segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pimentel: Ramificação mineira?

                              


         Ligado a Dilma, Fernando Pimentel teve postos de relevo no governo federal. Já as famosas 'consultorias' tinham aparecido no que lhe concerne em outro contexto, mas nunca lhe afetaram a relação com a Presidenta.
         Agora, a situação do governador mineiro (PT), que era delicada desde que fora denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, se pode complicar ainda mais com os recentes desdobramentos da Operação Acrônimo, da Polícia Federal. 
          Desde o princípio, se sabia que o fulcro da investigação acerca dos  passos do governador Pimentel estava com Bené - Benedito Rodrigues de Oliveira Neto - amigo e suposto operador do governador.
          Por fim, o amigão do Governador mineiro fechou acordo  de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, e acusou Pimentel de receber propina de empresas beneficiadas  com financiamentos do BNDES.
          Em um dos depoimentos da delação, Bené afirmou  que só da Caoa, representante da Hyundai  no Brasil, Pimentel teria sido destinatário de mais de R$ 10 milhões, segundo o Globo foi informado.
          Grosso modo, o empresário confirmou o conteúdo da denúncia formulada pela vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko contra Pimentel, Bené  e os dois principais executivos da Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Antônio dos Santos Maciel Neto, entre outros, no último dia seis, ao Superior Tribunal de Justiça.
          Mais irregularidades foram apontadas por Bené em negócios financiados pelo BNDES na Argentina e em Moçambique, e que teriam Pimentel entre os possíveis beneficiarios.
          Em denúncia apresentada ao STJ a partir de um relatório da PF, Ela Wiecko acusa o governador Pimentel  de receber R$ 2 milhões em propina de Andrade e Maciel.  O dinheiro teria chegado ao governador depois de passar pela Bridge e a Bro, duas empresas de Bené.  A transação teria sido camuflada num contrato fictício  de consultoria firmado entre Bené e os executivos da Caoa.
          Na denúncia, a Procuradora Ela Wiecko sustenta que, no mesmo período do pagamento da suposta propina, a Caoa recebeu cerca de R$ 600 milhões em benefícios fiscais do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva  de Veículos Automotores (Inovar), do Ministério do Desenvolvimento. As vantagens tributárias estavam vinculadas a uma planta industrial da Caoa em Anápolis, Goiás. Confrontado com as acusações, Bené confirmou o conteúdo  da denúncia e acrescentou novos detalhes.
         Pelas contas do empresário, os desembolsos da Caoa em troca de benefícios fiscais foram superiores a dez milhões de reais.  A investigação deseja saber aonde foi parar esse dinheiro.  Bené também confirmou a acusação  da vice-Procuradora de que a consultoria que ele teria fornecido à Caoa  era "fajuta".

Perspectivas Jurídicas

            As revelações de Bené devem aumentar a pressão sobre o governador Pimentel.  Caberá ao Ministro Herman Benjamin, relator da Operação Acrônimo no STJ, decidir se acolhe ou não a denúncia.  Sobre esse ponto, há dois pontos de vista divergentes: segundo o Ministério Público Federal, o relator pode acolher a denúncia por conta própria. Já para o advogado defensor, Eugênio Pacelli, Benjamin precisaria da autorização prévia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
             Além de criticar os métodos utilizados pelo MP para obter a delação de Bené, o advogado Pacelli nega que o governador tenha recebido dinheiro de empresas ou cometido qualquer irregularidade no período em que foi Ministro do Desenvolvimento.
             A par disso, o advogado Pacelli radicaliza quanto aos alegados métodos do Ministério Público para obter delação. Segundo ele, "pessoas presas são capazes de dizer qualquer coisa para recuperarem a liberdade".



( Fonte:  O  Globo )   

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