domingo, 29 de abril de 2018

Venezuela, Chávez e petróleo


                       

          O Chavismo, movimento esquerdista sindical, lançado por Hugo Chávez com a tentativa de golpe de fevereiro de 1992, contra o presidente Carlos Andrès Pérez (CAP) e sua assunção ao poder em 1999, teria, entre outras muitas, também desastrosas consequências para a produção petrolífera da Venezuela.
        As chamadas 'escolhas' de Chávez seriam ruinosas para a pátria do Libertador Bolívar, e se refletem em série negativa de opções, a partir da respectiva tomada do poder, macro-ilusões de incremento de peso político e de influência continental, até desembocarem na  pior de todas as 'dádivas' à Venezuela, i.e., transferir o poder do leito de morte para o 'herdeiro' Nicolás Maduro, o que lhe garante a 'vitória' na eleição subsequente contra o candidato democrata, Enrique Capriles, isto já em 2013.
        Que importará para o futuro que o 'triunfo' de Maduro contra Capriles haja sido ultraduvidoso? De qualquer forma, tendo presente a força popular de Enrique Capriles, a estrutura do poder político chavista cuidou de decretar, a seguir, e por motivos de escassa credibilidade, a suspensão dos direitos eleitorais do democrata Capriles, demasiado bom de voto para ser enfrentado em eleições futuras...
        Decerto, dentre as muitas 'iniciativas' do demagogo Hugo Chávez Frias, a mais estúpida e com ultra-nefastas consequências, será aquela de 2003, em que o caudillo substitue a administração profissional da Petróleos de Venezuela Sociedade Anônima (PDVSA) por indicações políticas de companheiros chavistas!
         É difícil encontrar na história, em termos de opções econômicas, um erro grosseiro deste porte, e que terá os previsíveis e ultradesastrosos resultados para a economia da Venezuela. A "política" de Chávez, hoje revista, representa a aplicação grosseira da fábula da cigarra, e que pela série de investimentos estúpidos e pelo esbanjamento das reservas de seu país, na perseguição de quimérica influência político-diplomática na América Latina, na verdade lança as bases de o que realmente representará para a antes opulenta Venezuela, na sua antipolítica de perseguição de prestígio continental, através do desperdício das rendas do petróleo (única renda de peso para as finanças da Venezuela).
          O que me permita o leitor, não é um excurso, mas uma visão da política de Chávez, que se traduz na inacreditável hübris de ignorar todo o conhecimento agregado pela PDVSA. A Venezuela é um dos países com maiores reservas de petróleo no mundo, e por isso, as administrações, democratas ou não, da pátria de Bolívar, jamais ousaram entregar a direção da Estatal, assim como os quadros respectivos competentes nas decisões técnicas no aproveitamento dos campos do ouro negro, a pessoal que não dispusesse de títulos profissionais e experiência de gestão à altura da experiência no campo petrolífero dessa grande empresa.
          Dada a imprudência, leviandade ou crassa burrice  de quem iria derrubar o regime democrático na Venezuela - pensando aproveitar-se de uma das muitas viagens do presidente Carlos Andrés Pérez (CAP) em fevereiro de 1992 - a tentativa do então tenente-coronel Hugo Chávez Frias gorou, mas deixou funda marca no regime democrático desse país, que durante muitos anos, junto com a Colômbia, tinham sido os únicos bastiões da liberdade em terras da América do Sul, então sob a noite longa do domínio castrense.
          Há nessa questão uma ironia demasiado grande que carece de ser vincada e de forma profunda.  Mexer na administração da PDVSA, como se se tratasse de alguma questão que reclamasse mudança urgente, reflete, e com caracteres pesados, da torpeza e da inimaginável leviandade que  o novel presidente Chávez então evidencia.
          Sendo abundante e um dos melhores do mundo em qualidade, agride a inteligência que qualquer governante, para ganhar alguns postos suplementares em termos de colocações políticas, vá pensar em instrumentalizar as diretorias técnicas  e o pessoal especializado em geral da  PDVSA.  O petróleo, se não era a monocultura em termos de exportação da Venezuela, constituía sem dúvida o óbvio fundamento econômico das exportações deste país, por onde entravam as divisas em termos de criar as condições mínimas de sustentação da economia.
            Por força do abandono técnico que resultou deste magno equívoco de Chávez, a decadência da PDVSA passou a acentuar-se com o avanço dos anos de incúria e de falta das atenções mínimas que a extração de um petróleo de alta qualidade (e por conseguinte, de maior valor intrínseco) exige,  a produção nessa virtual monocultura a que a leviandade de uma parte, e as ulteriores consequências por ela geradas determinam de forma inelutável,  em meio à megacrise gerada pela incompetência de Maduro et al., a par  dos efeitos determinados pelo erro Ur, vale dizer a entrega do petróleo da Venezuela a pessoal não habilitado, tudo isso constitui uma parte - e de grande relevância - no quadro dantesco da atual economia da  infeliz Pátria de Bolívar.
            O limitado Nicolás Maduro não passa de uma cópia-xerox e mal tirada de seu protetor. Além de faltar-lhe carisma, não tem condições de prevalecer politicamente na Venezuela, a não ser pelas vias da intimidação e da miséria. Nesse contexto, vale a pena lembrar o flagelo da híperinflação, que inviabiliza qualquer economia.
            Além dos elogios petistas, que viram até qualidade na sua fajuta Constituinte dos Bairros (proletários), com representantes eleitos pela fraude, conforme documentada pelo própria empresa suiça que providenciou a instrumentação da "convocação" dos eleitores fantasmas, com que Maduro, através de Delcy Rodriguez, realizou a manobra canhestra de substituir a Assembleia Legislativa com maioria da oposição, por essa Constituinte fantasma.  Pouco importa que, por trás desses "constituintes", não haja qualquer legitimidade.  O único partido a saudar esse triunfo de Maduro foi aquele presidido pela nossa conhecida Coelhinha[1] do PT...
               Para esse vinte de maio p.f. está marcado o encontro com mais um pleito amainado[2], e que o ex-prefeito de Caracas veio ao Brasil pleitear-nos o apoio (contra esse regime deletério e narco-sindicalista) que infelizmente não recebeu do atual sucessor de Rio Branco, Ministro Aloisio Nunes. Decerto, de pouco adiantam tais apelos de parte do líder oposicionista Antonio Ledezma, à falta de ação internacional com vistas a criar condições para que Maduro renuncie (já teve oportunidade de sair pela porta da frente, mas fugiu do recall que o eleitorado venezuelano tentara en vão  aplicar-lhe). Chávez, malgrado os respectivos defeitos, mostrou que era de outra têmpera, ao submeter-se - e vencer - o pleito democrático do recall.
                 Com o somatório de todos os erros cometidos tanto por Hugo Chávez e, máxime, pela ditadura de Nicolás Maduro, se nos depara em cabal prova de um inominável composto de erros, calinadas, torpes projetos e a roubalheira da atual choldra dominante, surge como prova cabal de tantos desatinos a presente miserável realidade venezuelana, que constrange a todos os segmentos populacionais a tentarem escafeder-se da presente pandemia da miséria. Tal se verifica nos êxodos para Roraima (Brasil) e Colômbia, pois com as condições de carência extrema, tanto de víveres, quanto de remédios, e de qualquer outro tipo imaginável de assistência, pois nada ali funciona, de forma a que militares na ativa recorram a vôos de desespero para os hospitais de Roraima (se desejam sobreviver de eventuais acidentes de ofício), assim como para as praças desse território brasileiro, enfermarias e nosocômios, pois a hiper-inflação a tudo tritura, e nenhum tratamento médico-hospitalar é sustentável no atual ex-paraíso chavista, gerido pelo rubicundo Domingos Maduro.







( Fonte:  Folha de S. Paulo )


[1] Senadora Gleisi Hoffmann (PT-Paraná) , presidenta do Partido dos Trabalhadores.
[2] falseado, adulterado.

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