quinta-feira, 21 de junho de 2018

Clandestino na Copa (4)


                                   

          O que aconteceu com a Argentina no jogo com a Croácia  é  a primeira grande zebra da Copa na Rússia.  Que a equipe que disputou a final com a Alemanha na Copa do Brasil tenha agora perdido para a Croácia, na fase inicial,  mostra uma turbadora nivelização dos times. É quase como se todos os resultados se tornassem possíveis na Copa da Rússia.
            E mais ainda: a atuação de Messi é outra indicação de que se está exigindo demais do craque argentino, que sendo humano não logrou resistir a tanta cobrança.

( Fonte: Folha de S. Paulo )

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Kim visita Xi


                                   

     O ditador da Coreia do Norte,  Kim Jong-un visitou o líder chinês, Xi Jinping, o que fez uma semana após o seu encontro de cúpula com Donald Trump  em Cingapura.
      Era previsível essa ida de Kim a Beijing, dadas as estreitas relações entre as duas ditaduras.
       Kim viajou acompanhado da esposa e a sua permanência na RPC foi de dois dias. Assinala-se que  esta é a terceira visita de Kim à China. Em menos de três meses, Kim viajou  em março, no que foi o seu primeiro deslocamento ao exterior desde que assumira o poder em 2011.
        As  relações com Xi estavam estremecidas, com a decisão chinesa de aplicar sanções internacionais destinadas a convencer o ditador coreano a abandonar seu programa nuclear.
          Atualmente, tenta obter o alívio das sanções econômicas, em troca da promessa de desnuclearização. Para tanto, espera obter o apoio da China.
           Por enquanto, Kim ainda se mantém na promessa. No encontro em Cingapura com Trump, o líder coreano  reafirmou "seu firme e inquebrantável compromisso com a desnuclearização da Península Coreana".
          Mas por ora se tem mantido nesse voto. Especula-se que China e Coreia do Norte querem reforçar a própria comunicação e elaborar estratégia global na sua relação com os Estados Unidos.
          
( Fonte: O Estado de S. Paulo )  

Merkel e Macron propõem triagem de imigrantes


            
         Sob pressão, a Chanceler alemã, Ângela Merkel e o Presidente da França, Emmanuel Macron, deverão propor à União Europeia a criação de plataformas de desembarque para fazer a triagem de estrangeiros que tentem alcançar o continente europeu.
         A estratégia foi definida pelos dois líderes, a dezenove do corrente, em Meseberg (cercania de Berlim). A dupla e, sobretudo, a Merkel têm um senhor desafio pela frente: convencer os 26 chefes de estado e governo a aceitarem a redistribuição dos imigrantes em solo europeu.
          Há uma crise política, causada pelo ultimatum do líder da União Social-Cristã, Herr Horst Seehofer, ministro do Interior. Pressionado pela Alternativa para a Alemanha (AfD), o partido neo-nazista,  nas próximas eleições na Baviera, Seehofer exigiu que providências sejam tomadas quanto à questão migratória. Ele teme perder a maioria na Baviera, e ser derrotado pelos neonazistas.
           Na reunião de ontem, dezenove de junho,  os dois líderes discutiram as bases de projeto de reforma da legislação imigratória da U.E. Nesse aspecto, a atuação de Macron ajuda a ameaçada Merkel, eis que Macron advoga  reformas nesse campo: ambos confirmam o reforço dos efetivos da Frontex, a agência europeia de fronteiras, que é encarregada do patrulhamento dos limites da U.E. Dessarte, o orçamento da Agência seria reforçado, e mais de dez mil agentes contratados nos próximos anos, com o consequente aumento da polícia de fronteiras.
           Nessa mesma linha de ganhar apoio de países mais afetados pela chegada de imigrantes, se propõe o aumento do orçamento dessa agência, e assim mais de dez mil agentes serão contratados para reforçarem o efetivo da polícia de fronteiras.
            Nesse sentido, a Merkel manifestou solidariedade ao novo primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, que encabeça o gabinete populista, prometendo maior auxílio aos países mais afetados pelas vindas de imigrantes, casos da Itália e da Grécia.
           Segundo o Presidente Macron, os dois governos se acordaram em propor a Bruxelas a criação de Agência Europeia de Direito de Asilo, a que incumbiria harmonizar as regras nacionais para a concessão de refúgio aos estrangeiros em situação de risco.
           Essa declaração abre a possibilidade de reforma do Regulamento de Dublin  que prevê deverem os imigrantes solicitar asilo no país em que chegarem primeiro - o que sobrecarrega os países nas fronteiras externas da Europa.
          Sem embargo, o principal destaque da reunião Macron-Merkel foi a aceitação da proposta formulada pelo premier da  Áustria, Sebastian Kurz, e pelo da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, de criação de centros dedicados à chegada dos imigrantes. Isso acabaria com impasses como o da semana passada em relação ao navio Aquarius, que ficou à deriva no Mediterrâneo, lotado de refugiados procedentes da África, quando a Itália, sob o gabinete populista de Giuseppe Conte, decidiu fechar seus portos à embarcação.  Como se sabe, o barco pôde enfim ancorar no Porto de Valência, na Espanha, por iniciativa do novo Primeiro Ministro espanhol.    
                                                 
( Fonte:   O Estado de S. Paulo )

EUA se retira do Conselho de Direitos Humanos


             
                        
         De certa forma, a retirada americana apenas reflete um molde de negação por Washington do tratamento dos direitos humanos pelos órgãos das Nações Unidas.
          A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, anunciou a 19 do corrente a retirada estadunidense do Conselho de Direitos Humanos.  Segundo ela, há um ano Washington teria deixado claro "que a instituição não é digna de seu nome" e que os EUA  só permaneceria no Conselho "se reformas essenciais fossem feitas".
         Consoante o Secretário de Estado Mike Pompeo "não duvidamos de que sua criação tenha sido de boa fé, mas temos de ser honestos: o Conselho dos Direitos Humanos é um pobre defensor dos direitos  humanos".
          Essa decisão de deixar órgão que congrega 47 nações é um ulterior recuo do Governo Trump de grupos e de acordos internacionais, cujas políticas considera fora de sintonia com os interesses americanos, a respeito de comércio, defesa, mudança climática e, agora, direitos humanos.
           Escusado dizer que tal decisão padece, dentre muitas falhas, de um defeito capital: deixa o Conselho sem ator que desempenhe um papel importante na promoção e defesa dos direitos humanos em todo o mundo. Quanto à necessária qualificação desse papel me reservo oportunamente os indispensáveis comentários.
            Os EUA estão em meio de mandato trienal, e, portanto, se auto-limitam na defesa das próprias posições.  Não terá sido decerto por acaso que o Alto-Comissário para os Direitos Humanos,  Zeid  Ra'ad al-Hussein, haja pedido a Washington suspender sua política "impiedosa" de manter crianças separadas de seus pais imigrantes na fronteira  dos Estados Unidos com o México. Nesse contexto, definiu a prática como "injusta" e equivalente a "abuso infantil".
             No entanto, a nova formulação política da Administração Trump, pela mediocridade de seus representantes, e pela dificuldade em defender Israel no contexto médio-oriental e, máxime, no que tange às relações com a Palestina, já tende a mostrar que a retirada do Conselho dos Direitos Humanos é apenas uma cortina de fumaça para evitar ulteriores dissabores na defesa de um país que tem primado, máxime na administração de Bibi Netanyahu, no sistemático desrespeito dos direitos humanos, sobretudo no que concerne à questão do Povo Palestino.
             A fraqueza diplomática da Administração Trump - que, aliás, não destoa do restante de sua atuação em outros campos - é, na verdade, intrínseca caracteristica de um governo, sobre o qual pende a real ameaça de ser afastado por vícios e ilegalidades que estão sendo analisados pelo Conselheiro Especial Robert S. Mueller III.

              A defesa de Israel pelos Estados Unidos é característica não só da diplomacia, mas também da política estadunidense em geral. Apadrinhada por Washington, essa relação é demasiado complexa para ser analisada pelo presente estudo. Constitui, na verdade, reflexo de um processo em que o país cliente adquire características diretivas desde o século passado, e se deve, também, a influências de política interna. As características principais de tal relação surgem com o presidente Richard Nixon e, notadamente, com o Secretário de Estado Henry Kissinger.  Para quem deseje aprofundar-se nessa questão, recomendo o livro de William Bundy,  "A Tangled Web - The making of foreign policy in the Nixon presidency".[1] 


[1] A Tangled Web  (uma Rede enredada - a formulação da Política Externa na Presidência Nixon), de William Bundy, Hill and Wang, New York, 1998, 647 pp.
Fonte para as demais informações dessa nota: O Estado de S. Paulo.

Um clandestino na Copa (3)


                              

        A partida entre o Uruguai e a Arábia Saudita foi muito bem administrada pela equipe de Suárez, e acabou com  1x0 que satisfez o objetivo dos celestes em garantir a classificação para a próxima fase.
       Já a Arábia Saudita, que vinha de uma goleada pela Rússia, não conseguiu sequer empatar com os uruguaios e, assim, manter abertas as chances de passagem para a próxima fase.
       É o que o Uruguai, em geral, administra com habilidade. Foi justamente o que não soubemos fazer, na partida com a Suiça, embora o árbitro tenha infelizmente colaborado na estranhíssima validação daquele goal faltoso de cabeça, depois do vistoso empurrão aplicado em um de nossos beques, ignorado solenemente pelo juiz mexicano, que não quis consultar o sistema de controle por computador.
      Se tais sistemas sofisticados podem ser ignorados pelos árbitros, mesmo diante de tais faltas gritantes, é o caso de perguntar para quê servem...
      Agora, trata-se de prepararmo-nos para a Costa Rica...

( Fonte: Rede Globo )

terça-feira, 19 de junho de 2018

Ângela Merkel enfrenta seu maior desafio


                          

          Angela Merkel e seu gabinete se defronta com grande, temível desafio para a sua sobrevivência política. Há uma pesada, cruel ironia em que a Chanceler alemã que se distinguira diante dos governantes mundiais, todos unidos na recusa em receber refugiados, através de seu ato corajoso de abrir as fronteiras da Alemanha para acolher cerca de oitocentos mil, tangidos pela guerra civil na Síria.
           Foi uma decisão em que marcou a própria coragem, abrindo as fronteiras da Alemanha para esses infelizes, a que a maioria dos governantes das nações europeias fechava as próprias portas, alguns por ideologia, como o primeiro ministro da Hungria, Viktor Orban, outros por egoismo ou indiferença, e muitos por temor pelas consequências políticas.
           Quando a  Chanceler Merkel tomou tal decisão - a de acolher os prófugos da guerra civil na Síria - incorria com coragem nos perigos e nas previsíveis resistências que essa determinação causaria.
           Diante do egoismo de tantos outros países, restringindo muita vez a um ridículo filete o ingresso desses infelizes, a Merkel mostrou através da própria firma que assumia com a consciência dos riscos enormes dessa determinação solitária, o quão diverso era seu comportamento político, se cotejado com a coorte de tantos outros líderes nacionais.
            Fê-lo consciente do alto, altíssimo preço que lhe viria bater às portas, por um gesto isolado nesse mundo do século XXI, em que se multiplicam as barreiras, com que muitos governantes se acomodam, seja pela dificuldade de receber o Outro - como a então guerra civil síria tangia para a Europa as multidões de refugiados, que o egoismo dos gabinetes fingia ignorar.
             Esse desafio, no entanto, a Chanceler Merkel continua a arrostar, seja no crescimento do partido neonazista - a Alternativa para a Alemanha - mas também no temor que esse flagelo redivivo - reporto-me às ideologias da direita ensandecida - vem provocando em partidos do arco constitucional, ainda que infelizmente fragilizados pelas chantagens do fascismo com suas novas vestes.
             O destemor da Merkel não é suficiente para que ela possa manter a indis-pensável maioria no Bundestag. A União Social-Cristã (CSU) tem sido um aliado de longa data da CDU. A CSU, na prática, representa os cristãos democratas na Baviera, e por isso o seu partido (CDU) não concorre eleições nesse Land, delegando a sua representação à CSU, que por conseguinte integra a bancada cristã-democrata no Parlamento federal.
             Por isso, a CSU deu quinze dias de prazo à Chanceler para negociar um acordo com a União Européia, que restrinja a chegada de imigrantes à Alemanha.
              O ultimato da CSU tenta proteger um de  seus líderes, Horst Seehofer, ministro do Interior. Seehofer deverá enfrentar eleições regionais nesse segundo semestre. Diante da agressiva propaganda realizada pelos neofascistas da Alternativa para a Alemanha (AfD), os sociais-cristãos temem perder a hegemonia na Baviera para esses extremistas da direita.
                Com vistas a enfrentar o desafio colocado pela AfD, a estratégia de seu líder Seehofer tem sido radicalizar o discurso do partido sobre imigração.
                Nessas condições, o líder da CSU propôs a criação de uma aliança internacional contra a imigração aos governos populistas da Itália e da Austria. A estratégia seria forçar a Chanceler a adotar um limite máximo no acolhimento de refugiados
                 Como é seu hábito, a Merkel respondeu a Seehofer de forma moderada, tentando abrir espaço para a negociação.  "Nós não queremos agir de forma unilateral, sem concertação e prejudicial a terceiros", ponderou  a Chanceler. Nesse sentido,  ela propôs reforçar as fronteiras externas da União Européia, mas rejeitou criar alfândegas entre países do bloco.
                  Não se exclui a possibilidade, segundo analistas políticos alemães, que a estratégia de acomodar interesses de diferentes partidos na coalizão, usada pela Chanceler nos seus três primeiros mandatos, esteja chegando ao fim.
                   Consoante a opinião de Thorsten Faas, cientista político da Universidade Livre de Berlim "a situação é explosiva. Para os protagonistas, o que está em jogo é sua sobrevivência política". Se a coalizão explodir, aduz Faas, é dificil imaginar como Angela Merkel e Horst Seehofer poderão sobreviver no plano político.
                    Além da crise na coalizão, quanto a uma eventual pressão externa sobre seu governo, não me parece que o twitter do Presidente americano - que com a sua falta de elegância pensa servir-se da presente crise na Alemanha, para trazer água para o seu moinho - vá resistir a uma simples checagem de dados.  Irresponsavelmente Trump pensa instrumentalizar dados sobre o crime na Alemanha. Ora, dados do Ministério do Interior indicam que a criminalidade naquele país caíu 9,6% em 2017, em comparação com 2016,  atingindo seu nível mais baixo em 25 anos.
                     Por fim, resta assinalar a visita do Presidente francês Emmanuel Macron à Alemanha. Há poucas dúvidas que ele trará apoio para a sua aliada Angela Merkel, nesse momento difícil que ela atravessa.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo  )
 

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Imigrantes acolhidos pela Espanha


                           
         Uma crise humanitária foi evitada pela iniciativa espanhola de acolher os 630 imigrantes que haviam sido socorridos pelo navio Aquarius, da ONG SOS Mediterranée, e que tinham sido rejeitados pelo novo governo italiano.

          O novo Primeiro Ministro espanhol, Pedro Sánchez, que viabilizara a sua chegada a Valencia, tomando a iniciativa de acolhê-los, afirmou ser necessário "evitar uma tragédia humanitária".
          Como se sabe, no dia dez, o governo italiano proibira o Aquarius de atracar no país. Diante da recusa também de Malta, os refugiados africanos viajaram a bordo de três barcos:  274 no Dattilo, 106 no Aquarius e 250, no navio da Marinha italiana, Orione.

( Fonte: O Estado de S.Paulo )