quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Brexit ou Volta à estaca zero ?


                                            
       Quis a sorte madrasta que a infeliz jogada do Brexit, aceita pelo Premier David Cameron caísse no colo da Primeiro Ministra Theresa May.
         Alguém com um pouco mais de experiência política, ou talvez de massa cinzenta,  não teria caído neste falso aut-aut, em que se consome desde a partida do criador do desastre a novela do Brexit.
         Há muitos problemas relativos à esse pobre neologismo, que mais em verdade chegou para desarvorar a velha Inglaterra, e submetê-la a meses de incerteza e de falsos caminhos, que era tudo o que não desejavam os prógonos britânicos da antojada reunião ao Continente Europeu.

          Uma vez encetado o referendum sobre a União com Bruxelas, e a indescritível   maneira com que ele foi conduzido: a displicente aceitação por Cameron - que pensara, quiçá, imitar a Tony Blair (cujo também dispensável apelo a mais um referendo sobre a questão obtivera decisão favorável à permanência no Mercado Comum Europeu),  não é que alguém com menor sentido histórico (dos que propugnaram, contra tudo e sobretudo de Gaulle, levar adiante a união necessária e, na verdade, indispensável, para a velha Àlbion) volta a ocupar-se do tema.

           Reacende-se a fogueira das ambições  - e os nomes daqueles que pensam colher preciosos frutos em uma estranha terra-nova, que na verdade é mais velha do que a Sé de Braga - e ressurgem os ávidos gananciosos agentes, que auguram redescobrir na suposta independência política  novas avenidas que lhes conduzam quem sabe ao magnífico isolamento de um retorno aos países de antanho.
            Mas o retrocesso promete mais. Encarrega-se a alguém sem demasiado brilho para conduzir o povo inglês pelas novas-velhas sendas dos descaminhos políticos.

             Rever o avanço da May através das trilhas da separação da União Europeia, é sentir um aperto quanto a tamanha falta de orientação, que, na verdade, apenas repete os erros do próprio antecessor, que, ao dar-se conta, da enormidade do respectivo falso passo, renunciara depressa a Downing Street nº 10 e a todos os descaminhos que uma tal posição de mando sói oferecer a todo aquele que é tangido menos pela capacidade, do que pela confusa ambição aos ambíguos acenos  da chefia do Gabinete de Sua Majestade.

               Alguém poder lograr inserir-se na cadeia de nomeada, que inclui Asquith, Disraeli e Churchill, mas infelizmente sentar-se na dita cadeira, não garante que esse alguém será inebriado pelos mesmos gases de discrição, sentido de oportunidade, e um sopro da eventual grandeza que é a poucos reservada.
               Faz meses que, pelos movimentos no Parlamento e em Downing Street, se vem gritando aos céus, que, com toda a cautela e prudência necessárias, se criem as condições para a magna consulta que entregue a quem de direito a escolha suprema de uma questão pela qual o Povo da velha Britânia -  que, não por acaso, irá incorrer nas consequências  - tem demonstrado, por sem-número de indícios e sinais, de que deseja ardentemente assumi-la com todas as suas consequências.
                  Não é necessário aparelho especial para detectar tal pulsão, que cruza as grandes e pequenas metrópoles dessa vetusta, porém mui importante ilha. Ela se manifesta em toda a parte, por passeatas, por comícios, por discursos e o que mais exista e possa para transmitir humanas aspirações.
                   Não vamos baratear este jogo com consultas a mofinas e desimportantes políticas, que se contorcem pelas dificuldades paroquiais do mau acordo, que seriam de pronto varridas pela decisão, com a coragem e o descortínio que não mais estão em aparência com a necessária disponibilidade, pela qual a relevância do momento continua a clamar.  
                     Entrementes, pensando na sua tacanha maioria, de que careceu ao cabo de outra insensata decisão, a May continua a ser perseguida pelos reclamos de um mofino partido, a União protestante  da Irlanda do Norte, que supostamente da à Primeiro Ministro os votos necessários para guarnecê-la dos ataques que sofre em Westminster, pela própria sobrevivência política.

                    Se a May pensasse grande, enjeitaria as mofinas querelas e reclamos da DUP, e aceitaria entregar a decisão de tal momentosa querela a quem de direito deve ao cabo decidi-la, pois será quem irá sofrer  as eventuais mesquinharias e desacertos.
                      Se Theresa May pensar grande, ela terá a sabedoria de confiar por vez última a decisão dessa questão - se o Reino Unido fica ou não na União Européia - ao próprio Povo inglês, que já colheu, ao cabo desse longo e inconclusivo entreato, a percepção de o que irá irremediavelmente perder, uma vez consumada e, em verdade, enterrada qualquer esperança no que tange a uma redescoberta do óbvio - de que o futuro do Reino Unido não está no passado, mas sim no cometimento desta magna questão não mais a  consultas de afogadilho, mas sim a uma verdadeira decisão do Povo inglês, que, diante do aviso de seus maiores, opta pelo caminho que se abriu desde o primeiro ingresso de Londres na União Europeia.

                          Só o Povo inglês pode na verdade decidir o que consultas de veraneio não podem determinar. Como a França, a Alemanha e a Itália,  o porvir da Inglaterra está na União Europeia. Isso foi sentido por grandes políticos, que lograram o objetivo, uma vez que a grande rocha deixou de influir pelo silêncio,  no destino de uma grande Nação, que é tão europeia quanto a tantas outras que ouviram o apelo dos tempos, e a gritante necessidade da união dos povos do Velho Continente.
                           A hora é de olhar para o futuro, com confiança e determinação.


( Fontes: The Independent,  O Globo, et. al.)            

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