quinta-feira, 22 de março de 2018

Marielle Vive !


                    
         De onde está, Marielle Franco há de contemplar com favor e, sobretudo, emoção a enorme efusão popular que o seu bárbaro assassínio provocou, juntamente com o motorista Anderson Gomes.
         Nem sempre é fácil intuir a psicologia das multidões. No entanto, a vida de Marielle, sua disposição para ajudar os mais necessitados, assim como defendê-los em existência que de fácil nada tem, eis a faísca que colheu em cheio a abertura das gentes para expressar a própria condenação da covarde e revoltante eliminação física, que revista na sua preparação, colheu façanhuda o seu covarde, lúrido propósito, que é a expressão hedionda da gente da tocaia, que dentro do horrendo ritual da resfolegante baixeza  arremedam no silêncio da noite suja, arrastando-se no pescoço e nos longos braços o brilho incômodo e luzidio dos anéis da serpente, com seus largos traços que nas cores grosseiras, agressivas,  embaçadas, carregam consigo a maléfica, sinuosa mensagem  que de soslaio se arrasta, trazendo nas cores da traição, o maldito ritual de um crime sem volta nem perdão, qual triste, desprezível matador de aluguel, que segue lentamente, arrastando-se com a lúgubre missão da morte, pois a gente da tocaia mata mais de uma vez, ao mergulhar no ritual do crime, seguindo lentamente como serpente que se acerca da vítima de cada noite, coleante, indistinta e horrenda nos luzidios anéis, enquanto minaz avança nos anéis e nas cores que chocalham agressivas - e que muitos sentem horror ao referi-las.  Não tardará que a gente maldita - que como cobras colocam o ventre estirado na terra áspera -  e só delas  ouvirás os grosseiros riscos que traz o silvo do mal e em se acercando, como que se assusta e se transmuta  em cores agressivas  o silvo súbito e insensível  do mal que se dissimula.
          Marielle, a expressão do bem e do sorriso, não tinha outra ambição senão a de levantar-se pelo próprio Povo. Que grande perigo causaria com a força em favor do bem, a sorridente simpatia, junto com o abraço envolvente que acredita no próprio engenho que a circundante injustiça afasta!  Que ameaça de alegria e coragem tão grande e poderosa ela apresenta, que faz surtarem os poderes desse mal, a ponto de que decidam buscar eliminá-la com a torpe armadilha da morte, a que quais bestas-fera a despejam sobre ela e o próprio companheiro no trabalho?! Por que sentem tanto medo dessa jovem mulher que está junto do Povo e que com ânimo alegre e confiante a mão quão delicada quanto dedicada se empenha em estender à gente carente da faina de cada dia? Por que tanto temem os mensageiros do bem? Por que, ao invés, os mensageiros do mal lhe preparam a torpe armadilha, de que as estúpidas, entranhadas rajadas cuidam de intentar escorraçá-la, e para sempre, como esses estúpidos acreditam possível ?!
            Que bestas-fera têm como protetores, para que montem esse maldito, horrendo e desgraçado atentado? E por que tem dela tanto medo, a ponto de se arrastarem por becos sujos, por vielas escuras, como únicas cegas testemunhas das torpes, estúpidas, entranhadas rajadas que vão despejar, como se temessem qualquer testemunho, mesmo o do mendigo e do infeliz que, também de tocaia, espera a passagem de algum indefeso, para a bolsa antes da vida tirar-lhe. Pois a miséria se acompanhada da solitude é um pátio dos milagres às avessas.  Lá o bom deve estugar o passo, e hás de pensar que a terna criança não passa de isca para o transeunte, e será bom que tais ínvios tugúrios evites, para de ti poupares a inútil queixa-crime diante de entediado comissário, ou fazer a teus parentes a má treta de uma noturna visita ao necrotério.
          Mas voltemos à Marielle, que todas as homenagens merece, porque é bom e justo que quem pagou tão desmesurado e escorchante preço por trazer tanto bem a essa gente que, em silêncio,  sofre para chegar em casa, venha a colher lá de cima homenagens sempre maiores, não porque são oportunas para os políticos, mas por trazerem a leve aragem  que aos pobres conforta na sua dura, pesada transumância de cada dia.   Por que têm tanto medo dela? Por que há gente que a vida pendurou alto e confortável, e, sem embargo, nela despeja gratuitas e boçais ofensas? Por que só  o povo a compreendeu e acorreu multitudinário às praças regurgitando de gente, livres por uma vez dos figurões ausentes que, trêmulos,  buscaram dos palácios as paredes e as torres, enquanto comovidos assistem pela tevê as solenes exéquias de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.   


( Fontes: TV Globo, O Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo )

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