sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Pezão honesto ?


                                              

         Foi o que muita gente pensou no início de sua Administração. Vice de Sérgio Cabral, o ultra-corrupto governador do Rio de Janeiro, que despontara como grande valor do MDB, hoje todos sabem como terminou a carreira do Chefe de Pezão.
           A campanha eleitoral de Pezão para assumir a governança do Estado enfatizou a suposta faceta bonachona do candidato. Apresentava Pezão visitando os pais, em família de classe média sem grandes voos.
            O jeitão de Pezão tratar os eleitores, com seu modo simples, que refletiria não um enfeite, mas a realidade do candidato. Muitos acreditaram.
             Não os incomodou a contradição entre ser vice de um governador havido como um dos grandes solitários valores do MDB - que há muito deixara de ser o partido de Ulysses Guimarães, o paladino da democracia que enfrentara os militares e que desaparecera da cena política, e que virara uma grande frente de medalhões - mas que jogara fora o futuro, embarcando numa louca rota de propinas e de orçamentos de obras públicas inchados (era tempo de Copa do Mundo, com os executivos de uma Fifa corrompida exigindo a transformação dos Estádios, para aparecerem mais modernosos)   .
                Além de desfigurar o Maracanã,  o estádio das multidões da Copa de Cinquenta, construíram muitos outros, para abrigar as chaves da Copa de Setenta. Hoje, quase esqueletos eles restam a lembrar-nos das ilusões do campeonato mundial, como muitos com dimensões fora de qualquer propósito para os respectivos locais, como a Arena das Dunas, e os estádios de Amazonas, Mato Grosso e  mais alguns, sem qualquer proporção para os seus públicos reais, lá estão perdidos nas suas arquibancadas vazias mas sempre modernosas.
                   A campanha eleitoral de Pezão - o vice "honesto" de Sérgio Cabral - deve ser inscrita naquelas modelo pela habilidade e capacidade de ilaquear o eleitorado.  Apresentou-lhe o seu jeito 'povão' e até foi ajudada pela Presidenta Dilma que condoída com os sapatos do vice de Cabral, conseguiu-lhe um par sob medida com o tamanho de acordo com seu apelido.
                     Às vésperas de terminar o mandato, a Lei invadiu-lhe o Palácio, para prendê-lo, pela mesma corrupção que carregara com o seu chefe, desde muito na cadeia, e com as róseas perspectivas da carreira política  no beleléu.
                       Surpresa! Pezão é igual ao chefe condenado! Acusado de desviar quarenta milhões de reais, a ele que mantivera pelos seus dois mandatos o 'esquemão' do chefe Cabral,  e que aumentara, por causa da inflação, o percentual das propinas de 5 para 8%,  a única regalia que os agentes lhe concederam foi ter o seu café da manhã de governador, antes de ser despachado para a cadeia.

( Fonte:  O Globo )

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