sexta-feira, 16 de junho de 2017

Inimigos da Ucrânia: Rússia e corrupção

                                  
       Os principais desafios da Ucrânia poderiam atualmente ser definidos como controlar a corrupção e conter a Rússia.
       No artigo de Tim Judah, a luta contra a corrupção surge como de efeito sofrível, embora alguns progressos tenham sido feitos. Por lei de março de 2016, cerca de cem mil políticos, servidores públicos, juízes - incluídos 423 membros do Parlamento - fizeram declarações on-line sobre os respectivos bens. Cerca de um milhão é suposto tê-lo feito até começo de abril de 2017.

        Outra melhora alvissareira está no progresso das forças armadas ucranianas, hoje mais bem equipadas e com soldados mais aguerridos e melhor armados. Muito provavelmente, tomariam o que é  atualmente ocupado pelos rebeldes separatistas, não fora o temor da intervenção russa.
         A anexação da Crimeia continua de pé. Mas a vida na Crimeia ocupada é muito diversa daquela que a maioria de seus habitantes antecipara quando da montada invasão da península. Lá o custo de vida está alto, e as condições são muito diversas do paraíso que pensavam surgiria com o domínio russo.
           A ocupação russa se assinala por forte militarização, e procura debelar qualquer oposição ou mesmo eventual dissenso. O único progresso está na circunstância de que os cortes na eletricidade diminuíram depois que a Russia aumentou a transferência energética.

            A par disso, o único povo indígena da Crimeia - os Tártaros - na atualidade representa apenas a doze por cento da população e continua a opor-se a  Moscou. O imperialismo do Kremlin  determinou, mais uma vez,  o exílio do líder nacional Mustafa Dzhemilev.

           Mesmo com a sua imensidão territorial, o poder dominante de Moscou quer russificar a Criméia.  É, no entanto, interessante e sintomático que o imperialismo russo parece ainda temer os  Tártaros, malgrado representem apenas doze por cento do total da população na península. Continuam, portanto, a na sua própria casa a serem submetidos à repressão policial. Dentro desse quadro de intimidação preventiva, entende-se porque os tártaros evitem manifestar a própria posição, temerosos de serem novamente transladados para a Ásia Central. Entrementes, o líder Dzhemilev  foi forçado a viver em Kiev.  Por sua vez, logo no começo da "pacífica" ocupação da Crimeia ordenada por Putin, vinte e dois ativistas tártaros "desapareceram", sendo descobertos apenas sete corpos.
                Por último, em declaração recente  o autócrata Vladimir Putin diz que, em verdade, existem não uma Ucrânia, mas sim várias Ucrânias.  Na raiz desse dito,  estaria a negação da nacionalidade ucraniana. Resta saber se é apenas intento de intimidação.
                Talvez o desconforto do urso russo com a vizinhança de uma nação importante como é a Ucrânia se veja hoje acrescido porque  Kiev vem recebendo ajuda substancial da União Europeia. Por outro lado, os ucranianos, ao contrário dos russos, podem visitar os povos e capitais da U.E.  É esta cooperação que tende a reforçar um país de dimensões respeitáveis, e que continua a fortalecer-se com vistas a melhor defender as próprias fronteiras do imperialismo de Moscou.


( Fonte: Tim Judah, The New York Review of Books, May 25, 2017)

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