se autovotando generosos fundos, quando há grave crise na solvência do crédito público - a par da egotista visão que pensa apenas nos respectivos interesses e que o resto vá para a breca, decerto não nos fornece boa impressão quanto à visão dos parlamentares acerca do melhor emprego das dotações públicas.
         O Congresso, segundo muitos observadores, pensa tão só nos próprios interesses. Se tivesse visão mais larga, se deteria um pouco mais no escândalo da multiplicação partidária, que decorreu de pouco sensata sentença do Supremo, fulminando discreta lei do Congresso que instituía a cláusula de barreira.
         A falta de qualquer limite neste campo - sob a falsa teoria de um crescei e multiplicai-vos das alegadas diversas tendências, que resulta na infindável cissiparidade de partidos nanicos - além das oportunistas legendas de aluguer - que se locupletam com as receitas públicas que são derramadas nesses ridículos micropartidos, e que chegam, a cada quadriênio, para nossa mui particular vergonha, a apresentar conhecidos candidatos à presidência, que surgem nesses intervalos políticos  - deles um dos mais notórios, chegando a tirar fotos com reais candidatos, v.g. Dilma Rousseff, é  José Maria Eymael.
         Malgrado a estranha sentença de impeachment que desrespeitou preceito constitucional de suspensão dos direitos políticos - no então incrível fatiamento da cláusula constitucional que dispõe sobre a matéria, e que foi abraçada pelo então presidente do Supremo, o Ministro Ricardo Lewandowski, que acolheu pressuroso a proposta de partido saído do PT, na dissidência que constituíu o ultraesquerdizante chamado PSol. Lewandowski sequer piscou  em acatar o que o leguleio da ultraesquerda ex-petista propunha - que o impeachment da Presidenta pulasse as disposições quanto à suspensão dos direitos políticos... Será acaso por isso - embora os exemplos de que se valeu foram diversos, pelo considerável decurso de tempo interveniente - que o defunto general Charles de Gaulle, então todo poderoso Presidente da França, disse, no contexto da guerra da Lagosta - tão cínica e injusta assertiva quanto a exclamar que "Le Brésil, c'est pas un pays sérieux ![1]"

( Fonte: Tevê Globo )




[1] "O Brasil não é um país sério!"