domingo, 21 de janeiro de 2018

O futuro pertence à Hillary?

                                         

       A pergunta pode parecer um pouco fora de propósito,  com pitadas ou de humorismo, ou de insensatez.
        Mas não é nada disso.
         Está aí o indefectível  Donald  Trump, a questionar-nos, com a sua expressão  quase estólida,  na verdade um tanto sobre o imbecil, e dizer-nos de cambulhada que está tudo decidido, que tudo irá, senhora marquesa, no melhor dos mundos, e que o destino de Hillary Clinton é a cadeia.
         Se parássemos um instante, e déssemos razão a este senhor que, malgrado o esforço por ele feito, não consegue mostrar, seja inteligência, seja uma visão séria do futuro que promete à sociedade americana.Talvez  nos envolvesse  perturbadora  suspicácia - será que estamos ficando como ele?
         Depois, damos um passo atrás  -  e quem não o deu, e por isso agradeceu à entidade na qual acredita?
         Seguir os fanfarrões, os que prometem mundos e fundos, a razão, essa chata, costuma mostrar-nos que melhor seria não imitá-los e, ainda mais, não lhes dar crédito.
         Tampouco é aconselhável seguir os passos de quem o fel cultiva, ou a inveja. Desfazer de um perdedor ou perdedora, é coisa fácil. Além disso, terás o apoio de Maria vai com as outras, aquelas que pensam reforçar o negativo ao engrossar a turma que se associa aos ganhadores, pensando mandar ainda mais para baixo quem perdeu.
          É, no entanto,  uma via perigosa esta, a de acorrer, e com pressa,  a  quem  já  ganhou.
          Pensando mais nos outros, do que no próprio sentimento, como evitar não passar a imagem de oportunista. Impressão tão terrível quanto estúpida, a de mostrar o que realmente é,  alguém sem personalidade e sem ideias na cabeça, pronta a aderir, e não pelo que pode trazer de bom, mas apenas ao vencedor de turno.
           Assim agindo, mostras não só o que és, mas também o quão pobre é a tua escolha.
            Como o adesismo não é programa de governo, mas uma tábua nua, ele mostra a diferença entre presente e futuro.  Mais do mesmo, com pitadas de futuro esturricado, o que teremos é a caricatura do status quo, um cruel embuste que junto com a peçonha tem muito pouco a mostrar.
             Mas falar mal de quem perde será fácil, por mais que tal futuro traga sempre a imagem retorcida no maligno, sem gota sequer de boa vontade.

            

( Fonte: artigos sobre Hillary no New York Times: tanto o negativo, por Amy Chozick,  HC ignited a Feminist Movement by Losing; quanto o positivo, este escrito por Gail Collins: Hillary Lost, but the future is hers.)

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