sábado, 5 de maio de 2018

Colcha de Retalhos F 22


                                

Escândalo adia Nobel

       O aguardado anúncio do Prêmio Nobel de Literatura não será feito neste ano.  É desenvolvimento inédito (tal não ocorria desde 1943 - quando havia uma guerra mundial em curso).
             O motivo desta feita será bem menos grave. A crise foi causada por um escândalo sexual que envolve ao marido de uma integrante do júri.  Em função da confusão, sete dos dezoito membros da Academia resolveram renunciar.

            Não é mistério para ninguém que o mundo vive época de escândalos sexuais.  Na Academia, a turbulência irrompeu em novembro último, em meio à onda de denúncias de agressões sexuais nos Estados Unidos e na Europa. A propósito, reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter trouxe à tona depoimentos de 18 mulheres da sociedade sueca que relatavam casos de assédio ou de violência sexual - inclusive estupros - cometidos por um agente cultural, o francês Jean-Claude Arnault.
                Diretor do Centro Cultural Forum, instituição reputada pela intelectualidade sueca, agora fechada, Arnault é casado com Katarina Frostenson, acadêmica e jurada do Nobel de Literatura.  Frostenson está entre os sete membros que pediram afastamento de suas atividades após o escândalo.  Investigação foi aberta pelo Ministério Público Criminal de Estocolmo, em março deste ano, mas o caso acabou sendo arquivado, por prescrição dos crimes relatados pelas testemunhas, que datavam de 2013 e 2015.

                  Com vistas à normalização, a figura de Arnault apresentava um problema - além dos que terá criado - pela circunstância de ser laureado com a Medalha da Ordem  Real da Estrela Polar, a maior distinção concedida pelo Rei a estrangeiro.  A par disso, o Forum de Arnault recebia subsídios e se beneficiava da proximidade com a Academia Sueca, que, de resto, teria gerenciado mal o caso.  Decorrência disso foi o abalo da credibilidade dos 'imortais' e da instituição criada em 1786 frente à opinião pública sueca.

                  Desde março do ano corrente, se especulava sobre o eventual adiamento do Prêmio Nobel de Literatura de 2018. Afinal, por decisão anunciada ontem, o Prêmio Nobel de 2018 de Literatura será designado e anunciado  simultaneamente com o laureado de 2019.
            Nesse sentido, se promete a realização de reforma "longa e enérgica" da tradicional instituição. Dada a reação diante do escândalo, dos dezoito ditos  "imortais", sete se afastaram. Dessarte, com apenas 11 membros restantes, a Academia fica abaixo do quorum de doze juizes. Dada a lentidão burocrática da instituição,  o tempo para eventual reforma do estatuto não seria bastante para o juízo do laureado de 2018. É a primeira vez, em tempos normais, que o adiamento ocorre.

( Fonte: O Estado de S. Paulo )
                   

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