terça-feira, 31 de março de 2020

A Ditadura Húngara


                         
       O primeiro ministro húngaro, Viktor Orbán, rasgou o que lhe restava de máscara, enquanto à colocação da Hungria entre as democracias - que até o presente ainda podia tentar valer-se de sua presença na União Europeia como uma espécie de álibi,  como se fora país em que não só a Lei, mas também o pensamento se respeita - e, sem embargo, foi arrastada pelo seu Primeiro Ministro  para a governança autoritária, em que qualquer veleitária fachada democrática é sumariamente abandonada.

          Que esse pequeno monstrengo autoritário possa conviver na sociedade do organismo de Bruxelas, por um lado espanta e exaspera, na medida em que se admita continue nesta assembleia criada por democratas para que se constituísse uma sociedade de peso, em que a Lei e o Bem Comum fossem promovidos sob a condição mínima do respeito à Democracia, eis que qualquer regime em que a Liberdade não prevaleça representa a antítese do Projeto dos Pais da União Europeia, como Konrad Adenauer, De Gasperi e Charles de Gaulle.

            Não creio seja o caso de aprofundar o exame da tragédia húngara. Nas ditaduras, sobretudo naquelas que ao invés do tacão das botas, se fantasiam sob leis que oprimem e sufocam a democracia, supostas formalidades podem estar sendo alegadamente observadas, mas que não se enganem as suas vítimas porque a Lei aprovada pelas torpes maiorias do absolutismo são arremedos de uma outra triste realidade, que é a da hipocrisia. Nenhuma Ditadura, qualquer que seja a respectiva roupagem, há de conferir ao próprio líder outra aparência que a de um tirano, que pensa encontrar no terror que inspira aos próprios cidadãos respeito e obediência, quando na verdade tais infelizes são apenas vis servos da Hipocrisia, como princípio e do Medo, como realidade .

              Muitas palmas então ao pequeno Tirano de uma Hungria que se sente ficou menor,  sob o manto da régia mediocridade que é o adereço dos pobres de espírito !

(  Fonte: Folha de S.Paulo  )

Mandetta está só ?



                         

       Dois ministros de alta relevância política - Sérgio Moro, na Justiça, e Paulo Guedes, na Economia, segundo posta em primeira página a Folha, se uniram nos bastidores em apoio a Mandetta e em defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e quarentena da população, no combate à pandemia da Covid-19.
          Segundo a Folha, com o apoio de setores militares, o trio ministerial teria forma-do uma espécie de bloco  antagônico ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro, que é contrário ao confinamento das pessoas e ao fechamento do comércio.
           Na interpretação  do jornal paulista, o isolamento político  do presidente aumenta diante do aval que Mandetta já colheu da cúpula do Legislativo e  Judiciário. Nesse contexto,  se chama a atenção para o destaque dado por Dias Toffoli, atual presidente do STF, quanto à necessidade do distanciamento social.
            Compondo o quadro político, na avaliação do Ministro Moro, sempre segundo a referência do jornal, consoante relato a terceiros,  é que o presidente estaria descontrolado, deixando aflorar sentimentos de raiva contra supostos inimigos.  Por sua vez, o Ministro Guedes manifestou seu apoio ao Ministro Luiz Henrique Mandetta  para políticos, em contatos no fim de semana.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

Miriam Leitão e o Risco Duplo


                                 
        Visitar os colaboradores de um jornal corresponde a uma espécie de avaliação da qualidade do órgão de imprensa. Tenha cuidado, leitor,  no entanto, diante de tal assertiva.Em toda obra humana, o equilíbrio e a abrangência são fundamentais.
         Além de ser, por exemplo, risível a circunstância de inserir algum jornalista de nomeada, em órgão de imprensa marcado pela mais burocrática mediocridade, na esperança de que vá transformar a imagem daquele diário, e dar-lhe o peso da relevância, não se estará dizendo nada de novo ou surpreendente, se tivermos presente que entre medíocres aquela presença não fará outro efeito do que a passagem de um cometa. Nada mudará, porque o que faz o sucesso de um meio de comunicação é a sua qualidade, e tal pressupõe, decerto, equilíbrio, abrangência e coerência, para ficarmos em qualidades essenciais, cuja ausência se reflete sobre a credibilidade da informação.
          Haverá outros tópicos, mas para a minha modesta impressão, se a qualidade é necessária, a ausência dos atributos acima referidos importaria em lacunas que não são consentâneas em grandes veículos de informação.
          O Rio de Janeiro já teve muitos jornais de peso. A resistência no tempo dos grandes veículos da informação impressa, diante dos múltiplos desafios colocados pelos meios de comunicação eletrônica, está decerto sujeita a um número crescente de obstáculos, diante da concorrência da televisão, e das dificuldades colocadas pela evolução da sociedade pós-moderna. O Rio já teve uma pletora de jornais que até trouxeram melhoras e atualizações na qualidade gráfica, como foi v.g. a Última Hora, outros que, sem serem pasquins, estavam muito ligados ao personalismo político, como é o caso da Tribuna da Imprensa, com o tribuno Carlos Lacerda, cujo vitriólica palavra provocou alguns estragos. Lacerda envolveu-se em muitas conspirações, mas emudeceu por um tempo pelo suicídio de Vargas. Como já disse em outro lugar, foi na fila da edição especial sobre a morte de Getúlio Vargas pelo então vespertino  O Globo, que ouvi,na fila de espera para adquirir a sua edição extraordinária, a frase trocada entre dois jovens mais velhos do que eu, os quais me pareceram udenistas : "dizem que a carta é apócrifa". Apesar de bastante jovem, sempre fui partidário de Getúlio, e não tive dúvidas ao escutar o comentário,  cujo sentido então desconhecia, que decerto não era favorável àquele grande presidente...   A imprensa no Rio de Janeiro viu crescer a relevância de outros grandes jornais, como o Correio da Manhã, de Paulo Bittencourt, isto muito antes da chamada redentora instaurar uma versão de terrorismo cultural, com a censura, que chegou a ser instalada nas próprias redações se acaso fossem de oposição ao regime militar.
          Como depois se verificou, o suicídio de Getúlio e a sua carta-testamento (que nada tinha de falsa) passaram a dominar o panorama político, primo durante o governo do vice (Café Filho), que aderira à oposição. A presença de Vargas - a despeito dos jornais oposicionistas (apenas defendia o presidente anterior a Última Hora, de Samuel Wainer), pelo apoio popular que tinha, acrescido ainda pelo trauma do seu trágico fim, como que inviabilizara o governo de seu vice infiel (Café Filho), e cerca de um ano e meio após, a calma do Posto Seis presenciou o desenvolvimento de outro golpe militar, este encabeçado pela facção do general Lott, que poria um tanque na portaria do prédio em que vivia o então presidente, e pouco depois ouvi o estrondo de um canhão do Forte de Copacabana, que visava o cruzador Barroso, e que felizmente errou a pontaria (nesse navio de nossa marinha de guerra viajava com Café Filho a facção contrária àquela do general Lott, que encabeçara o movimento de restabelecimento dos quadros institucionais vigentes, o que trocado em miúdos, apoiava a volta ao processo constitucional e às eleições). Diga-se de passagem que por morar então em prédio no posto seis, a duas quadras do edifício em que residia o vice Café Filho, se o comandante do Barroso houvesse decidido responder ao canhonaço do Forte, não seria de excluir que o autor dessas linhas de testemunha da história aqui não estivesse, dada a potência dos canhões do cruzador. Por felicidade, prevaleceu o bom senso e se evitou a represália, que traria a destruição a uma extensa área do Posto Seis em Copacabana, a qual só mais tarde deu-se conta do perigo que atravessara ...           
             Mas voltemos à colunista econômica Miriam Leitão, a que já tive a oportunidade de manifestar, através desse modesto blog, a boa impressão que me causam as suas avaliações tanto de economia, quanto de política.
              Para infelicidade do presidente Bolsonaro, venho de assistir, através do Fantástico, uma impressionante resenha de o que significa, no campo mundial, a presença do cronavírus (ou da Covid-19), para dar apenas um dos muitos nomes com que se veste este flagelo que faz a muitos relembrarem o que já provocara no Brasil outro virus, como o que recebeu o nome de Gripe Espanhola, logo após terminasse a carnificina da Iª guerra mundial.
               Ao invés de praticar as loucuras (ou sandices) de sair em público e de realizar  tudo aquilo que os profissionais médicos recomendam não faça, dada a gravidade dessa enfermidade, e as consequências que pode causar  para si e para os seus familiares esse gesto impensado e imprudente, quero crer que seja urgente que Vossa Excelência tenha bem presente o cuidado que os Estados Unidos do Presidente Trump estão dispensando a essa pandemia. Todos aqueles que, na Itália ou na Espanha, se meteram na cabeça que essa praga não se devia levar a sério, sofreram consequências  graves ou mesmo mortais que os seus concidadãos  não desejariam que caíssem sobre sua presidencial cabeça. O Ministro Mandetta, talvez por respeito disciplinar,  parece não o estar informando com a força e a clareza necessárias de o que Vossa Excelência teima em ignorar ou afrontar (o que seria no caso, ainda pior). Repense, por favor, Presidente, antes que seja tarde.
Nota.  Problemas de impressão retardaram a postagem do blog.  Somente hoje foi possível resolvê-los com a participação oportuna e competente de técnico em computação. Como o assunto continua atual e relevante creio que continue oportuno para publicação.

( Fonte;  O  Globo )

domingo, 29 de março de 2020

Nas favelas, morador passa fome


                                  

        Enquanto Governo e Congresso não se acertam como hão de proceder para que os trabalhadores venham a receber a ajuda de R$ 600 durante a pandemia,  carestia e a falta de alimentos já afetam em cheio as famílias de favelados.

          Barracos repletos de adultos e crianças que deixaram de ir à escola aonde recebiam a merenda - para estes jovens, a principal refeição do dia - são a nova realidade das favelas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na falta de água corrente, não se dispõe de itens básicos como papel higiênico, fraldas, sabão e detergente.
           Diante de tal situação, e no quadro de penúria e de falta de meios das precárias habitações das favelas, em desespero, muitos moradores já saem de seus casebres para ir atrás de parentes, amigos e entidades assistenciais, em busca de comida e da  ajuda possível.

           Nas comunidades, em diversos pontos, dadas as limitações extremas de tais lugares, em alguns pontos a sensação é de que não há sequer meios por falta de condições mínimas de isolamento para sequer viabilizar  a possibilidade da quarentena, conforme é requerido para a prevenção da epidemia.

              Com as escolas fechando por medidas de prevenção como a aludida quarentena,  e a dispensa do serviço determinada pelo patrão por uma quinzena, incham  gastos com alimentação  e gás de cozinha para a mãe solteira, pois os filhos, ao deixarem de comer a farta merenda na escola,  agora, o prato da noite precisa ser mais consistente.

( Fonte: Folha de S. Paulo ) 

Mandetta, o bom Ministro


                                             
        Na contramão do discurso do Presidente Bolsonaro, o Ministério da Saúde, sob o timão seguro do Ministro Luiz Henrique Mandetta,  apresentou plano que prevê medi-das como o fechamento de escolas e universidades até o fim de abril e a proibição de  eventos, como cultos religiosos. Se no capítulo, as autoridades carecessem de orientação, o que ocorreu em Milão e na região da Lombardia, em que se privilegiou o esporte e o apoio à indústria e ao comércio, o número de mortes nessa rica região italiana, assim como em Milão, mostram o garrafal e condenável erro assumido pelas autoridades ditas competentes, contra a opinião abalizada de

            O documento da Saúde também prevê  o isolamento social de idosos por três meses.

             No mesmo sentido da proteção responsável, a Justiça em três regiões proibiu atos em defesa da reabertura do comércio.

              Apesar de haver buscado, na medida do possível, se alinhar ao Presidente Bolsonaro, o ministro Mandetta criticou os atos acima referidos e falou na possibilidade do lockdown em alguns estados para evitar o avanço das mortes.

              A Itália, nesse particular, como refiro no blog "Bérgamo paga caro pelo menosprezo da quarentena",  ao ignorarem as autoridades dessa cidade industrial o oportuno conselho do Dr. Garattini - melhor tomar medidas drásticas do que se arrepender depois -  pelo grande número de mortes irresponsavelmente provocadas, Bérgamo em muito má hora optou por ignorar a sabedoria da quarentena. 

( Fonte: O Globo )

sábado, 28 de março de 2020

Bolsonaro: sem controle ?


                                    
        O colunista conservador Merval Pereira expressa, na sua coluna hodierna, o próprio desalento de ter na Presidência da República, sobretudo em momento de grave crise como no presente, pessoa que seja capaz de dizer essa frase em público: "Alguns vão morrer? Vão morrer, ué, lamento. Essa é a vida, é a realidade ".

          Com certa flexibilidade ética, Merval confessa  que "há certas coisas que se pode pensar, mas nosso superego  impede que digamos em voz alta devido a um processo civilizatório a que somos submetidos socialmente (V. Freud). "Mas Bolsonaro, como já ficou provado em outras ocasiões, não tem superego".
         M. Pereira alude à possibilidade de que Bolsonaro  se venha a valer do exemplo de Milão, que tentou minimizar os efeitos da pandemia e acabou  se tornando o epicentro de uma tragédia humanitária  Nesse contexto,de nada servirá que ele dentro de um mês se desculpe, como fez o prefeito de Milão que, ontem, diante da catástrofe que se abateu sobre seus concidadãos, admitiu publicamente que desprezara os perigos da Covid-19.
          Algo deve estar muito errado para quem tem dentro do Palácio do Planalto o chamado "gabinete do ódio", que opera nas sombras para disseminar boatos e fake news (notícias falsas).
           O articulista se preocupa, ao cabo em "qual é o limite que o hoje presidente brasileiro pode ir até que seja bloqueado pelas armas da democracia".
            Quando esse tipo de pergunta é colocado, se tem a impressão de que as coisas vão muito mal em Pindorama...                 

( Fonte: O Globo )

Após subestimar pandemia, Boris fica infectado


                             
         Confirmando o seu jeito trapalhão,  o Primeiro Ministro inglês, depois de debochar da pandemia,  ficou infectado, junto com seu ministro da Saúde, Matt Hancock.

             Johnson chegou a ironizar a pandemia ao aconselhar os britânicos a lavarem as mãos durante o tempo que durasse a canção "Parabéns pra Você" . Ele foi um dos últimos líderes europeus a tomar medidas de restrição, mesmo quando a pandemia já atingia a quase todo o continente europeu.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Confrontação Doria - Bolsonaro


                              
       O governador de São Paulo,  João Doria (PSDB)  fez discurso  repleto de críticas ao  Presidente Bolsonaro, em resposta à campanha em defesa da retomada das atividades comerciais no País. "O Brasil precisa discutir quem será o fiador das mortes no Brasil", disse Doria.
          O pronunciamento ocorreu durante vistoria das obras do hospital de campanha que está sendo construído no Estádio do Pacaembu.

           Ainda durante a madrugada de ontem, Doria registrou um boletim de ocorrência, após receber telefonema com ameaças de morte, segundo informou o Palácio dos Bandeirantes. A segurança do governador foi reforçada e a Polícia Civil apura a origem da ameaça.
            Nesse sentido, o governador paulista acusa o chamado "gabinete do ódio", grupo de assessores que trabalha no Planalto, de orquestrar a série de ameaças que disse ter recebido na noite de ontem, 27 de março.

( Fonte:  O  Estado de S. Paulo )                                      

Paciência, diz Bolsonaro quanto às mortes


                              
      O Presidente Jair Bolsonaro voltou a cobrar, ontem dia 27, na TV o fim da quarentena para deter o novo coronavírus no Brasil.
         No dia em que o Governo lançou a campanha "O Brasil não pode parar",ele disse em entrevista a José Datena que a solução (sic) para o país não quebrar é deixar "os velhinhos em casa"  e retomar as atividades.  "Infelizmente, algumas mortes terão, paciência acontece, e vamos tocar o barco. As consequências depois dessas medidas equivocadas, vão ser muito mais danosas do que o próprio virus", afirmou.
          Após o início da campanha do governo, apoiadores do presidente saíram em carreatas em pelo menos seis estados, para reivindicar a reabertura do comércio. Os governadores  de Mato Grosso, Rondônia e Roraima aderiram à posição de Bolsonaro, mas não João Dória, de São Paulo, que criticou a campanha do Palácio do Planalto. Parlamentares preparam contestação no STF, eis que a orientação  presidencial  vai na contramão das recomendações de organismos de saúde.
          É muito provável que as sanhudas determinações de Bolsonaro -  deixar os velhinhos em casa - sejam derrubadas pelo Supremo.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Papa Francesco


                      

       Nessa época marcada por falsos profetas e por  tantas expressões da pouca Fé e do  Mal, não será decerto por vez primeira, que  Papa Francesco nos mostra quão importante,  significativa e, sobretudo, espiritualmente enriquecedora possa ser a presença do emissário do Filho de Nosso Senhor entre nós. Que não se enganem opositores e eventuais detratores com a sua suposta fragilidade. Pois se o vento pode soprar forte e avassalador na aparência,  o Santo Padre não o teme. Ainda que curvado, a despeito das intempéries,  Sua Santidade avança  com os passos firmes de uma fé que remove montanhas. Em verdade, na sua alva simplicidade, ele é o Bom Pastor, e leva nas mãos, carregando a mensagem da sucessão apostólica. O cajado do Senhor, ele o conduz na sua perene missão de Bom Pastor, com a firmeza da Fé. Vê-lo aparecer na imensa solidão da magnífica Praça que a Fé e divina inspiração criaram no traço inspirado do genial artista de uma época decerto feliz na conjunção de mentes privilegiadas e de pristinos momentos na expressão da Fé e da Devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo.  Vê-la hoje despojada de fiéis, se assistidos pela firmeza na Devoção, mostra na verdade mais um momento inesquecível da Presença de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Praça de São Pedro não deixa, por seu desenho e imanente grandeza, por um só instante, de nos levar à presença do Príncipe dos Apóstolos, a que por Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o Papa  Francisco a mostrar para todos nós, ele que, como o Bom Pastor,  porta o bordão do Senhor, e por nós, que o seguimos, de longe e de perto, e dele, como sempre, esperamos a Boa Nova.

        É decerto difícil a hora que atravessamos. Mas se Jesus Cristo é nosso Pastor, o seu representante na Terra, é Papa Francisco, e pela sua mensagem apostólica, em que se dão as mãos a Fé e a Firmeza, não nos esqueçamos de que será através dele que revisitaremos tempos melhores, guiado que Sua Santidade é pela Fé, a Esperança e a Caridade. Ele, que porta o cajado do Senhor, é o nosso Pastor, em verdade o Bom Pastor, que confronta tempos como o presente levando nas próprias mãos como único estandarte a Fé que não só mostra o caminho da Salvação, e de que é sinal, tão firme quanto inesquecível, que Ela conduzirá pelos bons caminhos da Salvação, seja presente, seja divina, enquanto o Povo de Deus espalhado por esse mundo, vasto mundo, atende, em oração contrita e esperançosa, que a Palavra do Senhor volte a ser ouvida com o cavo bimbalhar dos sinos da Basílica,   Ele o leva   pois quem tem o cajado do Senhor é o Bom Pastor, emissário de Cristo Nosso Senhor entre nós. Vê-lo hoje atravessar, em lentas mas seguras passadas, nas sandálias do Pescador, se a sua presença nos propor-ciona e assegura a visão gratífica de quem vem à Praça Santa como  Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, nesse momento de provação e de sofrimento em tantos leitos de hospital,  e da tão abençoada e perene presença de quem por primeiro cumpriu o voto de Nosso Senhor, o aparente desnudamento do largo, na verdade gigantesco logradouro nos dramatiza, como que descerrássemos de um admirável, quase  gargantuesco  espaço uma nova e redescoberta visão 
daquela santificada  Praça, que de súbito se vê realçada  pelas sandálias do Pescador a revisitá-la como se fora em novo cenário, de um Sumo Pontífice a trazer a súplica diante de Nosso Senhor como que em visão da muda eloquência do mármore e das pedras revisitadas, desta feita na expressão de um preito que a solidão de Papa Francesco  como que vinca com sua dramática presença, trazendo à imaginação milhares de fiéis ao elevarem, da aparente frieza das marmóreas lajes, a sua prece, que no enorme e rasgado espaço da Praça vazia se abre como num multitudinário abraço que só Sua Santidade pode imaginar e, mesmo, sentir, como se ressoassem  naquelas pedras santas, no insondável silêncio da noite as  muita vezes  que as sandálias do Pescador terão percorrido a sua Praça em visão gratificante para milhares de fiéis católicos, que o viram caminhar por aquele logradouro santo. No espaço vazio, que as colunatas abraçam, e a arte de Michelangelo sobrevoa, mais do que se rasga, na verdade se abrem súplicas incontáveis que o estranho e deserto espaço da grande basílica, o fundo silêncio prenhe de fé e de muitas, em verdade, incontáveis súplicas, que a silente, quase solitária multidão, murmura, enquanto guarda no coração,  como se o silêncio da Noite fosse o regaço para onde acorrem, nos ermos, vazios espaços da grande Praça.

         Na verdade, o bom Papa Francesco, como se fora um cura de aldeia, abriu as portas do santuário, nessa hora difícil em que metrópoles se transformam em aldeias, que o cruel, solerte capricho da Peste invade e desfigura. É antiga imagem, que o passar do tempo não desfigura.  Nas confusões do presente, na incapacidade de alguns governantes em responderem de forma congruente e incisiva a este raio que para muitos caíu de um firmamento sem nuvens, como reagir a tal desafio hobbesiano [i]?

            Há vários caminhos para enfrentar esse desafio. Para tanto, o Estado deve oferecer a solução, através da vacinação contra a Covid-19, e a colaboração para o emprego da quarentena, sempre que possível. O controle da pandemia é o caminho da prudência. Não há fórmulas mágicas para o controle do contágio. A segregação médica é o caminho mais inteligente, sempre que possível.
            Em tempo de epidemia,  as escolas devem ficar fechadas. Tampouco se deve privilegiar atividades esportivas, como fez a Itália e, em especial, a Lombardia, com resultados desastrosos. Nesse contexto, as precauções chinesas lograram diminuir o número de mortes.

( Fontes: O Estado de S. Paulo; Folha de S. Paulo )


[i] Thomas Hobbes, Filósofo inglês  (1588-1679)

sexta-feira, 27 de março de 2020

Bolsonaro: "o presidente sou eu"


                         Bolsonaro: 'o presidente sou eu'

         Dizendo  "O presidente sou eu, pô!" - eis a reação de Bolsonaro, ao  ser questionado sobre a declaração do vice,  Hamilton Mourão, defendendo o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus.
         Fica difícil entender se há algum aspecto de índole positiva  na postura do presidente Bolsonaro fazer um pronunciamento em rede nacional de rádio e tv, pregando a reabertura de escolas e do comércio.
          Qual é a base de tal argumentação do presidente pregando em rede nacional  de rádio e TV essa estulta e, mesmo, criminosa reabertura de escolas e do comércio ?   Para Bolsonaro, o Brasil não chegará ao mesmo nível de contaminação e de mortes verificadas em países como os Estados Unidos e Itália, porque (sic) os brasileiros possuem algum tipo de diferenciação.  Contudo, para justificar o absurdo que disse o presidente Bolsonaro não apresentou qualquer embasamento - seja ele médico ou não - para justificar a enormidade daquilo que defende para ser adotado pela comunidade social.
           Menos de 24 horas após o presidente pronunciar em rede nacional de rádio e TV pregando tal enormidade em termos de saúde pública, que foi tentar desautorizar o pronunciamento do vice-presidente Hamilton Mourão - que defendera nas ondas herzianas a posição de que a orientação do governo brasileiro deve ser uma única, ou "uma só" nas palavras do vice Mourão - a da quarentena !



            Só para completar o embasamento da "tese" de Bolsonaro:  o presidente disse que o Brasil não chegará no mesmo nível de contaminação e morte verificado em países como Estados Unidos e Itália, "porque os brasileiros possuem algum tipo de diferenciação." Não apresentou, porém, qualquer embasamento para justificar a sua absurda assertiva.  E por falar em explicações estranhas, eis o complemento da tese presidencial: "Acho que não vai chegar a esse ponto, até porque o brasileiro tem que ser estudado, (visto que) não pega nada.Vê o cara pulando em esgoto, sai, mergulha e não acontece nada."

             Não obstante, esse gênero de argumentação de  Bolsonaro, menos de 24 horas após o presidente fazer o pronunciamento acima citado, o vice-presidente  Hamilton Mourão reafirmou que a posição do governo  para combater o coronavírus continuava sendo "uma só",  a da quarentena.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Crise na Saúde: Entrevista Witzel


                                   

        Dentro do contexto das declarações do Presidente Bolsonaro, e do seu negacionismo político, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) deu entrevista ao Estado de S. Paulo. Perguntado pelo Estadão "como o senhor avalia a estratégia do presidente de combate ao coronavírus ?" -

"Desastrosa. Na medida em que o pronunciamento se dissocia dos atos administrativos já existentes, até do próprio governo, ele incide em improbidade administrativa, porque praticou desvio de finali-dade no ato convocatório em cadeia de radio e televisão, e fala absolutamente contra o que já estava estabelecido."

"Ele tem que responder juridicamente por isso?"

"Juridicamente sim. Está na recomendação do Ministério Público Federal: desvio de finalidade. Diz que o pronunciamento do presidente refutou a necessidade de isolamento social, criticando o fechamento das escolas e do comércio."

"Quais as providências?

"Ação de improbidade, no mínimo. O presidente deveria agora, em cadeia nacional, fazer novo pronunciamento e corrigir o equívoco, o que não o impede de ser responsabilizado pelo anterior. Desautorizar os governadores cria para nós uma situação de desobediência civil."

"Juridicamente teria motivo para impeachment? E politicamente, tem clima ?"

"Estamos vivendo muitas crises. Econômica, de saúde. Neste momento, o mais racional é convencer o presidente de que ele tem de fazer a coisa certa, e deixar para pensar em qualquer outra situação depois que superarmos o coronavírus. Não é hora de se falar em impeachment, que vai paralisar o Congresso."

" Qual é a saída política para o cabo de guerra entre o presidente e os governadores?"

"Está faltando ao presidente entender que é preciso buscar  o consenso na política."

"O que pesa? É a sucessão de 2022? O Sr. é percebido pelo presidente como adversário."

"Todo mundo que tem um destaque maior ele acha que vai ser candidato a presidente. O único que está pensando em eleição em 2022 é o presidente. Todos os outros estão trabalhando. E ele vê  todos os outros como adversários. As ações dele demonstram que todo mundo que faz o seu trabalho e está fazendo o certo, acertando vira inimigo para ele."

" Inclusive o ministro Mandetta?"

"O ministro Mandetta... quem mais entrou? Daqui a pouco o Guedes também entra...  Ou seja, todo mundo que está fazendo o seu trabalho e que acaba, de uma forma ou de outra, tendo protagonismo, vira adversário do presidente."

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Covid 19: Guerra nas Estatísticas ?

           

     Na data em que completa um mês o primeiro diagnóstico de paciente com a Covid-19 no Brasil,  o país registra o maior número de novos casos (482) e de mortes  (20), segundo boletim do Ministério da Saúde atualizado ontem, dia 26 de março.

     Nesse contexto, até ontem, dia 26, o total das pessoas infectadas chega a 2.915, e o de mortos, a 77, o que equivale a 2,6% dos casos confirmados.

     O Governo Bolsonaro espera uma escalada de contágio por Sars-CoV-2 nos próximos trinta dias. Somado a duas epidemias já em andamento, a de influenza e a de dengue - estamos no Brasil, gente! - formará cenário que foi descrito como "tempestade perfeita" pelo secretário de Vigilância em Saúde, do ministério de Jair Bolsonaro, no caso, Wanderson Oliveira.

         Depois de tentar apavorar o público (três epidemias!), adiante, Wanderson trata de redimensionar a crise: o "desafio" vai ser trabalhar pelo menos três epidemias simultâneas. Adiante, o floreio do secretário Wanderson é de um certo modo tornado menos assustador, apesar de supostamente trabalhar com três epidemias simultâneas: "temos coronavirus, que é uma novidade; teremos influenza, que é uma rotina, todo ano acontece (sic) e teremos também o pico de dengue."
          Já João Gabbardo, secretário-executivo do Ministério da Saúde, um peso mais pesado na hierarquia desse Ministério, declara que não haverá nesse período uma redução na curva de casos confirmados da Covid-19.  Por sua linguagem,portanto, o céu se enfarrusca:  Não haverá uma redução na curva de casos confirmados da Covid-19.

           Compreende-se, no entanto, que Sua Excelência evite divulgar previsões sobre total de doentes e de mortes,  recorrendo à formulação "depende da velocidade da transmissão e do número de pessoas testadas". Compreende-se, igualmente que a autoridade evite assustar o Povo brasileiro, dada a atitude do Governo Bolsonaro. Sob o aspecto ético, os profissionais da saúde,em especial os de nomeação política, não devem ter a liberdade cerceada pelos caprichos de Bolsonaro.

          Nesse contexto, a capacidade do Ministro Luiz Henrique Mandetta não é decerto objeto de disputa, mas é difícil não concordar com o que diz Ronaldo Caiado (Dem) , governador de Goiás, e que rompeu com Bolsonaro: "Caíu a ficha. Ele jamais poderia ter vulgarizado a gravidade do coronavírus."  E Caiado acrescenta: "Bolsonaro deveria dar ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a mesma autonomia que tem o ministro da Economia, Paulo Guedes, e desativar o chamado gabinete do ódio, que o orientou a minimizar a pande-mia do novo coronavírus." 
 
          Entrementes, Bolsonaro afirma que o ministro da Saúde, Mandetta, já concordou em alterar o formato da quarentena - de isolamento horizontal para vertical (idosos e pessoas com outras doenças) -, mas acrescentou que o governo ainda estuda como adotar a medida.  O presidente voltou a criticar medidas dos governadores e afirmou que não vai mostrar seus dois exames, que afirma terem dado negativo para a doença: "A minha palavra vale mais do que um pedaço de papel", reagiu. 

                Deve-se ter presente, contudo, que "até o momento, 24 pessoas que estiveram com Bolsonaro na recente viagem para os Estados Unidos foram infectadas." (Cf. O Estado de S. Paulo, de hoje, 27 de março, pag. A10)

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Em tempos de peste o cardápio é um só ?


                               

         Em tempos como os do presente, temos que vestir-nos da prudência dos primeiros exploradores, daqueles, meus caros leitores, que na célebre imagem camoniana, foram por mares nunca de antes navegados, vestidos de simples, máscula coragem, e que ao enfrentar perigos e guerras esforçados, passaram ainda além da Taprobana.

         A par da coragem, temos de armar-nos, por isso, daquela velha e calejada prudência, que nos aconselha a fiar-se no conhecimento, pois ambos são companheiros de longa data daqueles viajores em terras ignotas, como o é este mundo que costuma desvelar a jóia da ciência àqueles que não só a respeitam, mas também fazem por merecê-la.

          Vivemos por fortuna numa época em que os perigos deixaram muita vez de envolver-se nos pesados panos da ignorância ou de sua irmã, a intolerância, eis que encontramos à nossa volta o rosto bondoso de mãe-ciência, que nos aconselha, em preito aturado, a não descurar desta nossa segunda mãe, que com modos severos nos aponta o caminho da ciência como aquele da salvação.

             Nesse mundo, vasto mundo de tantas tropelias, devemos fugir dos cretinos e da grei dos irresponsáveis aproveitadores da ignorância, e, sobretudo, daqueles que repudiam ciência e conhecimento.

            As pestes podem ter nomes diversos,  mas todas temem a mão segura da ciência e, sobretudo, do conhecimento. Vejam, ilustres passageiros, o que aconteceu com aqueles que escutaram em Bérgamo a voz da ignorância, ao invés da cautela e dos cuidados da ciência.  Em tempos de peste, pululam, por desgraça, tanto os fracos, quanto os incautos e os ignaros, que dão ouvido a irresponsáveis, que privilegiam a superstição à ciência da medicina.  E, por isso, ao invés do reconforto da cura,  a colheita de Bérgamo ficou por conta de soturnos, pesados caminhões, que, sob o manto cúmplice da noite,  levaram a sua carga nefanda de desgraças com os seus muitos mortos para o cemitério.

              E por quê não ouviram a ciência do Dr.Silvio Garattini que, com a sua luz de vida e experiência, privilegia o recurso à prudência e à quarentena?


( Fontes: Luiz de Camões, Carlos Drummond de Andrade, Dr. Silvio Garattini).

quinta-feira, 26 de março de 2020

Bérgamo paga caro pelo menosprezo da quarentena


             
          Bérgamo, no norte da Lombardia, é um aviso para que não se ignore as normas da quarentena,  com vistas ao controle da pandemia da covid-19.  Esta cidade viria a pagar muito caro a sua aposta no relaxamento da quarentena contra esse flagelo.

         Dessa cidade, o exército veio a retirar dezenas e dezenas de caixões para serem cremados em outros locais, diante do colapso do sistema sanitário de Bérgamo. Conforme relata matéria de Marcelo Godoy, no Estado de S. Paulo, no boletim do Ministério da Saúde italiano divulgado ontem, 25 de março, a província de Bérgamo tinha 7.272 casos de contágio  - para 6.728 no dia anterior.  E os óbitos eram 1.328, sessenta a mais do que na terça-feira. Assinale-se que em toda a Itália, os casos já montam a quase 75 mil, com 7,5 mil mortes.

          Como assinala a matéria do Estadão, o desastre de Bérgamo começa a tomar corpo no fim de fevereiro, quando os primeiros casos de  italianos contaminados pelo coronavírus surgiram no País. E os habitantes da província  seguiram tocando a própria vida, como se nada fora.
           Assim, no dia 23 de fevereiro 48 mil torcedores do Atalanta, time da cidade, foram  a Milão ver a vitória  contra o Valencia, da Espanha, pela Liga dos Campeões.  Foi uma "bomba biológica", diria mais tarde o prefeito Giorgio Gori. No dia 27, a Confederação das Indústrias de Bérgamo lançou manifesto, declarando que tudo seguia normal... "Bérgamo está funcionando", afirmava o vídeo.

            Era um recado de otimismo para os parceiros internacionais.  Perto dali, na cidade de Codogno,o pesquisador Mattia, de 38 anos, seguia internado na UTI. Ele, o primeiro paciente italiano diagnosticado com a covid-19, ele se achava em estado grave.  Não obstante, fábricas e comércio da região mantinham abertas as portas - Codogno tinham então apenas 103 casos.  O próprio Giuseppe Conte,Primeiro Ministro italiano, afirmava então que fechar as fronteiras do país "causaria danos econômicos irreversíveis e não era praticável". Todos tinham uma certeza: o país não podia parar. A Itália tinha então 650 infectados.

          Em meio àquela onda de otimismo, mas em Milão, que é a  capital da Lombardia,  se achava o cientista e farmacologista Silvio Garattini, de 91 anos, e presidente do Instituto de Pesquisas Farmacológicas Mario Negri.  Nascido em Bérgamo, o Dr. Garattini dizia que era melhor tomar medidas drásticas do que se arrepender depois. Para ele, era necessário que as ações fossem aceitas pela população como um sacrifício que devia ser feito, pois enfrentavam um desafio desconhecido, representado pelo coronavírus.                         

           Dois dias antes, a 25 de fevereiro, o gabinete Conte havia tomado as primeiras medidas para barrar a doença na Lombardia, com o objetivo de conter o surto em onze cidades: cancelava eventos, restringia a circulação  e fechava cinco mil e quinhentas escolas, por um período de cinco dias, além de creches, teatros, cinemas e museus. Por fim, o ministério da Saúde pedia à gente um "toque de recolher voluntário". 

             Infelizmente, na cidade de Bérgamo os conselhos do Instituto Mario Negri e do próprio ministério caíram em ouvidos moucos.  "Foram cometidos erros demais e esses erros pesam", declarou o Dr. Garattini à TV RAI 3. "Infelizmente, aqui foi privilegiada a proteção da atividade econômica em relação à tutela da saúde."

             Assim, dezenas de empresas da região, têm relação com a China. A cidade ficou fora da zona de exclusão inicial.  Então, os casos começaram a explodir.  E o mundo reagiu.  Em primeiro de março, os clientes estrangeiros passaram a rejeitar os produtos com receio de serem postos em quarentena em seus países.
              Em oito de março, o Primeiro Ministro Conte anunciara quarentena na Lombardia e onze províncias. Naquele momento havia 230 mortes na Itália e 5.883 casos de covid-19.  No dia seguinte, estendeu a medida para toda a Itália. Dez dias depois, chegava a Bérgamo um comboio de quinze caminhões do Exército. Era a primeira das missões para retirar corpos da cidade e cremá-los em outros locais.
                Ontem, o exército entrou na cidade vizinha de Seriate. Retiraram de lá mais de 45  cadáveres. Ao mesmo tempo, um grupo de trinta médicos russos chegou a Bérgamo para ajudar os italianos.

              "Em Bérgamo, houve grave subavaliação",  assinala o Dr. Silvio Garattini. Não é decerto a conclusão que o dr. Garattini apreciaria fazer neste caso triste. E como se verifica, bastaria que o Primeiro Ministro Conte e seus subordinados houvessem escutado com atenção e tomado as providências que requeriam a  experiência e sabedoria na matéria  do Dr. Garattini, para que tantas mortes não viessem a ocorrer.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Espanha registra mais mortos do que a China


                                          
        A Espanha superou ontem, 25 de março, o número de mortes registradas na China, por força do coronavírus, com 3.445 vítimas desde o início do surto, sendo 738 nas últimas 24 horas, conforme informa o Ministério da Saúde.
            Tão só a Itália tem número superior ao da Espanha, a qual também registrou incremento de 20% no número de casos diagnosticados, para 74.610, à medida que as autoridades aumentam os testes dos pacientes suspeitos. A Itália em 7.503 mortos e a China, 3.281.

            Depois de uma semana e meia de confinamento quase total para os espanhóis (que deve prosseguir até onze de abril), o governo advertiu que a semana seria dificil,  mas acredita que o país esteja próximo de atingir o pico dos contágios.
            Apesar de registrar o maior número de mortes em um dia, o Ministério da Saúde também anunciou aumento expressivo no número de pacientes curados, de quase 3,8 mil para 5,4 mil. Mais da metade das mortes (53%) se concentra na região de Madri, a mais afetada pela pandemia, tanto em número de mortes, quanto em casos diagnosticados. A capital registrou 290 mortes em 24 horas, segundo dados ontem divulgados.
              Nesse contexto, diante da sobrecarga do sistema de saúde - e do funerário - as autoridades regionais instalaram um hospital em centro de convenções - que poderá receber até 5,5 mil leitos - e prepararam uma pista de patinação no gelo para funcionar como necrotério.

               Sob a injunção de tal desafio, o governo regional também anunciou a conclusão de contrato de Euros 432 milhões  (R$ 2,34 bilhões) com a China para adquirir suprimentos médicos para lidar com o desafio da pandemia.  Consoante  o Ministro da Saúde, Salvador Illa, o contrato em tela prevê a entrega de 550 milhões de máscaras, 5,5 milhões de testes rápidos, 950 respiradores artificiais e onze milhões de luvas para atenuar a falta de material na Espanha.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Príncipe Charles tem coronavírus


                            

      O príncipe herdeiro da Coroa britânica, Charles, primogênito da Raínha Elizabeth II, está infectado com o coronavírus, segundo informa a assessoria de imprensa da Residência oficial.
      "O príncipe de Gales, de 71 anos, apresenta sintomas leves da covid-19 e está com boa saúde", afirma o comunicado palaciano.  O herdeiro do trono está confinado com sua mulher, Camila, na residência real em Balmoral, na Escócia.
       "Segundo recomendações médicas e do Governo, o Príncipe e a duquesa estão agora isolados", informa o Comunicado.  Os testes foram feitos pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS), em Aberdeenshire, na Escócia.

        Elizabeth II, de 93 anos, e seu consorte, o príncipe Philip, de 98 anos, estão no Castelo de Windsor, em Londres, há uma semana.

         Embora seja difícil determinar, dado o número de compromissos assumidos no passado recente, a imprensa inglesa assinala que Charles se reuniu no dia dez de março, em um evento em Londres, de que participou igualmente o príncipe Albert de Mônaco, que também está com a covid-19.
         O Reino Unido tem cerca de oito mil casos confirmados de coronavírus, e 422 mortes.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )_