terça-feira, 27 de novembro de 2018

Maduro recua ao aceitar remédios e alimentos da ONU


                                 
              Afinal, a ONU poderá enviar ajuda humanitária à Venezuela. O ditador Maduro se recusara até ontem, pois temia que o auxílio servisse  de pretexto  para intervenção militar no país.
                 Até outubro,  ele ainda temia que a ajuda internacional servisse de pretexto para a entrada dos militares. Por isso, Maduro rejeitava o termo "emergência humanitária.
                 Agora, um pacote inicial de US$ 9,2 milhões será liberado. O dinheiro ficará sob controle das agências internacionais.
                  A crise alimentar e sanitária naquele país resultou no êxodo de três milhões de pessoas, o que é considerado o maior fluxo migratório na história recente da América Latina.  Somente no corrente ano de 2018, cerca de 205 mil  venezuelanos solicitaram refúgio e centenas de milhares atravessam fronteiras como imigrantes.
                   Para as Nações Unidas o fluxo aumentará nos meses vindouros. Somente melhora real nas condições sanitárias e alimentares interromperá o fluxo.  Na semana vindoura, a crise na Venezuela entrará por primeira vez na lista dos programas humanitários divulgados pela ONU. Nessa ocasião, as Nações Unidas lançarão apelo global para crises no Iêmen, Síria, Líbia e outros países, como a Venezuela.  O covarde temor do ditador Maduro de que o auxílio humanitário poderia desestabilizar o próprio mando impediu que muitas pessoas fossem salvas.
                      O programa da Unicef destinará US$ 2,6 milhões para a "recuperação nutricional de crianças com menos de cinco anos, mulheres grávidas ou que esteja amamentando". Nesse sentido, oito Estados venezuelanos serão atendidos.
                       Outro montante, de US$ 1,7 milhão, será destinado ao atendimento de mulheres e meninas, principalmente nos estados de fronteira com Colômbia e Brasil. A maior porção  do dinheiro irá  para a Organização Mundial de Saúde, Essa agência tem US$ 3,6 milhões para dispender no fortalecimento de hospitais, ajudar a pagar salários e comprar medicamentos.
                         É de notar-se  que, consoante fontes ouvidas pelo Estado, as agências internacionais estavam lidando apenas "com os sintomas da crise". Até o presente, elas atuavam tao somente fora dos limites do país - nesse sentido, quarenta entidades têm a- tendido a população que deixou a Venezuela.
                           Nas Nações Unidas, fontes acreditam que esse primeiro passo de ajuda humanitária marque o início de processo que permitirá uma maior presença de entidades nesse país. Jorge Arreaza, ministro do exterior da Venezuela,  durante recente visita a Genebra, indicou que o país não vive uma "emergência humanitária", que "todos tinham acesso à saúde" e não se pejou em garantir que a crise era "manobrada" pelos americanos,  na tentativa de levar Maduro à renúncia.
                                   A Organização Pan-americana de saúde (Opas)  denunciou que um em cada três médicos venezuelanos já deixaram o país e informou o aumento nos  casos de Aids, malária, tuberculose, sarampo, difteria e de outras doenças.
                                     Por exemplo, em 2014 existiam registrados 66,1 mil médicos na Venezuela. Em 2018, 22 mil debandaram.  Segundo a Opas, em mortalidade infantil,o país  regrediu quarenta anos. Os índices de 2017 são equivalentes ao que se registrava na Venezuela em 1977.

( Fonte:  O Estado de S. Paulo )

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