domingo, 29 de janeiro de 2017

Prudência - conselheira da Justiça

                        

       Ontem, escrevi sobre Orgulho e Preconceito, valendo-me do título do romance famoso de Jane Austen (Pride and Prejudice) como mote para aventurar-me a conselhos de prudência a Mr Trump. Antecipei-me, sem o saber, à verdadeira reedição estrangeira do Febeapá  (o Festival de Besteira que Assola(va) o nosso país), escrito em tempos da Redentora  por Sérgio Porto, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.
       Hoje, o editorial do New York Times classifica de Banimento aos Muçulmanos o decreto de  Donald Trump.  Esse editorial também o considera Covarde e Perigoso. Por quê? As respostas para os efeitos da imprudente e preconceituosa ordem presidencial já começam  a entrever-se  por seu título - que o editorial do New York Times chama de ridículo - a saber "Ordem Executiva Presidencial para proteger a Nação do ingresso nos Estados Unidos de Terroristas estrangeiros".
       Talvez a irresponsabilidade esteja na base da decisão presidencial, embora o ukase traga no seu bojo outras características que não costumam estar presentes em resoluções presidenciais que, por sua hierarquia, pressupõem mais cuidado, compreensão e cautela.
       

         Muitos dos refugiados foram colhidos pela cruel e caprichosa rede da ordem de Trump, em chegando aos EUA ao cabo de longo e rigoroso processo de exame, que dura mais de ano. Tal banimento pode desfazer as vidas de centenas de milhares de imigrantes, que acabavam de ver completados longos processos de exame, com plena aprovação para viver nos Estados Unidos, com os vistos ou as permissões de residência permanente.

           Diz muito, talvez demasiado, sobre justiça, falta de sensibilidade e  indiferença presidencial à História, que a Ordem Executiva tenha sido assinada no Dia da Memória do Holocausto.
          Mas não para aí a Ordem Executiva, segundo nos mostra o editoral do New York Times. Ela  carece de qualquer lógica. Invoca o ataque de onze de setembro como razão, ao mesmo tempo que isenta os países de origem de todos os sequestradores que levaram a cabo a conjura, e também, talvez não por coincidência, diversos países em que a Família Trump tenha negócios. Se o documento de forma explícita não menciona qualquer religião, ele segue norma gritantemente inconstitucional ao excluir Muçulmanos, enquanto concede a autoridades do Governo o poder discricionário de admitir gente de outras religiões.

             Como assinala o Editorial do Times, a linguagem da ordem presidencial torna evidente que a xenofobia e a islamofobia que permearam o discurso de campanha de Mr Trump permanecem para manchar de igual modo a sua presidência.
              Por mais contrários ao espírito americano, a linguagem da ordem de Trump deixa claro que por mais antiamericanos que sejam, eles agora fazem parte da política americana.  Ela chega a transmitir  a noção espúria de que todos os muçulmanos devem ser considerados uma ameaça.
             Segundo ainda o Editorial,  a injustiça desta nova política deve ser bastante para levar as Cortes judiciais, o Congresso e  membros responsáveis do gabinete Trump a derrubá-la sem tardança.

            O Editorial do Times também cobra dos Republicanos - que no Congresso não se manifestaram ou tacitamente apóiem a ordem de banimento - que deverão reconhecer que a História deles se lembrará como covardes.
             Diante da insensatez presidencial,  o editorial do NYTimes recorda, outrossim, a posição de vantagem externada pelo atual Secretário da Defesa, Jim Mattis. Ele manteve durante o processo eleitoral posição de sensatez, ao dizer que os aliados dos Americanos se perguntam " se nós perdemos a fé na Razão".  E acrescentou: "agora mesmo tal atitude nos está prejudicando muito, ao mandar ondas de choque através do sistema internacional".

             Por isso mesmo, para o Times, é alarmante o presente silêncio de Mr Mattis e de outras altas autoridades governamentais, cujo conhecimento e atitude não deveria levá-los a prestar seus nomes a tal travesti de justiça.


( Fonte: Editorial de "The New York Times" ) 

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