segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Violento ataque na Somália

                         
          A estupidez e a barbárie são forças difíceis de entender, a partir da circunstância de que pouco ou nada têm a ver com a razão.
          A rigor não se pode diferençar o recente ataque em Las Vegas, partido de um quarto de hotel adrede alugado para essa empresa serial,  da explosão conjunta de dois caminhões-bomba, cometida na capital da Somália, Mogadiscio.
          No atentado de Las Vegas morreram 59  pessoas, com 527 feridos. Já o de Mogadiscio matou  231 pessoas, pelo menos, destruiu muitos edifícios e imóveis e feriu cerca de 350 pessoas.
           Se o anterior tem como causa direta a mente perturbada de um atirador isolado a 'motivação' do segundo está inserida dentro de organização que menospreza a vida humana e mata duas centenas e tanto de pessoas, para elevar nas notícias da imprensa e das agências telegráficas o poder mortífero do chamado al-Shabab.
           Quanto ao poder suasório desses movimentos como o do ISIS, que tanta infelicidade - como no ataque ciblé aos editores da revista cômica francesa -  ou na investida contra a casa de espetáculos parisiense,  têm transmitido impressões contrastantes acerca do alegado desapreço de seus militantes pela vida, como o processo de aniquilamento da base territorial do ISIS mostra que a confiança de seus militantes na ida imediata ao abraço das huris tende a cair e muito diante do evidente malogro da organização.  Eles que partiam sem qualquer dúvida para gozar das delícias do paraíso islâmico, são agora, diante dos sinais de derrocada da respectiva organização, presa do desejo de aferrar-se à vida, que antes aparentavam desprezar.            

( Fonte: internet )

A difícil independência dos curdos

                    

          Depois de vários dias em que os dois lados do confronto  entre iraquianos e curdos se limitaram ao 'posturing', vale dizer reações atitudinais, sem implicações concretas, nesta segunda-feira, 16 de outubro, o governo iraquiano deu início à própria reação contra a ação da minoria curda.                                        
          Nos encontros que se seguiram, os dois aliados dos Estados se confrontaram e após embates superficiais, os iraquianos se apossaram da região em tela, com poucas e isoladas escaramuças. Na verdade, a facção curda que controlava a área de Kirkuk a cedeu aos iraquianos, sem consulta aos demais curdos.
           Assinale-se que os curdos aí se achavam há cerca de três anos.
           Tenha-se em mente, também, que há três semanas os curdos votaram maciçamente por independizar-se do Iraque.  Como seria de esperar, tal votação fora condenada pelos Estados Unidos, Baghdad e as demais nações da região.
            A principal motivação da reação contra a iniciativa do Curdistão - consoante referida no parágrafo acima - se prende a duas razões básicas: a fragmentação do Iraque (que perderia a sua província ao norte) e os empecilhos que criaria para o término bem-sucedido da luta contra o Estado Islâmico - que está nos próprios estertores, como a rendição maciça de porção substancial de suas forças - conforme noticiado por este blog - o evidencia claramente. 
             A circunstância de que Baghdah tenha conseguido reaver boa parte de o que seria o Curdistão, se deve a uma característica do povo curdo, que é a sua desunião.
             Aí está a razão desse tropeço de o que seria o Curdistão unido. Na última segunda-feira irromperam cisões entre os curdos. Assim, a divisão entre os curdos surgiu com um movimento dito de oposição - a União Patriótica ou Kurdistan - e declarou que os seus militantes haviam concordado em abrir alas para as forças iraquianas, não obstante o fato de que outros militantes leais ao governante Partido democrático do Kurdistão  continuassem a resistir.
                Não há negar o valor militar dos curdos, temido pelos povos da região. No entanto, a própria desunião está na raiz da sua situação atual. Não logrando pôr-se de acordo entre si, eles tendem a facilitar que se tornem um povo dominado por outros, pela sua falta de capacidade de chegar a um acordo entre si.
                 Enquanto os curdos não chegarem à união da nação curda, eles continuarão a ser uma força incapaz de traduzir a capacidade do soldado pesh merga, que como é notório é instrumentalizada com sucesso por vários países para tarefas determinadas e relevantes.  Como dito na frase célebre do filme de David Lean, proferida por  Lawrence of Arabia (Peter O'Tool), para o Emir Faisal (Alec Guiness) a respeito das tribus que refutassem a união da nação árabe, elas serão sempre  um povo pequeno e fraco, eterna presa dos próprios inimigos. O mesmo vale para os curdos, que pela sua desunião explicam a situação de apátridas em que se encontram.


( Fontes: The New York Times; Lawrence of Arabia )

Fábula da corrupção chavista

                                                         

        Estava na Guatemala quando, por primeira vez, se ouviu falar de Chávez, na época tenente-coronel. Aproveitou-se o então desconhecido de uma das (inúmeras) viagens do Presidente Carlos Andrés Pérez para a consueta tentativa de golpe, desta feita em 4 de fevereiro de 1992.
       Fiado na baixa popularidade de CAP, o tenente-coronel  Hugo Chávez Frias adentra por demasiado trilhada vereda em nossa América Latina, quando em quatro de fevereiro busca apossar-se do então deserto  palácio presidencial de Miraflores, ao liderar, apoiado na oficialidade jovem,  mais uma intentona castrense.       
      Dado o brilho quase solitário da democracia na Venezuela, durante o tempo das  ditaduras na América Latina, provocou fundo abalo naquele país e na América do Sul, que, uma vez mais, e logo em nação que, através de suas lideranças civis, preservara a democracia, em contraste com a longa noite que baixara ao Sul, reaparecesse o fantasma dos movimentos militares.
       Recordo-me bem da indignação de meu então colega, a quem surpreendera, e muito, aquele monstro em nosso Continente, que para tantos havia sido afastado pelos acordos das forças políticas civis, e pela consequente pátina dos entendimentos preservados pela então quase solitária luz democrática em América del Sud.
       Chávez, encarcerado por algum tempo, voltaria em breve, para empolgar pelas urnas o que não lograra assenhorear-se pelas armas.
        Hoje, passado tanto tempo, se nos depara a assombração de o que viria a ser denominado chavismo, que é, muita vez, à guisa de virtual maldição, o que resta das chamadas revoluções em Latino América.
        A trajetória de Hugo Chávez está transcrita em muitos livros - e a minha parte nesse latifúndio aí está - mas o seu regime, julgado pelas cãs da história não deixa dos melhores legados. É notória a incapacidade dos longos mandos autoritários em deixarem herdeiros que estejam à altura das ambições de seus próceres.
        Chávez pensara que a riqueza do petróleo seria duradoura, e, por isso, ao invés de cuidar do progresso econômico do próprio país, imaginou transformar uma situação provisória - as altas cotações de sua principal matéria prima, o petróleo cru - em alavanca de prestígio internacional.
        Até rival da OEA quis estabelecer. O homem de estado não deve tomar o provisório como permanente, nem transferir, como subsídios a outros países, o que é um produto excepcional e, portanto, transitório da respectiva riqueza nacional. Bem mais fará em reforçar econômicamente  aos próprios fatores, deixando aos demais países o benefício de seu exemplo.
         Recordo-me, a propósito, de benesse brasileira a um porto no Caribe de Cuba. Estávamos no regime petista de Dilma Rousseff, e me apenou deparar a fila de pedintes que a tal cais acorrera, na esperança talvez de que o Brasil lhes concedesse o que estava dando à hierarquia comunista de Cuba, e que por estranho capricho de seus corruptos governantes não tornara disponível aos próprios portos.
        Lembrou-me ver na fila de dignitários o ainda jovem Maduro. Ali estavam alinhados quem, pelo visto, desejavam participar da estranha munificência de um regime que, ao parecer,  não se acreditava  ameaçado.
        E, na verdade, os sinais do mene tekel já se desenhavam na parede do próprio palácio, e o presente governante parecia desconhecer o teor da bíblica mensagem. Não tardaria muito para que aquela interesseira fila se desfizesse como sóem desaparecer os sinais na areia do deserto. E o profeta Daniel seria chamado para explicar o significado da críptica mensagem.
       Na Venezuela, continua o sádíco jogo de quem pensa ser o gato em relação aqueles que tem como ratos. De longe, assistem os organismos internacionais, e, como sempre, pouco ou nada fazem.
       Maduro, o tirano, brinca com o Povo, que acredita no voto. E zomba dele, ao mudar na ultimíssima hora o local das seções eleitorais, que inclusive transfere para favelas e outras zonas da plebe a quem cultiva. Tudo é feito para desrespeitar o Povo soberano, chegando até a cassar o direito de candidatar-se de um prócer oposicionista demasiado popular.
        Esse Maduro pensa afrontar impune ao Povo soberano. Corrupto, é mau governante. Quando há de chegar a hora do festim, em que o profeta da vez traduzirá para o trêmulo soberano que o seu tempo já está contado, que, uma vez pesado na balança, não mais lhe serve, e que o próprio reino de que se pavoneia sequer lhe pertence mais.


( Fontes:  O Estado de S. Paulo; Venezuela: Visões brasileiras (IPRI-FUNAG )                      

domingo, 15 de outubro de 2017

O sádico Trump

                                        

        Como as suas iniciativas de derrogar a Lei do Tratamento Custeável através de projetos e emendas no Congresso fracassaram, uma após outra - e não por falta de repetidas tentativas - o Presidente Donald J. Trump resolveu voltar à carga, de outra forma.                        
         O processo se realiza agora através de mórbida campanha, em que se reflete a linguagem da obra célebre 1984 de George Orwell sobre o Despotismo. Será decerto homenagem involuntária ao grande escritor, trazendo de volta o túrgido estilo dessa obra prima de crítica impiedosa ao totalitarismo que prenunciava para idades futuras.
        Mas me apena bastante afirmá-lo que apesar do gênio premonitório do grande escritor inglês, a sua obra prima não me parece bastante para descrever e aprofundar a mesquinhez e a cínica crueldade desse senhor, fortuito e infeliz resultado de processo eleitoral que não mais reflete a vontade soberana de uma Nação. Compreende-se, por conseguinte, que esse dúbio triunfo, de que participou de forma inconfessável o seu estranho mentor Vladimir Vladimirovich Putin, hoje senhor de todas as Rússias, grita com potente clamor para que o Povo americano logre escolher de forma indubitável quem é o governante que tem a real e irrefragável autoridade de exprimir a vontade da Nação estadunidense.
         Pois - e não pretendo delongar-me nessas intricâncias - Mr Trump não é o candidato que reflete a maioria da vontade do Povo estadunidense. Decerto, a sua presença na Casa Branca pode refletir a ação de muitos partidários - e me permito ressaltar a ação do ex-chefe do FBI, Jim Comey, de Julian Assange com os seus Wiki-Leaks, e do próprio egrégio gospodin Putin, que afinal logrou vingar-se de Hillary Clinton e do próprio Barack Obama - mas sem dúvida terá encontrado a ajuda milagrosa nesse arcano método de eleição, que é herança do século XVIII, e que grita hoje para ser mandado aos velhos livros de História, depois de tanto contrariar a real vontade do Povo americano.
           Como toda mensageira do porvir, Hillary não merecia tal sorte. Como também antes disso, Albert V. Gore, e outros mais no passado.
            O importante será suportar - na medida do possível - as idiossincrasias desse Mr Donald John Trump que, de toda forma e em qualquer contexto, não seria eleito em país nenhum desse vasto mundo, se o sistema de votação popular numérica houvesse sido utilizado.
             Vejam agora, meus caros passageiros do bonde universal, e, em especial aqueles que se julgavam protegidos pela grande lei sancionada pelo Presidente Barack Obama.
              Não distingo outra razão para explicar a raiva desenfreada de Mr Trump contra o para ele detestável Obamacare, que a própria sensação de que algo maior do que ele foi criado para proteger o povo americano.
             Infelizmente, destruir é muito mais fácil do que construir. Como Mr Trump tem - ou pensa ter - o poder em mãos, o irrita sobremaneira que esta Lei continue a resistir contra os seus mórbidos truques.
             A princípio, pela sua intrínseca qualidade e disponibilidade, a Lei do Tratamento Custeável conseguiu transformar os apodos que lhe foram lançados pelo GOP como notadamente Obamacare (que pensaram possível rebaixá-la através dessa linguagem não chula, mas popular e quem sabe vulgar), em expressões realmente populares, nas quais, para irritação republicana, se reflete o apreço do Povo pela boa Lei.
              Destruir pode parecer muito mais fácil do que construir. Sadicamente, como se fora legislador que se compraz com o infortúnio alheio, esse presidente, após fracassar no intento de revogar a Lei do ACA no Congresso, agora tenciona relaxar os critérios da assistência sanitária para os pequenos negócios que se juntam para adquirir assistência sanitária e também pode tomar medidas que permitam a venda de outros planos de saúde que contornem os requisitos da Lei do ACA.
                Qual é o diabólico plano de Mr Trump?  Assinar uma ordem executiva (decreto) que cinicamente anuncia "promover a escolha e a competição na assistência sanitária". Convidados para  esse ato na Casa Branca, nessa terça-feira, dez de outubro, proprietários de pequenos negócios, entre outros,  Trump anuncia que, como o Congresso não atua, ele vai se valer do poder da caneta para dar assistência sanitária a muita gente.
                Não é exatamente isto que vai ocorrer. Ao criar mais facilidades para apólices de tratamento supostamente mais barato, o que Trump estará ensejando é que certos planos de saúde fiquem bem mais caros de o que são hoje.  As apólices de curto prazo não satisfazem os requisitos do ACA, e por isso aqueles que as adquirirem podem ficar sujeitos a penalidades fiscais.
                Por outro lado, é enganosa a vantagem oferecida em termos de custo baixo, pelos planos de curto prazo.  Com efeito, esses planos tendem a limitar os respectivos benefícios, assim como são acessíveis apenas para pacientes que não têm dispendiosas condições de tratamento médico.            
                Os asseguradores estão nervosos acerca da possibilidade de que haja súbito crescimento em planos de curto prazo. Muitos dos grandes asseguradores nacionais, como o UnitedHealth Group, já oferecem tais planos, e não haveria muita dificuldade em que eles oferecessem outros mais, por causa da ordem executiva.
                Compradores individuais podem ser atraídos por planos de curto-prazo, por causa de seu baixo custo.  Esses planos, no entanto, tendem a limitar benefícios e oferecer apólices apenas para pessoas que não carecem de custosas condições médicas. Além disso, apólices de curto-prazo  não satisfazem os requisitos de cobertura da Lei do Tratamento Custeável, e por isso os consumidores que os adquirirem podem ficar sujeitos a penalidades fiscais. Mas com o preço das apólices de seguro convencional subindo em níveis de dois dígitos, alguns compradores aceitam pagar a penalidade se eles podem comprar um  plano mais barato.
                 A introdução de novos planos de associação pode levar mais tempo, de acordo com pessoal de seguros e outros especialistas. O governo vai precisar de tempo para elaborar os detalhes securitários, e seriam necessários grupos para formar esses planos.
                  Mas tais planos colocam alguns riscos similares, e os especialistas na matéria advertem que tais planos têm o precedente de deixar os seus clientes com contas médicas não-pagas, se eles não forem adequadamente regulados.  Enquanto  os de associação de saúde podem ser bem administrados, eles se assinalam por maus precedentes em termos de pagamento das contas médicas de seus clientes.
                     E é o que promete, portanto, a assistência médica a ser proporcionada pela caneta deste presidente. Em suma, o retrospecto desses planos não é dos mais confiáveis, e é isto justamente o que parece ser o escopo do presidente Trump, no seu ódio - ou quem sabe? inveja - quanto à Lei do Tratamento Custeável de Barack Obama.



( Fontes:  The New York Times;  1984, de George Orwell; Carlos Drummond de Andrade )              

Nada de Novo na Ditadura de Maduro

                              
             Pergunto-me por que a Oposição disputa eleições na Venezuela.          
         
         Agindo dessa forma, participando dos pleitos, ela não passa de atriz que tem duplo papel em uma farsa. Porque no país do ditador Nicolás Maduro, a oposição enfrenta um jogo trucado, no qual não tem qualquer chance de vencer.
          
          Dentre os seus principais atores, está Henrique Capriles. Enfrentou o candidato do situacionismo na presidencial de 2013, "perdeu" para Nicolás Maduro, e ainda por cima está proibido pela Justiça (que também é dominada pelo chavismo)  de tentar a reeleição ao governo de Miranda.  Mas a proibição da "justiça" não para por aí:  por quinze anos, Henrique Capriles não pode candidatar-se a qualquer cargo eletivo...
        
       Parece piada, mas não é. Trata-se de um jogo trucado, repito, e quando o candidato é "demasiado" popular, aí está a justiça - que é também chavista- para "resolver" o problema.
      
       Como um partido dito oposicionista pode concordar com farsa desse jaez?  Quando o esquema do chamado Tribunal Supremo passou a ser empregado a torto e a direito por Maduro, e as cínicas intervenções dos burocratas jurídicos desse Tribunal dito Supremo, começaram a ratear, Maduro tirou da gaveta o truque da miniconstituinte, um golpe ainda mais cínico do que o da hiper-lotação da Corte Suprema. Essa constituinte, que desdenha o voto universal, tem a apavorante semelhança com as cortes da Europa Oriental, nos maus tempos em que Moscou era a Meca do poder absoluto por aquelas bandas.
         
         O mais interessante (ou irônico) é que os candidatos da oposição continuem a concorrer para outros postos eletivos - como governos e assembléias estaduais - no que objetivamente estão fazendo o jogo da ditadura chavista, que controla tudo, e só deixa "vencer" àqueles candidatos mais cordatos e menos perigosos para o sistema.
           
        Estão marcadas para este domingo as eleições regionais, em que 18 milhões de venezuelanos estão convocados a escolher 23 governadores (não se deve esquecer, porém, como dito acima, que Capriles, pela determinação  da "justiça" está proibido de concorrer, o que só se explica pelas demasiadas chances que tem de ganhar...)   O distrito mais importante seria Aragua, mas o resultado já sai desvirtuado, pois o candidato Ismael Garcia  já virou postulante único, sob acusações de fraude e sem o aval do Primeiro Justiça, do ex-candidato Henrique Capriles .
        
         Em um cenário dominado pelo poder chavista, e com a alegada desmotivação pelos magros resultados da onda de protestos entre abril e julho[1],  há muito desânimo nas fileiras oposicionistas, e não se espera o que ocorreu com a votação, em 2015, para a Assembléia, ganha pela oposição  (Mesa da unidade democrática -  MUD) 

( Fontes: O Estado de S. Paulo; Erich Marie Remarque, Nada de novo na Frente Ocidental )



[1] Disso excluídos, por certo, os 125 mortos  pelas forças governamentais.

sábado, 14 de outubro de 2017

Colcha de Retalhos E 41

O fantasma de Pasadena


          A negociata de Pasadena,  a incrível ruína de refinaria  comprada pelo governo Dilma como se fosse uma refinaria top, modelo de arte (se tivermos presente o preço imoral que se pagou por ela, tendo-se em mente as condições em que estava) volta agora a cair sobre quem permitiu essa estranhíssima negociata.
    
            Eis que o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) determina o bloqueio  - e por um ano - dos bens da  Presidente cassada Dilma Rousseff,  para tentar esclarecer as razões por que  aprovara a aquisição da tal jóia de refinaria de Pasadena, situada no Texas, EUA.

            Mas a decisão do TCU também atinge os ex-integrantes do Conselho de Administração da Petrobrás - i.e., aqueles que permitiram a realização desse "grande negócio":  Antonio Palocci, José Sérgio Gabrielli, Claudio Haddad, Fábio Barbosa e Gleuber Vieira.

             Olé !

 E o Vasco, hein ?

                Não é que o Jornal Nacional da Rede Globo deste sábado, à noite, pode trazer, por vezes, boas notícias para a sofrida torcida do Vasco da Gama ?

                 Por  1 x 0, com gol magistral de Nenê , o  time da Colina ganhou de seu velho rival, o
Botafogo.
                 
                 Pelo menos, o Vasco se livrou do técnico anterior, que implicava inclusive com o craque Nenê, que apesar de veterano, ainda decide partidas! 


( Fonte:   Jornal Nacional )

Trump retira aval a Pacto Nuclear com Irã

                                         
        Em discurso no qual apresentou sua estratégia para conter a influência de Teerã no Oriente Medio, o presidente Donald Trump retirou a certificação do pacto,  mas não tem poder para uma ruptura definitiva, que  depende do Congresso (são necessários sessenta votos no Senado, os republicanos têm 52, e esse número já se afigura bastante relativo, como a dissensão de John McCain e outros do GOP tende a sinalizá-lo).
        Para apoiá-lo de forma irrestrita, Trump somente dispõe do patético 'reforço' de Israel, com o Primeiro Ministro Bibi Netanyahu. Parte, assim,  ao ataque contra o seu predecessor, Barack Obama, que julgara, com fundadas razões, o acordo com o Irã como uma das principais conquistas de seu governo.  Por isso, Obama sequer se manifestou, deixando por conta do vice Joe Biden a resposta: "colocar o acordo em risco de maneira unilateral não isola o Irã. Isola a nós".
        O isolamento de Trump é sublinhado de forma patética pela declaração firmada pelos líderes da RFA, França e Reino Unido, que além de defender o pacto com o Irã, disseram estar preocupados com as "possíveis implicações" do anúncio do presidente estadunidense: "O acordo nuclear foi o ápice de treze anos de diplomacia e foi um grande passo na direção de assegurar que o programa nuclear do Irã não seja desviado para fins militares", declaram Theresa May, Angela Merkel e Emmanuel Macron. Com bastante oportunidade, os europeus afirmam que o mundo não pode abandonar um pacto de não-proliferação no momento em que já enfrenta a ameaça nuclear da Coréia do Norte.
         Por outro lado, o presidente do Irã, Hassan Rohani, declarou que o pacto é "inegociável" e não pode ser cancelado por apenas um participante. O documento foi aprovado em 2015 pelos Estados Unidos, Irã, República Federal da Alemanha, França, Reino Unido, República Popular da China, Federação Russa e a União Européia.
         Esses países concordaram em suspender sanções internacionais contra o Irã em troca do congelamento ou reversão de elementos de seu programa nuclear.
         O presidente Donald Trump anunciou, outrossim, que não enviará ao Congresso documento que certifica o cumprimento das obrigações do Irã previstas no pacto, apesar de a AIEA ter concluído no mês passado que não há violações de parte de Teerã.
         Com tal decisão presidencial, o Congresso americano terá sessenta dias  para decidir se restabelece sanções relativas ao programa nuclear suspensas em 2015. Nesse sentido, Trump quer que esse prazo seja utilizado para aprovação de legislação que proíba o desenvolvimento de mísseis intercontinentais pelo Irã e torne permanentes as proibições do acordo, algumas das quais deixarão de vigorar entre dez a quinze anos. Se essas disposições fossem violadas,haveria o restabelecimento automático das sanções americanas.
          A oposição sanhuda de Trump conta criar condições a longo e médio prazo, dada a abrangência do sistema financeiro americano, por onde passam transações  de empresas europeias, chinesas e russas.  Trump compara esse acordo com a ameaça da Coréia do Norte, o que é absurdo. "Como nós vimos na Coreia do Norte, quanto mais tempo nós ignoramos uma ameaça, pior essa ameaça se torna. É por isso que nós estamos determinados a que o maior patrocinador do terrorismo do mundo nunca obtenha armas nucleares", afirmou Trump.
          Segundo análise de Roberto Godoy, do Estadão, o programa nuclear do Irã está a três anos de distância da construção  de uma ogiva atômica confiável, miniaturizada e eficiente.Os mísseis estão prontos, o botão de disparo depende só de uma ordem. Segundo consta, o teste mais recente, há três semanas, foi impecável. O projeto já estava nesse ponto em janeiro de 2016, quando foi parcialmente desmantelado para permitir que fossem revogadas as sanções econômicas impostas pelo Ocidente.
          O status  atualizado é uma surpresa e provavelmente um dos motivos para a decisão do presidente Donald Trump de não ratificar o acordo firmado pelo democrata Barack Obama. Pela avaliação da Agência de Inteligência da defesa americana, os principais laboratórios e as facilidades industriais controlados pela Guarda Revolucionária estariam parcialmente desativados. Certo? Não, infelizmente errado. Um cochilo da inteligência americana, que causa óbvio desconforto. Logo se pensa no hacking in do computer de Podesta, o chefe do Partido Democrata, por onde se ramificou o ataque dos serviços de informação do KGB gospodin[1] V. Putin. Quase fechando esse parêntese, vejamos o que nos apresentará a investigação dos serviços americanos quanto à penetração russa na votação americana. Além de um escândalo, uma vergonha para a Superpotência. O que irá lançar sobre ela uma luz algo comprometedora, porque Barack Obama continuou a dormir tranquilo, enquanto os russos faziam uma festa com o seu partido e a sua candidata Hillary Clinton.
          Como se verifica quanto à capacidade iraniana,  os seus especialistas reagem assaz rapidamente.  Em 28 de setembro de 2010 verificou-se o ataque cibernético  contra a fábrica de componentes estratégicos de Bushehr, o complexo tecnológico de Natanz, onde era feito o enriquecimento do urânio para alimentar o programa nuclear, e a talvez outros mais trinta mil computadores em toda a extensão do Irã, todos eles atingidos por um ataque cibernético. 
            Dado o caráter confidencial da empresa, presume-se que a operação foi realizada por agências de informação dos Estados Unidos e do aliado Israel, e terá virtualmente destruído a iniciativa iraniana. Teria sido, de acordo com a interpretação de engenheiro da empresa IBM "como se cada um deles (computadores) houvesse recebido a ordem de cometer suicídio."
           Consoante as estimativas dos atacantes, a expectativa era de que os esforços de capacitação sofressem atraso de ao menos cinco anos.
          Não foi o que ocorreu com a reação iraniana.  Em 24 meses, a segunda central de enriquecimento de urânio, em Fordu, a 42 km da cidade santa de Qom, já estava funcionando. O modelo de ultracentrífuga usado no processo não mais empregava o sistema que provavelmente havia servido de entrada para o virus. A vida continua, mas não necessariamente para todos.
            Os principais cientistas iranianos ligados ao programa foram mortos entre 2010 e 2012, assassinados, segundo o governo de Teerã, por  terroristas da facção clandestina Mujahedin do Povo do Irã - treinados e equipados pelo Mossad, a principal organização da inteligência de Israel, de acordo com a Oghab-2, o braço da segurança interna iraniana dedicado às questões do plano de capacitação nuclear.
                   Por fim, Trump também anunciou ontem a imposição de sanções contra a Guarda Revolucionária Islâmica, uma das principais organizações de segurança do Irã, e que pode igualmente atuar em cenários do Oriente Médio, como se verificou na guerra civil da Siria e reforçar a organizações menos estruturadas, mas também perigosas no combate, como o Hezbollah, que é a milícia que também atuou na guerra civil da Síria.


( Fontes: O Estado de S. Paulo; The NewYork Times; What Happened, de H. Clinton )



[1] Senhor, em russo.