quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ordem pública e confronto de bandidos

                        
        Já me havia surpreendido a postura apática do porta-voz da Polícia Militar (PM) na Rocinha. O surrealismo esteve muito presente nessa entrevista do major Ivan Blaz.  Questionado acerca da inação da PM - mesmo dispondo de informações dando conta da iminência da invasão da Rocinha por um grupo de traficantes  - o dito Major da PM declarou que a polícia não agiu com mais força (para acabar com o confronto) porque uma intervenção "poderia expor a população a risco ainda maior".
         De o que se tratou e que a PM ignorou foi a invasão na Rocinha de um bando de cerca 50 traficantes ligados a Antônio Francisco Bonfim Lopes, o "Nem", ex-chefe do tráfico de drogas na Rocinha, preso hoje na Penitenciária  Federal de Porto Velho. Esse bando - que seguira em direção à maior favela do país para retomar-lhe o controle da venda de drogas no local - que hoje está em mãos de  Rogério 157 (Rogério Avelino da Silva), que é o antigo lugar-tenente de Nem.
         A batalha a céu aberto - que deixou um morto e três feridos- causou pânico geral em moradores, pedestres e motoristas, que circulavam pela Gávea, e por São Conrado, bairros divididos pela Rocinha, durante mais de seis horas! Ruas e túneis foram fechados.
         A PM se omitiu completamente de seus deveres elementares. Para frisar a extensão da crise de autoridade no Rio de Janeiro, há uma anti-efeméride a assinalar esse "evento".  Diante de um poder que se omite, não surpreende que os bandidos tenham ignorado solenemente tanto a UPP, quanto a circunstância de que ela completava naquela data cinco anos de implantação (20 de setembro de 2012). Isso diz muito da completa desmoralização das UPPs como instrumentos de controle nas favelas. A ideia do ex-governador Sérgio Cabral, hoje trancafiado na cadeia, está morta, e tal não pode ser melhor símbolo do sistema inaugurado pelo Secretário Beltrame que já partiu faz muito, na mais clara admissão do fracasso do controle da bandidagem no Rio, iniciado com as fanfarras do morro do Alemão, mas pontuado de forma premonitória com o bando de cerca de trezentos meliantes que naquele dia de hasteamento de bandeira e de festejos mil  saiu do morro e fugiu pela estrada de terra rumo à cidade baixa, sem que lhe fosse oposta a menor ação seja de repressão, contenção ou detenção. Para bom entendedor aquela debandada geral do crime - em carros puxados a cavalos ou burros, e todo o tipo de movente que imaginar-se possa escrevia já u'a mensagem que a mor parte dos assistentes da liberação do Alemão não entendeu - já pressagiava o que viria a ocorrer, seja a reviravolta em favor do statu quo, vale dizer do crime, organizado ou não.
               Agora o Rio, sem verbas e o que é pior, com a sua principal corporação de combate ao crime acuada e desmoralizada - há uma obnóxia campanha dos criminosos para a eliminação física dos PMs, e o número de PMs mortos impressiona deveras. Estamos diante de macabra campanha física de eliminação dos PMs, e apesar de tudo, o número continua a crescer.  Com a partida de Beltrame, um honesto homem em uma administração em que paira ainda a sombra do mega-corrupto, já condenado pela Lava-Jato  a dezenas e dezenas de anos de prisão, que é o ex-governador Sérgio Cabral, e sob a insegura liderança do vice-governador Pezão,  a situação do Rio de Janeiro é precária em muitos campos, a ponto do roubo generalizado de cargas de caminhão, conivência de parte do comércio com esse novo "fornecedor", e as crescentes dúvidas e reticências da alternativa da presença militar.
                O Rio, a Cidade-Maravilhosa do passado, virou um enorme campo em que a carantonha do crime se mostra sanhuda e provocante, já que as UPPs que seriam os comandos avançados da lei nas favelas, se transformaram na prática como se fossem esqueletos de uma presença antes temida e organizadora do Estado, hoje sem verba para nada. A PM está retratada nas explicações dadas por seu porta-voz, na tentativa de explicar a vergonhosa omissão na defesa do cidadão e da gente do bem, forçada a refugiar-se como ratos sob a invasão da bandidagem, que age de acordo com a realidade do governo Pezão. Inação do Estado, abandono do cidadão, domínio do crime.
                   Trazer as gloriosas forças armadas para cá, segundo a bula do Ministro da Defesa, mas onde está o comando da autoridade civil ? Para resgatar uma pistola roubada, mega-operação é montada. Mas para impedir que dois bandos de traficantes, que não somam cem pessoas, nem PM, nem Exército estão disponíveis! Quantas milhares de pessoas eles ameaçaram com o seu tiroteio?  Que brutal desrespeito pelos direitos do cidadão, que obedece as leis e que ganha o sustento com o suor de seu rosto, e não com a venda de entorpecentes ?
               Será que ordem pública merece menos atenção que a posse de uma simples pistola?


( Fontes: O Estado de S. Paulo; Rede Globo )

Colcha de Retalhos E 35

                   
Cai o Distritão

       Depois de uma primeira recepção favorável,  o 'Distritão' não foi aprovado pela Câmara, ontem, 19  de setembro, à noite. Foram 238 votos contra e 205 a favor, em uma disputa renhida. Houve, com o passar das ses- sões, uma leitura mais negativa do Distritão,  que favorecia aos deputados mais conhecidos.


Lula é réu pela 7ª vez


        O juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal, aceitou denúncia do  Ministério Público Federal contra o ex-presidente Lula da Silva. O petista é acusado de corrupção passiva na 'venda' da MP 471, de 2009, que prorrogou incentivos fiscais para montadoras. Supostamente, Lula terá participado da ¨venda¨ da medida provisória 471,  que prorrogou os aludidos incentivos fiscais  para montadoras instaladas  nas regiões  Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
             O caso foi revelado pelo Estado em 2015 e investigado na Operação Zelotes.
         Assinale-se que Lula é réu também em outros cinco processos, sendo três na Lava-Jato, um na Zelotes e o outro decorrente da Operação Janus.
         A lista de processos não para aí. Em um sétimo processo, no caso do tríplex do Guarujá,  o ex-presidente Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro.

  
Terremoto no México


         Mais um terremoto ocorre no México - que, aliás, é um país muito marcado por  tremores sísmicos. Desta feita, o abalo foi de 7,1 graus na escala Richter.  O sismo de ontem, que aconteceu por volta do meio-dia, matou cerca de 134 pessoas, sendo 54 delas no estado de Morelos. Por sua vez, em Puebla - cidade próxima da capital - 26 pessoas morreram.
            Já na capital, Ciudad de México, 30 pessoas faleceram. A hora do sismo - cerca de meio-dia - contribui para aumentar o número de mortos em casas e edifícios. Dada a violência desse terremoto cerca de cinquenta prédios ruíram.
            Por sinistra coincidência, o abalo ocorreu  em dia no qual a capital fazia exercício antissísmico, num conjunto de ações feitas para lembrar o mega-terremoto que vitimou cerca de dez mil pessoas em 1985.
            O tremor sismico, e os abalos decorrentes, são fenômenos muito comuns no México, como o autor dessas linhas pode testemunhar.  Nos anos setenta, quando eu e minha família estávamos lotados na capital, os chamados sismos menores eram fenômenos comuns, e por isso não despertavam grande atenção ou maior cuidado.

            Havia então a impressão - de que a população mexicana soía testemunhar - de que os ditos choques podiam ser supostamente minimizados pela circunstância de que o solo de Ciudad de México dispunha de uma espécie de colchão que serviria para alegadamente amortecer os abalos: a capital fora construída em cima do antigo grande lago que ainda reponta em certas áreas metropolitanas. Esse lago, consoante se dizia, "amorteceria" os abalos sísmicos menores. Era essa cantiga que nos ajudava a dormir com a tranquilidade que o dia-a-dia trabalha para reforçar...

               De toda maneira, o meu núcleo familiar, composto de dois adultos e duas crianças, afrontou tais vicissitudes e chegou indene à data de nossa partida para outras paragens.                

                De certo modo, tivemos muita sorte. Na década seguinte, em 1985, cerca de dez mil pessoas morreram por causa de um terremoto na capital da República mexicana.



( Fontes:  O Estado de S. Paulo, O Globo )

Trump na ONU

                              
      O discurso do presidente Trump nas Nações Unidas se caracteriza por dois tipos de reação: os que preveem o que será dito, e tomam a iniciativa de ausentar-se do auditório - como se deu com as missões da Coréia do Norte e do Irã; e os que preferem receber-lhe as polêmicas posições como incitamentos ao diálogo, como o presidente Macron, da França, no que tange ao acordo de Paris sobre o clima. Atitude similar foi tomada pelo secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres. Terá,  outrossim, contribuído para a contida reação do líder Xi Jinping,  da RPC, um telefonema de Trump para o presidente chinês na véspera, como observa o New York Times.
       Como seria de esperar-se - dadas as suas ligações com o Presidente Vladimir Putin - que  Donald Trump tornaria quase um espectro em termos de discrição a sua menção a intervenção da Federação Russa na Ucrânia e, especialmente, a anexação da Criméia,  que foi inclusive objeto de Recomendação da Assembléia Geral das Nações Unidas, eis que estava fora dos limites levar a questão ao Conselho de Segurança, onde a Rússia, com o poder de veto, inviabilizaria qualquer avanço na matéria. É uma pecha para o Itamaraty de Dilma Rousseff, que, por ordem da petista - seja por ideologia, ou ignorância - mandou instruir a delegação do Brasil a apelar para a abstenção nesse grave desrespeito para tratar daquela  brutal intervenção no que tange a um país soberano, membro das Nações Unidas.
          Dentre a quebrada cristaleria internacional pelo Presidente Trump, assinale-se a sua postura positiva no que tange à tentativa de isolamento do Qatar, que está sendo investido por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita e outros países não-exatamente democráticos. Fazendo meia-volta volver em radicais acusações anteriores, Trump e o seu ramo de oliveira para o Emir do Qatar, o xeque Tamim bin Hamad al-Thani, foi por este último muito bem recebido: "temos um problema com nossos vizinhos, e a sua intervenção ajudará bastante, e estou certo que encontraremos uma solução para esse problema."

          Por fim, o discurso do Brasil foi pronunciado pelo presidente Michel Temer. A diplomacia do Itamaraty se tem agarrado com pluri-decenal coerência à circunstância de uma praxe que data dos tempos da ântiga ONU, sediada em Lake Success, antes que fosse elevada a atual sede das Nações Unidas, de que participou o gênio de Oscar Niemeyer e o pincel de Portinari.  O mundo então lá representado era muito menor - consequência, entre outras, da permanência do colonialismo - e o Brasil, naquela época pré-fundação das Nações Unidas foi considerado favorito para um lugar no Conselho de Segurança, como membro permanente. A morte de F.D. Roosevelt foi o golpe inesperado, que nos alijou da disputa.
         O ponto que creio oportuno salientar é que semelha altamente discutível que o Brasil se apegue a ocas tradições - como a de abrir o debate  na AGNU de maneira formal, e sem maior repercussão na imprensa internacional. Se quisermos influenciar o debate internacional, não basta, a meu juízo, valermo-nos dessa primazia protocolar. Para que os discursos sejam ouvidos, é preciso que levantem questões que justifiquem tal atenção. Como não podemos concorrer - pelo menos por ora - com a Superpotência, não seria derrotismo se nos conscientizássemos que há duas opções se desejamos aferrar-nos a tal privilégio protocolar: ou levantamos questões que realmente mereçam a atenção desse simpósio mundial, ou aceitemos a realidade post-discurso: a total falta de referência pela mídia. Se sentíamos no     passado desconforto diante de visões provincianas ou distorcidas da realidade mundial, não creio que  a saída esteja em apegar-nos a privilégio que é rotineiramente esvaziado a cada edição da solenidade.



(Fontes: The New York Times, Emb. Miguel Álvaro Ozório de Almeida)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Crise do Rio de Janeiro

                              

       A crise do Rio de Janeiro é muito mais profunda de o que noticia a imprensa. Não se estaria longe da verdade se se declarasse, para início de discussão, que a tal crise é, em verdade, a decorrência da perda de relevância política do Rio de Janeiro, em função da transferência da capital da República.
       Ora, direis, que seria ir bastante longe no passado para tentar justificar as causas do problema que, quer queiram, quer não, existe e pelo tamanho e a maneira com que vem sendo supostamente tratado, mais o agravam, do que propriamente o enfrentam de modo sério, e que de alguma forma visualize a respectiva solução.
        O Rio de Janeiro estava habituado aos séculos em que abrigou a capital do Brasil, seja da colônia, do Reino e do Império, nas sucessivas designações que, em realidade, apenas assinalavam uma única situação, que, malgrado a dança dos regimes, não mudava substancialmente, eis que, em torno da Baía de Guanabara, se aconchegavam os poderes da Colônia, do Reino e afinal do Império do Brasil, para não falar da sobrevida ganha com a proclamação da República, que nos arrancou o status de única democracia nas Américas do Sul, segundo a memorável frase de personalidade portenha.
          Se a Independência fora proclamada perto do riacho do Ipiranga, por alguém a que não faltaram os títulos de legitimidade exigidos, e que com a correção do século exigira ritualmente dos partícipes que se vissem livres das cores ora tornadas estrangeiras, já a República cai no prosaico, pois o cabeça do movimento - de volta ao Rio de Janeiro, depois que o então Chefe do Gabinete imperial miopemente lhe autorizara o próprio retorno, diante das queixas de clima inóspito e da necessidade de tratamento sob as benesses do clima da Corte - não muito tardaria em levantar o quépi, montado no cavalo da vez, e proclamar o novo regime que acabava, na verdade,  com a única república da América Latina. Não sei se o destino da nação brasileira, a que tantos haviam colaborado - do Bragança, passando pelo Padre Feijó, seguindo pelo condestável do Imperio e os muitos títulos de Caxias, sob o sábio olhar do segundo Imperador - mereceria morrer daquela forma, com ordem unida e pronunciamiento, como se Latino América afinal nos envolvesse.
         O Presidente Juscelino Kubitschek, a quem tive a honra de que presidisse, como era a praxe, a cerimônia da posse no velho Itamaraty da rua Larga, em amplo prédio já construído mais tarde, na República Velha de Mangabeira, e aí coletar, sob os estrugentes aplausos dos pais e da parentada dos então formandos do Instituto Rio Branco, a quem merecera pelo estudo receber a medalha do então chefe da República, em simbólico ouro, de que o público reunido, que correspondia aos próximos dos formandos, bem sabia o que representara em termos de estudo e dedicação aquela simbólica medalha.
          Eram outros tempos. Tive oportunidade,  outrossim, de prestar àquele presidente a devida homenagem, nos tempos difíceis do golpe militar, que como o fascismo, tardaria cerca de vinte anos para partir. Já relatei o bastante sobre as experiências da missa rezada diante do esquife de Juscelino, a caminho da provisória sepultura no Campo da Esperança, naquela capital a que tanto se dedicara.
          Como não há, as mais das vezes,  o bem sem a companhia do mal, tive a honra de assistir, na Catedral de Brasília, a missa de corpo presente do presidente JK, que ali passava no seu caminho para o cemitério da Novacap.
           Se o leitor me segue, não creio que se possa responsabilizar Juscelino pelo drama do Rio de Janeiro. A perda do status de capital, por traumático que foi para a dita Cidade Maravilhosa, surge como inexorável,  e aí estão as velhas estórias dos brasileiros a arranharem as costas e a negar-se a assumir o desafio da mensagem constitucional da transferência da Capital.  É a grande obra desse notável presidente que foi Juscelino. Mas não há trabalho deste porte que não deixe cicatrizes.
           No entanto, forçoso será convir, que o vazio criado pela mudança de capital não pode constituir a eterna desculpa daqueles que ainda choram pelas consequências da magna e hercúlea obra da construção e implantação de Brasília.
            Não podemos ficar eternamente a vagar pelas ruas do Catete, assim como a visitar-lhe o palácio, como se fosse chaga aberta e não uma das inevitáveis cicatrizes do passado.
            Tampouco podemos chorar pela distância dos cofres de Brasília, toda a vez que a crise do Rio de Janeiro volte a levantar a cerviz.
             Infelizmente, se olharmos à volta, nos constrange a maneira com que esse desafio - na imagem do historiador Arnold Toynbee - não está sendo corretamente enfrentado. Embora ainda estejam vivos muitos daqueles que conheceram o Rio capital da República, convenhamos que esse grupo está destinado a desaparecer com uma certa brevidade...
              Por isso, se olharmos o grupelho que ora frequenta o Palácio Tiradentes - que já decerto abrigara grandes personalidades da República e lidara com crises federais - do Palácio Monroe não falo, porque foi destruído no período da ditadura militar - sem querer ofender ninguém e afastando aqueles como Sérgio Cabral a que a Lei e a Lava-Jato já cuidam,  e com a necessária severidade, o problema do Rio se coloca em enfrentar, com seriedade e honestidade, o desafio da gestão da Velhacap.
               Não será através de cambalachos, nem de soluções de afogadilho que se 'resolverá' tal problema. Os aposentados do Rio de Janeiro, e todos aqueles que têm vínculos com esse Estado, exigem respeito de parte das autoridades, respeito esse que igualmente se aplica ao abandono em que está o setor de segurança do Rio de Janeiro.
               Temos visto estranhos fenômenos nesse Rio, antiga Cidade Maravilhosa, que por tantos avatares já passou. A Alerj, esse esquisito acrônimo, deveria ser fanal de esperança e de honestidade para o Rio de Janeiro, e não local onde se concentram salários e vantagens que são indefensáveis a olho nu. Para que as misérias do Rio desapareçam, a Justiça é o caminho, e não as sinecuras sob qualquer luz.  Que a ALERJ seja renovada para futuro melhor, sob a forte claridade da Justiça e da Equanimidade, será acaso formular votos que agridem ao bom-senso? 


( Fonte subsidiária: O Globo )

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A entrevista de Hillary

                    

        Depois do longo silêncio da candidata do Partido Democrata, Hillary R Clinton, sua reaparição na longa entrevista para a CNN dá ao espectador a abertura que ele aguardava faz muito, embora, em muitos casos, sequer tivesse a noção de o que estava perdendo.
        Com o seu domínio das questões e dos tópicos, pela sua maneira incisiva e abrangente ao tratá-los, a imagem da candidata democrata se coloca através de um desenvolvimento natural, dada a sua percepção dos assuntos e das diversas matérias que fornecem a base para o debate, como uma oportunidade não de confundir o Povo americano, mas de tentar ler a campanha de 2016 pelo que ela realmente involuiria para ser: a sua brusca metamorfose final, com a maciça entrada de um poder adversário estrangeiro na campanha - o que jamais acontecera antes - em que o candidato Trump, se favorecido pelo rush final, em que a participação russa entra para confundir o eleitor americano através da desinformação sintonizada através do Wikileaks russo (e a participação de Julian Assange), a desestabilização introduzida por James Comey, do FBI, motivada  pela alegada misoginia desse diretor nomeado por Obama, entre outros fatores.
         Hillary fala igualmente do desprazer que teve com a atitude do concorrente Donald Trump, máxime no segundo debate, em que o republicano literalmente colocou na candidata, tentando tirá-la do sério, o que não conseguiu.
         Outros fatores que prejudicaram sua campanha foi a intervenção de Bernie Sanders nas primárias e de seu discurso opositor, pois, no entender de Hillary, Sanders não é um democrata, mas sistematicamente tentou valer-se desse canal que lhe foi oferecido na fase das primárias.
          Através da entrevista e dos inúmeros tópicos tratados - sem falar da vivência de Hillary na política americana, e na sinceridade com que admite eventuais erros - o telespectador terá a impressão de o que perdeu pelo vitória da coalizão Comey (misoginia), Putin (a primeira intervenção branca na política americana), as falhas do colégio eleitoral, um sistema ultrapassado que deveria ser arquivado,  a sua vitória no voto popular.
                 Hillary não faz nenhuma menção ao silêncio e à inação de Barack Obama. A sua descrição do concorrente é suficiente para mostrar-lhe as colossais deficiências.
                 Não é uma candidata derrotada que vem a público para lamentar-se e enrolar-se nos próprios erros. Sem deixar de admiti-los, ainda que incidentais, Hillary ressurge não só como a democrata que tem uma história atrás dela - sua participação ativa na campanha pró-impeachment de Richard Nixon, mas também com a ativa disposição de encarar os desafios do futuro e os eventuais erros do presente.
                  Em seu livro - What happened (O que aconteceu) - está a história da primeira mulher que concorreu como candidata de um grande partido - o Democrata - e que esteve perto de vencer a barreira tanto do preconceito, quanto das forças que se uniram para enfrentar o seu desafio.
                  Não é pouco que tenha vencido no voto popular, por oito milhões de votos. Como toda precursora, enfrentou o preconceito e as forças do atraso, além da primeira intervenção abusiva e ilegal das novas forças digitais no resultado de uma grande eleição.   


Nota. A matéria acima é retirada da entrevista de Hillary Clinton à CNN, assim como do programa preparado pela própria CNN, com as observações da candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos. A contribuição de minha parte teria decerto ganho em abrangência e nas referências aos diversos tópicos, se o livro What Happenned, de Hillary já me houvesse chegado às mãos, como antes era rotina da Amazon, com relação à qualquer compra naquela grande empresa livresca. No entanto, por causa do passado episódio dos roubos de diversos produtos (inclusive livros!) pelos meliantes no Rio de Janeiro, a antes rápida Amazon  submeteu a remessa dos livros a rotina bem mais lenta, a tal ponto que até a presente data nada recebi da Amazon (antes as encomendas chegavam em 24/48 hs. É de lamentar-se essa ulterior queda na qualidade de vida carioca, embora pelo tempo decorrido a Amazon tarde demasiado em entregar volumes já pagos por seus fregueses ).

Ainda o gol de braço

                              

        A "vitória" do Corinthians sobre o Vasco da Gama, na Arena Corinthians (Itaquerão), com um gol de braço do atacante Jô, validado  vergonhosamente pelo árbitro Elmo Alves Resende Cunha (de Goiás), mostra não só os padrões éticos do futebol como é jogado no Brasil, mas também rasga e abertamente o cinismo do atacante do Corinthians, que ri satisfeito com o fato de a arbitragem haver validado o tal "gol". Não sei se a enésima e calamitosa gestão do Sr. Eurico Miranda fará algo, mas é mais do que tempo de tomar atitude e não agachar-se uma vez mais diante da "sorte" do Corinthians.
          Não é muito popular a relembrança, mas outra calamitosa presidência do CRVG, a de Roberto 'dito Dinamite', terá encontrado contra os estranhos apoios e mais estranhos ainda eventos favoráveis ao Corinthians naquele campeonato anterior em que o Vasto foi roubando por uma aliança de poderes inconfessáveis, para tornar possível que a sua liderança em pontos fosse 'comida' por uma série pontual de enganos de arbitragem. Somente a estranha pasmaceira do dito presidente 'Dinamite' permitiria que o Corinthians com a ajuda pontual dos órgãos competentes - todos eles sediados na Paulicéia - fosse comendo a vantagem em pontos do CRVG no campeonato brasileiro. 
           E qual foi a resposta desse Senhor dito Dinamite? Organizar uma espécie de exposição em que se aludia aos diversos lances em que  a liderança do campeonato brasileiro foi roubada ao Vasco e depositada... no colo do Corinthians.  E não é que este senhor, ao invés de agir com a oportunidade e a energia que a dita conspiração pró-Corinthians havia aprontado, e assim criar condições para que fosse premiado quem realmente era o melhor time daquele campeonato, achou "mais elegante" montar essa patética exposição em São Januário sobre o suposto "campeão moral". 
            Não ouso querer determinar qual foi a razão principal para que o então presidente do CRVG, Roberto Dinamite, pensasse que seria "mais elegante" montar a tal exposição, ao invés de protestar pelos meios cabíveis e ao  seu tempo devido, fazendo valer os mecanismos legais para que fosse salvaguardado um lídimo direito, conquistado no campo e não em mutretas de federação, quanto a quem era o legítimo campeão brasileiro daquele ano.
             Com paredros como esses - e o que tem feito o Sr. Eurico Miranda o recomenda também para um imediato afastamento - não há assunto que ajude.
              Gostaria de saber o que será feito para protestar contra mais esse esbulho. É um verdadeiro escárnio que tragam um juiz de Goiás para validar esse gol de Jô. Mas muito me surpreenderia que esse acinte seja corrigido. A revolta do goleiro Martin Silva - que é titular da Seleção Uruguaia - é compreensível. E aquela velha pergunta - sempre irrespondida - que país é esse que acintes e vergonhas como essas passam por gols legítimos. Como disse, no Congresso dos Estados Unidos, o procurador militar Joseph Welch, diante de um dos últimos ultrajes cometidos pelo demagogo Joe McCarthy:"será o que o senhor não tem nenhum sentido da decência?"
                  Mal sabia o demagogo que a sua hora soava naquele momento. O reino das mentiras de Joseph McCarthy terminaria naquela audiência, diante da serena coragem de um então desconhecido auditor.
                   E quando a fraqueza de dirigentes como Eurico Miranda - que tem sido verdadeira calamidade para o Vasco da Gama - poderá sair, para que tal palhaçada e deslavada roubalheira continuem a ser aceitas, acintosamente permanecendo, como se as regras mais comezinhas não valessem para o Corinthians?  Será que não há Justiça desportiva nesta terra?



( Fontes:  O  Estado de S. Paulo; audiências do Congresso americano )

domingo, 17 de setembro de 2017

Colcha de Retalhos E 34

                              

Problema só de juízes?

       Não tenho hábito de assistir a jogos de futebol, mas por vezes é difícil calar sobre o nível da arbitragem neste Brasileirão, e a estranha coincidencia que os erros mais calamitosos costumam ser sempre a favor do team de casa, e ainda mais se for paulista.
       Não é que o Corinthians no Itaquerão pregou no Vasco brincadeira de sumo mau-gosto, validada por sua Senhoria de turno, de que gol de braço também vale?    
      Não sei de mais detalhes desse jogo - nem na verdade quero saber - mas parece que lá na Paulicéia se armou uma nova brincadeira contra times cariocas... Gol de braço - e que teria decidido a partida - também vale!
       E durma-se com um barulho desses...

Atentado do ISIS em Londres

      Lembram-se de Theresa May, a Primeira Ministra inglesa, que não faz muito tempo passeou de maozinhas dada com o visitante Donald Trump? Pois não que ficou uma onça com os comentários do Presidente americano  no Tweet sobre a suposta falta de cuidado da Scotland Yard e o escambau, o que teria permitido o último atentado no metrô de Londres ?
       Não tenho procuração de Mrs May para defender a Scotland Yard, mas entendo a sua raiva diante das observações negativas do presidente estadunidense, com a habitual leviandade de Mr Trump que não está nem aí para as consequências de o que diz no twitter...


( Fontes: Terra; CNN )