terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A ditatorial palhaçada de Maduro

                      

         As "vitórias" de Nicolás Maduro podem brilhar na mente limitada desse homem forte de fancaria, mas representam apenas a peculiar realidade que pode ser imaginada pela mente desse arremedo de ditador.
         Dizer que Maduro vence em 92% das cidades da Venezuela é outra visão vesga da realidade política naquele país.
         Se como declarei em blog desta semana que a oposição não deve acorrer solícita toda vez que os fâmulos de Maduro a convidem para debater sobre política venezuelana e eventuais concessões, à guisa de côdeas de pão do ditador, porque em assim agindo a oposição deixa de ter dignidade perante  o eleitorado.  Como a julgará o homem da rua na maltratada Venezuela, sem remédios na farmácia, sem alimentos no supermercado,  nessa ditadura que finge de ditablanda, e com os bolsos cheios desse papel sem valor que antes se chamava bolívar?
           Se Maduro acreditou encontrar a solução para os pleitos eleitorais na Venezuela - despojá-los de qualquer credibilidade, proibir Enrique Capriles de candidatar-se,  logo a ele que foi a primeira vítima das fraudes de Maduro, que nem eleito estava e já arranjava de trucar a primeira eleição - aquela em que contracenou com Capriles, o que os políticos venezuelanos podem esperar?
            Institui-se uma farsa e as pessoas acabam convencidas pela própria mentira que criaram... O pais está em ruínas, boa parte dos pobres fogem para as nações vizinhas - e o Brasil pode atestar como chegam  os infelizes venezuelanos a Roraima.   O mesmo há de valer para os demais, a começar pela Colômbia.
              Há palhaços perniciosos,  feitores do mal,  inimigos públicos nº 1.  Por quanto tempo esse traste andará pelos salões do Palácio de Miraflores,  e rirá junto com a sua soturna companhia,  pensando que o futuro lhe pertence...  Com homens pequenos - a estatura e a corpulência fisica não passam de máscara que o Povo, aquele verdadeiro, não os bandidos dos colectivos,  nem os militares de fancaria, distingue à distância, enquanto preliba a hora e a vez  quando verdade e justiça se unirem. De onde partirá o golpe? Daquele militar, que hoje te sorri obsequioso, por trás das próprias condecorações ?  ou daquele jovem de expressão contraída, mas postada em estranha continência?  ou será que já te consome o câncer dos tiranos, que vêem em cada sombra, em cada sorriso amarelo, o presságio  do  fim abominável  que tu e eles sabem merecer, numa encenação que a ti te escapa,  com exceção dos teus terríveis, inimagináveis  pesadelos, em que te descobres entregue a toda essa gente que irrompe no teu dormitório de Miraflores?
                Ou acaso pensas que o Povo enfurecido terá alguma parecença com solícita, untuosa, capaz-de-tudo Delcy Rodriguez?    O poder tem mágicas e armadilhas que vão muito além das mentes medíocres como é a tua.  Não te aconselho que leias a história dos tiranos, e de quanto o sofrimento que causaram de repente se transmuta diante deles, quando soa a terrível hora do castigo.
                Como diria Virgílio,  horresco referens![1]



[1] Tenho horror em referi-lo.

Fux nega ação para barrar auxílio-moradia

           
           No contexto da controversa concessão de auxílio-moradia a juízes,  o Ministro Luiz Fux negou  seguimento a uma ação popular movida contra decisão que autorizou o pagamento de R$ 4,3 mil em auxílio moradia a magistrados, promotores e conselheiros de Tribunais de Contas.
            A ação em tela foi movida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça da 2ª Instância do Estado de Minas, para que sejam declarados inconstitucionais os valores conferidos a magistrados que tenham resi- dência ou domicílio na mesma comarca em que trabalham.
            De acordo com a entidade, o pagamento do benefício, em modalidade indenizatória - que implica ressarcimento do servidor por gastos decorrentes das suas próprias funções -, vem sendo, na prática, uma forma de aumentar a remuneração dos juízes.
             "Afinal, o que está sendo indenizado? A moradia? Desde quando o agente público que trabalha e reside ou tem domicílio no local de sua lotação tem direito a ter  a moradia custeada pela administração, na verdade, por todos os cidadãos brasileiros?", questionou a entidade.
               De acordo com a estimativa da ONG Contas Abertas, desde setembro de 2014,  quando o próprio Fux acolheu ação movida por um conjunto de magistrados, com apoio da Associação Nacional dos Juízes Federais, e proferiu decisão favorável aos pagamentos dos benefícios, o benefício já custou R$ 4,7 bilhões aos cofres públicos.  O presidente da entidade, Gil Castelo Branco, disse que a margem de erro do cálculo é mínima, uma vez que são raros os magistrados que recusam receber a indenização. "Em um dos Estados, seis juízes não aceitaram.  No Espírito Santo, apenas um se recusou a receber", afirmou.
                 De acordo com a Contas Abertas, atualmente há 17 mil magistrados e 13 mil procuradores do Ministério Público Federal com potencial para receber o auxílio-moradia. Dados comparados da ONG dão conta de que o auxílio-moradia corresponde ao dobro do piso salarial dos professores, no valor de R$ 2,9 mil.
Ação popular. Em sua manifestação, Fux não entrou no mérito da questão e levou em consideração decisões anteriores da Corte que sustentam o entendimento de que não cabe mover ações populares contra decisões judiciais - atos jurisdicionais.
                 Ao negar o seguimento da ação, na semana passada, Fux evocou  decisão da Segunda Turma da Corte, de março de 2015, em que ficou estabelecido que "o Supremo Tribunal Federal - por ausência de previsão constitucional - não dispõe de competência originária para processar e julgar ação popular promovida contra qualquer outro órgão ou autoridade da República".  "No âmbito da doutrina especializada do processo civil coletivo, o entendimento também é pacífico", destacou o ministro na sua decisão. Procurado, o gabinete do ministro não se manifestou sobre a decisão.
Barroso. Em outra ação que julga validade da concessão do auxilio-moradia a todos os juízes, o ministro relator Luís Roberto Barroso encaminhou o caso para o plenário do Supremo Tribunal Federal. O processo ainda não foi pautado pela presidente da Corte, Cármen Lúcia. 
Análise do Coordenador da Especialização em Direito Administrativo da Faculdade de Direito do IDP - SP    Amauri Saad
A decisão proferida pelo ministro Luiz Fux é equivocada. A razão principal para a negativa da liminar foi a suposta inadequação da ação popular para questionar atos jurisdicionais.  Tal posicionamento merece ser revisto pelo Supremo Tribunal Federal.
Em primeiro lugar, porque a ação popular é o instrumento previsto no artigo 37 da Constituição. Em segundo lugar, porque no caso concreto, o que a referida ação requer é a declaração de invalidade da Resolução nº 199/2014 do CNJ. Tal ato, ao contrário do que sustenta o ministro, não tem natureza jurisdicional.
A resolução 199/2014, em verdade, é duplamente ilegal: primeiramente por conceder adicional de mais de R$ 4,3 mil aos já robustos salários dos magistrados; de igual modo, por caracterizar tal adicional remuneratório como "indenização", o que possibilitou a burla ao teto constitucional - R$ 33,7mil.
    Em tempos de vacas magras (em que o corte de gastos é imprescindível), é no minimo imoral que a classe dos magistrados continue a receber tal privilégio, ainda mais quando considerado que o Congresso discute a reforma da Previdência, afetando inúmeros brasileiros.


( Transcrito do Estado de S. Paulo, pag. 08 )

Disputa senatorial em Alabama

                

       Alabama é o que os americanos chamam de red state. Em qualquer outro lugar do mundo, isto significaria estado em que a esquerda predomina.  Nos Estados Unidos, para variar, o red  (vermelho) significa estado que, em geral, vota com o Partido Republicano.
       Não importa que, no passado, os estados sulinos votassem com os democratas. Memórias da Guerra Civil e de Abraham Lincoln, que era do Partido Republicano.  Sem embargo, desde os tempos de Lyndon Johnson, e as medidas que este presidente - originário do Texas - adotou para proteger os afro-americanos, levaram os estados do Sul a votarem com o partido mais conservador, no caso o Republicano. 
      Nessa bye-election (eleição extraordinária) o republicano Roy S. Moore enfrenta dificuldades por causa de sua conduta com moças adolescentes... As perspectivas desfavoráveis fizeram que o próprio Presidente Trump hesitasse bastante antes de consentir vir a campo para defender alguém do próprio partido, por mais suja que fosse a respectiva ficha.
      No entanto, a relevância dessa competição cresce pelas implicações no quadro político senatorial.  Se Doug Jones, democrata, vencer, a diferença de votos no Senado Federal passará a apenas um, o que tornaria dramática a disputa prevista para o próximo ano, com a séria perspectiva de os democratas voltarem a empolgar a maioria no Senado.
      Sem embargo, estamos em estado que costuma votar com os republicanos, e em que as restrições ao voto dos afro-americanos abundam.  Recorde-se que a maioria republicana na Suprema Corte voltou a permitir que disposições antivoto das minorias, de ranço racista, sejam de novo permitidas, sob a cínica racionalização de que o progresso elimina as cláusulas preconceituosas - como antes se realizava através de leis preconizadas por Lyndon Johnson, que existiam para eliminar as disposições antivoto (das minorias), que são do especial agrado do Grand Old Party, nos estados do Sul.
       Pois no Alabama, estado racista e dominado pelos republicanos, de novo abundam as leis que dificultam os votos de latinos, afro-americanos, idosos e todos aqueles que, em geral, acorrem para os democratas, que lhes defendem os respectivos direitos. Em outras palavras, para que o republicano Moore ganhe, ele precisa maximizar a sua velha base de brancos rurais.  Já os eleitores afro-americanos de Mr Jones estão nas cidades em Jefferson County, e a sua vitória nesses condados terá de ser superior a setenta por cento, para mais do que compensar  a votação do republicano Roy Moore.
       
   

( Fonte: The New York Times )

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

A Realidade sobre o COMPERJ

                           

       Em outra de suas notas editoriais, o Estadão - sob o título "Lula Caçoa do País" - expõe algumas das assertivas do ex-presidente durante sua visita ao Rio de  Janeiro e a sua peculiaríssima versão das causas da atual crise do Rio de Janeiro.
         Para começo de conversa,  Lula da Silva atribui as agruras do Rio de Janeiro à Operação Lava Jato. Na sua peculiar versão dos fatos, o tribuno diz: "A Lava Jato não pode fazer o que está fazendo com o Rio".  Segundo ele, aludindo aos efeitos da ação anti-corrupção na Petrobrás: "Se um empresário errou, prende o empresário.  Mas não quebra a empresa, porque quem paga é o trabalhador.  Porque dizem que meia-dúzia roubou, não podem causar o prejuízo que estão causando à Petrobrás", disse  Lula.
       O discurso é inacreditável coleção de afrontas.  Ao contrário de o que diz Lula, a Lava Jato ajudou a salvar a Petrobrás, livrando-a de diretores corruptos que ali estavam para pilhá-la e para distribuir o fruto do roubo entre os partidos que sustentavam os governos petistas. O saneamento da maior estatal brasileira deve muito à depuração proporcionada pela Lava Jato que ajudou a recuperar quase R$1,5 bilhão em recursos desviados.
        Sob nova e saneadora direção, após o impeachment de Dilma Rousseff, a Petrobrás revisou seus investimentos, que haviam sido ampliados irresponsavelmente, e alterou sua política de preços, antes determinada pelos interesses eleitoreiros dos governos petistas, que tantos prejuízos causaram à estatal. Como resultado, a Petrobrás interrompeu obras desnecessárias, excessivamente  custosas ou que haviam sido projetadas apenas para servir ao esquema da corrupção.
           Foi o caso das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo o Tribunal de Contas da União, a construção, lançada com fanfarra pelo governo Lula em 2010,  gerou para a Petrobrás  um prejuízo  de US$ 12,5  bilhões, dos quais US$ 9,5 bilhões podem ser atribuídos à gestão temerária dos prepostos petistas que dirigiram a estatal no período. As obras foram suspensas em razão desse prejuízo. 
            Como ali trabalhavam 35 mil pessoas, pode-se imaginar o tamanho do drama social que a corrupção e a inépcia dos governos petistas causaram.
             Mas Lula da Silva, com seu profundo desdém pela ética, não viu problema algum em se encarapitar num carro de som em frente do Comperj para bradar que "é inaceitável que um país, em meio a essa crise econômica e esse desemprego, deixe parada uma obra dessa magnitude por irresponsabilidade desse governo."
              Na ocasião, Lula bradou que era "notícia estarrecedora" a informação de que os dois presidentes da Petrobrás na gestão petista, José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, serão processados por improbidade administrativa em razão da decisão de congelar os preços dos combustíveis a pretexto de controlar a inflação. Essa política irresponsável gerou prejuízo de R$ 60 bilhões à Petrobrás, segundo cálculos da Organização Mundial do Comércio (OMC). O valor é três vezes superior ao que se estima tenha sido desviado pela corrupção.

( Fonte: O Estado de S. Paulo  )                                         



Fux e o auxílio-moradia

          

       Ao julgar um pedido de suspensão do pagamento do auxílio-moradia a todos os juízes, inclusive aos que têm casa própria e já residem na mesma cidade em que estão lotados, como assinala a nota-editorial de O Estado de S.Paulo, o ministro Luiz Fux, do STF, deixou de lado a questão do mérito e optou por decidir com argumentos meramente formais. Começou dizendo que, havendo sido o pedido feito por uma ação popular, o meio empregado pela legislação em vigor não pode ser usado para questionar decisões judiciais.
           Vale assinalar que a decisão a que Fux se refere foi tomada por ele próprio há mais de três anos, quando determinou o pagamento do auxílio-moradia aos juízes federais, por meio de uma simples liminar.
            Em seguida, como assinala a nota-editorial do Estadão,  ele ampliou o benefício para membros da Justiça do Trabalho, da Justiça Militar e dos Tribunais de Justiça. E, não contente com essa distribuição, invocou a "simetria entre as carreiras", que estão entre as mais bem pagas da administração pública, equiparou  a verba paga aos magistrados ao valor pago aos membros do Ministério Público.
              O mais preocupante na matéria é que"apesar dos recursos judiciais que foram impetrados na época contra essas decisões, até hoje Fux não as julgou. E como também não encaminhou o  caso ao plenário, desde então os cofres públicos tem sido obrigados, mensalmente, a bancar o pagamento do auxílio moradia - que é hoje de R$ 4.377,73. Pelas estimativas da AGU, a manutenção das liminares concedidas por Fux já custou R$ 1 bilhão aos contribuintes. Pelos cálculos da Consultoria Legislativa do Senado, o valor é estimado em R$ 1,6 bilhão.
                Além de ser inconstitucional, como algnns ministros do STF já reconheceram publicamente, o auxílio-moradia tem uma característica perversa, do ponto de vista moral. Como ele é pago a título de benefício "indenizatório" e não "remuneratório", os valores não estão sujeitos ao teto salarial do funcionalismo estabelecido pela Constituição. Graças a esse subterfúgio, os beneficiários do auxílio-moradia podem ultrapassar  o limite de remuneração de R$ 33,7 mil. Atualmente, o benefício é concedido a 88 ministros de tribunais superiores, 2.381 desembargadores, 14.882  juízes de primeira instância, 2.390 procuradores do Ministério Público da União e a 10.687 promotores dos Ministérios Públicos estaduais. E, embora os tribunais de contas não pertençam ao Judiciário, pois são órgãos auxiliares do Legislativo, os nove Ministros do Tribunal de Contas da União e os 553 conselheiros dos tribunais de contas dos Estados,Distrito Federal e municípios também recebem o auxílio-moradia, em nome da isonomia.
             As decisões de Fux nessa matéria, que beneficiam sua filha - desembargadora no Rio de Janeiro - têm sido apoiadas por entidades de juízes e procuradores. Segundo seus porta-vozes, como o Executivo não tem reajustado anualmente os salários das duas categorias, "desvalorizando seus pleitos", o  Judiciário e o Ministério Público não tiveram alternativa a não ser multiplicar os penduricalhos de natureza indenizatória, para poder burlar o teto constitucional. Por mais imoral que seja, essa estratégia chegou a ser endossada publicamente há alguns anos pelo presidente de um Tribunal de Justiça de São Paulo, reconhecendo que os penduricalhos são "disfarce para aumentar um pouquinho os salários, o que permite que procuradores e juízes não tenham depressão, síndrome de pânico e AVCs".
              Esse é apenas um dos lados do problema. O outro está  no modo de funcionamento do STF. Apesar de ser um órgão colegiado, seus ministros se sentem à vontade para engavetar processos ou abusar das decisões monocráticas. O adiamento das decisões por tempo indefinido cria fatos consumados e impede o desfecho dos julgamentos. A decisão monocrática permite que os ministros se apropriem  individualmente de um poder institucional, que é a manifestação do plenário.  Nos dois casos, a decisão do colegiado acaba sendo evitada por longos períodos, o que tende a favorecer corporações, o desprezo do interesse público e, acima de tudo, o descumprimento da ordem jurídica, como os despachos do ministro Fux têm deixado claro  no caso do auxílio moradia.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

O que é ser Oposição na Venezuela ?

               

        Diante de uma ditadura, é possível haver oposição?
        Diante de uma eleição - parlamentar, executiva - municipal - estadual ou federal - é possível haver oposição em  votação controlada pelo poder corrupto chavista?
         Qual o melhor método para enfrentar a ditadura?  Admitir-lhe as regras?  ou   negá-las, partindo da premissa de que a Ditadura só respeita aquelas regras que lhe convém?

         Premissa da discussão. O atual regime neo-chavista, sob a batuta de Nicolás Maduro, que controla  a apuração, a justiça, e as regras quaisquer que estabeleça  a seu bel prazer, pode acaso encenar votações em que o poder popular - que se expressa pelos votos legítimos dos eleitores - tem chance de realizar-se  em pleitos respeitadores da Lei que sirvam para atender à maioria do Povo e não ao corrupto grupelho pró-Maduro? e a turba que reflete a minoria ?    
           Sob a Constituinte de Delcy Rodriguez,  criada sob medida para o figurino do poder discricionário e corrupto de Nicolás Maduro, que oportunidade existe para a Oposição ordeira e vinda dos tempos da Democracia?  Nenhuma!
            A ditadura se reflete nas prateleiras vazias dos submercados e supermercados, na hiperinflação que transforma os bolívares em papel desvalorizado e humilhado, na desordem da corrupção e da transfor-mação da Venezuela em um pária internacional, sem crédito  e sem esperança,  parque ideal para o narcotráfico e a hipercorrupção. Maduro relembra a fábula de quem transforma o ouro negro do petróleo  em empresa desmoralizada e endividada,  e sobretudo pelo seu toque  que transmuta o metal precioso em cascalho.
             Agora, caberia perguntar:  É possível confiar neste homem e no que representa? Acorrer a reuniões no estrangeiro por ele organizadas para ouvir suas promessas e acreditar na sua palavra? Estão aí as velhas fábulas para mostrar aos jovens, à gente de hoje, que existe uma razão porque os países limitrófes da Venezuela  têm que lidar com o crescente afluxo de miseráveis venezuelanos,  gente do povo, que não mais aguenta viver no paraíso de Maduro!
               Se o bom senso e a geral experiência nos mostram que é impossível confiar em bandidos, desonestos e nos demais partidários de Maduro,  a situação desse país, que já foi próspero e organizado, luzindo antes como uma das duas democracias restantes na América do Sul, e hoje está transformado em verdadeira pocilga, onde a sua gente não mais tem condições de viver - diante dessas cruéis premissas, como é possível, como é crível que existam grupos políticos que se denominem  Oposição que possam não só crer, mas prestar-se às fraudes, às mentiras do Poder ditatorial instituído na pobreVenezuela?
                 A que serve brincar de democracia madurista, sujeitar-se às suas imposições cínicas, mentirosas  e dessarte fazer o jogo desta  ditadura que empobrece o Povo e condena a Venezuela a ser apenas o campo de colheita dos larápios organizados do poder madurista,  e da canalha que  se instalou na infeliz antes Terra de Bolívar ?
                   Não se pode brincar de Democracia se o juiz desse jogo se chama Nicolas Maduro! 



(Fonte:  O Estado de S. Paulo : "Eleição esvaziada fortalece Maduro")

domingo, 10 de dezembro de 2017

Continua a travessia de Battisti

                              

        Há movimentos com relação a Cesare Battisti da Justiça brasileira que podem levantar dúvidas quanto à situação desse refugiado italiano.
         Com efeito, Battisti ao tentar viajar para a Bolívia, não só levantou suspicácias quanto às respectivas intenções, mas também e sobretudo deu razão a um grupo de pessoas que ainda não desistiu de devolvê-lo a seu país de origem, a Itália.
         Como tenho assinalado em vários blogs, durante a sua permanência já longa, Battisti não deu razão alguma a tais perseguidores seus, quanto à suspeita no que tange às intenções deste asilado no Brasil.
         Nesse contexto, gostaria de crer que essa iniciativa de tornozeleira eletrônica se insere na linha de tais procedimentos que tendem a criar problemas onde eles não existem. Decorreria de mais uma provocação imaginada por seus perseguidores?

         De qualquer forma, o sensato parece ser o que foi proposto pelos defensores de Battisti. Quer-me parecer que a tornozeleira só se tornaria necessária se Battisti resolvesse movimentar-se da localidade onde se encontra. Se mantivesse a própria localização, não haveria nada, SMJ, que depusesse contra ele.  

O milhão de dólares de Kadafi

                          

       Antonio Palocci, ex-ministro, revela em sua nova delação que Muamar Kadafi, que durante 42 anos governou a Líbia, fez uma doação a Lula de um milhão de dólares. Coube a Palocci, como homem de confiança do candidato e também responsável informal pelas  finanças do PT, cuidar da internalização do dinheiro.
        Segundo afirma, coube a ele, homem de confiança de Lula , achar um jeito de colocar o dinheiro dentro do Brasil sem chamar a atenção das autoridades nem deixar rastro de sua origem.
        Nos relatos entregues aos investigadores, os chamados "anexos", o ex-ministro afirma que cumpriu a missão e promete exibir comprovantes da operação. Palocci pretende revelar os detalhes da transação - quem deu a ordem, quem intermediou, como o dinheiro chegou ao Brasil e de que forma ele foi utilizado - caso o acordo de colaboração seja assinado.
          É uma acusação tão grave que, se Palocci conseguir provar o que promete contar, o PT pode perder o direito de existir como partido.
          A legislação brasileira diz que nem partidos, nem candidatos podem receber recursos de "procedência estrangeira" - seja um cidadão, uma empresa ou um governo. A punição é o cancelamento do registro do partido. Diz a respeito Carlos Ayres Britto, ex-Ministro do STF, falando sem conhecimento do caso específico: "É uma questão de soberania nacional. Quando o partido recebe recursos do exterior, essa soberania fica precarizada. Por isso é que o partido sofre a sanção mais gravosa, que é a perda do registro".


( Fonte: Veja, 13 de dezembro de 2017 )               

O Escândalo Venezuelano

                              

        Ao ler as notícias vindas de S. Domingo - e que o blog noticiou no correr desta semana - qualquer pessoa dotada de um mínimo de inteli-gência terá de duvidar da sinceridade das renovadas promessas do regime ditatorial de Maduro de vir a respeitar condições democráticas para as novas eleições.
        Tendo em vista a programação política que cordatamente o regime diz aceitar - feitas apenas algumas correções(...) - o que está para ocorrer são promessas para boi dormir.
        Vejam o que sucedeu nas últimas eleições para governador em Zulia. Sob o pretexto de que Juan Pablo Guanipa se negara a tomar posse perante a fajuta e ilegal Assembleia Nacional Constituinte, torna-se nulo o respectivo mandato e se prepara mais uma eleição ilegal para colocar outro adepto de Maduro em governo estadual.
         Será que os representantes "moderados" da MUD não se dão conta que é impossível um acordo com o ditador Maduro? Essas reuniões em Santo Domingo em que seus representantes vestem peles de cordeiro e prometem colaborar, "desde que certas condições sejam atendidas"!? Ora, ora, como dormir com um barulho desses ? Nessa e na outra reunião realizada no ano passado, a música foi e será sempre a mesma. Concordam com algumas coisas, mas  tudo não passa de conversa mole para garantir a realização de mais uma farsa. Pois como será possível realizar um jogo político com uma ditadura?  Será o mesmo de acreditar que  os cordeiros  podem negociar com o leão... Depois de engambelados a comporem um quadro de negociação política serão comidos um a um, porque estão diante de uma ditadura que faz o que bem entende, hoje escudada pela falsa, fraudulenta e ilegal nova Constituinte, aprovada sem quorum (a não ser que consideremos a força como elemento desse quorum...) Enquanto a MUD se prestar a tal palhaçada, estará coonestando uma situação fraudulenta, e além do mais estará estará contribuindo para a prorrogação de um regime ultra-corrupto, inconstitucional e criminoso, cuja palavra - como já o demonstrou sobejamente - não tem valor algum.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

sábado, 9 de dezembro de 2017

Avança a Grande Prisão Brasil !

           
        O Brasil passou a ter o terceiro maior número de presos no mundo! Segundo se noticia,  a população carcerária cresceu 4%, as vagas caíram 1% e a superlotação aumentou...
        Com 699 mil detentos, o nosso país passou a Rússia, com 646 mil!
        Em primeiro lugar, estão os Estados Unidos (2,1 milhões) e a China (1,6 milhão).
        Se me permitem, não me estenderei em observações acerca das características de nosso mundo carcerário, nem os do Maranhão, algum desprovido de teto, nem o famoso Presídio de Porto Alegre, que é um monumento às avessas,  sendo muito ligado à comprovada incompetência de nosso Sistema.
         Em muitos casos, as enxovias e os calabouços costumam ser lôbregos e lúridos, mas malgrado as semelhanças com os cárceres de antanho,  já neles há presença da baixa tecnologia do crime, com subreptícios celulares e até bastões de baseball.  O que os eventuais candidatos quiçá não encontrem será a atmosfera brejeira dos antigos xilindrós...



( Fonte: Folha de S. Paulo )

A 'prisioneira' Theresa May

                              

      A boa notícia: o Reino Unido e a União Europeia (UE) chegaram a acordo ontem que permitirá o avanço das negociações sobre a saída britânica, de modo a passar as questões que atazanam a Primeira Ministra para uma segunda fase.
      No entanto, esse passe de mágica, como todos os de seu gênero, terá efeitos limitados. Explico-me: a folhas tantas, a pretexto de ganhar prestígio - notadamente quanto a expoentes do Partido Conservador que lhe ambicionavam o lugar, a May pensou valer-se de uma jogada, que lhe terão passado como infalível.
      Na busca de um mandato do povo inglês que lhe reforçe a própria liderança,  Theresa May dissolve o Parlamento e convoca novas eleições. Dessarte, no seu entender, ela sairia fortalecida pela nova eleição,  com mandato que seria seu próprio, e não o do antecessor, David Cameron.
        No entanto, a genial manobra dá chabu. De repente, ao invés da maioria folgada que lhe passara Cameron - constrangido a demitir-se pelo crasso erro do desastroso referendo do Brexit - chega a vez da May. Ao invés de poder falar grosso após o antojado apoio das urnas, ei-la com grosso problema pela frente, cuja existência só podia inculpar a si mesma. O eleitor sequer lhe dera maioria que fosse não similar à anterior dos Tories, mas pelo menos que lhe mantivesse a necessária capacidade de governar. 
         Como um governo minoritário não teria condições de subsistir politicamente, a May foi obrigada a fazer aliança com o Partido Unionista Democrático (DUP),  uma pequena formação que trazia para o interior do gabinete May os grandes problemas da pequena Irlanda do Norte, que é território britânico, com postura politica bem mais fechada do que a inglesa. Entre outras palavras, por sua convocação de novas eleições,  a May se viu sobrecarregada pelos mofinos problemas de região com regras bem menos tolerantes do que as atuais  do Reino Unido.
          E é agora que o DUP vem apresentar a conta para a Primeira Ministra.
           Dentre os problemas, está a permanência de uma fronteira aberta com a Irlanda, que continua membro da UE,  que é uma exigência de Dublin, que vai custar muito caro ao Reino Unido, por causa das concessões ao Dup.
            Nesse contexto, a primeira ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse nesta sexta-feira que "qualquer arranjo especial para a Irlanda do Norte precisa estar disponível às outras nações britânicas"
            . O brexit  vai custar mais caro também para o Reino Unido. A compensação que os ingleses pagarão pelo 'divórcio' ficará entre 40 e 45 bilhões de euros para a União Europeia. Também a May concordou em que os europeus poderão continuar a residir no Reino Unido
             Mas as dificuldades para a  Primeira Ministra May não param aí.  Se com as condições definidas ontem, a pressão imediata sobre May se alivia, pois se eleva a expectativa de que o Brexit ocorrerá de maneira ordenada.  Internamente, porém,  Theresa May continua enfrentando resistência do Partido Unionista Democrático, o Dup, da Irlanda do Norte, pois esse partido não concorda que haja regime aduaneiro para Belfast diferente ao de Londres. (A suma ironia do poder real de Belfast é de que, em condições normais, o Dup com o seu punhado de deputados sequer poderia pensar em impor condições. Agora, com a sua meia dúzia de representantes tem capacidade de vetar qualquer acordo...) E para tal situação Theresa May só terá uma pessoa a quem possa inculpar:  ela própria...


( Fontes:  O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo )

Brasil, campeão em mortes violentas, no mundo

           Parece mentira, mas é verdade. O Brasil teve em 2016 o maior número de mortes violentas em todo o mundo.  Foram 70,2 mil óbitos, o que equivale  a 12,5% do total de registros em todo o planeta Terra!

           Esse alerta  faz  parte  de  informe divulgado  pela entidade Small Arms Survey  (Exame de armas de pulso).  O alerta faz parte de informe divulgado pela entidade acima citada,  que é referência mundial para da violência armada.  Em termos absolutos, a entidade assinala que a  situação no Brasil supera a violência na Índia, Síria (!), Nigéria e Venezuela.

            Segundo Gergely Hideg, autor do estudo em tela, o número inclui as estatísticas oficiais de homicídios - registradas pelos países respectivos -, mas também as mortes violentas não-intencionais e mortes em intervenções legais. 

             "O número é superior ao que as autoridades afirmam", disse o pesquisador, cuja instituição é financiada pelo governo da Suiça. A entidade calcula que, em 2016, 560 mil pessoas foram mortas no mundo de forma violenta.   Isto representa um assassínio a cada minuto.

              O tamanho da população brasileira tem impacto nesses números.  Mas, por si só, não explica a dimensão da violência. Hideg  aponta três fatores que estariam levando ao cenário de mortes:  (i) a falta de garantia de direitos para parte da população, (ii) a cultura da violência e (iii) o crime organizado.

                Se o Brasil lidera o ranking mundial em termos absolutos, é a Síria que tem o maior número de mortes por habitantes (perdura - nota do blog - a guerra civil nesse infeliz país). Ela é seguida por El Salvador, Venezuela, Honduras e Afeganistão.

                A taxa no Brasil subiu entre 2015 e o ano passado. Era de cerca de 26 para 100 mil habitantes e passou para cerca de 30. Além de estar acima do índice mundial, de 7,5,  o aumento dos números brasileiros  contraria a tendência de queda no mundo.
 
                "Em cidades como o Rio, a violência de gangues, o uso excessivo da força pelo Estado, um sistema de Justiça  criminal corrupto,  a  militarização de certas áreas e o acúmulo social de  violência -  em que a violência gera mais violência - é o que marca as taxas extremamente elevadas"  declara o estudo.

                 Outra verificação do levantamento é a de que o Brasil tem o terceiro maior número de mortes de  mulheres no mundo.   Foram 5,7 mil em 2016 -   nosso País só fica atrás de India e Nigéria.

Projeção.       Se esta realidade não mudar, a entidade estima que até 2030,  610 mil pessoas serão mortas de forma violenta no mundo a cada ano.  O estudo calcula, outrossim, que  1,35 milhão de vidas poderiam ser salvas até 2030,  se os governos reconhecessem a dimensão do problema.

                    Para Ivan Marque, diretor-executivo  do Instituto Sou da  Paz, a quantidade de casos no País mostra a complexidade do problema. " A política de segurança pública precisa ser desenhada atendendo às particularidades de cada região, para respeitar as diferentes dinâmicas criminais. "Questões como homicídios não esclarecidos e o modelo brasileiro de polícia, diz ele, ainda são entraves para a melhora  nos indicadores.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Atentado contra a AMIA - Juiz pede prisão Cristina Kirchner

            A  Justiça argentina pediu a sete do corrente que seja levantada a imunidade de Cristina Kirchner. A ex-presidente e Senadora é acusada de acobertar os iranianos suspeitos do nefando ataque contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (AMIA), que ocorreu em 1994, e que deixou  85 mortos.
             Para que o pedido de prisão seja cumprido, é  necessário que dois terços dos Senadores  autorizem a quebra do foro privilegiado da Kirchner.
              O juiz federal Claudio Bonadio, autor da ordem de prisão,  acusa a ex-presidente de traição à pátria, um dos delitos punidos com maior severidade pela Justiça argentina - que prevê pena de 10 a 25 anos de prisão. Pelo acobertamento de criminosos, a detenção pode chegar a seis anos. É a  primeira vez que magistrado solicita a prisão de Cristina, que também vem a ser alvo de acusações de lavagem de dinheiro.
               Em seu mandado de prisão, documento de 365 páginas,  o magistrado Bonadio acusa a ex-presidente de traição à pátria, um dos delitos punidos com maior severidade pela Justiça portenha - que prevê pena de dez a vinte e cinco anos de prisão. Pelo acobertamento de criminosos, a detenção pode chegar a seis anos. É a primeira vez que um magistrado solicita a prisão de Cristina Kirchner, que é igualmente alvo de acusações de lavagem de dinheiro.                   
                No referido mandado, Bonadio acusa a ex-presidente de "dar ordens pessoalmente" para que os terroristas iranianos conseguissem "a impunidade", segundo o jornal Clarin, para que "a Argentina não seja apontada como um Estado terrorista, que promove e financia organizações terro- ristas".  De acordo ainda com o juiz Bonadio, em 2013, o governo da então Presidente firmou um pacto com o Irã "para normalizar as relações entre os países e garantir a impunidade dos cidadãos iranianos indiciados."
                 Para ser despojada da imunidade parlamentar, Cristina que assumiu mandato de seis  anos como Senadora na semana passada, deve submeter-se a processo pelo Senado que entrará em recesso e retomará suas atividades somente em março p.f.  O governo do Presidente Mauricio Macri poderia, no entanto, convocar sessão extraordinária para antecipar a votação em tela.
                  São necessários os votos de 48 dos 72 senadores argentina para levantar o foro privilegiado da ex-presidente.  No entanto, os adversários de Cristina, da bancada de Macri, contam 39 cadeiras e carecem de votos do Partido Justicialista (peronista) para levantar a imunidade da senadora, o que não deve ocorrer neste caso.  Os kirchneristas possuem apenas oito cadeiras no Senado.
                   Em outubro, Cristina negou ao juiz Bonadio  que teria protegido os iranianos acusados pelo atentado contra a AMIA em Buenos Aires - que, além dos 85 mortos, deixou cerca de trezentos feridos. A investigação apontou o envolvimento de funcionários do governo iraniano no ataque.
                   Ontem, Cristina repetiu que sofre uma perseguição por parte do Judiciário da Argentina, segundo ela orquestrada por Macri. A senadora afirmou  também ser vítima  de excessos e violações. "São medidas que degradam ainda mais a Justiça argentina", disse ela. Ela chegou ao extremo de declarar que (o Presidente) "Macri é o responsável por uma organização política e judicial para perseguir a  oposição."
                   Entidades de defesa de direitos humanos e organizações sociais favoráveis a Cristina saíram em defesa da ex-presidente.  Partidários da líder kirchnerista se concentraram nas imediações do Congresso argentino para expressar seu apoio. "Com o objetivo de perseguir e silenciar vozes opositoras,o partido judicial opera a serviço do Executivo", tuitaram as Mães da Praça de Maio.
                   O suposto acobertamento por parte da ex-presidente argentina foi denunciado pelo Procurador Alberto Nisman, que foi encontrado morto quatro dias depois da denúncia, em dezoito de janeiro de 2015, com um tiro na cabeça, no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires.  As estra-nhíssimas circunstâncias da morte de Nisman ainda não foram esclarecidas.
                    A ordem ontem emitida pelo Juiz Bonadio também determina a prisão de ex-funcio-nários  kirchneristas, incluindo o ex-ministro do exterior Héctor Timerman - que em razão de sua delicada condição de saúde, cumprirá pena domiciliar.
                     Por outro lado,  considerado braço direito dos Kirchner, Carlos Zannini, ex-Secretário de Assuntos Jurídicos e Técnicos de Cristina, foi preso em sua casa, em Rio Gallegos, na Província de Santa Cruz. O juiz Bonadio  ainda indiciou, sem contudo decretar a prisão, mas com restrição para sair do país, o ex-chefe da Agência Federal de Inteligência, Oscar Parrilli e o líder social kirchnerista Luis D'Elia, entre outros.

( Fonte:  O Estado de São Paulo )

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

China cobra dívida da PDVSA

                              

        A Sinopec, uma das maiores empresas petrolíferas da China, está cobrando mais uma dívida de US$ 23,7 milhões da PDVSA, através da Justiça americana. 
        Segundo acusa a firma chinesa, a PDVSA  deixou de pagar mais da metade de uma fatura de US$ 43,5 milhões, que se reportam à aquisição de vigas de aço.

( Fonte: O Estado de S. Paulo  )             

          

Crise Alemã

                                       

         Afinal, o Partido Social-Democrata Alemão (SPD) aprovou ontem, 7 de dezembro, a abertura de negociações com a União Cristã Democrata (CDU), sob a liderança da Chanceler Angela Merkel para a formação de um gabinete de coalizão. A SPD pediu aos deputados socialistas, por intermédio de seu líder Martin Schulz, a liberdade para trabalhar  por um modelo social de "Estados Unidos da Europa".
          O diálogo entre Schulz e Angela Merkel pode resolver o impasse em que se acha o país, depois que a CDU/CSU da Chanceler Merkel, diante da recusa dos sociais democratas, não logrou, pela resistência dos liberais e dos verdes, de formar coalizão com os pequenos partidos.
         Por um apelo do Presidente, CDU/CSU e SPD vão tentar refazer a Grande-Coalizão. Há interesse em ambos os partidos de recompor a antiga aliança, e recuperar a antiga governabilidade. Novas eleições agora seriam um desastre político, com mais proveito para os neo-nazistas da Alternativa para a Alemanha.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Crimes de Trump contra a Humanidade


         Continua a crescer o quociente de nocividade de Donald J. Trump. A definição de 'nocivo' no Houaiss não nos deixa dúvida sobre o assunto. Nocivo é o que causa dano, que prejudica; e que, por isso, é prejudicial, pernicioso.
          Desde muito se consolidara o entendimento entre a Superpotência e as partes atuantes no conflito  do Oriente Próximo, que um reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel teria efeito negativo na questão oriental.
          Até mesmo uma decisão do Congresso americano de 1995 em tal sentido na prática ficara congelada ao ser repensada, reconhecidos os efeitos negativos que teria a sua implementação.  De qualquer forma, todos os presidentes desde aquele ano, tiveram que assinar um waiver a cada seis meses, e jamais filtrou que algum deles tenha tido dúvidas a respeito...
          Qualquer que tenha sido o motivo de tal decisão, o bom senso sempre entrou em ação, e ao determinar-se que a sua realização modificaria o quadro de maneira imprevisível,  a ponderação levou a que se mantivesse a tal lei na gaveta.
           A cada decisão errada ou mesmo estúpida do atual Presidente, o observador se vê forçado a conviver com o fato de que a eleição de Trump, um indivíduo que conforme seja analisado, tenderá a mostrar que, ou sobre aspecto ético e biológico (Acordo de Paris sobre o Clima),  ou sobre aspecto político e humanitário (Denúncia do status de Jerusalém), ou sobre restrições à imigração de muçulmanos e de mexicanos (Retrocesso  na  política migratória), a sua posição política - com todas as derivações do caso será sempre burra, prejudicial ao interesse da Humanidade, e por conseguinte reunindo os piores instintos - egoística, regressiva, desonesta (caso da promessa de restaurar as indústrias do Cinturão da Ferrugem).
              Decerto, o antidinamismo (vale dizer, aquele voltado para falsos objetivos) e as cínicas, irrealizáveis promessas são prova de um mau-caratismo militante.
                 Com esta última, para agradar alguns milionários com tal pet-project talvez  Mr Trump haja excedido a todos os níveis do mínimo de bom senso... Primo,  pelo desprezo de um Povo que ali está longamente radicado, e que ele, para satisfazer estultos compromissos, sem atentar sequer por um instante pelo imprevisível que tolamente  resolve provocar vai contra toda a sabedoria reunida na matéria para agradar basicamente ao controverso Bibi Netanyahu e a choldra que o acompanhará.
               Secondo, a maneira imprudente com que personalizou ao extremo o desafio colocado pelo presidente da Coréia do Norte, Kim Jong-un, transformando o embate quase na altercação de personagens de revistas infanto-juvenis trocando destemperos, e ao ameaçar o jovem imaturo à testa daquele país, ele se iguala em baixar o nível da discussão, no que parece tentativa de baratear a transição para a catástrofe nuclear.

                    Ao deparar tão incongruente e assustador acúmulo de besteiras, imprudências, irresponsabilidades, demagogias que atentam contra o mínimo bom-senso,  quem sabe, quiçá a salvação da Humanidade esteja com o Conselheiro Especial  Robert  Mueller III...

Derrota Final do E.I. na Síria ?

                          

         Segundo comunicou à imprensa o Presidente Vladimir Putin,  houve derrota total do grupo terrorista Exército Islâmico na Síria.
         Ainda de acordo com o Kremlin, as operações militares contra essa milícia fundamentalista atingiram seus principais objetivos em ambas as margens do rio Eufrates.
          Sem embargo, Putin reconheceu que alguns bolsões de resistência ainda possam subsistir.
           Nesse sentido, os militares russos afirmam que deram apoio aéreo às forças curdas e as tribos locais que combatem os radicais islâmicos na região.
           Não obstante, dada a resiliência desse grupo, e a sua grande infiltração na Síria, algum tempo será importante para determinar se a "derrota total" do antes temível Exército Islâmico realmente está comprovada por minudente verificação.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Morre Christine Keeler

                    
         De doença pulmonar, morreu aos 75 anos Christine Keeler. Escrito dessa forma, talvez o nome dessa bela inglesa não recorde o enorme escândalo que provocou nos anos sessenta.
         Modelo e bailarina aos dezenove anos, Christive manteve casos  simultâneos com o secretário britânico da Guerra, John Profumo, e o Adido Militar da União Soviética, Eugene Ivanov.
         Na época, houve inclusive suspeita de que Christine fosse agente duplo. Era a época da chamada Guerra Fria.
         De qualquer forma,  os efeitos do escândalo foram desastrosos para o Partido Conservador.Vindo a público em 1963, derrubou o secretário da Guerra, Profumo, e contribuíu para a derrota do Primeiro Ministro Conservador, Harold Macmillan,  em 1964, perante o trabalhista Harold Wilson.
          Mãe de dois filhos,  Christine passou a viver com o sobrenome de Sloane.


( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

Putin busca outra reeleição

                             

        O presidente Vladimir Vladimirovich Putin anunciou na quarta-feira que se candidatará às eleições de março de 2018. Será o seu quarto mandato como presidente, o que o manteria no poder até 2024.
         Não é que haja alguma dúvida no Povo e na mídia russos de que gospodin Putin sempre teve tal propósito em mente. Ele está no poder desde o ano 2000, quando foi convidado por Boris Ieltsin, então presidente, para tornar-se Primeiro Ministro.  Depois de livrar-se dos oligarcas, seria eleito presidente de 2004 a 2008, quando passaria a Dmitry Medvedev, seu fiel imediato, a presidência e ele ficaria como Primeiro Ministro.  Essa jogada se destinara a dar-lhe um período de pouca exposição, pelo desgaste que sofreu no primeiro periodo presidencial.  O fiel Medvedev ocupou a presidência e embora não restassem dúvidas sobre quem empolgava o poder,  Putin ficou de bom grado na penumbra, deixando a Medvedev os encargos da presidência até a primavera de 2011, quando voltou a ser presidente, reassumindo Medvedev como Primeiro Ministro.
         Agora Putin se prepara para nova reeleição. A autocracia russa é infelizmente uma tradição. Vladimir Putin, antigo KGB, estava na Alemanha Oriental (DDR) quando a estação de Dresden foi 'ameaçada' por demonstrantes alemães orientais. Ele teria defendido os arquivos dessa estação, alegadamente impedindo que os alemães deles se apossassem.  
         A sua carreira posterior seria na prefeitura de Saint Petersburg, cidade na qual nascera em 1952, quando se chamava Leningrado, e suportara o cerco mais longo de sua história, pelos exércitos invasores alemães. Masha Gessen nos fala em seu livro sobre a improvável ascensão de Vladimir Putin.O fato mais estranho dela é que as pessoas  que o elevaram ao trono pouco ou quase nada dele sabiam. Mas quando Berezovsky o considerou como um sucessor para Boris Yeltsin, "ele terá presumido que as mesmas qualidades que os tinham mantido  longe dele, tornariam Putin o candidato ideal. Sendo aparentemente despojado de personalidade e de interesse pessoal, tais 'qualidades' o fariam tão maleável, quanto disciplinado. Berezovsky não poderia estar mais equivocado."        
          E, pergunta-se Masha Gessen "o que sabia Boris Yeltsin acerca de seu sucessor a ser ungido proximamente? Ele sabia que era um dos poucos homens que tinha permanecido leal a ele. Sabia que era de geração diversa daquele dele Yeltsin, de seu inimigo Primakov, e do seu exército de governadores, e que não tinha ascendido pelas fileiras do Partido Comunista, e não teve, portanto, de mudar publicamente as próprias alianças quando do colapso da União Soviética. Ele parecia diferente de todos aqueles homens, sem exceção marcados e para sempre enrugados. Putin, ao invés, era pequeno e agora com o hábito  de ternos europeus bem cortados, e parecia por isso muito mais com a nova Rússia que Ieltsin prometera para seu povo dez anos atrás. Yeltsin também, acreditava, ou pensava que sabia, que Putin não permitiria a perseguição, judicial ou não, do próprio Yeltsin após a sua aposentadoria.  E se Yeltsin ainda possuísse mesmo uma fração de sua capacidade de sentir político, ele saberia que os russos iriam gostar desse homem que estavam herdando, e que herdaria a eles. A nove de agosto de 1999, Boris Yeltsin nomeou Vladimir Putin como Primeiro Ministro da Rússia. Uma semana mais tarde, seria confirmado por uma larga maioria da Duma: ele se mostrou tão digno de ser apreciado, ou pelo menos livre de objeções, quanto Yeltsin tinha intuído.
            Não pretendo, outrossim, cansar os leitores com as marcas que caracterizariam a trajetória ulterior de Vladimir Putin, que se ocupa, em grande parte, o livro da professora americana Karen Dawisha "A Cleptocracia de Putin". Ele nos leva até a anexação ilegal da Criméia, uma 'vingança' de Putin, na primavera de 2014. A resposta americana, tomada pessoalmente por Obama, sinalizou os cupinchas de Putin, nas suas contas e nas próprias empresas. Porque bem escolhidas, tais sanções golpearam fundo. O povo ucraniano desejava a aproximação com a União Europeia, e não com a União aduaneira com a Rússia, que era o prato oferecido por Putin e aceito pelo então presidente Viktor Yanukovych.
              O corrupto Yanukovych, que mandara prender politicamente a sua rival na eleição presidencial, e anterior Primeira Ministra Yulia Timoshenko, foi escorraçado do poder pela revolução popular da Praça Maidan, em  16 de março de 2014.
              Por força dessa revolução, Yulia Timoshenko sairia do hospital-cárcere em que fora encerrada, por julgamento político, ordenado pelo seu rival Yanukovych. Ela logo viria a Kiev, para associar-se a então já vitoriosa Maidan.  
               No própria júbilo, eis que Maidan era a manifestação política por um acordo com a União Europeia, que abrisse para a Ucrânia as perspectivas da C.E., e não o ramerrame da União aduaneira com a Rússia.
              O que os patriotas ucranianos não contavam seria a violenta reação do Senhor do Kremlin, que desencadearia, em curto intervalo, um processo de "espontânea insurreição" nas províncias orientais e nas áreas limitrófes com o urso russo. Por ver-se livre de um governante corrupto, e que nada via senão a união com Moscou, o povo ucraniano pagaria um alto preço a gospodin Putin, eis que logo irromperia com uma hitleriana gana um "processo revolucionário" que reviveria velhos e esquecidos planos de revoltas secessionistas no oriente ucraniano.
             A cynosure[1] deste projeto estava, na realidade, na Crimeia, para a qual o Kremlin organizou, no estilo nazista, uma invasão militar, supostamente a pedido de quislings locais, por um estranhamente descaracterizado exército russo. Por essa cínica conquista, a ONU - que não pode condená-la pelo Conselho de Segurança, porque a Rússia vetaria - sô pôde cingir-se a uma recomendação da Assembléia Geral das Nações Unidas. Nesse particular a diplomacia do Itamaraty, sob as ordens de Dilma Rousseff, ignara tanto da Constituição, quanto da tradição de nossa política externa, manchou a própria memória abstendo-se - e não votando contra, como devera - da absurda anexação manu militari da Crimeia pela Federação Russa. Tristemente, o que as nossas instâncias competentes deveriam ter afirmado, e pela instância das Nações Unidas, só constou de relevante artigo "Os perigos do revisionismo territorial", publicado em O Globo de 3 de maio de 2014, e da pena dos professores Monica Herz e João Nogueira (do Instituto de Relações Internacional da PUC-Rio): "A complacência brasileira diante da intervenção na Crimeia em abril compromete a credibilidade de uma política externa que, tradicionalmente, se pauta pela defesa dos princípios da igualdade e da não intervenção."  
            Na terra do Barão do Rio Branco e de Alexandre de Gusmão, por temores ou abjetos interesses, os representantes de então só puderam seguir, ou melhor, rastejar nas supostas conveniências do chavascal que se lhes deparava. 
            Gospodin Putin defende uma ideologia que mal esconde a sua tendência de afirmar a própria força junto aos paises, que com a Federação Russa tem talvez a má-sorte de colindar. 
             Tal é especialmente sentido pelos seus vizinhos, sobretudo os menores, como já se verificou em muitos exemplos que aqui não cabe elencar. Existe no idioma russo uma expressão que levanta suspicácias nos países com que mantém fronteiras comuns.  É a expressão estrangeiro próximo, que abre a possibilidade de disposições legais ou administrativas, que tendem a constar das relações, seja administrativas, seja políticas, seja consulares, com tais nações vizinhas.
               Mas esse despretensioso artigo já se estende demasiado, e ainda não tratou de aspectos relevantes. Esse quarto mandato, que a eleição prevista para março de 2018 representa o Rubicon a ser cruzado, e lhe daria a possibilidade de ficar 25 anos no poder, vale dizer, no Kremlin.
                O grande adversário de Putin é Alexis Navalny, a quem não falta coragem para enfrentar o Presidente. A situação atual já cuidou, à maneira soft do Kremlin, de inviabilizar a candidatura de Navalny - cuja popularidade é indubitável -  pela suposta via judiciária (esse ramo do poder estatal, nominalmente autônomo, que não o é no regime legal-autoritário, instituído por Putin).
               Por sua coragem - assinale-se que vários adversários putativos do Senhor do Kremlin já desapareceram, em geral através de contract-killers - Alexis Navalny é uma figura popular e carismática.  Participou de muitas manifestações em Moscou e alhures, mas agora as autoridades democráticas russas tornaram proibitivo esse gênero de protesto.
              Quanto à condenação, por um tribunal de província, de uma suposta transação faltosa de Navalny, há poucas dúvidas de que se trata de acusação forjada. Por essa alegada improbidade administrativa, o candidato Navalny foi condenado a cinco anos de prisão. A pena está suspensa, por que na verdade, o que interessa para o Poder é ela ser aplicada no caso de querer concorrer com o presidente. E o leque da autocracia se abre ainda mais com várias condenações por fomentar protestos.
               Há poucas dúvidas quanto ao estágio de corrupção na Federação Russa. O seu longo braço  - em um Estado tradicionalmente caracterizado pela força - estará sempre disponível, no caso de que uma eventual ameaça de um candidato numericamente forte para ameaçar o poder de alguém que, se não tem estatura de gigante - tem presença marcante em uma terra que só conhece regimes democráticos, em breves clarões, que logo são sucedidos por autocracias ou, como afirma a experta em Rússia, a professora Karen Dawisha, na contra-capa de seu livro "A Cleptocracia de Putin" : "Jornalistas russos escreveram parte  dessa história quando a mídia russa ainda era livre. Muitos deles morreram por causa desta história, e o seu trabalho foi apagado em grande parte da Internet, e até das bibliotecas russas. Mas uma parte desse trabalho permanece."

( Fontes: Putin's Kleptocracy - Who owns Russia?, de Karen Dawisha; "The Unlikely Rise of Vladimir Putin", Masha Gessen;  O Estado de S. Paulo.)    

[1] centro de atração ou interesse.