segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Violento ataque na Somália

                         
          A estupidez e a barbárie são forças difíceis de entender, a partir da circunstância de que pouco ou nada têm a ver com a razão.
          A rigor não se pode diferençar o recente ataque em Las Vegas, partido de um quarto de hotel adrede alugado para essa empresa serial,  da explosão conjunta de dois caminhões-bomba, cometida na capital da Somália, Mogadiscio.
          No atentado de Las Vegas morreram 59  pessoas, com 527 feridos. Já o de Mogadiscio matou  231 pessoas, pelo menos, destruiu muitos edifícios e imóveis e feriu cerca de 350 pessoas.
           Se o anterior tem como causa direta a mente perturbada de um atirador isolado a 'motivação' do segundo está inserida dentro de organização que menospreza a vida humana e mata duas centenas e tanto de pessoas, para elevar nas notícias da imprensa e das agências telegráficas o poder mortífero do chamado al-Shabab.
           Quanto ao poder suasório desses movimentos como o do ISIS, que tanta infelicidade - como no ataque ciblé aos editores da revista cômica francesa -  ou na investida contra a casa de espetáculos parisiense,  têm transmitido impressões contrastantes acerca do alegado desapreço de seus militantes pela vida, como o processo de aniquilamento da base territorial do ISIS mostra que a confiança de seus militantes na ida imediata ao abraço das huris tende a cair e muito diante do evidente malogro da organização.  Eles que partiam sem qualquer dúvida para gozar das delícias do paraíso islâmico, são agora, diante dos sinais de derrocada da respectiva organização, presa do desejo de aferrar-se à vida, que antes aparentavam desprezar.            

( Fonte: internet )

A difícil independência dos curdos

                    

          Depois de vários dias em que os dois lados do confronto  entre iraquianos e curdos se limitaram ao 'posturing', vale dizer reações atitudinais, sem implicações concretas, nesta segunda-feira, 16 de outubro, o governo iraquiano deu início à própria reação contra a ação da minoria curda.                                        
          Nos encontros que se seguiram, os dois aliados dos Estados se confrontaram e após embates superficiais, os iraquianos se apossaram da região em tela, com poucas e isoladas escaramuças. Na verdade, a facção curda que controlava a área de Kirkuk a cedeu aos iraquianos, sem consulta aos demais curdos.
           Assinale-se que os curdos aí se achavam há cerca de três anos.
           Tenha-se em mente, também, que há três semanas os curdos votaram maciçamente por independizar-se do Iraque.  Como seria de esperar, tal votação fora condenada pelos Estados Unidos, Baghdad e as demais nações da região.
            A principal motivação da reação contra a iniciativa do Curdistão - consoante referida no parágrafo acima - se prende a duas razões básicas: a fragmentação do Iraque (que perderia a sua província ao norte) e os empecilhos que criaria para o término bem-sucedido da luta contra o Estado Islâmico - que está nos próprios estertores, como a rendição maciça de porção substancial de suas forças - conforme noticiado por este blog - o evidencia claramente. 
             A circunstância de que Baghdah tenha conseguido reaver boa parte de o que seria o Curdistão, se deve a uma característica do povo curdo, que é a sua desunião.
             Aí está a razão desse tropeço de o que seria o Curdistão unido. Na última segunda-feira irromperam cisões entre os curdos. Assim, a divisão entre os curdos surgiu com um movimento dito de oposição - a União Patriótica ou Kurdistan - e declarou que os seus militantes haviam concordado em abrir alas para as forças iraquianas, não obstante o fato de que outros militantes leais ao governante Partido democrático do Kurdistão  continuassem a resistir.
                Não há negar o valor militar dos curdos, temido pelos povos da região. No entanto, a própria desunião está na raiz da sua situação atual. Não logrando pôr-se de acordo entre si, eles tendem a facilitar que se tornem um povo dominado por outros, pela sua falta de capacidade de chegar a um acordo entre si.
                 Enquanto os curdos não chegarem à união da nação curda, eles continuarão a ser uma força incapaz de traduzir a capacidade do soldado pesh merga, que como é notório é instrumentalizada com sucesso por vários países para tarefas determinadas e relevantes.  Como dito na frase célebre do filme de David Lean, proferida por  Lawrence of Arabia (Peter O'Tool), para o Emir Faisal (Alec Guiness) a respeito das tribus que refutassem a união da nação árabe, elas serão sempre  um povo pequeno e fraco, eterna presa dos próprios inimigos. O mesmo vale para os curdos, que pela sua desunião explicam a situação de apátridas em que se encontram.


( Fontes: The New York Times; Lawrence of Arabia )

Fábula da corrupção chavista

                                                         

        Estava na Guatemala quando, por primeira vez, se ouviu falar de Chávez, na época tenente-coronel. Aproveitou-se o então desconhecido de uma das (inúmeras) viagens do Presidente Carlos Andrés Pérez para a consueta tentativa de golpe, desta feita em 4 de fevereiro de 1992.
       Fiado na baixa popularidade de CAP, o tenente-coronel  Hugo Chávez Frias adentra por demasiado trilhada vereda em nossa América Latina, quando em quatro de fevereiro busca apossar-se do então deserto  palácio presidencial de Miraflores, ao liderar, apoiado na oficialidade jovem,  mais uma intentona castrense.       
      Dado o brilho quase solitário da democracia na Venezuela, durante o tempo das  ditaduras na América Latina, provocou fundo abalo naquele país e na América do Sul, que, uma vez mais, e logo em nação que, através de suas lideranças civis, preservara a democracia, em contraste com a longa noite que baixara ao Sul, reaparecesse o fantasma dos movimentos militares.
       Recordo-me bem da indignação de meu então colega, a quem surpreendera, e muito, aquele monstro em nosso Continente, que para tantos havia sido afastado pelos acordos das forças políticas civis, e pela consequente pátina dos entendimentos preservados pela então quase solitária luz democrática em América del Sud.
       Chávez, encarcerado por algum tempo, voltaria em breve, para empolgar pelas urnas o que não lograra assenhorear-se pelas armas.
        Hoje, passado tanto tempo, se nos depara a assombração de o que viria a ser denominado chavismo, que é, muita vez, à guisa de virtual maldição, o que resta das chamadas revoluções em Latino América.
        A trajetória de Hugo Chávez está transcrita em muitos livros - e a minha parte nesse latifúndio aí está - mas o seu regime, julgado pelas cãs da história não deixa dos melhores legados. É notória a incapacidade dos longos mandos autoritários em deixarem herdeiros que estejam à altura das ambições de seus próceres.
        Chávez pensara que a riqueza do petróleo seria duradoura, e, por isso, ao invés de cuidar do progresso econômico do próprio país, imaginou transformar uma situação provisória - as altas cotações de sua principal matéria prima, o petróleo cru - em alavanca de prestígio internacional.
        Até rival da OEA quis estabelecer. O homem de estado não deve tomar o provisório como permanente, nem transferir, como subsídios a outros países, o que é um produto excepcional e, portanto, transitório da respectiva riqueza nacional. Bem mais fará em reforçar econômicamente  aos próprios fatores, deixando aos demais países o benefício de seu exemplo.
         Recordo-me, a propósito, de benesse brasileira a um porto no Caribe de Cuba. Estávamos no regime petista de Dilma Rousseff, e me apenou deparar a fila de pedintes que a tal cais acorrera, na esperança talvez de que o Brasil lhes concedesse o que estava dando à hierarquia comunista de Cuba, e que por estranho capricho de seus corruptos governantes não tornara disponível aos próprios portos.
        Lembrou-me ver na fila de dignitários o ainda jovem Maduro. Ali estavam alinhados quem, pelo visto, desejavam participar da estranha munificência de um regime que, ao parecer,  não se acreditava  ameaçado.
        E, na verdade, os sinais do mene tekel já se desenhavam na parede do próprio palácio, e o presente governante parecia desconhecer o teor da bíblica mensagem. Não tardaria muito para que aquela interesseira fila se desfizesse como sóem desaparecer os sinais na areia do deserto. E o profeta Daniel seria chamado para explicar o significado da críptica mensagem.
       Na Venezuela, continua o sádíco jogo de quem pensa ser o gato em relação aqueles que tem como ratos. De longe, assistem os organismos internacionais, e, como sempre, pouco ou nada fazem.
       Maduro, o tirano, brinca com o Povo, que acredita no voto. E zomba dele, ao mudar na ultimíssima hora o local das seções eleitorais, que inclusive transfere para favelas e outras zonas da plebe a quem cultiva. Tudo é feito para desrespeitar o Povo soberano, chegando até a cassar o direito de candidatar-se de um prócer oposicionista demasiado popular.
        Esse Maduro pensa afrontar impune ao Povo soberano. Corrupto, é mau governante. Quando há de chegar a hora do festim, em que o profeta da vez traduzirá para o trêmulo soberano que o seu tempo já está contado, que, uma vez pesado na balança, não mais lhe serve, e que o próprio reino de que se pavoneia sequer lhe pertence mais.


( Fontes:  O Estado de S. Paulo; Venezuela: Visões brasileiras (IPRI-FUNAG )                      

domingo, 15 de outubro de 2017

O sádico Trump

                                        

        Como as suas iniciativas de derrogar a Lei do Tratamento Custeável através de projetos e emendas no Congresso fracassaram, uma após outra - e não por falta de repetidas tentativas - o Presidente Donald J. Trump resolveu voltar à carga, de outra forma.                        
         O processo se realiza agora através de mórbida campanha, em que se reflete a linguagem da obra célebre 1984 de George Orwell sobre o Despotismo. Será decerto homenagem involuntária ao grande escritor, trazendo de volta o túrgido estilo dessa obra prima de crítica impiedosa ao totalitarismo que prenunciava para idades futuras.
        Mas me apena bastante afirmá-lo que apesar do gênio premonitório do grande escritor inglês, a sua obra prima não me parece bastante para descrever e aprofundar a mesquinhez e a cínica crueldade desse senhor, fortuito e infeliz resultado de processo eleitoral que não mais reflete a vontade soberana de uma Nação. Compreende-se, por conseguinte, que esse dúbio triunfo, de que participou de forma inconfessável o seu estranho mentor Vladimir Vladimirovich Putin, hoje senhor de todas as Rússias, grita com potente clamor para que o Povo americano logre escolher de forma indubitável quem é o governante que tem a real e irrefragável autoridade de exprimir a vontade da Nação estadunidense.
         Pois - e não pretendo delongar-me nessas intricâncias - Mr Trump não é o candidato que reflete a maioria da vontade do Povo estadunidense. Decerto, a sua presença na Casa Branca pode refletir a ação de muitos partidários - e me permito ressaltar a ação do ex-chefe do FBI, Jim Comey, de Julian Assange com os seus Wiki-Leaks, e do próprio egrégio gospodin Putin, que afinal logrou vingar-se de Hillary Clinton e do próprio Barack Obama - mas sem dúvida terá encontrado a ajuda milagrosa nesse arcano método de eleição, que é herança do século XVIII, e que grita hoje para ser mandado aos velhos livros de História, depois de tanto contrariar a real vontade do Povo americano.
           Como toda mensageira do porvir, Hillary não merecia tal sorte. Como também antes disso, Albert V. Gore, e outros mais no passado.
            O importante será suportar - na medida do possível - as idiossincrasias desse Mr Donald John Trump que, de toda forma e em qualquer contexto, não seria eleito em país nenhum desse vasto mundo, se o sistema de votação popular numérica houvesse sido utilizado.
             Vejam agora, meus caros passageiros do bonde universal, e, em especial aqueles que se julgavam protegidos pela grande lei sancionada pelo Presidente Barack Obama.
              Não distingo outra razão para explicar a raiva desenfreada de Mr Trump contra o para ele detestável Obamacare, que a própria sensação de que algo maior do que ele foi criado para proteger o povo americano.
             Infelizmente, destruir é muito mais fácil do que construir. Como Mr Trump tem - ou pensa ter - o poder em mãos, o irrita sobremaneira que esta Lei continue a resistir contra os seus mórbidos truques.
             A princípio, pela sua intrínseca qualidade e disponibilidade, a Lei do Tratamento Custeável conseguiu transformar os apodos que lhe foram lançados pelo GOP como notadamente Obamacare (que pensaram possível rebaixá-la através dessa linguagem não chula, mas popular e quem sabe vulgar), em expressões realmente populares, nas quais, para irritação republicana, se reflete o apreço do Povo pela boa Lei.
              Destruir pode parecer muito mais fácil do que construir. Sadicamente, como se fora legislador que se compraz com o infortúnio alheio, esse presidente, após fracassar no intento de revogar a Lei do ACA no Congresso, agora tenciona relaxar os critérios da assistência sanitária para os pequenos negócios que se juntam para adquirir assistência sanitária e também pode tomar medidas que permitam a venda de outros planos de saúde que contornem os requisitos da Lei do ACA.
                Qual é o diabólico plano de Mr Trump?  Assinar uma ordem executiva (decreto) que cinicamente anuncia "promover a escolha e a competição na assistência sanitária". Convidados para  esse ato na Casa Branca, nessa terça-feira, dez de outubro, proprietários de pequenos negócios, entre outros,  Trump anuncia que, como o Congresso não atua, ele vai se valer do poder da caneta para dar assistência sanitária a muita gente.
                Não é exatamente isto que vai ocorrer. Ao criar mais facilidades para apólices de tratamento supostamente mais barato, o que Trump estará ensejando é que certos planos de saúde fiquem bem mais caros de o que são hoje.  As apólices de curto prazo não satisfazem os requisitos do ACA, e por isso aqueles que as adquirirem podem ficar sujeitos a penalidades fiscais.
                Por outro lado, é enganosa a vantagem oferecida em termos de custo baixo, pelos planos de curto prazo.  Com efeito, esses planos tendem a limitar os respectivos benefícios, assim como são acessíveis apenas para pacientes que não têm dispendiosas condições de tratamento médico.            
                Os asseguradores estão nervosos acerca da possibilidade de que haja súbito crescimento em planos de curto prazo. Muitos dos grandes asseguradores nacionais, como o UnitedHealth Group, já oferecem tais planos, e não haveria muita dificuldade em que eles oferecessem outros mais, por causa da ordem executiva.
                Compradores individuais podem ser atraídos por planos de curto-prazo, por causa de seu baixo custo.  Esses planos, no entanto, tendem a limitar benefícios e oferecer apólices apenas para pessoas que não carecem de custosas condições médicas. Além disso, apólices de curto-prazo  não satisfazem os requisitos de cobertura da Lei do Tratamento Custeável, e por isso os consumidores que os adquirirem podem ficar sujeitos a penalidades fiscais. Mas com o preço das apólices de seguro convencional subindo em níveis de dois dígitos, alguns compradores aceitam pagar a penalidade se eles podem comprar um  plano mais barato.
                 A introdução de novos planos de associação pode levar mais tempo, de acordo com pessoal de seguros e outros especialistas. O governo vai precisar de tempo para elaborar os detalhes securitários, e seriam necessários grupos para formar esses planos.
                  Mas tais planos colocam alguns riscos similares, e os especialistas na matéria advertem que tais planos têm o precedente de deixar os seus clientes com contas médicas não-pagas, se eles não forem adequadamente regulados.  Enquanto  os de associação de saúde podem ser bem administrados, eles se assinalam por maus precedentes em termos de pagamento das contas médicas de seus clientes.
                     E é o que promete, portanto, a assistência médica a ser proporcionada pela caneta deste presidente. Em suma, o retrospecto desses planos não é dos mais confiáveis, e é isto justamente o que parece ser o escopo do presidente Trump, no seu ódio - ou quem sabe? inveja - quanto à Lei do Tratamento Custeável de Barack Obama.



( Fontes:  The New York Times;  1984, de George Orwell; Carlos Drummond de Andrade )              

Nada de Novo na Ditadura de Maduro

                              
             Pergunto-me por que a Oposição disputa eleições na Venezuela.          
         
         Agindo dessa forma, participando dos pleitos, ela não passa de atriz que tem duplo papel em uma farsa. Porque no país do ditador Nicolás Maduro, a oposição enfrenta um jogo trucado, no qual não tem qualquer chance de vencer.
          
          Dentre os seus principais atores, está Henrique Capriles. Enfrentou o candidato do situacionismo na presidencial de 2013, "perdeu" para Nicolás Maduro, e ainda por cima está proibido pela Justiça (que também é dominada pelo chavismo)  de tentar a reeleição ao governo de Miranda.  Mas a proibição da "justiça" não para por aí:  por quinze anos, Henrique Capriles não pode candidatar-se a qualquer cargo eletivo...
        
       Parece piada, mas não é. Trata-se de um jogo trucado, repito, e quando o candidato é "demasiado" popular, aí está a justiça - que é também chavista- para "resolver" o problema.
      
       Como um partido dito oposicionista pode concordar com farsa desse jaez?  Quando o esquema do chamado Tribunal Supremo passou a ser empregado a torto e a direito por Maduro, e as cínicas intervenções dos burocratas jurídicos desse Tribunal dito Supremo, começaram a ratear, Maduro tirou da gaveta o truque da miniconstituinte, um golpe ainda mais cínico do que o da hiper-lotação da Corte Suprema. Essa constituinte, que desdenha o voto universal, tem a apavorante semelhança com as cortes da Europa Oriental, nos maus tempos em que Moscou era a Meca do poder absoluto por aquelas bandas.
         
         O mais interessante (ou irônico) é que os candidatos da oposição continuem a concorrer para outros postos eletivos - como governos e assembléias estaduais - no que objetivamente estão fazendo o jogo da ditadura chavista, que controla tudo, e só deixa "vencer" àqueles candidatos mais cordatos e menos perigosos para o sistema.
           
        Estão marcadas para este domingo as eleições regionais, em que 18 milhões de venezuelanos estão convocados a escolher 23 governadores (não se deve esquecer, porém, como dito acima, que Capriles, pela determinação  da "justiça" está proibido de concorrer, o que só se explica pelas demasiadas chances que tem de ganhar...)   O distrito mais importante seria Aragua, mas o resultado já sai desvirtuado, pois o candidato Ismael Garcia  já virou postulante único, sob acusações de fraude e sem o aval do Primeiro Justiça, do ex-candidato Henrique Capriles .
        
         Em um cenário dominado pelo poder chavista, e com a alegada desmotivação pelos magros resultados da onda de protestos entre abril e julho[1],  há muito desânimo nas fileiras oposicionistas, e não se espera o que ocorreu com a votação, em 2015, para a Assembléia, ganha pela oposição  (Mesa da unidade democrática -  MUD) 

( Fontes: O Estado de S. Paulo; Erich Marie Remarque, Nada de novo na Frente Ocidental )



[1] Disso excluídos, por certo, os 125 mortos  pelas forças governamentais.

sábado, 14 de outubro de 2017

Colcha de Retalhos E 41

O fantasma de Pasadena


          A negociata de Pasadena,  a incrível ruína de refinaria  comprada pelo governo Dilma como se fosse uma refinaria top, modelo de arte (se tivermos presente o preço imoral que se pagou por ela, tendo-se em mente as condições em que estava) volta agora a cair sobre quem permitiu essa estranhíssima negociata.
    
            Eis que o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determina o bloqueio  - e por um ano - dos bens da  Presidente cassada Dilma Rousseff,  para tentar esclarecer as razões por que  aprovara a aquisição da tal jóia de refinaria de Pasadena, situada no Texas, EUA.

            Mas a decisão do TCU também atinge os ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás - i.e., aqueles que permitiram a realização desse "grande negócio":  Antonio Palocci, José Sérgio Gabrielli, Claudio Haddad, Fábio Barbosa e Gleuber Vieira.

             Olé !

 E o Vasco, hein ?

                Não é que o Jornal Nacional da Rede Globo deste sábado, à noite, pode trazer, por vezes, boas notícias para a sofrida torcida do Vasco da Gama ?

                 Por  1 x 0, com gol magistral de Nenê , o  time da Colina ganhou de seu velho rival, o
Botafogo.
                 
                 Pelo menos, o Vasco se livrou do técnico anterior, que implicava inclusive com o craque Nenê, que apesar de veterano, ainda decide partidas! 


( Fonte:   Jornal Nacional )

Trump retira aval a Pacto Nuclear com Irã

                                         
        Em discurso no qual apresentou sua estratégia para conter a influência de Teerã no Oriente Medio, o presidente Donald Trump retirou a certificação do pacto,  mas não tem poder para uma ruptura definitiva, que  depende do Congresso (são necessários sessenta votos no Senado, os republicanos têm 52, e esse número já se afigura bastante relativo, como a dissensão de John McCain e outros do GOP tende a sinalizá-lo).
        Para apoiá-lo de forma irrestrita, Trump somente dispõe do patético 'reforço' de Israel, com o Primeiro Ministro Bibi Netanyahu. Parte, assim,  ao ataque contra o seu predecessor, Barack Obama, que julgara, com fundadas razões, o acordo com o Irã como uma das principais conquistas de seu governo.  Por isso, Obama sequer se manifestou, deixando por conta do vice Joe Biden a resposta: "colocar o acordo em risco de maneira unilateral não isola o Irã. Isola a nós".
        O isolamento de Trump é sublinhado de forma patética pela declaração firmada pelos líderes da RFA, França e Reino Unido, que além de defender o pacto com o Irã, disseram estar preocupados com as "possíveis implicações" do anúncio do presidente estadunidense: "O acordo nuclear foi o ápice de treze anos de diplomacia e foi um grande passo na direção de assegurar que o programa nuclear do Irã não seja desviado para fins militares", declaram Theresa May, Angela Merkel e Emmanuel Macron. Com bastante oportunidade, os europeus afirmam que o mundo não pode abandonar um pacto de não-proliferação no momento em que já enfrenta a ameaça nuclear da Coréia do Norte.
         Por outro lado, o presidente do Irã, Hassan Rohani, declarou que o pacto é "inegociável" e não pode ser cancelado por apenas um participante. O documento foi aprovado em 2015 pelos Estados Unidos, Irã, República Federal da Alemanha, França, Reino Unido, República Popular da China, Federação Russa e a União Européia.
         Esses países concordaram em suspender sanções internacionais contra o Irã em troca do congelamento ou reversão de elementos de seu programa nuclear.
         O presidente Donald Trump anunciou, outrossim, que não enviará ao Congresso documento que certifica o cumprimento das obrigações do Irã previstas no pacto, apesar de a AIEA ter concluído no mês passado que não há violações de parte de Teerã.
         Com tal decisão presidencial, o Congresso americano terá sessenta dias  para decidir se restabelece sanções relativas ao programa nuclear suspensas em 2015. Nesse sentido, Trump quer que esse prazo seja utilizado para aprovação de legislação que proíba o desenvolvimento de mísseis intercontinentais pelo Irã e torne permanentes as proibições do acordo, algumas das quais deixarão de vigorar entre dez a quinze anos. Se essas disposições fossem violadas,haveria o restabelecimento automático das sanções americanas.
          A oposição sanhuda de Trump conta criar condições a longo e médio prazo, dada a abrangência do sistema financeiro americano, por onde passam transações  de empresas europeias, chinesas e russas.  Trump compara esse acordo com a ameaça da Coréia do Norte, o que é absurdo. "Como nós vimos na Coreia do Norte, quanto mais tempo nós ignoramos uma ameaça, pior essa ameaça se torna. É por isso que nós estamos determinados a que o maior patrocinador do terrorismo do mundo nunca obtenha armas nucleares", afirmou Trump.
          Segundo análise de Roberto Godoy, do Estadão, o programa nuclear do Irã está a três anos de distância da construção  de uma ogiva atômica confiável, miniaturizada e eficiente.Os mísseis estão prontos, o botão de disparo depende só de uma ordem. Segundo consta, o teste mais recente, há três semanas, foi impecável. O projeto já estava nesse ponto em janeiro de 2016, quando foi parcialmente desmantelado para permitir que fossem revogadas as sanções econômicas impostas pelo Ocidente.
          O status  atualizado é uma surpresa e provavelmente um dos motivos para a decisão do presidente Donald Trump de não ratificar o acordo firmado pelo democrata Barack Obama. Pela avaliação da Agência de Inteligência da defesa americana, os principais laboratórios e as facilidades industriais controlados pela Guarda Revolucionária estariam parcialmente desativados. Certo? Não, infelizmente errado. Um cochilo da inteligência americana, que causa óbvio desconforto. Logo se pensa no hacking in do computer de Podesta, o chefe do Partido Democrata, por onde se ramificou o ataque dos serviços de informação do KGB gospodin[1] V. Putin. Quase fechando esse parêntese, vejamos o que nos apresentará a investigação dos serviços americanos quanto à penetração russa na votação americana. Além de um escândalo, uma vergonha para a Superpotência. O que irá lançar sobre ela uma luz algo comprometedora, porque Barack Obama continuou a dormir tranquilo, enquanto os russos faziam uma festa com o seu partido e a sua candidata Hillary Clinton.
          Como se verifica quanto à capacidade iraniana,  os seus especialistas reagem assaz rapidamente.  Em 28 de setembro de 2010 verificou-se o ataque cibernético  contra a fábrica de componentes estratégicos de Bushehr, o complexo tecnológico de Natanz, onde era feito o enriquecimento do urânio para alimentar o programa nuclear, e a talvez outros mais trinta mil computadores em toda a extensão do Irã, todos eles atingidos por um ataque cibernético. 
            Dado o caráter confidencial da empresa, presume-se que a operação foi realizada por agências de informação dos Estados Unidos e do aliado Israel, e terá virtualmente destruído a iniciativa iraniana. Teria sido, de acordo com a interpretação de engenheiro da empresa IBM "como se cada um deles (computadores) houvesse recebido a ordem de cometer suicídio."
           Consoante as estimativas dos atacantes, a expectativa era de que os esforços de capacitação sofressem atraso de ao menos cinco anos.
          Não foi o que ocorreu com a reação iraniana.  Em 24 meses, a segunda central de enriquecimento de urânio, em Fordu, a 42 km da cidade santa de Qom, já estava funcionando. O modelo de ultracentrífuga usado no processo não mais empregava o sistema que provavelmente havia servido de entrada para o virus. A vida continua, mas não necessariamente para todos.
            Os principais cientistas iranianos ligados ao programa foram mortos entre 2010 e 2012, assassinados, segundo o governo de Teerã, por  terroristas da facção clandestina Mujahedin do Povo do Irã - treinados e equipados pelo Mossad, a principal organização da inteligência de Israel, de acordo com a Oghab-2, o braço da segurança interna iraniana dedicado às questões do plano de capacitação nuclear.
                   Por fim, Trump também anunciou ontem a imposição de sanções contra a Guarda Revolucionária Islâmica, uma das principais organizações de segurança do Irã, e que pode igualmente atuar em cenários do Oriente Médio, como se verificou na guerra civil da Siria e reforçar a organizações menos estruturadas, mas também perigosas no combate, como o Hezbollah, que é a milícia que também atuou na guerra civil da Síria.


( Fontes: O Estado de S. Paulo; The NewYork Times; What Happened, de H. Clinton )



[1] Senhor, em russo.

Francesa dirigirá Unesco

       Ao contrário dos rumores - que inclusive terão motivado mais uma saída da Unesco de parte dos Estados Unidos - a imprensa noticia que a UNESCO  escolheu ontem, dia treze de outubro, a ex-ministra da Cultura francesa,  Audrey Azoulay como sua nova diretora.

       Dentre as principais tarefas, está  a de reerguer essa organização internacional, após mais uma saída dos Estados Unidos.

        Audrey derrotou o catari Hamad bin Abdulaziz al-Kawari, e agora deve ser aprovada pelos 195 membros da Unesco.

        Assinala-se que o Catar tem financiado generosamente a Unesco nos últimos anos. Não obstante, terão surgido recentemente novas alegadas suspicácias a respeito do referido Al-Kawari,
a quem se criticaria por não se pronunciar sobre livros antissemitas  publicados em feiras do livro.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo   

Revelações da Procuradora Ortega

                                                

       A ex-Procuradora-Geral Luísa Ortega Díaz revelou, ontem, em Genebra que o regime Maduro desviou milhões de dólares para bancos de pelo menos cinco países em três continentes.
        Segundo ela, o dinheiro foi para a Suíça, Andorra, Espanha, Abu Dhabi e República Dominicana.
        Em Berna, ela visitou o Ministério Público da Confederação Helvética, que é um dos centros das investigações sobre a Odebrecht.
        As más escolhas feitas por essa grande construtora bahiana levaram a ex-procuradora-geral da Venezuela a fornecer nessa visita subsídios para que os casos possam ser investigados igualmente pelo Ministério Público suiço, que já bloqueou mais de mil contas conexas com a Operação Lava-Jato. Nesse sentido, houve interesse das fontes do M.P. em tratar do tema. Há documentos que, de resto, revelam que já existe cooperação entre suiços e americanos por conta da corrupção na Venezuela.          
         Em julho último, Ortega revelara que a Procuradoria-Geral investigava  "vinte grandes obras de infraestrutura da companhia Odebrecht, das quais nove foram executadas plenamente e onze se acham paralisadas. Desperta espécie outrossim que nessas obras paralisadas da Odebrecht o governo Maduro desembolsou cerca de US$ 30 bilhões. E, segundo sublinha a ex-Procuradora Ortega, "apesar de ter pago esses US$ 30 bilhões, as obras não foram concluídas."
         Na sede das Nações Unidas em Genebra - o antigo Palais des Nations em que operava a Liga das Nações - a Procuradora-Geral Ortega declarou que decidira divulgar as informações de que dispunha sobre corrupção na Venezuela, depois de receber ameaças contra ela e seu marido. "O que tenho são evidências e entreguei essas evidências a diferentes procuradores-gerais",  disse a Senhora Ortega. "Decidi começar a publicar parte dessas evidências. Eu vou ainda guardar muitas delas para ver quando publicar",  alertou ela. Nesse sentido,  Ortega promete apresentar amanhã mais uma parte de suas revelações, por meio de suas redes sociais.
         Segundo a ex-Procuradora, ela repassara ao governo americano informações sobre os esquemas de corrupção. "Os procuradores que estão na Colômbia comigo se reuniram com os procuradores americanos e outras autoridades para trocar informações. E apresentamos provas que comprometem  altos funcionários do governo (chavista)".
          Como se sabe, nos últimos meses, o governo de Donald Trump tem usado alegações de corrupção na Venezuela para justificar a imposição de sanções contra dirigentes do regime Maduro. Nesse sentido, a Procuradora também adiantou que deve ir  "em breve" para os Estados Unidos.
         A doze de outubro, quinta-feira última, a ex-Procuradora-Geral da Venezuela utilizou as próprias redes sociais para publicar um vídeo no qual um ex-executivo da construtora Odebrecht admite ter financiado a campanha eleitoral do presidente da Venezuela.
          Nessa gravação, o ex-presidente da Odebrecht na Venezuela, Euzenando Azevedo afirma haver recebido um pedido de US$ 50 milhões de parte do presidente Maduro, e que aceitou pagar US$ 35 milhões. O trecho em tela se refere às declarações que o citado executivo brasileiro prestou na sede do Ministério Público Federal em Sergipe, no dia quinze de dezembro de 2016.
          A Procuradora Ortega explicou que a difusão do vídeo foi uma reação à decisão das autoridades venezuelanas de emitir um alerta vermelho na Interpol contra seu marido, por  suposta conta que ele teria nas Bahamas.  Na avaliação da ex-Procuradora Geral, tal ofensiva do governo Maduro foi também uma resposta ao fato de que foram encontrados nos escritórios da Odebrecht documentos mostrando pagamentos a primos do ex-vice-presidente da Venezuela e homem forte do chavismo, Diosdado Cabello.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Atalhos para o Arbítrio?

                           

      Merece atenção especial o editorial hodierno do Estado de S. Paulo, a propósito da prisão preventiva mantida pelo TRF 3º dos irmãos Joesley e Wesley Batista, decretada pelo Juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, em inquérito que apura o uso indevido de informação privilegiada em operação financeira.
       Também a nova Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou parecer ao STF a favor da manutenção da prisão preventiva de Joesley Batista e de Ricardo Saud, decretada pelo Ministro Luiz Edson Fachin após o então procurador-geral  Rodrigo Janot, relatar de gravação com indícios de irregularidade, no que tange à notória colaboração premiada  dos dois indigitados acima com a PGR.
        Diante da impressão de que a Justiça afinal conseguiu superar sua tradicional morosidade, é importante, no entanto, ter presente que a ocorrência de tais melhorias foi produto de mudanças na legislação, que terá permitido aos responsáveis agilizar as investigações.
        Como enfatiza, no entanto, o Estadão nem todas as mudanças na lei penal e processual penal merecem aplausos irrestritos. Com efeito, e dependendo de sua interpretação, não poucas dessas alterações podem configurar um perigoso atropelo do devido processo penal.
         É o que estaria ocorrendo com a Lei 12.403/11, que ampliou a aplicação das chamadas medidas cautelares. Nesse sentido, a legislação passou a permitir, dentro de caráter de normalidade - e não como exceção - a antecipação de medidas que deveriam ser aplicadas apenas no fim do devido processo legal.
           Sob tal pressuposto, se a prisão é uma pena, habitualmente ela deve ser aplicada somente depois de o Estado comprovar, por meio do cumprimento rigoroso do processo penal, quem foi o criminoso.  Ao aplicar medidas restritivas de liberdade no início do processo penal - e, às vezes, antes mesmo do processo, em fase investigativa -, fere-se o princípio da presunção de inocência, dando por certo que o réu, ou o investigado, é culpado.
              Dentro desse tortuoso raciocínio, o uso generalizado da prisão preventiva no País nos últimos tempos evidencia que ela se tornou uma antecipação de pena, o que é manifestamente ilegal. Com frequência, por conseguinte, veem-se pedidos de prisão do Ministério Público sem uma mínima fundamentação, havendo apenas alusões a eventuais e genéricos riscos à investigação, à instrução criminal, à ordem pública e à aplicação da Lei penal.  Não raro, o raciocínio de fundo é simplório: o réu é culpado e, portanto, ele tentará destruir as provas e, nesse contexto, será preferível prendê-lo...
                 Esta Lei nº 12.403/11 exige, em verdade, aplicação cuidadosa. Pois ela permite ao Juiz, em caso de descumprimento de medida cautelar, decretar a prisão preventiva do acusado, ainda que a pena prevista para o suposto crime não seja a prisão de seu autor (!). Antes de ser condenado, o acusado poderia, em tese, receber uma pena mais pesada do que aquela que poderia receber ao final do processo - o que é um óbvio contrassenso.
                  Por certo, às vezes, a prisão preventiva será necessária. O que não se pode fazer é transformá-la em algo habitual, como se ela solucionasse o problema da impunidade. A solução é justamente fazer cumprir o processo penals. Não é apenas prender.
                  Essa antecipação das consequências do processo penal - o fenômeno que juristas chamam de "cautelarização do processo"  - induz a grave erro.  Transmite a impressão de que a justiça foi feita quando, em verdade, ela ainda está em suas fases iniciais. 
                   Ora, sem processo, não há justiça possível.  Os atalhos para a eficácia do Judiciário são, na verdade, caminhos para o arbítrio.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )


                    Creio este editorial como de grande importância. A antecipação da pena - na sua face virtual - é decerto uma simplificação perigosa e cômoda para tentar diluir a difundida impressão da morosidade na Justiça. É preferível que a justiça seja lenta, ao invés de demasiado rápida, para que se evite a injustiça do pré-carimbo de culpado.

Significado da Liminar do Ministro Fux

                                                 

         Mais uma vez o Ministro Luiz Fux concede liminar que determina fato importante no Supremo. Ontem, Sua Excelência determinou  não ser possível  a extradição de Cesare Battisti  antes do julgamento do habeas corpus submetido pela defesa do prófugo italiano, previsto para a terça-feira,  dia 24 de outubro, pela Primeira Turma da Corte.
        É o seguinte o despacho do Ministro Fux: "Defiro a liminar para, preventivamente, obstar eventual extradição do paciente, até que esta Corte profira julgamento definitivo."
       Atendendo ao pedido da defesa de Battisti - ele já estava em liberdade, beneficiado por um habeas corpus do desembargador José Marcos Lunardelli, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que acolhera pedido do advogado de defesa Igor Tamasauskas.
        Não obstante, e para garantir a suspensão de qualquer procedimento que vise extradição, deportação ou expulsão do país, reiterou-se a intercessão até que seja julgado o habeas corpus.
        Não falta à defesa de Cesare Battisti razão para encarecer tal providência, eis que há evidente risco de irreversibilidade no caso, diante da manifesta possibilidade de o presidente Michel Temer vir a decidir pela extradição do italiano.
         Ao contrário da grandeza demonstrada pelo Presidente Lula - e no último dia do seu segundo mandato presidencial -  o ministro da Justiça, Torquato Jardim afirmou em entrevista ao Estado que a "suspeita" envolvendo  a tentativa  de Cesare Battisti de atravessar a fronteira com a Bolívia no início do mês, foi uma "quebra de confiança", o que justifica (sic) uma eventual decisão pela extradição do italiano.
           E na mesma linha, afirma o ministro do Presidente Michel Temer: "Se ele podia sair do Brasil, por que foi para a Bolívia e não para o Uruguai ou a Argentina? Se ía pescar, por que não foi pescar no rio Araguaia?", questionou o Ministro Torquato Jardim, em parecer que enviou ao Palácio do Planalto, defendendo a extradição.
            De acordo com a nota do jornal O Estado de S. Paulo, antes de o Ministro Luiz Fux, do Supremo,  conceder a referida liminar para impedir que o italiano seja extraditado antes do julgamento do habeas corpus preventivo apresentado pela defesa, o titular da Justiça disse que o Presidente Temer só tomará decisão final após a decisão do STF.
             No entanto, a argumentação do Ministro Torquato já dá sobejas indicações  de o que pretende o Governo Temer.  Nesse sentido, busca rebater a tese de que já transcorreram cinco anos e a decisão de mantê-lo no país não poderia ser revista: "Este não é um ato administrativo. É um ato de soberania."
          Assinale-se que o perseguido Cesare Battisti acusa a Polícia Federal de promover uma armadilha contra ele, com a ajuda da Embaixada da Itália.  Nega que o dinheiro apreendido fosse todo dele, pois, como é notório, Battisti viajava com dois amigos, quando foi detido.
            É difícil, de resto, entender porque o Ministro da Justiça e o Presidente Temer têm tanto afã em expulsar alguém que por ato do Presidente Lula - e no último dia de seu segundo mandato presidencial - tivera confirmada a sua estada no Brasil.
            O Ministro Marco Aurélio - que é um dos ministros mais antigos do Supremo - declara, a propósito, que depois  de cinco anos da decisão do presidente Lula o governo brasileiro não poderia revê-la e extraditar  Battisti.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )                  

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Recuo em todas as frentes ?

          

       Os Estados Unidos de Donald Trump batem em retirada da Unesco. Na verdade, a diplomacia de Trump anda a reboque de Israel.
       O próprio Israel, cuja postura diplomática - enquanto Estado satélite de Washington - apressou-se em imitar o gesto de Donald Trump. Bibi Netanyahu vive o seu momento de máxima influência quanto à potência protetora.
       A presença dos Estados Unidos na Unesco  foi marcada por ausência de dezoito anos, e sempre por análoga motivação.
        Por outro lado, as seguidas mostras de prestígio para a Palestina de parte da Unesco vem provocando ressentimento das autoridades americanas, que apóiam a política imperialista de Bibi Netanyahu.
        Essa debandada da Unesco se prenderia, outrossim, à próxima indicação de um diretor-geral árabe para o organismo.
        A postura dos Estados Unidos, que protege Israel, chegou ao ponto de que passaram a suspender sua contribuição financeira à Unesco sob o pretexto da admissão da Palestina como estado-membro da Unesco.
          Essa posição preconceituosa e agressiva de Washington quanto à Unesco - como se a Palestina não mereçesse fazer parte da organização - foi tomada durante a presidência de Barack Obama, donde se deduz quanto os Estados Unidos seguem a política regressiva e opressiva do governo israelense no que tange à Palestina (a que sequer admitem a participação na Unesco...). A partir de então (2011) os atrasos de pagamento por parte da Superpotência montam a US$ 600 milhões.  Tudo isso por conta do predomínio de Israel, estado satélite dos Estados Unidos, que na prática (notadamente depois dos anos Kissinger) lograra inverter a relação entre Estado protetor e o Satélite, em favor deste último, no caso Israel...
            O míope recuo americano no campo da cultura vai ser, segundo consta, instrumentalizado pela República Popular da China. Com o imbecil Trump - mas tampouco Barack Obama mostrara coragem e liderança - a política afirmativa de Xi Jinping tende a crescer na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.  Seguindo as instruções do novo líder do Império do Meio Quian Tang, que é o diretor assistente geral para a Educação da Unesco, depois do respectivo treinamento, está sendo lançado para posições de ainda maior destaque, na liderança desta relevante organização no campo intelectual.
                    Impressiona como que, em função de Israel, estado-cliente - que é um pária internacional - os Estados Unidos batam em retirada de relevantes organizações. Invertem-se os papéis com maior força sob a postura regressiva internacional de Donald Trump e o encolhimento da chamada superpotência semelha continuar em ritmo acelerado.


 ( Fonte:  O  Globo )                 

Das cláusulas pétreas da Constituição

                                            

         Por vezes, o cidadão tem de abeberar-se em cláusulas como o artigo 2º da Constituição, que estatui:      

        "São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário."

          "O confuso voto da presidente  do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, no julgamento sobre a necessidade de aval do Legislativo sobre a imposição de medidas cautelares contra parlamentares por parte do STF reflete, antes de mais nada, o absurdo desse debate na mais alta Corte do País. O que havia começado como uma inacreditável afronta à Constituição só podia terminar, no voto decisivo, em melancólico tartamudear de teses excêntricas, que igualmente não encontram amparo em lugar nenhum do texto constitucional.
          "Vai mal a nação cuja Suprema Corte, a propósito de limpar o país dos corruptos, se permite cogitar, com ar pomposo, o atropelo do Estado Democrático de Direito e das prerrogativas exclusivas de outro poder, sem nada a sustentar tal conduta senão o voluntarismo militante de ministros que se julgam com o poder de acabar com todo o mal da política."
           "O voto de Cármen Lúcia decidiu a votação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) que, na prática, terá efeito direto sobre o caso do Senador Aécio Neves (PSDB-MG)."
           Como é notório, o Supremo ordenara o afastamento desse Senador de seu mandato e ainda lhe impôs restrições de movimento, e de direitos políticos. Tal decisão causou  natural reação do Senado, que julgou que suas prerrogativas haviam sido subtraídas pelo Supremo, eis que, como reza a Constituição nenhuma medida legal pode ser tomada contra parlamentares sem o aval do Legislativo.
           Como em todo o colegiado, há ministros na Corte Suprema, que têm interpretação mais ampla sobre os respectivos poderes.  Dessarte, a observação do editorial de hoje do Estadão: "Parece (...) que o texto constitucional é, para alguns ministros do Supremo, uma espécie de obra aberta, a ser emendada conforme crenças subjetivas, ideologias abstrusas e peculiares programas políticos. Aquela Corte, nesses tempos esquisitos (meu o grifo) chega a se confundir com uma assembleia constituinte, sem ter um único voto popular a sustentar essa pretensão."
            Esta é, no entanto, uma premissa perigosa, que justificaria votos - como o do Ministro Luis Roberto Barroso - em favor do afastamento de Aécio Neves, sem a consulta constitucional ao Poder respectivo. No entender do editorialista, seria também "em nome dessa guerra que a Procuradoria-Geral da República oferece denúncias baseadas apenas em delações e em flagrantes armados, e o Supremo se permite tratar como criminoso já condenado um parlamentar que ainda nem foi formalmente acusado."
              Para o editorialista do Estado, "na votação de anteontem no Supremo, prevaleceu a intenção de colocar panos quentes na relação com o Senado, evitando um confronto que poderia adicionar tensão entre os Poderes." E por isso conclui que "o Supremo, principal responsável pela guarda constitucional, converteu-se definitivamente em fator de grande insegurança jurídica. Afinal, se o que está escrito na Constituição não vale para vários ministros daquela Corte, salve-se quem puder."
              

( Fonte: Estado de S. Paulo )

Um maluco na Casa Branca?

                              

        O último livro de Salman Rushdie 'Golden House', lançado na feira mundial de Frankfurt, deverá tardar a chegar ao Brasil, notadamente se em eventual tradução.  Já para os que dominam a lingua franca da atualidade, i.e. o inglês,  bastará fazer a encomenda.
        Rushdie que, como o mundo já bem conhece, não desdenha mexer em casa de marimbondos, nesse volume nos escreve sobre um maluco na Casa Branca...
        Como o senhor Donald Trump chegou lá, infelizmente já o sabemos. O seu 'amigo' gospodin Vladimir Putin já tratara disso, e esperemos que a investigação aberta por Robert Mueller III possa ajudar ao mundo ver-se livre da presença desse encosto infeliz na Casa Branca, que é Mr  Donald J. Trump.
          Ou ele tem uma chusma de assessores hábeis e inteligentes,  ou Mr Trump esconde bastante seu jogo.  Com efeito, a sua última jogada contra a Lei para o tratamento de saúde custeável  - ou Obamacare, na linguagem geral - mostra que Trump pode não criar nada que preste, mas que infelizmente, como o demônio,  pode atrapalhar e estragar a boa Lei.
            A reação dos republicanos contra a Lei que garante aos pobres (e também aos remediados!) um tratamento de saúde custeável deve irritar sobremaneira aos republicanos e, em especial, ao seu atual representante, que pode não criar leis que favoreçam aos necessitados - como todo republicano, o seu interesse está voltado para os ricos - mas pelo visto tem o desgraçado dom de estragar tudo aquilo que venha a favorecer o povão.
             Irritado com a resistência do Congresso - hoje dominado pelo GOP!- em colaborar para o desfazimento do Obamacare, Trump - ou algum advogado esperto - assinou uma ordem executiva que é cruel nas suas sutilezas jurídicas.
             Ele quer encarecer - para os pobres é claro - a utilização dos benefícios do Obamacare.  Trump, na verdade, além da especulação imobiliária, onde empilhou a própria fortuna, semelha hábil em colher pareceres safados de grandes advogados, pareceres tais que verte em modificações cruéis ao Obamacare, colocando exigências que, na prática, são inacessíveis às classes menos favorecidas, justamente àquelas  que a Lei de Obama estende a mão.
               O mal constrói ?  Tenho minhas fundadas dúvidas.  No entanto, a derrota de Hillary Clinton,  cuja nave fora afundada por maldades, como as de Mr James Comey, o diretor do FBI - que fora nomeado por, vejam só!, Barack Obama - que depois de grosserias feitas a Hillary, as completou mandando - contra todas as instruções a respeito da Secretaria de Justiça a que estava subordinado - uma carta cavilosa ao Congresso sobre a possibilidade de que no computador do ex- marido da Secretária de Hillary ainda houvesse cousa que incriminasse a ex-Secretária de Estado.
                 Vou repetir como essa novela terminou. A carta foi mandada exatamente no período da votação antecipada para presidente.  Com essa bandeira vermelha, a tendência pró-Hillary da votação sumiu, pois o eleitor pensou que houvesse algo de cabeludo contra a ex-Secretária de Estado.
                  Mas não havia nada no tal computador, e por isso já na primeira semana do mês seguinte, Mr Comey mandou carta dizendo que nada havia. Mas quando a dita correspondência chega, a vantagem de Hillary já desaparecera, eis que os eleitores pensaram que houvesse algo de cabeludo contra a ex-secretária de estado, quando não havia nada.  Mas com isso - e que ninguém pense mal - Mr Comey já tinha inoculado a cruel dúvida na mente dos votantes e, por conseguinte, assegurado a vitória de seu correligionário - pois Mr Comey é republicano também! - Donald John Trump!                             
                     E é também por isso que temos agora quem distribua 'bondades' na Casa Branca, inquietanto até mesmo os republicanos de boa cepa, porque essa gente sabe que a maldade não constrói...
                     Quanto tempo teremos esse cretino na Casa Branca, fazendo as vontades de Bibi Netanyahu, para estragar o acordo com o Irã e os países nucleares então liderados pelos Estados Unidos?  Sem falar em outras maldades já acima referidas...



( Fontes: The New York Times;  What happened, de Hillary Clinton )

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Nefasto é o adjetivo para Trump?

                                                                  
      Ler os jornais e o seu crescente derivativo cibernético,  que são as informações das agências telegráficas transmitidas através do noticiário dos inúmeros sites disponíveis será o caminho mais seguro para manter o próprio conhecimento atualizado.
      Nos tempos correntes, é o que chamaríamos o desafio da pós-modernidade. E este repto me recorda conceito básico na filosofia histórica do grande historiador inglês Arnold J. Toynbee, que é o autor de "Um Estudo da História",  obra em doze volumes, a que se agregam tomos com mapas. Há também disponíveis livros que resumem as teses principais desse grande historiador.
       Mas por que razão me aventuro a citar esse grande filósofo da história no contexto dado pelo título do blog?
       Depois de ler o livro de Hillary Clinton sobre a sua campanha e a malograda eleição da primeira mulher que se aproximou do teto de vidro que até hoje estorva o caminho do gênero feminino à presidência dos Estados Unidos, o noticiário relativo à presidência de Donald J. Trump constitui cruel e permanente lembrete de o que significou a eleição deste senhor por estreitíssima margem no arcaico e já pernicioso procedimento do colégio eleitoral,logo ele um dos candidatos mais mal preparado em todos os tempos para lidar com o magno desafio de instalar-se pelo mínimo constitucional de quatro anos na Casa Branca.
         Tenha presente, caro leitor, por que cito o grande historiador britânico. A sua tese histórica se baseia na teoria do desafio e da resposta (challenge and response).  Na análise das diversas culturas e civilizações, Toynbee focaliza os desafios e as respostas dadas pelas múltiplas civilizações que estuda na sua grande obra. O sucesso ou o malogro de cada cultura e civilização estará na medida em que adota a resposta necessária para os múltiplos desafios que lhe surgem à frente. É esta capacidade que distingue as grandes civilizações  daquelas que não tiveram condições de arrostar com êxito os desafios com que se defrontaram.
          Talvez um dos mais despreparados presidentes eleitos pelo colégio eleitoral americano, Donald Trump tende a tornar a própria incapacidade ainda mais nefasta pela maneira em que o seu dinamismo atitudinal, eivado de baixas e discutíveis premissas, trabalha de forma corrosiva e demagógica para desfazer, por um lado, o que predecessores seus tenham criado dentro de o que interessa e aproveita à Superpotência e aos respectivos eleitores, e por outro, para introduzir dentro da realidade  que recebeu de seus antecessores no cargo normas e modificações que, por circunstâncias várias, não atendem aos interesses dos diversos segmentos demográficos que formam o que é atualmente essa Superpotência.
           Donald Trump, segundo os critérios vigentes na maioria das democracias, não teria sido eleito presidente. O sistema democrático vigente na quase totalidade das repúblicas repousa no método de eleição, em que os candidatos com condições de concorrerem (idade apropriada, formação mínima educacional, nacionalidade, e prontuário que o qualifique do prisma ético e disciplinar) se apresentam, através de campanha, ao julgamento da população.  O método mais utilizado é aquele da votação secreta, vencendo aquele candidato que tiver o maior número de votos.  No caso dos Estados Unidos, a candidata Hillary Clinton que obteve no total numérico pouco menos de três milhões a mais que o adversário, seria em qualquer outro país do mundo eleita. Não é o caso dos Estados Unidos,  ainda que o método do século XVIII pode ter sido de grande utilidade para uma vasta democracia como os EUA, diante do então desafio das distâncias e da observância de corretas contagens de votos. Mas os últimos resultados - e este não é o único caso neste século - que um candidato minoritário seja sagrado vitorioso contra o adversário que foi votado por um número superior de nacionais.
           No entanto, os problemas que o candidato vencedor por esse vetusto sistema do colégio eleitoral está ora colocando para a comunidade americana - e também para os seus vizinhos - decorrem de vícios de comportamento e, notadamente, de claro e inegável despreparo para enfrentar o desafio da presidência estadunidense.
           É particularmente penosa a diferença entre a candidata supostamente derrotada e Mr Donald J. Trump.  Para a "vitória" deste último contaram diversas irregularidades, algumas delas bastante graves.
           Talvez a principal esteja na carta ao Congresso Americano de James (Jim) B. Comey, de 28 de outubro de 2016. Este senhor resolveu comunicar ao Povo Americano - que por estranhíssima coincidência se achava empenhado na votação antecipada para os candidatos presidenciais (Hillary Clinton e Donald Trump)  -  que estava sendo verificado o computador de Anthony Weiner, marido afastado da secretária de Hillary, Huma Abedin, acenando inclusive com a possibilidade de serem encontrados mais elementos  a respeito da candidata Hillary. No seu livro "O que aconteceu", Hillary assinala que o estatístico  Nate Silver  - que previra quem venceu em 2008 em 49 estados, e em 2012, em todos os 50 estados - afirmou que a sra. Clinton estava no caminho da vitória até que a carta de 28 de outubro de Jim Comey descarrilasse Hillary de vitória certa. Mais tarde, este senhor comunicaria em outra carta que nada fora encontrado no computador de Weiner,mas como foi no fim de semana anterior à eleição (que é na terça-feira) não havia mais tempo para que esta "correção" corrigisse o mal praticado por  Mr James  Comey.
           Como se sabe, houve muitas outras irregularidades nesta eleição, todas elas contrárias a Hillary. Ocorreu a intervenção determinada pelo presidente Vladimir Putin, através dos hackings feitos por russos e divulgados pelo WikiLeaks de Julian Assange,  e sabe-se lá o que mais virá a ser determinado pela investigação do Procurador Mueller. A desinformação russa através do Facebook também atuou com a participação dita involuntária do Google, que só agora é reconhecida pela mega-organização.
             A vingança de Putin contra Hillary ainda será esmiuçada em maiores detalhes. Se o tempo corre em desfavor da candidata - dado o fato de que a revelação do caráter ilegal das intervenções russas não terá qualquer efeito sobre a vitória de seu candidato, Donald Trump, pelo menos soará o clarim do alarma e da manifesta ilegalidade de tais meios utilizados em favor do candidato do GOP.
              Há outros personagens - e não dos menores - que por timidez ou por falta de maior empenho não tiveram a coragem de atender aos apelos da direção democrática em favor de intervenções enérgicas que, infelizmente, não foram feitas por quem de direito.
               Mas tanta ilegalidade, tanto truque sujo tiveram como resultado a vitória do candidato republicano Donald John Trump.  É difícil imaginar alguém com menos condições para exercer a presidência dos Estados Unidos.  Embora a sua Administração ainda esteja no seu primeiro ano, já existem inúmeros fatos inquietantes e negativos que sinalizam o caráter nefasto da presidência de Donald Trump.
                Dando início à cadeia de antirrealizações, Trump denunciou[1] a participação estadunidense no Acordo do Clima de Paris. Mais recentemente, em outra iniciativa criminosa, criou condições para desfazer as medidas de Obama tendentes a combater a poluição, permitindo que se voltasse à plena utilização do carvão, o que irá muito contribuir para o incremento da poluição na atmosfera e no consequente aumento do chamado efeito estufa.
                  Por outro lado, na série lamentável de anti-realizações, Trump visa a desfazer o Nafta  que é o acordo entre a superpotência, o México e o Canadá, sobre zona de livre-comércio entre esses países (EUA, México e Canadá), com até hoje grandes e positivos reflexos sobre o nível de atividade econômica dos países cobertos por essa associação.     
                  O mais interessante é que, nas "realizações" desse demagogo irresponsável, não há até o momento qualquer notícia acerca de providências efetivas para a reparação e reativação da rede estradal e de transporte ferroviário dos Estados Unidos da América, o que era antes martelado pela propaganda do candidato republicano.
                   Malgrado as suas demagógicas promessas quanto à reativação do chamado cinturão da ferrugem (nordeste estadunidense, regiões dos grandes lagos e do meio-oeste), nada foi feito até agora. Há causas estruturais para a desativação das grandes indústrias que lá existiam, e obviamente a demagogia de Trump não poderá recriar, de um cemitério de indústrias pesadas, um novo sistema industrial...   
                  Trump se empenha igualmente - até o momento felizmente sem sucesso - em desmantelar a ajuda médico-sanitária (chamada pelos republicanos de Obamacare). Por outro lado, Trump, além das imprudências através do Twitter contra o ditador norte-coreano, vem colhendo no seu gabinete ministerial grandes inimizades, como aquela com o Secretário de Estado Tillerson - que chamou a Trump de moron(imbecil), assim como no Senado, o Sen. Bob Corker, o que lhe irá dificultar a sua projetada reforma tributária (na linha republicana, de corte nos impostos dos ricos, e,por conseguinte, grandes deficits  no orçamento).


(Fontes: New York Times,  A. Toynbee (A Study of History), Hillary Clinton (What Happened)).



[1] retirou