segunda-feira, 28 de maio de 2018

Decadência do Vasco da Gama ?


                                            

       Tenho para mim que a decadência do Clube de Regatas Vasco da Gama  acentuou-se nos anos finais do século XX. Ao contrário de outros times cariocas - e o primeiro que me vem à lembrança é o tradicional rival do time da Colina - o CRVG sofreu por um longo período sob a direção de Eurico Miranda, um senhor que se diz vascaíno, mas cujas atitudes são de molde a que sejamos forçados a duvidar da pujança desse sentimento.
        Atualmente, depois da chamada questão da urna eleitoral, a direção pode estar em outras mãos, porém tenho minhas sinceras dúvidas quanto a uma real mudança de atitude quanto à orientação da atual presidência do clube.
        Provocou revolta na torcida, não só a rapidez, mas a falta de qualquer transparência no episódio  - que vem constituindo uma triste, melancólica tradição no Vasco da Gama - em que o novel presidente do clube, Alexandre Campello, de uma forma para lá de estranha, incompreensível mesmo, se desvencilhou do seu melhor valor, ao cabo de venda que chocou a torcida, tanto pela respectiva celeridade, quanto pela falta de qualquer debate ou análise dentro do clube sobre esta compulsão da direção de um clube de livrar-se tão logo quanto possível do seu melhor (e mais promissor ) valor, como se o Vasco tenha de conformar-se com a circunstância de ser um time no limite, sempre ameaçado - e faz tempo que isso ocorre - em cair para a Segundona, pela falta de qualidade técnica de boa parte de seu conjunto.   
          Não é de hoje que a orientação de Eurico Miranda e de sua turma - como a do atual Senhor Campello - é a de desvencilhar-se dos eventuais valores que crescem em São Januário.  Creio que a expressão mais correta seria compulsão -  o chefe da diretoria quer livrar-se logo do principal valor que apareça em condições de ser mandado para fora de São Januário e o mais rapido que for possível, em termos de ser vendido - na verdade, a palavra é outra, despachado para a Europa muito antes que se tenha firmado o respectivo valor, mas já na fase em que os olheiros reconhecem a potencialidade de um futuro craque.  Como o jogador é vendido cedo, na prática queimado em cotação muito abaixo da que recolheria se fosse posto no mercado mais tarde, quando já estivesse formado o craque e a respectiva qualidade no campo, em termos de valor.
          Quantos jogadores saíram do CRVG como simples promessas, vendido em geral às pressas, como se temessem a pressão da torcida, aquela que se verificou no último jogador vendido em tais condições, como simples projeto, e que provocou, creio eu por primeira vez, a revolta da torcida, por essa posição que pode ter uma dupla interpretação,  ou um jovem valor que recém desponta é logo queimado pela direção que deseja vendê-lo  para o mercado europeu por cotação ainda baixa em respeito à sua potencialidade, mas que já esteja nos parâmetros da direção, de modo que a perda para o plantel do clube possa ser mascarada de uma certa forma.
             Como definiríamos essa atitude senão a de uma direção de clube de segunda ordem, de timinho, que não tem qualquer ambição com relação à grandeza do próprio clube, e que dá a impressão de cuidar unicamente de seus próprios interesses, através de transações a que falta a transparência que caberia no caso. Pode ser até que as direções clubísticas não tenham esse sentimento, mas então porque tanta pressa em desfazer-se de alguém que pinta como um grande valor? Pois o que estranha no Vasco da Gama de hoje é a compulsão da diretoria - e isso se deve, sobretudo, ao prisma inserido no clube pelo que muitos consideram seu grande benemérito Eurico Miranda - de digamos livrar-se o mais rápido do craque em potencial, repassando-o para algum team europeu. Se não é por motivos venais,  fica difícil entender que sejam tão burros a correr desse jeito para vender logo o grande valor potencial.
             Para que essa síndrome de timinho, como se viu na venda às carreiras de mais um valor saído da incubadeira do clube,  com tal pressa que só pode despertar a revolta da torcida?
             Pois essa torcida, se tal prática de vender, ou talvez melhor, torrar o grande valor potencial sem maior tardança, como se o clube deva ter o destino de uma agremiação pequena e que não possa ter em suas fileiras um grande valor, um grande craque, como estávamos nós os torcedores da velha guarda vascaína habituados no passado.
             Qual será o modelo que essa turma se prefigura? Que dizer São Cristóvão? não, não é piada, porque o velho São Cristóvão e quem não terá passado perto do seu antigo campo, na área da Central do Brasil? E, no entanto, acreditem, não o salvou o Rum Creosotado, como dizia o velho anúncio na rádio, mas a sua conquista, no ano da independência, do Campeonato Carioca!
             E de minha parte, quando entrei, ainda bastante jovem, para a torcida vascaína,  foi nos tempos de Flávio Costa, como técnico, e naquela época o CRVG, além de ser a base da seleção canarinho, ganharia invicto o campeonato carioca (naqueles anos, em  termos de futebol, só havia para valer Rio e São Paulo).
             Vejam qual foi o resultado da política de vendas da nova direção. Gostaria de saber  o que o novo presidente  Campello está achando da equipe. Como está vendo o time, outra vez caindo para a rabeira do Campeonato Nacional ?
             Viramos fregueses agora do futebol baiano?                                      (a continuar)
 

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