domingo, 8 de outubro de 2017

Trump deve cooperar com Robert Mueller?

                       
        Enquanto a Administração Trump vê passar o tempo, qual deveria ser o seu comportamento?
        Há parte de sua equipe advocatícia que recomenda justamente essa tática. Deixar passar o tempo, mas ao invés de antagonizar o Conselheiro Especial Robert Mueller III, buscar cooperar com ele.
         O escopo refletiria uma mudança de estratégia. A cooperação com o Conselheiro Especial partiria da premissa de que o Presidente Donald Trump nada tem a esconder, e, portanto, está no seu interesse demonstrar que ele nada tem a ver com as delituosas operações das forças sob as ordens de gospodin Putin (hacking das comunicações do Partido Democrata  e outras intervenções diretas no processo eleitoral americano).
         Se o Conselheiro Especial aceitar tal postura, a situação do Presidente melhoraria bastante, eis que ficaria livre da nuvem de suspeitas que ora recai sobre ele. Esta é basicamente a posição de Ty Cobb, o advogado da Casa Branca que se ocupa da resposta à investigação de Mr Mueller.
          No campo da defesa do Presidente, Donald F. McGahn II expressa posição  de moderada discordância quanto a esta tática. No seu entender, produção excessiva de documentos poderia criar mau precedente para o futuro,  e recorda no contexto a situação de seu antecessor, o democrata Bill Clinton, com um Conselheiro especial a azucriná-lo, i.e. o implacável Kenneth Starr. Como se sabe, com o escândalo de Monica Lewinski, o presidente Clinton só escaparia do impeachment pela votação no Senado.
          Quanto ao rumo futuro de atuação do Conselheiro especial Robert Mueller, ainda subexistem muitas dúvidas.  Com uma dupla investigação em curso, iria contra a boa estratégia a ser seguida que se exonere o presidente Trump de forma antecipada. Na realidade, dois ex-assessores de Mr. Trump - Paul J. Manafort e Michael T. Flynn - estão sendo investigados pelo Conselheiro Especial. 
            Se Manafort e/ou Flynn decidirem cooperar com a investigação, as coisas poderiam mudar para o Presidente. No entanto, subsistem ainda muitos se para determinar como a avaliação do Conselheiro Especial possa evoluir, diante de novos dados, que podem contribuir tanto para inocentar Trump, quanto para eventualmente criar-lhe dificuldades adicionais.


( Fonte: The New York Times )

Nenhum comentário: