sexta-feira, 7 de julho de 2017

Reunião de Trump e Putin

                               
      O primeiro encontro entre os Presidentes do EUA e da Rússia realizou-se na sexta-feira e durou duas horas e quinze minutos. Trump resolveu à última hora levantar a questão da interferência russa na eleição americana. Putin negou qualquer ingerência na eleição, e nesse sentido pediu que lhe fossem apresentadas provas. 
        A maior parte do tempo foi dedicada à questão da Síria. Os Estados Unidos e a Rússia concordaram em acertar um cessar-fogo em área restrita, no sudoeste da Síria, iniciando-se no domingo. Tal iniciativa seria o último esforço por representantes dos EUA e da Rússia para facilitar um acordo que ponha fim à guerra civil na Síria, que perdura há seis anos.
         Funcionários da Administração Trump revelaram que Trump e Putin discutiriam a idéia de associar-se para estabelecer safe zones (zonas seguras) na Síria, como parte de seus esforços de encetar uma nova era de cooperação com Moscou. (A notícia foi antecipada pela A.P. e confirmada por membro sênior da delegação americana, sob condição de anonimato).
         Lavrov, o ministro do exterior russo, falou sobre o cessar-fogo, mais tarde, em Hamburgo. Esse cessar-fogo ocorreria da meia-noite ao meio dia, hora local, no domingo, nas áreas de Daraa, Quneitra e Sweida. Inicialmente, a segurança desta zona específica será garantida pelas forças da Polícia militar russa, em coordenação com americanos e jordanianos.
         Este acordo é o primeiro sinal de desenvolvimento concreto do encontro entre Trump e Putin. A reunião durou mais de duas horas. Uma leitura ou sumário dos tópicos discutidos não ficou de imediato disponível.
          Apenas seis pessoas participaram da reunião: Mr Donald J. Trump e seu Secretário de Estado, Rex W. Tillerson; gospodin Vladimir V. Putin e seu Ministro do Exterior, Sergei V. Lavrov; e dois intérpretes.  A delegação russa, em verdade, se terá esforçado em incluir diversos outros membros no encontro, mas a representação americana insistiu em que a reunião fosse mantida restrita, para evitar vazamentos e descrições alternativas mais tarde, de acordo com versão de funcionário estadunidense.
          

Nota do autor do Blog.

           Com a eleição de Donald Trump, a Rússia de Vladimir Putin obteve  avanço indiscutível em termos de precedência política. Não devemos esquecer que não faz muito, por força de escorregadelas de gospodin Putin, o presidente americano Barack H. Obama lhe disse que a Rússia era um "poder continental".
         Tenha havido ou não interferência russa nas eleições americanas e na consequente derrota de Hillary Clinton, a candidata do Partido Democrata, contra quem Putin guardava um velho rancor (old beef),[1] não há negar que as relações entre Washington e Moscou estão agora em outro nível. Assinale-se que na reunião do G-20, os dois líderes realizam um encontro de cúpula, que precede as demais conversações desse grupo...
            Por outro lado, parece necessário sublinhar que a inclusão de Daraa, no sul da Síria, entre as localidades partícipes do cessar-fogo não terá sido feita sem intúito simbólico. É bom não esquecer que os primeiros sinais do conflito surgiram em Daraa. Terá sido a sistemática postura do ditador Bashar al-Assad de ignorar tais demonstrações de protesto que terá contribuído para que esse conflito se estendesse a toda a Síria, com um número de mortos que deveria ser respeitado,  com mais de seis anos de duração, em que provocou impressionante número de refugiados (quem esquecerá a foto do garoto de três anos afogado em praia da Turquia, por força do naufrágio da precária embarcação que tentava levar a sua família para a segurança da Grécia e do continente europeu?)
              Pois, seria bom não esquecer que a guerra civil terminou com Assad no poder e Putin na comissão das potências garantes, juntamente com os Estados Unidos de seu amigo Trump,  pelo pontual apoio (muito bem pago) de Putin a Assad, que o visitou em Canossa, i.e., Moscou, no Kremlin, onde se acertou as condições de sua manutenção no poder. E, também, por último, seria bom que não se esquecesse que se Assad e Putin (não necessariamente nesta ordem) terminam entre os vencedores, uma poderosa razão determinante está na negativa de Barack Obama de ajudar e rearmar o campo rebelde na Síria, apesar de instado por Hillary Clinton, então Secretária de Estado americana, e por todos os chefes dos principais departamentos americanos com responsabilidade no conflito sírio.

( Fontes: The New York Times; e o blog de MMA )           
 



[1] Indicação dada em entrevista pós-eleitoral pela candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, segundo a qual a então Secretária de Estado teria contribuído para que houvessem protestos em Moscou a respeito de alegada interferência em favor de Putin em pleito realizado na Rússia. Seria tal interferência de Hillary como Secretária de Estado que teria provocado o rancor do presidente russo.

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