domingo, 18 de março de 2018

Nancy Pelosi


                                                

       Depois do longo inverno do domínio republicano sobre a Casa de Representantes, que em passados decênios representara bastião do Partido Democrata, agora que jovens e menos jovens entrevêem a perspectiva de retorno de Speaker democrata, o New York Times adentra por uma das sendas menos radiosas da política, ao não trepidar em dar voz a grupo de oportunistas mal-conhecidos, que ensaiam os primeiros passos na política, e não hesitam em chafurdar, tangidos por horizontes que crêem promissores, em táticas que sequer podem comparar-se a de seus mais lúridos adversários do Partido de Lincoln.
       Nancy Pelosi é o nome da guardiã de o que restou das bancadas democratas na Câmara, depois de longo, quase infindável inverno, em que, aprovadas as grandes legislações do primeiro biênio do mandato de Barack Obama, a ressaca do Tea Party, a própria jovem administração mais preocupada em realizar seminários na Casa Branca, de que preparar-se para arrostar a reação da direita republicana, tudo isso contribuíu para a onda do GOP lograr a maioria na Câmara de Representantes no seguinte biênio para em breve, num dramático suceder, criar as condições de o gerrymander transformar a alternação democrática dos domínios partidários na Câmara no longo inverno desse gerrymander, que hoje pela própria erosão dos decênios afinal acena a desaparecer, para maior brilho da política americana, que deve viver da realidade diuturna e não das cantigas de ninar das eleições trucadas por este soez artificio do Massachusetts do século dezenove. 
         Que agora se venha, nas fileiras democratas, ao tentar livrar-se da guia segura dos tempos cinzentos, nas lutas por vezes árduas contra a então perene maioria do GOP, inchada pelos maus ventos de distritos desenhados pela antipolítica, e que Paul Ryan deva passar o martelo para quem represente a nova maioria, será esta a hora de andar com uma lanterna à procura de líder democrata, quanto se tem pela frente  aquela que conduziu as hostes do partido de Franklin Delano Roosevelt e de Barack Obama, durante o longo inverno republicano, Nancy Pelosi ?
         Não é através da fraqueza e de práticas sopradas pelas hostes adversárias que se ignora a figura da timoneira das horas difíceis da longa, inelutável  minoria ?  Não serão novatos, mal saídos da primeira refrega, que agora venham ignorar a boa pastora, com recados soprados por gente que sequer colocou um sufrágio por essa líder respeitada e respeitável, ao cabo do longo inverno da democracia, em favor de líder, ontem forjado, e que tangido pela própria ambição tem pressa de atender a quem menos títulos dispõe para recomendá-la, i.e.  seus adversários, que lhe conhecem e temem a têmpera, a experiência e a firmeza?

( Fonte: The New York Times )

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