Hoje
faz cinco meses que a Covid-19 chegou ao Brasil. Nesses 150 dias, mais
de 2,3 milhões de brasileiros foram
infectados e mais de 85 mil morreram, o que nos
coloca no macabro e embaraçoso segundo lugar mundial em mortes, só abaixo dos EUA de Trump. Na maioria
das unidades federativas, os casos estão em aceleração - com a liderança
de Santa Catarina.
Não é
dificil explicar porque estamos em segundo lugar nas mortes. Para quebrar o
enigma, basta ter presente o fracasso do Estado - e quando escrevo Estado não
me refiro às suas parcelas federativas, mas ao Estado Brasil. Ainda no começo da luta contra a Covid-19, o
Ministro Luiz Henrique Mandetta anunciou a compra de 22,9 milhões de testes
para Covid-19. Ao mostrar proficiência no engajamento da luta do Estado
brasileiro contra a Covid-19, Mandetta terá deixado entrever ao presidente
Bolsonaro não só capacidade profissional, mas também causado o surgi-mento de
uma aceitação popular do então Ministro da Saúde, como alguém em condições de
enfrentar a pandemia.
A
exoneração de Mandetta pelo Presidente deixa essa interrogação não só em
aberto. Dada a singular atitude de renúncia do presidente Bolsonaro, no que
tange ao magno desafio do coronavírus,
há muitas coisas que foram mal resolvidas na república brasileira. Não foi por
acaso que Jair Messias Bolsonaro saudou o desafio
desse vírus, no sentido que lhe dá o historiador Arnold Toynbee nos doze
volumes de seu monumenntal A
Study of History - como um problema
que não concernia diretamente ao Presidente da República. Por isso, a omissão
que caracterizou a sua resposta à ameaça à nossa população de parte da
infestação desse vírus, que motivara, por exemplo, o seu colega argentino a
fechar as fronteiras de seu país à imigração estrangeira. A resposta de
Bolsonaro às mortes causadas por tal flagelo estaria formulada no seu E Daí?
Por
outro lado, não há causa material que motive a exoneração de Mandetta pelo
Presidente, se admitirmos que um bom ministro não pode ser afastado sem causa,
pois então seria entronizar o absurdo como razão admissível, o que obviamente
não faz nenhum sentido.
A renúncia presidencial de lidar com esse desafio, como todo problema
não resolvido, na verdade deve levar a uma revisão urgente desta postura.
Como O Globo assinala no editorial hodierno, "o Brasil é um dos
países que menos testam no mundo. Um termômetro disso é a taxa de resultados
positivos no total de testes (quanto mais se testa, mais se previne, e maior a
proporção de negativos). Para a OMS, o ideal é que os positivos fiquem abaixo
dos 5%. No Brasil, são 66,3%, segunda a plataforma Our World in Data. Superamos em muito nações como Alemanha (0,5%),
Itália (idem), Coreia do sul (idem), EUA (8,6%) e Índia (11,1%). Paises que tem
mantido a epidemia sob controle, como Coréia do Sul e Alemanha, promoveram
testagem em larga escala, alem de terem adotado medidas para frear o contágio,
como distanciamento, uso de máscaras e higienização."
Por isso, é óbvio ululante que o governo carece de empenhar-se para
aumentar a testagem da população. Sem
testes suficientes, todas as iniciativas caem no vazio.
Há dez dias, como assinala o editorial de O Globo, ao comentar as mortes
pela Covid-19, Bolsonaro alegou não haver como reduzir os óbitos.
Ora, um caminho possível é seguir o exemplo dos países que tiveram
êxito no combate à doença, com testagem maciça, isolamento dos infectados e respeito
à Ciência. Na verdade, o oposto de que o Governo Bolsonaro tem feito nesses
últimos cinco meses.
( Fonte:
O Globo )
Nenhum comentário:
Postar um comentário