sexta-feira, 4 de junho de 2010

CIDADE NUA III

Doce Ilusão (16)

A loja em que Gardênia trabalha não dista muito de uma área de alimentação. Sabedor de seu horário, ele chega com meia hora de antecipação. Procura mesa que lhe proporcione boa visão do local por onde ela sairia.
Pede refrigerante, e senta-se, armado da paciência dos espiões.
Pouco antes das seis, paga com antecipação a módica despesa que lhe dera o pretexto para o seu inconfessável propósito. Poderia, assim, levantar-se de pronto, sem ter que perder tempo em saldar a conta. Como ainda não nota qualquer movimento, não se mexe do lugar onde está.
Já passa da hora, quando grupo de jovens cruza à sua frente. Não presta muita atenção até o momento em que um deles se afasta da companhia e entra na loja.
Quatro ficam na galeria, e parece a Alberto que esperam pelo retorno do rapaz.
Transcorrem, se tanto, uns três minutos, até que pela porta sua conhecida saem o jovem e uma mulher, que ele a princípio não distingue com nitidez. Há um certo rebuliço, troca de beijos e abraços, alegria no reencontro dos amigos.
Cumprimentam-se e conversam animadamente.
Afinal, do posto de observação, ele enxerga Gardênia.
Ela está com a cabeça apoiada no ombro do acompanhante.
Por sua vez, o rapaz a tem ternamente envolta pela cintura.
Agora de pé, parado atrás da mesinha, Alberto tudo vê.
Os jovens falam alto, embora ele não possa escutar o que dizem.
Uma que outra risada lhe chega aos ouvidos. Não tem dúvidas de que se divertem.
Sem pressa, o grupo se vai afastando.
Imagina, então, que partem para algum programa.
Da mesinha, hirto, como estátua de sal, Alberto se esforça em segui-la com o olhar, quase se diria à maneira de alguém que se despede.

* * *

Um comentário:

Jose Marcos disse...

De Cris:
Gostei! Pena que terminou! Pode começay outro!