sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Hartung: desafio aos governadores

                       

         Nesse deserto de homens públicos que vive o presente - e de que as crises fiscais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul constituem aquelas mais graves enfrentadas pelo Estado - a boa gestão do governador Paulo Hartung no Espírito Santo representa exemplo marcante de como um homem público deva afrontar o desafio da boa administração.
          O fracasso das administrações do PMDB no Rio de Janeiro e do PT no Rio Grande do Sul criou sérios problemas para os funcionários tanto na ativa, quanto aposentados dessas unidades federativas.
         A Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF) passou muito ao largo das considerações dos governadores do PT, no Rio Grande, e os do PMDB, no Rio de Janeiro.
         A irresponsabilidade fiscal,  que não sói ser praticada nos lares respectivos, parece foi seguida à risca, tanto no Rio Grande do Sul, quanto no estado do Rio de Janeiro.
         No Sul, no quadriênio anterior, o PT do governador Tarso Genro, segundo as aparências, tratou de empurrar os compromissos e o desastre fiscal anunciado com a barriga, até que a crise veio estourar com o governador José Ivo Sartori, do PMDB.

        Por sua vez, no Rio de Janeiro, sucederam-se os governos de Sérgio Cabral, sob o signo da turma do lenço e também da irresponsabilidade fiscal. Igualmente, o conúbio de público e particular tornou-se deveras intenso, indo muito mais além da Taprobana. Com efeito, os eflúvios e alegados encantos do sumiço da separação entre particular e público passou a dominar a gang de Sérgio Cabral, que devem ter entrado em outra dimensão, talmente desconheceram a LRF e, sobretudo, a separação entre  compromissos públicos e ganhos privados.
         Ao ver as loucuras fiscais de Sérgio Cabral e quadrilha, se tem a impressão de que Suas Excelências cariocas viviam em outra dimensão, prêsa dos eflúvios de Minos e longe, bem longe dos avisos da responsabilidade fiscal.  A coisa chegou a tal ponto que ignoraram também os limites do bom senso nas renúncias fiscais, que amontoaram alegremente, enquanto se preparava alhures a derrocada das finanças do Rio de Janeiro.
            Hoje, a quadrilha de Sérgio Cabral, junto com o próprio e esposa, estão na Cadeia de Bangu 2. Eike Baptista, o milionário tido por filantrópico, foi apanhado na mesma quadrilha. Se tivera antes dissabores com um juiz sui-generis, que até de seu carro esporte se apossara, verificou-se que o tal capitalista caboclo, também planara na terra da propina, razão pela qual seria mais tarde igualmente detido e preso.
             Por causa das loucuras fiscais da turma de Sérgio Cabral, a situação financeira do Estado ficou muito prejudicada. O desregramento nas verbas veio a atingir o funcionalismo, tanto os aposentados, quanto os em atividade, e até hoje as dotações insuficientes provocam inevitáveis atrasos nos esperados contracheques.

           Com a crise nos erários de governos estaduais como Rio Grande e Rio de Janeiro, a vinda do contracheque nem sempre é previsível.  Tornou-se 'normal' o parcelamento de salário e benefícios, como o décimo-terceiro. É esta a rotina na terra gaúcha.
            Na Federação, há, no entanto, a diferença marcante da administração séria e responsável do Governador Paulo Hartung, do Espírito Santo.
             Quando estourou a criminosa greve da PM no Espírito Santo, Hartung estava convalescendo no hospital de recentíssima operação. Ao contrário de outros estados em aguda crise fiscal, o governador Hartung pôde declarar:"estamos mantendo a máquina de governo em funcionamento regular, mesmo enfrentando a maior crise econômica nacional em décadas, a queda da arrecadação, uma severa crise hídrica atípica, os impactos do desastre da Samarco e a redução das receitas advindas do negócio do petróleo. Todos os nossos pagamentos estão em dia - tanto de fornecedores quanto de servidores, incluindo a Polícia Militar."

                Mas aí está a grande diferença entre o estado do Espírito Santo, que não está entre os maiores da Federação, e os demais endividados estados acima mencionados: "É  a responsabilidade fiscal, portanto, que permite a responsabilidade social para o conjunto da sociedade. Não se trata de escolha entre uma ou outra. Uma leva à outra."
                 E Hartung, na sua oportuna contribuição, relembra:  "Foi esse o debate que motivou  a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal." [1]

                Ao cabo de sua exposição, encarece Paulo Hartung: "precisamos ter capacidade de conversar, convencer e mobilizar nosso país em torno de uma agenda urgente, que leve às necessárias reformas estruturantes e traga de volta o equilíbrio das contas públicas e a competitividade. Apenas dessa maneira o nosso país poderá inserir-se plenamente nesse mundo integrado."
                Por sua vez, no fecho de seu apodíctico artigo, declara o governador Paulo Hartung: "Os governos e suas instituições existem para servir ao cidadão, que sustenta o Estado com pesados impostos e outorga a ele poderes para o provimento do bem-estar e da segurança."
                É o que esqueceram o então governador Sérgio Cabral (PMDB), no Rio de Janeiro, e o governador Tarso Genro  do PT, no Estado do Rio Grande do Sul  (2011/2015).

( Fontes:  O Globo,  Internet )



[1] Não se pode esquecer a oposição sem peias do Partido dos Trabalhadores à discussão e votação da Lei da Responsabilidade Fiscal. Nesse contexto, a irresponsabilidade fiscal do último governo petista, de Dilma Rousseff, levou o governo ao fundo do poço e a uma crise econômica sem precedentes, cujo efeito mais perverso são os quase treze milhões de desempregados.   

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