sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Novo contexto para os brasileiros ilegais ?


                             
        O Itamaraty informou ontem, 30 de janeiro, ter sido oficialmente inteirado pelo governo americano sobre o envio ao México de cidadãos brasileiros detidos na fronteira estadunidense.

          "O Consulado do Brasil na Cidade do México não relatou pedido de assistência de parte dos brasileiros enviados a Ciudad Juárez.  Trata-se de brasileiros que ingressaram regularmente no México e poderão permanecer em território mexicano pelo tempo estabelecido pela legislação mexicana", afirma o MRE, em nota.

           A diretora e co-fundadora da ONG Grupo Mulher Brasileira (Boston) Heloisa Galvão, disse ontem ao Estado de S. Paulo ter conversado com ONGs do México que recebem os imigrantes brasileiros que têm chegado em Ciudad Juárez, recordista de feminicídios no México. "A cidade é conhecida como a que mais mata mulher no mundo. Imagina as mulheres brasileiras lá? Com crianças pequenas?", disse Heloísa.
          De acordo com a ativista, cuja ONG presta assistência a imigrantes, essas famílias de brasileiros estão correndo vários riscos. Primeiro, na travessia para os Estados Unidos, na própria prisão americana e, depois, quando são  mandadas para o México, para aguardar julgamento de seu pedido de asilo.

            E como se tal não bastasse, agora a situação é ainda mais grave. Taylor Levy, advogado em El Paso, especialista em imigração, tuitou sobre a chegada de muitos brasileiros a Ciudad Juárez, uma das cidades mais violentas do  mundo. "Meus colegas em Juárez  relatam a chegada de brasileiros pela primeira vez", escreveu. "Eles estão mais vulneráveis a sequestros, porque não falam espanhol e não  há advogados que falem português."

            "Não explicaram nada.Não sabemos o que estamos fazendo", disse Tânia Costa da Silva, de 32 anos, enviada para o México com seu marido, Jones Silva de Brito, de 35, e a filha Isabella, de seis anos. Todos vieram de Minas Gerais e cruzaram a fronteira em El Paso. Detidos, relatam dias de frio e fome. "A cela para catorze pessoas tinha 32. Todos dormindo no chão ", contou Brito.
   
        Segundo o governo americano, o MPP impede que imigrantes consigam trabalho nos Estados 
Unidos, com os quais eles pagam os coiotes e evita  que os ilegais se escondam nas grandes cidades. O fluxo migratório, de acordo com a Casa Branca, inunda o mercado de trabalho, achatando salários e aumentando aluguéis.     

            (Fonte:   O Estado de S. Paulo)                                                                                                                                            

O inexpugnável Muro de Trump


                              

       Era para ser Muro alto, feito de aço, e, sobretudo, impenetrável. Nas palavras de Trump: "tão lindo e imponente que nenhum ser humano seria capaz de escalá-lo".
          Pois não é que, ilustres passageiros do bonde Brasil,  "uma ventania, vinda da Califórnia, derrubou a muralha inexpugnável de Trump".
           Como se sabe, o demagogo e então candidato à presidência estadunidense - e que infelizmente lograra ultrapassar (ainda que perdendo na contagem de votos) a melhor candidata Hillary Clinton,  Donald Trump, apesar de derrotado em número de votos dos eleitores, venceu pelo sistema indireto da Constituição americana (que data do século XVIII) muito se valera na sua propaganda acerca da maneira de conter os estupradores mexicanos, e por isso a sua demagógica obsessão com o muro como defesa impenetrável. 
              Até para esse gênero de vencedor, a verdade pode tardar, mas costuma prevale-cer...Não é que o decantado muro de Trump, feito de aço, não resistiria às rajadas dos ventos fortes e desabou, felizmente sem causar danos ou ferimentos ?
                E o muro veio abaixo...  Segundo a contrafeita Patrulha da Fronteira de Tio Sam, vários painéis de aço da citada muralha despencaram, quando atingidas pelas rajadas da ventania.  E - cúmulo da ironia - diversos Painéis terminaram escorados por árvores no lado mexicano da fronteira...
                Como se sabe, já na eleição em que venceria,  Trump acabou desistindo dos US$ 5,7 bilhões necessários para a construção.  Sem dinheiro, desistiu de construir em concreto - "a barreira pode ser de aço, se isso funcionar melhor".  Os fortes ventos daquelas paragens varreram tanto a demagogia, quanto o terrível muro de que se vangloriara Trump. Se fosse menos ignorante em história, ele se daria conta de que os  muros sóem ser barreiras que de pouco servem contra aqueles forasteiros que, por motivos diversos, se sentem impelidos a penetrar no espaço de império que não mais mostre a pujança de antigamente. Qualquer estudante secundário sabe das vicissitudes do Império Romano, e hoje a decantada muralha da China é apenas mais um atrativo a visitar, com os sinais do antes poderoso Império do Meio...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )   

Google tem a chave do mistério Marielle ?


   
      Dentro da paralisia relativa a indicações que levem a descobrir os autores do mega crime que matou a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, é de saudar-se a oportuna iniciativa do Ministério Público do Rio de Janeiro no sentido de obrigar legalmente o Google a fornecer dados que, para a Instituição, ajudariam a solucionar de forma definitiva as mortes da vereadora Marielle e de seu motorista.

       Alega o Google a respeito que os dados solicitados são genéricos e que fornecê-los comprometeria a privacidade dos usuários dessa plataforma.

        É do conhecimento público que o carro  utilizado neste mega-crime passou pelo pedágio da Transolímpica, via expressa que liga bairros da Zona Oeste.

         No sentido maior do esclarecimento desse crime hediondo, cujos autores permanecem desconhecidos,  a  Promotoria pediu ao Google informações de todos os celulares que passaram por aquele trecho da Transolímpica no dia do crime.

            A Justiça do Rio de Janeiro acatou o pedido, mas o Google recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, que ainda não se manifestou. 

( Fonte: O Estado de São Paulo )

Weintraub atrapalha o País ?


                                           

         Como sinaliza o Estado de S. Paulo, "dois dias após criticar os ministros da Educação, Abraham Weintraub, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o presidente da  Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a manifestar-se sobre os altos auxiliares  do  Presidente Jair Bolsonaro.

            " O ministro da Educação atrapalha o Brasil, tem visão ideológica e brinca com o futuro de milhões de crianças", disse o presidente da Câmara de Deputados, durante uma conversa com jornalistas. Maia participou de um evento em São Paulo.
  
             "Quanto ao Salles, eu acredito que ele radicalizou  no ano passado, mas é um ministro que tem qualidade", afirmou o presidente da Câmara.  Nesse sentido, Maia evitou responder se defende ou não a demissão dos ministros, ao dizer que essa é uma decisão que cabe ao Presidente Bolsonaro. Anteontem, o deputado já havia feito críticas aos dois ministros.

               Maia afirmou ao Estado de S. Paulo, em 2019, que era o próprio ministro da Educação que estava causando crise na área.  Além disso, uma Comissão da Câmara - criada por Maia - apontou paralisia no planejamento e execução de políticas públicas pela pasta da Educação. Foi a primeira vez que o Legislativo formou um grupo para averiguar o trabalho de um ministério.

                Procurados pela reportagem do jornal, os ministros não se manifestaram.

( Fonte: O Estado de S. Paulo ) 

Rodrigo Maia, um nome em ascensão


                             
       O  Presidente da  Câmara dos Deputados se apresenta em meio a ações desavisadas como uma presença de bom senso e de equilíbrio, dentro de  cenário que pode ser interpretado como decorrente do oposto, vale dizer o desregramento que espelha uma situação em que o bom senso e a equanimidade primam pela ausência.

       Com efeito, o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia,  (DEM-RJ), estuda entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal, com o escopo de extinguir o pagamento de pensões a filhas solteiras no funcionalismo federal. Como foi revelado pelo jornal Estado de São Paulo, somente no Poder Legislativo as despesas desta natureza chegam a R$ 30 milhões por ano,com remunerações de até R$ 35 mil mensais. Maia chamou os benefícios de "absurdos".
         Segundo declarou o Presidente da Câmara ao jornal Estado de S. Paulo:"Todos os casos como esses mostrados são absurdos. Vamos continuar investigando, tomando as decisões e trabalhando para que o STF  mude sua interpretação e tenha interpretação real daquilo que é o correto, para que não tenhamos privilégios e desperdícios desnecessários", disse o presidente da Câmara ao Estado no dia dezenove do corrente.
           Maia se referiu a seguidas decisões do Supremo favoráveis às solteiras. Nos últimos anos, a Segunda Turma da Corte tem confirmado as liminares concedidas pelo ministro Edson Fachin para manter o benefício, Até agora, o colegiado tomou ao menos 256 decisões nesse sentido.
            Diante do entendimento consolidado da Segunda Turma, formada por cinco ministros, a estratégia articulada por Maia é apresentar arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF, tipo de ação que serve para contestar leis), fundamentada em entendimentos recentes do Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2016, a Corte de Contas apontou pagamentos indevidos a dezenove mil pensionistas em todos os Poderes e aplicou interpretação mais restritiva a uma lei de 1958, que prevê pensões a solteiras. No último dia 21, o TCU decidiu manter a posição.
              A apresentação de uma ADPF no Supremo deve fazer com que o assunto seja analisado pelos onze ministros do Tribunal, a quem compete examinar esse tipo de ação.Na prática, tal significa que a discussão sairia da esfera da Segunda Turma do STF.
  
            TCU.  Para essa Corte, ter fonte de rendas na iniciativa privada ou outro benefício do INSS é suficiente para suspender a pensão.  Com o entendimento, os órgãos começaram a suspender administrativamente as pensões a partir de 2016. As mulheres afetadas recorreram ao STF, e a Segunda Turma determinou o restabelecimento dos pagamentos por considerar que o benefício só pode ser cortado quando há casamento ou ocupação de cargo público permanente.
            "Os princípios da legalidade e da segurança jurídica não permitem a subsistência da decisão do TCU. A violação ao princípio da legalidade se dá pelo estabelecimento de requisitos para a concessão e manutenção de benefício cuja previsão em lei não se verifica", declarou Fachin em julgamento em 2019.

              No Congresso, uma das maiores pensões é paga à filha de um ex-analista do Senado.  Desde 1989, ela ganha R$35,8 mil ao mês, em valores brutos.  Outras 29 mulheres recebem, cada uma, R$ 29,4 mil como dependentes de ex-servidores da Casa. Todas estão na categoria "filha maior solteira" na folha de pagamentos.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Esvaziamento da Casa Civil ?


                 

        O esvaziamento das funções da Casa Civil e a demissão de servidores da  Pasta, anunciadas ontem, 30 de janeiro, pelo Presidente Jair Bolsonaro,foram interpretados por integrantes desse governo como o "fim da linha" para o Ministro Onyx Lorenzoni.
           Com efeito, o comportamento do Ministro  tem incomodado  não só o presidente, mas seus colegas da Esplanada, que o acusam de praticar a "velha política", ao usá-los para atender demandas do baixo clero do Congresso, a par de haver indicado para integrar o governo que viraram dor de cabeça para o seu chefe, como o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

          Bolsonaro decidira ontem tirar da competência de Onyx o Programa de Parcerias de Investimentos  (PPI), que cuida das privatizações  de estatais e concessões, uma das vitrines do Governo. O programa tinha migrado para o guarda-chuva  da Casa Civil em julho de 2019, como uma espécie de "prêmio de consolação" após Onyx perder a articulação política do Planalto. Agora, o PPI foi transferido  para o Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes.
             Sem o PPI e sem a articulação política, Bolsonaro deixa, na prática, a Casa Civil totalmente esvaziada. Sem embargo, a situação se agravou após o vai e vem envolvendo  o agora ex-secretário executivo dessa pasta, Vicente Santini, braço-direito de Onyx.  Na verdade, ele já fora demitido publicamente pelo Presidente na terça-feira, após ter utilizado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), para ir à Europa e à Ásia. Na quarta-feira Santini foi readmitido em outra função, para voltar ontem a ser exonerado.
             A segunda demissão de Santini foi decidida após Bolsonaro receber a informação de que o assessor de Onyx usou o nome do ministro Paulo Guedes para justificar sua polêmica ida a Davos em um avião oficial, o que veio a custar aos cofres públicos pelo menos R$ 740 mil. Ao checar a história, o presidente descobriu que fora enganado.
              Para Bolsonaro, Santini dissera  que foi ao Fórum Econômico Mundial, em Davos para ajudar na defesa do PPI.  Para Guedes, o assessor afirmou que viajara a mando  do presidente.  Ao saber das versões, Bolsonaro teria ficado possesso: "Mentiroso!"  O que  nenhum interlocutor do presidente explica é por que, mesmo assim, Santini foi recontratado na quarta-feira. A nova demissão ocorreu após críticas que Bolsonaro recebeu nas redes sociais.
                Quanto à Casa Civil, Onyx a recebeu por ter sido um dos primeiros apoiadores de Bolsonaro, no período pré-eleitoral.  Por isso, ele foi feito responsável para coordenar a transição do governo no fim de 2018.  Nesse contexto, a Casa Civil passou a acumular a articulação política e a Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), por onde passam as principais decisões do governo.
                    Na metade de 2019, Bolsonaro tirou a articulação de Onyx e a passou para a Secretaria de Governo, de Luiz Eduardo Ramos. Já a SAJ foi transferida para a Secretaria-Geral da Presidência, com Jorge Oliveira. Considerado um prêmio de consolação, Onyx ganhou o PPI, que agora foi para a Economia. A secretária especial do PPI, Martha Seillier, também estaria na corda bamba. Ela, no entanto, conta com o apoio do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para manter-se por ora no cargo.

                     Coordenação.  Mas os fócos de desgaste não param por aí.  Onyx tem recebido também críticas nos bastidores por não coordenar a atuação de todas as Pastas da Esplanada, o que também seria em princípio de sua competência. Sinal de que o presidente não está satisfeito com esse trabalho foi a circunstância de haver passado a coordenação do Conselho da Amazônia, o que foi anunciado no início deste mês de janeiro, para o vice-presidente Hamilton  Mourão.
                        Sem embargo, apesar de o esvaziamento da Casa Civil e de seu Chefe seja a situação mais grave, as mudanças na Casa Civil  anunciadas ontem, trinta de janeiro, por Bolsonaro, são vistas como no contexto de uma possível mini-reforma ministerial.
                         Dado o esvaziamento de sua pasta, Onyx decidiu antecipar o retorno ao Brasil e teria, nesse sentido, a expectativa de reunir-se  ainda hoje, 31 de janeiro, com o Presidente. Oficialmente, o ministro só retomaria o trabalho nesta segunda-feira, três de fevereiro, após duas semanas nos Estados Unidos. Mas, por enquanto, não há nada certo...

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Iraque: 50 soldados com lesão cerebral


                              

        Segundo o Pentágono, 50 militares americanos foram diagnosticados com lesão cerebral traumática após um ataque do Irã à base aérea de Ain-al-Assad, no oeste do Iraque, em 8 de janeiro - são 16 soldados a mais  do que os militares  haviam anunciado anteriormente.

             Na ocasião, o presidente Trump - e outras autoridades - disseram  que a ofensiva não havia matado ou ferido nenhum militar dos EUA.  Os soldados estão sendo trata- dos por dor de cabeça, tontura, sensibilidade à luz e náusea. Dos cincoenta feridos, 31 foram tratados no Iraque e já retor-naram ao serviço, incluindo quinze dos diagnosticados mais recentemente. Alguns, no entanto,  estão sendo medicados nos  Estados Unidos.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Brexit aprovado no Parlamento Europeu


           

      O Parlamento europeu aprovou, conforme esperado, o acordo do brexit, último passo formal antes da saída do Reino Unido.  Há fotos da emoção de alguns euro-deputados britânicos, que choraram na despedida.
        "Somente na agonia da separação olhamos para a profundidade do amor", disse a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, citando George Eliot.
         Os 47 anos do Reino Unido na União Europeia terminam amanhã à meia-noite, mas a saída britânica tende a ser mais teórica do que prática. Se o erro de David Cameron hoje se apresenta como irreparável, apesar de deixar de ser estado membro, a Inglaterra segue vinculada às normas europeias durante onze meses, e nesse período de transição Londres e Bruxelas vão negociar um acordo comercial.
           O negociador-chefe da UE, Michel Barnier, apresentou ontem o projeto de negociação à Comissão Europeia, que só será, no entanto, divulgado após o Reino Unido se tornar oficialmente um terceiro país.
            Há outras dificuldades para o projeto. A Escócia pretende intensificar a estratégia para realizar um novo referendo de independência, desta feita com o argumento irrespondível de que o Reino Unido abandonará a UE contra a vontade da maioria dos escoceses.
               O gabinete da  primeira-ministra nacionalista, Nicola Sturgeon, apresentou moção ao Parlamento escocês, que obteve o respaldo da maioria dos deputados. Apesar de ter por ora apenas valor simbólico a aprovação foi bastante para aumentar a tensão entre os dois governos.
                  Não é mais hora de discutir sobre a oportunidade do brexit, que virou fato, para o bem e para o mal, do povo inglês. No entanto, 62% dos escoceses votaram pela permanência no bloco europeu.   E muitos nacionalistas escoceses querem aproveitar os primeiros meses do Brexit - que devem afetar a economia britânica - para lograr aumentar o apoio pela independências da Escócia.
                    Outro problema que tende a agravar-se após o Brexit é a Irlanda do Norte. Após 30 anos  de violência entre católicos e protestantes, com mais de três mil mortes, o território foi por fim pacificado pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998, pelo qual os ingleses concordaram em desmontar os postos de checagem na fronteira. Sob as regras do mercado comum europeu, as economias das duas Irlandas se tornaram dependentes e integradas. Hoje, ninguém mais aceita a volta da fronteira física entre os dois territórios, o que significa, na prática, uma Irlanda unificada. Assim em setembro, pesquisa do instituto Deltapoll apontou que 52% dos norte irlandeses - a maioria jovem - apoiam a unificação, enquanto  39%, ainda querem ser parte do Reino Unido.

                           Demografia. Sexta feira à meia noite, dia 31 de janeiro, a União Europeia perderá pela primeira vez um Estado-membro. Com a saída de 66 milhões de habitantes, a União Europeia verá sua população diminuir para cerca de  446 milhões.                       

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Trump ameaça proibir livro de Bolton


                               
     A Casa Branca informou ontem, 29 de janeiro, a John Bolton, ex-conselheiro de segurança nacional, que o manuscrito de seu livro contém "informações confidenciais" e, por isso, não autorizaria sua publicação.  Parte do conteúdo, divulgado no fim de semana, afeta o julgamento do impeachment do presidente Donald Trump no Senado.
       Como conselheiro de Segurança Nacional, Bolton testemunhou em primeira mão a negociação de Trump com o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, que vinha sendo pressionado pela Casa Branca a anunciar a abertura de investigação envolvendo o democrata Joe Biden - principal obstáculo à reeleição de Trump, em eleição que ocorrerá em novembro próximo.
         Os advogados de Trump sustentam  que não houve abuso de poder, pois os ucranianos não se sentiram pressionados... Ainda segundo a defesa do presidente esse caso teria sido montado pelos democratas, com base em rumores e testemunhas de segunda mão, sem envolvimento direto nas negociações.
          Já o relato dos manuscritos de Bolton mina os argumentos da defesa de Trump. Neles, o ex-conselheiro escreve que ouviu do presidente que ele queria congelar US$ 391 milhões da ajuda militar para a Ucrânia, até a abertura das investigações acerca de Biden.
           Se a verdade factual trabalha contra Trump, tampouco as características éticas de Trump contribuem para facilitar-lhe a defesa. Até agora, as confusões criadas pelo ex-assessor Bolton tendem a piorar  a posição de Trump. Diante de tantos elementos negativos, e com os republicanos dispondo de uma vantagem de três votos apenas, a pergunta que surge, irreprimível, é se, diante de tanta podridão, uma vantagem tão exígua seria ainda suficiente para salvar Trump que, claramente, tentou intimidar o fraco presidente ucraniano. Será que a escassa maioria republicana há de preferir salvar esse presidente claramente culpado, e enfrentar as consequências negativas para o GOP em novembro próximo, data das eleições gerais ?

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

Inveja e Preconceito


                          

        Falam que essa dupla seja atributo  das classes pobres, que deparam com vistas  enviesadas as qualidades e as vestes dos ricos. Entre as patranhas dos favorecidos, não há maior injustiça.
           Pois este gênio da Sétima Arte - cujo nome, em geral pronunciado com sorriso de carinho e aprovação - é seu eterno cartão de apresentação: eis o imortal Carlitos da infância de tantos, o Charlot dos franceses e o Charlie Chaplin da terra  que adentrou e, de alguma forma, contribuíu para que lá fulgisse com seu valor incontrastável.
           Pois vejam só. Essa terra, que em princípios do século passado o acolhera, como a tantos outros imigrantes, o terá feito com alguma inconfessa má-vontade.
         Aquele que logo se confundiria com a Sétima arte, lá chegava nos albores do cinema mudo.
           Coube a ele, com a sua roupa inconfundível, difundir aquela mensagem por vezes ainda vulgar, espalhada nos curtas cômicos povoados de personagens populares que só  as modernas reconstituições nos trazem de volta, no seu formato ainda trôpego, em que reponta o primeiro Carlitos, às voltas com os fanfarrões, os bêbedos e os valentões da vizinhança, cuja popularesca presença só sobrevive nos filmecos sincopados desse eterno vagabundo vestido nas sovadas roupas da lanterna mágica que a engatinhante Sétima arte já nos prometia, com as lúridas, eternas cores dos tecidos vulgares.
               As obras primas deste primeiro gênio da Sétima Arte incluem  o Circo, onde os personagens e o estilo inconfundível pedem licença ao povão imenso, que se vai reproduzindo nas salas mal-iluminadas que trazem a memória de tantos anônimos, que dele restam devedores dos primeiros risos e das primeiras mensagens da igualdade de seu incontável público, cujos traços faciais podem mudar, ao sabor do gênio desse primeiro cineasta, que se escondem na penumbra das salas anônimas, aonde as fantasias e as primeiras identificações se vão conformando.
                  O Circo, como todo precursor, sói ser caixa de surpresas, em que os temas e o estilo inconfundível já se vai amoldando aos gulosos interesses dos patrões insaciáveis, nos velhos truques dos mais fracos - que Carlitos encarna - e nas singelas estórias do amor que se diferencia para continuar o mesmo, a um tempo encantador, com os suas eternas armadilhas, que nem sempre cáem a gosto de quem faz por merecê-las.
                    Mal sabia Carlitos - este gênio da Humanidade - que o prêmio máximo do cinema - logo a ele que se confunde com a Sétima Arte - lhe seria sempre negado  tanto no sorriso escarninho de quem arrancara da cegueira como em Luzes da Cidade - como nesse primeiro longa que é o Circo, onde os eternos temas da rejeição capitalista e da terminal injustiça se dão metaforicamente as mãos.
                      E tal reação da raiva capitalista de quem ousara prefigurar o vagabundo a liderar as massas de desocupados da Depressão com o seu farrapo vermelho, também aqui é discernível, pois envolta nas gargalhadas do público ignaro já reponta o personagem desse eterno tipo do vagabundo que marcha, com as sovadas roupas do  luto, com a sua tragicômica aparência  e o horizonte por meta - para um futuro que tem de confundir-se com a consagração.
                         E será pensando nisso que a generosa América sempre negaria ao maior cineasta de todos os tempos a consagração que se imanta na festa do Oscar.  Nunca entenderei porque o imortal Charlie Chaplin não rejeitou o falso prêmio - em geral reservado ao second best das categorias - que lhe foi dado por "conjunto de obra", e ao qual assistiu em algum assento apartado do grande recinto, pois aos patrocinadores da festa  não agradava dispensar àquele que é o simbolo da Sétima Arte o seu mais alto troféu de glória e realização.
                           Na modéstia do eterno Carlitos, Charlie Chaplin iria mostrar que é muito maior do que a festa, pois o preconceito de classe será para sempre incapaz de jogar nas águas do Letes, aquele que é o simbolo do Cinema e da sua universal linguagem.  A Direita pode arreganhar-se com essa falsa desfeita.
                            A humildade do imortal Carlitos se sobrepõe a essa festa da Direita, que vestida com os ouropéis da vulgaridade, jamais terá a coragem de desfazer-se da própria ínsita mediocridade, e assumir com estranha, mas surpreendente desenvoltura, a homenagem que esse gênio da Humanidade sempre fez por merecer.
                             E se, da parte da raivosa Direita, a inveja transcenda gerações, o legado do eterno vagabundo, à Humanidade pertence. O Belo se veste com roupas diversas, mas a sua linguagem é universal, e não será um grupelho de mediocridades que há de prevalecer. E não se esqueçam que nos filmes de Carlitos e respectivo legado, ganham os deserdados da sorte, com quem se identifica - e aí está o perigo! - o silente e anônimo Povão...

( Fonte: A Sétima Arte e o imortal legado de Charlie Chaplin )  

Bombeiros enfrentam a Polícia


                        
        Os bombeiros realizaram manifestação de protesto, vestindo seu uniforme de trabalho, contra a reforma da Previdência do presidente Emmanuel Macron. Para acentuar a índole confrontatória, os bombeiros tinham os rostos pintados como o personagem Coringa, encarnado por Joaquin Phoenix. Pelo menos 300 profissionais socorristas tentaram bloquear a avenida Parmentier, escolhida para a manifestação, "o que forçou a intervenção das forças da lei", declarou a polícia parisiense.

             O propósito do presidente Macron é unificar  os mais de 40 regimes previdenciários que se acham em vigor na França. Além de serem contra a reforma, os bombeiros também exigem aumento no adicional de periculosidade da categoria - o "bônus do fogo" para 28% do salário.


( Fonte: O Estado de S. Paulo )

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Netanyahu é indiciado por corrupção


                  
        Dando seguimento a seus problemas com a Justiça israelense, Binyamin Netanyahu foi formalmente indiciado  em três casos de corrupção. Tal se deveu à circunstância de que motu proprio o acusado retirara o pedido de imunidade parlamentar contra as acusações.
            O Procurador-Geral, Avichai Mandelblit já denunciara nesse sentido o primeiro ministro, mas o processo não poderia ser formalizado enquanto a imunidade de Netanyahu não fosse julgada.

            Entre os três escândalos, o mais grave é o "Caso 4000", em que Netanyahu é acusado de garantir favores à principal empresa de telecomuicações do país, a Bezeq Telecom Israel, em troca de cobertura positiva sobre ele e sua mulher, Sara, em um site de notícias controlado pelo ex-presidente da empresa.
            Em outro escândalo, conhecido como "Caso 1000", Netanyahu e sua esposa são acusados de receber presentes de Arnon Milchan, produtor de Hollywood e cidadão israelense, além do bilionário australiano James Packer. Os presentes em tela incluíam garrafas de champagne e charutos...
             O último processo é o "caso 2000", no qual o premier teria negociado acor- do com o jornal com maior circulação de Israel, o Yedioth Ahronoth,  para receber cobertura positiva em troca de nova lei que impediria o crescimento de outro jornal, o Israel Hayom.

            Netanyahu pode pegar até dez anos de cadeia, se condenado por suborno, e até três anos por fraude e violação de confiança. O Primeiro Ministro nega ter feito algo errado, alegando ser vítima de uma caça às bruxas com motivações políticas da imprensa e da esquerda para derrubá-lo.

               Ontem, 28 de janeiro, Netanyahu retirou o pedido de imunidade por meio de comunicado enviado de Washington, onde ele estava para a apresentação do plano de paz dos EUA para o Oriente Médio."Informei o presidente do Parlamento que retiro meu pedido de imunidade. Mais tarde, desmentirei as acusações formuladas contra mim", disse ele.  "Mas, no momento, não deixarei que meus adversários usem isso para prejudicar o processo histórico que lidero."
                  Sendo Primeiro Ministro com mais tempo no cargo em Israel, Netanyahu afirmou que o debate sobre sua imunidade no Knesset tem sido um "circo". Os procedimentos legais agora seguem para o tribunal, embora o cronograma do julgamento ainda seja incerto, podendo levar meses e até anos.

                  Por isso, nas eleições, Netanyahu aposta não apenas o cargo, mas sua liberdade. A lei israelense determina que um ministro indiciado deva renunciar, mas isso não se aplica ao primeiro-ministro. "Ele sabia que a imunidade não seria concedida. Então quis poupar-se de uma humilhação", disse Amir Fuchs, pesquisador  do Instituto de Democracia de Israel. "Ele quer que as pessoas falem sobre o que está acontecendo nos EUA."
                    Segundo Fuchs, a vitória na eleição de março permite ao premier refazer seu pedido de imunidade. O principal adversário de Netanyahu, o general Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, usou os problemas legais de Netanyahu em sua campanha. "Os cidadãos de Israel têm uma escolha clara: um primeiro ministro que trabalhe para eles ou um primeiro ministro ocupado com si mesmo", escreveu Gantz ontem no Twitter.

( Fonte: O Estado de São Paulo )

Fraude nos índices da violência no México ?


                 

        O sequestro de pessoas é um dos índices de violência que causa preocupação no México.  Nesse sentido, a ONG Alto al Secuestro (Parem com os sequestros) informa que esse país  registrou 2.066 ações de sequestro, nos primeiros treze meses do governo de López Obrador.

            Por causa dessa aferição, a ONG acusou a administração de AMLO de fraudar o número desse crime em seus relatórios oficiais.  Segundo a Alto al Secuestro  acusa a Administração Obrador de fraudar o número desse crime em seus relatórios oficiais. Segundo a ONG haveria  diferença  de 452  incidentes entre os compilados pela entidade e os registros oficiais!

( Fonte: O Estado de S. Paulo )

A China e o Corona virus


                           
        As grandes epidemias mundiais, elas costumam aparecer de repente. Estranhas na festa de nossas existências,  chegam sem sequer avisar, e silenciosamente invadem o espaço de gentes conhecida e desconhecida, como se caminhassem com aqueles chinelos de feltro que calçavam os nossos parentes mais velhos.
            Surgem no horizonte, carregadas amiúde pelas manchetes agourentas dos jornais. Nos falam dos casos suspeitos, que como ladrões se intrometem na programação de gente conhecida ou desconhecida, e quer-se queira, quer não, elas modificam tanto a existência das moças - em geral bonitas - quanto a das criancinhas que trazem consigo, e que surgem nas primeiras páginas dos jornalões.

            São tempos diferentes, e as respostas a tal inaudito desafio costumam diferir em quase tudo que imaginar-se possa, a par do incômodo e da inquietude que sóem carregar esses tempos incômo-dos que nos visitam com as de repente malquistas facilidades de um mundo global e não mais separado pelas enormes distâncias oceânicas, com que nossos antepassados pareciam dar-se muito bem, a ponto de sequer incomodar-se com desgraças, que lhes chegassem aos ouvidos muito depois de acontecidas, como se fossem coisa de outros mundos, e, nesse contexto, de beata indiferença nele julgada e bem depressa esquecida.
                A China, em passado assim não tão afastado, parecia quedar-se em outro mundo, e,  como nos provérbios, ela costumava chegar com a relevância do passado, formada de eventos tão distantes quanto fora do alcance das terrenas inquietudes.
                  Há de compreender-se, portanto, os turrões e os casmurros que davam de ombros para essas estórias - seriam autênticos contos da China - que por vezes lhes vinham aos ouvidos, envolvidos nos pacotes e nas bagagens que chegam marcadas pelos selos do atraso,  e que falavam de misérias passadas, que o vento já levara, a exemplo das estórias de Margaret Mitchell.

( Fontes:  O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo. )

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Cresce no Rio a sombra da Milícia


                

       Organizados sob o discurso de uma força de segurança para combater o crime e, em especial,  o tráfico de drogas em comunidades pobres da Baixada,  os grupos de milicianos formam verdadeiro domínio territorial em bairros na periferia do Rio, neles controlando não só a "segurança", mas também negócios vários, v .g., venda de gás, água, cestas básicas, imóveis e até de sinal de tv e internet. A ampliação desse leque de serviços gera empregos e, por conseguinte, influência política, que se traduz no financiamento de campanhas eleitorais.

         Assim, de uma espécie de "polícia paga", as milícias se tornaram reguladoras da economia local, monopolizando demandas que deveriam ser atendidas pelo Estado, e, em consequência, sobretaxando a população. Organizados sob o discurso de força de segurança paralela para supostamente combater o crime, especialmente o tráfico de drogas em comunidades pobres da Baixada Fluminense, os grupos milicianos constituíram  domínio territorial em bairros do Rio, controlando não só a segurança, mas negócios como venda de gás, de água, de cestas básicas, de imóveis e de sinal de tv e internet.
           A ampliação desses "serviços" gera empregos e influência política, traduzida no financiamento de campanhas eleitorais.
             A presença, assim, das milícias passa a ser uma espécie de polícia paga, e daí passam para uma tutela das comunidades locais, monopolizando demandas que deveriam ser atendidas pelo Estado, o que leva a  cruel sobretaxa de uma população nas margens da pobreza.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )


MRE busca família com coronavírus


                              

       O MRE, através de sua embaixada nas Filipinas, tenta contato com família de brasileiros suspeitos de infecção pelo coronavirus.
          Nesse sentido,o Itamaraty  confirmou ontem, dia 27,  notícias de imprensa sobre uma família com sintomas respiratórios similares aos da enfermidade.
           Essa família esteve em Wuhan que é o epicentro do surto do coranavírus. Consoante o Itamaraty, um casal e o filho de dez anos foram isolados em hospital de Palawan, a cerca de 800 km de Manila. A família em tela teve material coletado para análise.
            Consoante a imprensa local, a família em causa buscou atendimento médico nesta sexta-feira.  A criança apresenta febre e problemas respiratórios, e o pai está com a garganta inflamada.

            Para o ministro da Comissão Nacional de Saúde da RPC, Ma Xiaowei, a capacidade de transmissão do coronavirus se está fortalecendo e, por conseguinte, o número de infecções pode continuar aumentando.  Essa doença, de acordo com as autoridades da RPC, já matou no país 56 pessoas. Não obstante, de acordo com os próprios, o conhecimento das autoridades sobre o novo vírus "ainda é limitado."

               Ontem, domingo, os EUA confirmaram o terceiro caso da doença. O país está organizando um vôo especial para retirar americanos de Wuhan. Além da RPC e das regiões autônomas de Hong Kong, Macau e Taiwan, há casos confirma-dos em outros doze países: Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Cingapura, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Japão,Malásia, Nepal, Tailândia e Vietnã.    

( Fonte: O Estado de S. Paulo)

O novo premier espanhol não recebe Guaidó


             
  
     Depois de viajar a Davos, na Suiça, ser recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, e pelo primeiro ministro britânico, Boris Johnson, em Londres, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, não conseguiu ser recebido pelo novel pelo chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, durante sua passagem por Madrid.

       A explicação de Sánchez levanta mais dúvidas do que certezas : "É uma crise complexa, que exige diálogo", esquivou-se  o primeiro ministro espanhol. Será que Sánchez considera Maduro um democrata, e digno de respeito o trabalho dos chavistas infernizando a situação na Venezuela ?

        Não sei se Juan Guaidó fez bem, aceitando a falta de respeito do governante espanhol, quando este se  negou  a recebê-lo, enquanto líder da oposição venezuelana, dada a calamitosa situação de seu país, que é provocada pelo desgoverno chavista.  Não deveria aceitar a atitude de Sánchez, e reunir-se com a ministra do exterior espanhola, Arancha González.

( Fonte: O Estado de S.Paulo )

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Guerra ao Lixo industrial na França


                             
       Trump, que pensa ter redescoberto a pólvora, reinventando as guerras tarifárias, trouxe, sem querer, para a França a quase-ministro Brune Poirson, que tem charme e ideias novas na cabeça para contra-arrestar a nova ideia-velha de Donald Trump, que é de impor tarifas sobre bolsas e outros artigos franceses de luxo.
          Para essa movimentação política, contribui a ânsia do presidente Emmanuel Macron de consolidar um legado ambiental. Nisso entra a indústria da moda, que na França é o segundo setor mais importante da economia, com parcela anual de Euros 150 bilhões.
          Como é usual nesses casos,quando se traz ideias novas para velhas rotinas, Brune, ao mexer em cômodas práticas, bagunçou o conservadorismo, que é apenas a inação carimbada de política. Ao invés, desde 2019, ela trabalha pela aprovação de lei contra o desperdício que proíbe as marcas da moda de destruírem os estoques que não forem vendidos.  Por isso, apesar de oficialmente comandar secretaria de Estado dentro do ministério da Ecologia, extra-oficialmente é conhecida como "ministra da Moda" da França. Já em 2019, Brune se empenhou pela aprovação da lei contra o desperdício, (marcas não podem destruir estoques que não foram vendidos). Era prática usual na indústria da moda que por ano cerca de Euros 650 milhões em artigos de luxo fossem incinerados. Quando o parlamento aprovar,  o estoque terá de ser doado, reciclado ou voltar ao mercado - o que é suscetível de afetar-lhe o preço. No entender de Brune, o deixa estar pra ver como é que fica não resolve.
             Como se vê, a charmosa Brune Poirson não é uma típica politica francesa. Para Pascal Morand, presidente  da Federação da Alta Costura e da Moda, "ela considera a moda fundamental e tem a determinação para promover a economia circular (sustentabilidade)''. Dentro de seu ministério, Brune não esconde a impaciência com o esclero-sado sistema de governo e das empresas, que não mudam há décadas o próprio procedimento.
              "Temos de mudar a forma de trabalharmos. Na política é terrível o fato de que tudo leva tempo. Não porque seja difícil, mas porque as pessoas não querem mudar as coisas por motivos mesquinhos. É deprimente. Às vezes, se você quer mudar as coisas, não pode depender da política." Nomeada faz três anos, Brune defende "uma economia circular", e para tanto, redigiu o projeto da "lei de desperdício zero".  Além de proibir a incineração de produtos encalhados, o texto prevê o fim do uso de plásticos descartáveis a partir de 2021, proíbe micro-plásticos em cosméticos e obriga o uso de filtros  em máquinas de lavar industriais.
                 Brune trabalhou com François-Henri Pinault, diretor do grupo Kering, de artigos de luxo, para definir o chamado  "Pacto da Moda",que é iniciativa do setor para reduzir o impacto ambiental.  Assinado por 56 empresas, mas não pela Moet Hennessy Louis Vuitton, conglomerado francês proprietário de 75 marcas. Não obstante, o projeto foi apresentado na reunião do G-7 em Biarritz, em agosto último.
                 Por não ser vinculante, o pacto é criticado como ineficaz, eis que não estabelece metas e deixa de lado o problema do consumo excessivo: "Bem, esta é a maneira francesa de tratar das coisas", disse a Secretária de Estado.
                  Apesar de sua vocação para a esfera pública, ao contrário de muitos políticos franceses,  Brune não se formou na Escola Nacional de Administração. "Era um projeto. Minhas raízes  são realmente fortes. Sei exatamente de onde venho.  Isso me dá força para ir a qualquer lugar do mundo."
                    Essa trajetória a levou para a London School of Economics e depois ao Laos, aonde passou um ano trabalhando com a educação de meninas da minoria étnica hmong. Em 2008, em New Delhi, trabalhou para  o Ministério da Informação e Inovação da Índia e para a companhia francesa Veolla.
                    Dentro desse anti-esquema, em 2016 estudaria ciências políticas e sustentabilidade na John F. Kennedy School of Government, em Harvard. Com a eleição de Macron, além da aparição de Trump, o Brexit e a nova maternidade, Brune achou que era tempo de retornar à França.  Nesse sentido, segundo ela os seus próximos passos "não envolvem a elaboração de leis, mas continuar a luta por uma moda sustentável" - e por isso ela diz que gostaria de criar  um fundo de apoio a marcas de moda  inovadoras para mudar o sistema de produção.
                      Para Brune, não faltam brotar ideias.  Outra sua é a de revitalizar alguns setores da moda francesa, como o de rendas, que hoje se acham quase esquecidos. "Quero me voltar para áreas como uma história têxtil forte e ver como podemos retornar à produção local. Acredito na chamada "dependência da trajetória", quando um lugar é bom em uma coisa, penso que temos de retornar a ele, e reconstruí-lo."

( Fonte: O Estado de S. Paulo )