terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A longa ficha de Cristiane Brasil

                              

         Cristiane Brasil, deputada federal pelo PTB, e filha de Roberto Jefferson, que no passado integrara a chamada tropa de choque de Collor,  vem tendo a posse impedida no Ministério do Trabalho, para a qual foi nomeada pelo Presidente Michel Temer, por uma série de decisões liminares de juízes, acionados por advogados trabalhistas.
         Cristiane divulgou, ontem, segunda-feira,  nota pela qual declara estar sofrendo uma "campanha difamatória", que busca impedir - e o tem até agora - a sua posse no Ministério do Trabalho.  Segundo Cristiane, ela tem "a ficha limpa" e reclamou pelo fato, segundo ela, de estar sendo "julgada política e não juridicamente".
          Assinale-se, a propósito, que desde que foi confirmado o nome de Cristiane Brasil pelo presidente Michel Temer, um grupo de advogados trabalhistas busca impedir a posse da deputada com ações na Justiça. A sequência de decisões desfavoráveis levou parlamentares do PTB a cogitarem outra indicação para o Ministério do Trabalho.
           Não tem ajudado a posse de Cristiane Brasil várias circunstâncias que deporiam contra a sua investidura.  Assim, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio vai analisar se houve coação de servidores da Prefeitura do Rio na fala de Cristiane, durante a campanha eleitoral de 2014, quando ela era secretária municipal.  Em reunião, perante servidores da Secretaria Especial de Envelhecimento da Prefeitura, da qual ela era a titular, declarou, que se ela não se elegesse os servidores perderiam o emprego  "no outro dia".
             As declarações polêmicas da filha de Roberto Jefferson não páram por aí.
         
        Segundo o Estado de S. Paulo, desde 2010 Cristiane é investigada por associação ao tráfico. Segundo o inquérito, que depois de passar pela Polícia Civil do Rio, e remetido ao MP estadual e depois à Procuradoria Geral da República - Cristiane e assessores  participaram  de suposto acerto com traficantes de Cavalcanti,  na Zona Norte do Rio. O objetivo? garantir que apenas o candidato a deputado estadual Marcus Vinicius  (PTB) pudesse fazer campanha na região. Por outro lado,  O Globo mostra que Cristiane foi a candidata mais votada para a Câmara nas seções eleitorais  de Cavalcanti.
             Foi a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, quem proferiu a última decisão desfavorável ao governo Temer e à sua indicada para o Ministério do Trabalho.  Com efeito, na madrugada de 22 de janeiro último,  horas antes da posse  de Cristiane, Cármen Lúcia suspendeu temporariamente o ato para analisar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia permitido que a deputada em tela fosse empossada. 
               Mesmo nessas circunstâncias - e conhecida já a disposição de parlamentares do PTB a cogitarem de outra indicação para o Ministério do Trabalho - a presidência da república preferiu manter a estratégia de aguardar a decisão da Presidente do STF sobre a posse. No caso, o discurso é que, no caso em tela, o importante não é o nome indicado para o cargo, mas sim a prerrogativa do Presidente da República de nomear seus ministros. Segundo um interlocutor direto do governo, "o centro da questão é política e não de Direito".
                  O próprio pai, Roberto Jefferson, declarou que bancada apóia sim, a nomeação da parlamentar, apesar de vários deputados terem ressaltado nos últimos dias que estão preocupados com o desgaste  para o partido.
                  Já para o ex-deputado, condenado no Mensalão,  a nomeação da filha como ministra do Trabalho está "nas mãos de Deus".  E acrescentou para o Globo:  "Não falo mais neste assunto".


( Fontes:  O Globo;  O Estado de S. Paulo )

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