sexta-feira, 28 de julho de 2017

A vez e a hora de Bendine

                        
        Faz tempo, como nos lembra Miriam Leitão, que Dilma Rousseff, com a mendacidade habitual, indicou Aldemir Bendine para "botar ordem" na Petrobrás, ao invés manteve o esquema.
         Os investigadores disseram ter provas contra Bendine e o publicitário André Gustavo Vieira, também preso pela Lava-Jato e que seria o intermediário da propina.
          Bendine foi preso ontem após a descoberta de que teria recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht, já quando ocupava o cargo deixado por Graça Foster.
           Aldemir Bendine foi o alvo principal da 42ª fase da Operação Lava-Jato, que como apontado acima prendeu igualmente  André Gustavo Vieira, havido como o operador responsável pelo repasse milionário da empreiteira para o ex-presidente da Petrobrás.

          Bendine foi ontem levado de carro do interior paulista para a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde dividirá espaço com Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa que abastecia o esquema do ex-executivo  na companhia.
            Na chamada Operação Cobra (apelido do ex-executivo ) a Justiça expediu, a pedido da Força Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, três mandados de prisão temporária - o ulterior preso foi Antônio Carlos Vieira, irmão de André, enquanto tentava embarcar para Portugal.
             Assinale-se que a relação de Bendine com a Odebrecht se  transformou no maior alvo dos investigadores. Há,segundo a Justiça, evidências de que, numa primeira oportunidade, um pedido de propina no valor de R$ 17 milhões foi realizado por Bedine à época em que era presidente do Banco do Brasil para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht Agroindustrial.
              Há também um ulterior pagamento da Odebrecht de R$ 3 milhões que tinha receio de ser prejudicado na Petrobrás. Tal foi descoberto na Operação Xepa,  que repassou o montante em três 'entregas' de um milhão cada.

               Havia perigo de que Bendine fugisse do país, eis que só dispunha de uma passagem de ida para Portugal, em vôo marcado para amanhã, 29 de julho. Apesar da tentativa do advogado de defesa de Bendine, Pierpaolo Cruz Bottini, de viabilizar a viagem de Bendine, o Juiz Sérgio Moro lembrou da dupla cidadania do ex-presidente da estatal. "Bendine estaria em busca de um banco no exterior, o que pode ser motivado pela intenção de ocultação do produto do crime. Aldemir Bendine ainda tem dupla cidadania, no caso brasileira e italiana, com o que, caso se refugie no exterior, haverá dificuldade para eventual extradição".

              Por fim, os procuradores aproveitaram a nova fase da Operação para criticar a redução dos recursos para investigações. "Preocupa a todos nós o arrefecimento do investimento na Lava-Jato pela direção da Polícia Federal" - sublinhou o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato. No mesmo sentido, se manifestou a colega Jerusa Burmann Viecili: "Há quem fale que as investigações contra a corrupção têm que acabar, mas casos como esse deixam claro que os criminosos não vão parar.  Pregar o fim da Lava-Jato é defender a liberdade para os ladrões do dinheiro público prosseguirem."
               Cabe ainda assinalar o que disse Athayde Ribeiro Costa, procurador da República: "É assustador que encontremos uma pessoa que supostamente foi indicada para a presidência da Petrobrás para estancar a corrupção e tenha praticado crimes nesse sentido."


( Fontes:  O  Globo, Guimarães Rosa )

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