domingo, 4 de março de 2018

Surpresa: Merkel Chanceler !


                    
   
        Os militantes da SPD mostraram que têm mais juízo do que a sua delegação ministerial. Com efeito, o tão temido voto da militância apoiou sem maiores restrições a grande coalizão.  Isto já se desenhava no horizonte, e a lenta, burocrática resposta corroborou o que já se previa.

         Há um claro desafio da extrema-direita, a chamada Alternativa para a Alemanha (AfD). A formação do gabinete fica bem mais difícil, com o reforço da anti-imigração AfD, eis que muitos dos partidos antes disponíveis ficam mais temerosos de participar do governo e ... perder em seguida mais cadeiras para a extrema-direita.
          Daí a relutância dos democratas-livres, parceiros habituais no passado da CDU (União Cristã Democrática) e até dos Verdes. É de notar-se que também participa da coalizão o partido-gêmeo da CDU,  a União democrática social, que representa, na prática, a sigla na Baviera, como SDU.

        A CDU e a SPD têm perdido apoio no leste, nos estados da antiga Alemanha Oriental, que ainda não chegaram ao nível econômico da Alemanha Ocidental.  É de esperar-se que a Merkel - ela própria originária da antiga Sowiet Zone - possa ajudar a coalizão a ganhar mais apoio no Leste.
          Com a longa pausa eleitoral - agora afinal resolvida - a militância social-democrata (463 mil membros) sufragou a coalizão com a CDU, com 66%  a favor, em um total de 78% da militância votando. Martin Schulz, o antigo líder da SPD, o vento levou. O novo contra-parte da Merkel é o líder interino da SPD, Olaf Scholz.
          Segundo a afirmação de Frau Merkel e os prognósticos de seus companheiros na CDU-CSU,  a necessidade maior está em focalizar nos temas domésticos, visto que - por decisão sobretudo da Merkel - cerca de um milhão de imigrantes entraram na RFA em anos recentíssimos.

           Nas negociações inter-partidárias, a SPD ficou com três pastas chave - exteriores, trabalho e finanças - mas talvez se esqueça de que Angela Merkel conserva a posição de Chanceler. Um membro importante da Europa - Emmanuel Macron, presidente da França - já lhe bate à porta para discutir o que necessita ser feito para proteger a área do euro.  Outro membro - que não se sabe ainda aonde ficará - e é o Reino Unido, hoje encabeçado por Theresa May, com mãos não tão seguras quanto às da Chanceler - também lhe baterá à porta, acerca do processo do Brexit, que ainda não se sabe como há de terminar...
       

( Fonte:  The New York Times )      

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