terça-feira, 20 de novembro de 2018

Prisão de Executivo brasileiro no Japão




                    
                       
             O empresário brasileiro, Carlos Ghosn,  um dos responsáveis pela  união entre a Renault (francesa) e a Nissan (japonesa), foi preso pela polícia japonesa.
                          Segundo consta, Ghosn é acusado de fraudar sua declaração de renda e de usar recursos corporativos para benefício pessoal.
                           Conhecido pela capacidade de cortar custos e recuperar negócios em crise, a acusação contra o executivo brasileiro originou-se de denúncia interna e teve a colaboração da Nissan nos últimos meses.
                            Analistas vêem o caso como uma ameaça à supracitada aliança Renault-Nissan,  firmada há quase vinte anos.
                             O escândalo em apreço ocorre um ano após Ghosn deixar o comando do dia-a-dia das operações da Nissan. Sem embargo, ele se manteve à frente do grupo que reúne as três montadoras, cargo no qual ele havia expresso o desejo de permanecer pelo menos até 2020.
                              Sem embargo, diante da magnitude do ocorrido, a Nissan divulgou nota  pedindo "sinceras desculpas" pelas dificuldades que a investigação causará a acionistas e parceiros.
                               Dentro da mesma linha, a montadora japonesa marcou reunião do conselho para a próxima quinta-feira, na qual será votada a demissão de Ghosn. Nesse sentido, é dada como certa a saída do executivo brasileiro.
                                A apuração das autoridades japonesas envolveu práticas de Ghosn e do executivo estadunidense Greg Kelly. "A investigação mostrou que, por muitos anos,tanto Ghosn quanto Kelly informaram valores de remuneração no relatório de valores mobiliários da Bolsa de Valores de Tóquio, que eram menores do que a quantia real, para reduzir a quantia divulgada da remuneração de Carlos Ghosn", asseverou a Nissan, em comunicado.
                                   Esse aspecto mais lúrido na atuação de Carlos Ghosn, com subdeclaração de valores, se contrapõe à atuação exitosa tanto na França, quanto no Japão do executivo brasileiro. Dessarte, após anos de êxito na França, Ghosn chegou ao Japão com fama de superestrela corporativa. Ele é um dos raros casos de estrangeiro que conseguiu se manter no topo de um grupo japonês. Com efeito, Ghosn ficou tão famoso que sua história de vida passou a ser contada no estilo de estória em quadrinhos.
                                     Contribuíu muito para a projeção de Carlos Ghosn, a circunstância de que, desde 1996, a Renault teve, por seu intermédio, papel fundamental na união com a Nissan, em 1999.  O grupo também inclui a Mitsubishi desde 2016. É de notar-se que juntas as três montadoras venderam 10,8 milhões de unidades em todo o mundo em 2017 -  mais do que o volume individual  de Toyota, Volkswagen e GM.
                                          Na Nissan, Ghosn é creditado por salvar a japonesa do colapso financeiro. Implementou uma série de mudanças na companhia,  incluindo o fechamento de cinco fábricas, com a demissão de 21 mil trabalhadores. Para Ghosn, o mercado global de veículos de passeio estava muito pulverizado. Por isso, ele agregou a Mitsubishi à aliança. Outro breakthrough importante do executivo brasileiro foi o seu investimento em carros elétricos, antes de seus rivais.
                                            É bastante triste o quadro superveniente, em função dos deslizes do executivo brasileiro. Essa prisão teve impacto direto nas ações da francesa Renault, que fecharam em queda de 8,43%  na  Bolsa de Paris. Pela manhã, os papéis chegaram a recuar 13%. A súbita saída de Ghosn deve levantar questões sobre o futuro da aliança por ele moldada, e que se comprometera a consolidar e aprofundar ao longo dos próximos dois anos. "A reação inicial das ações mostra como ele é fundamental nesse processo", disse à Reuters o analista do Citigroup, Raghav Gupta-Chaudhary.
                                               Para inúmeros analistas do mercado, o executivo brasileiro é a "cola" que vem mantendo a aliança coesa.  Nesse contexto, é oportuno lembrar que já houve casos de fusões do setor automotivo que tiveram de ser desfeitas. V. a propósito, o caso da Daimler-Chrysler, que soçobrou em  2007.

( Fonte: O Estado de S. Paulo, caderno de Negócios.)

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