terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Bloqueadas as contas da PDVSA


                     
             O governo americano toma medidas para bloquear o acesso do regime Maduro a dinheiro da venda de petróleo pela estatal PDVSA.
            Foram as primeiras sanções diretas de Washington  às rendas da PDVSA, eis que, segundo declarou o Secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, a partir de agora as contas bloqueadas só poderão ser movimentadas  pelo "governo democraticamente eleito da Venezuela".  Conforme Mnuchin US$ 7 bilhões em ativos da estatal foram bloqueados pelos Estados Unidos.
           Nesse sentido,Mnuchin declarou: "Os EUA estão punindo os responsáveis pelo declínio trágico da Venezuela e seguirão usando medidas diplomáticas e econômicas para apoiar o presidente interino Juan Guaidó," declarou o Secretário do Tesouro estadunidense.

            Dentro desse contexto, o presidente-interino Juan Guaidó afirmou que dará início ao processo de nomeação dos novos diretores da PDVSA e da Citgo, a filial americana da empresa venezuelana. Guaidó declarou, outrossim, que o Parlamento venezuelano (no caso, a Assembleia Nacional) assumirá o controle de contas do Estado venezuelano em instituições internacionais.
               Reconhecido por grande parte da comunidade internacional,  máxime no Continente americano, Guaidó pretende com isso ter acesso a recursos financeiros que antes eram controlados pelo presidente Nicolás Maduro.

                Em 2017, segundo o Departamento de Energia, os Estados Unidos compravam diariamente quinhentos mil barris, frente a 1,2 milhão, em 2008. Apesar disso, a Venezuela  ainda é o terceiro ou quarto maior fornecedor de petróleo aos Estados Unidos.
                  A par disso, Caracas ainda tem aliados e clientes importantes que reconhecem Maduro e seu regime, i.e. Rússia, China, India, Turquia e Malásia.  Esses países em tese poderiam absorver os quinhentos mil barris importados diariamente por Tio Sam.
                    No entanto, o problema se agrava para o regime chavista é que sem acesso a bancos europeus e americanos, a logística das exportações fica bastante complicada, para não dizer inviável. Além disso, conforme Russ Dallen, da Caracas Capital, os custos da operação iriam aumentar, porque os portos venezuelanos não estão habilitados a carregar navios para países tão distantes.

                    Não há negar, porém, que é uma estratégia com inegável risco  essa de reconhecer um governo alternativo, fundado em um representante, cujo magnífico isolamento em termos de força governamental - excluído é lógico o potencial do apoio das multidões venezuelanas - mas tampouco se pode negar o risco de segurança para um governo, lídimo é verdade, mas com uma base de proteção tão gritantemente relativa, quanto é a presidência de Juan Guaidó. O próprio artigo relativo ao bloqueio pelos Estados Unidos da América ao acesso do Chavismo a dinheiro procedente da venda do petróleo, reconhece o considerável risco implicado: "A estratégia arriscada e incomum de reconhecer um governo alternativo tem por trás  um objetivo econômico: bloquear o acesso do regime chavista aos recursos do petróleo e aos ativos venezuelanos no exterior, o que traz inúmeras implicações jurídicas e financeiras".
                 As dificuldades de Maduro só tenderão a crescer se a União Europeia também reconhecer o governo da Oposição. Se a sucessora no governo alemão  de Angela Merkel der uma tônica positiva ao apoio a governo democrático na Venezuela, como parece provável, o círculo se estará fechando contra  o regime Maduro, e as suas terríveis consequências para o conjunto da população venezuelana. É o que se pode esperar, ainda que o processo utilizado implique em óbvios riscos, como não se pode deixar de reconhecer.

( Fontes: O Estado de S. Paulo, The Economist )

Nenhum comentário: