sábado, 26 de janeiro de 2019

O Escândalo da ALERJ


                              
      É assim mesmo, caro leitor.  O título vai em dezesseis e as letras do artigo em tipo catorze, que faz parte do protesto do contribuinte e do morador que pensa se ter passado por tempo demasiado o ledo remanso do pântano dessa Alerj, que não é corrupta de véspera, e a que, por considerável espaço de anos se permitiu quedar à sombra, com a silente autorização de cometer a todos os abusos.
        Já sabia que a Alerj, assembleia de um estado em crise e com muito menor base econômica do que São Paulo - faz tempo que a presidência fugiu do Rio de Janeiro - tivesse, no entanto, orçamento maior do que aquele do congresso estadual paulistano. Isto, além de representar um peso para o estado carioca, colocava a Alerj em limite muito além das reais possibilidades econômicas, se comparada à Assembleia de S. Paulo.
        Terão sido governadores corruptos - como Pezão e o seu notório antecessor, um caso-limite de ladroagem, como foi Sérgio Cabral - que levaram o Rio para esse abismo que a Alerj veio tão bem expressar.
         Mas como é possível minha gente que a presidência da Alerj disponha de 231 cargos? Não há comparação possível com outras casas legislativas.
          A inchação da Alerj reflete, na verdade, um caso-limite de ambiente pró-corrupção. Mesmo se tal não seja o caso - embora a pouca verossimlhança dessa hipótese, a comparação com a Assembleia Legislativa de São Paulo coloca a Alerj em situação muito desconfortável. Trata-se do estado mais importante da Federação, e o gasto da Assembleia de São Paulo, com apenas doze cargos na presidência, a coloca em posição séria e confortável, em flagrante contraste com a Alerj.

( Fonte:  O Globo )

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