quarta-feira, 25 de julho de 2018

Neymar


                                               

          Vejo os juízos hoje formulados pela imprensa nacional como decorrência da chamada lista da Copa, em que  Neymar não foi incluído.
             Ao contrário de Pelé, em que a sua afirmação nas Copas  foi fundamental para que superasse ao grande rival Maradona, e atingisse a condição de maior craque de todos os tempos, as duas últimas Copas foram assaz negativas para o nosso atual maior jogador.
             A Copa de 2014,  a alegadamente do Brasil,  se tornaria objeto de vergonha e até de humilha-ção, com a infame goleada dos  7 x  1, no estádio de Belo Horizonte.  Neymar seria brutalmente afastado da competição, por falta desleal, que um árbitro estranho sequer consideraria, a despeito de que constituísse  um típico foul de expulsão, a ser aplicado por qualquer juiz que tivesse vergonha na cara, diante da criminosa botinada que um zagueiro colombiano covardemente lhe aplicou pelas costas. Que estivesse em uma categoria à parte, basta passar o filme desse virtual atentado para que se veja a covarde boçalidade do beque colombiano,  que o aplica sem mover músculo de uma face criminosa  e  no cúmulo da deslealdade.  A criminosa e, sem dúvida, parcial arbitragem, nem um mísero cartão amarelo levantaria,  como se se pudesse tolerar em campo de football association tal tentativa de aleijar o adversário.
              Meses antes da Copa da Rússia,  Neymar sofreria  outro foul que lhe fraturaria o calcanhar, a ponto de afastá-lo por um bom tempo dos certamens europeus.  Felizmente, nesse caso, houve tempo para a recuperação física, muscular e mesmo futebolística desse craque, embora tal incidente terá colaborado para marcar-lhe com uma perseguição ao craque própria dos zagueiros e demais jogadores de defesa, que para cortar o seu rush não resistiam a valer-se da falta anti-esportiva, i.e., o recurso do pontapé na área sensível do tornozelo do craque.
                Como se tal não bastasse, ocorreu nessa prática anti-esportiva que  Neymar  tenha tentado em algumas oportunidades simular um foul no próprio tornozelo.  Além disso, ele começou a ser incriminado de simulação de falta.  Nesse caso específico,  Neymar teria  recorrido em algumas oportunidades, a esse suposto jeitinho, de fazer um movimento giratório com o corpo, que alegadamente refletiria a dor física que ele estivesse experimentando pela botinada sofrida.
                 As faltas desse gênero que visavam notadamente a seus calcanhares se repetiram várias vezes. Quiçá em alguma oportunidade, o próprio Neymar haja contribuído para a teatralidade dessa reação corporal, que alegadamente refletiria a dor sofrida pelo nosso  ponta esquerda.
                  Dessarte, quem padecia os botinaços de beques sem maiores recursos atléticos e esportivos , começou a sofrê-los com maior frequência e se as faltas, por vezes, existissem, terá havido ocasião em que Neymar haja simulado um foul inexistente.
                  Dada a velocidade de Neymar e sua capacidade de driblar os adversários, a par de superá-los pela rapidez,  em um cenário de respeito ao jogo - e não de recurso sistemático a faltas desleais - não é difícil supor que Neymar possa perfeitamente dispensar a simulação, dada a sua velocidade e controle de bola.   
                  Quero crer, portanto, que Neymar continua o craque que sempre foi, e se por algumas vezes, diante dos fouls adversários terá recorrido a eventuais simulações, não creio que o seu futebol haja decaído, a ponto de que vá desdenhar a própria intrínseca capacidade no controle  de bola.
                   Tenhamos presente, no entanto, que a seleção brasileira deste ano não é exatamente similar àquelas dos grandes anos do passado. Por isso, a solidão de Neymar tende a aumentar. Há bons jogadores como Coutinho, v.g.,  mas a sua qualidade não se pode comparar nem com a de 1950 (uma falha de Barbosa, não pode apagar as qualidades de Jair, Tesourinha, Danilo, Ademir ). Sem chegar a exageros,  porque o valor médio dos outros atacantes supera o de outros seleções (como, v.g., a portuguesa em relação a Cristiano Ronaldo), será sempre melhor contar com Neymar como o principal puxador de gols em nossos scratches. É claro que nada disso vale para quem tem Pelé e Garrincha, sem esquecer Tostão  y otras cositas más...  Cabe, portanto, não esquecer que temos de valorizar o grande craque - e, no momento presente, não vejo outro senão Neymar.
                   Neymar é um grande jogador e, baixarias à parte, ele voltará - como se afirmava de outro grande valor, só que fora do campo esportivo... - mas importa que, ao invés de vitimizá-lo, o que se carece é valorizá-lo, tirando-lhe uma que outra ocasional verruga.
                    Há outro assunto, no entanto, que carece de ser também estudado com cuidado.
                     A CBD apressou-se um pouco demais em confirmar a Tite, como técnico da Seleção.  A CBD no passado teimara demasiado em escolher Dunga, como se a sua mediocridade  fosse garantia de alguma coisa.
                     Faltou à Seleção - e máxime no jogo decisivo contra a Bélgica - que ela fosse presa fácil das correrias dos belgas. Falou-se demais da qualidade  da seleção belga, o que me surpreende.  A par das correrias,  creio relevante ter-se presente que a Bélgica não é o bicho-papão que se quis propalar.  Parece até que esqueceram que a fraca equipe japonesa marcou sobre ela uma vantagem de dois gols. Não me esqueci decerto que os belgas superariam tal desvantagem, mas isto não seria tão fácil se os nipônicos não fosse tão verdes no esporte bretão...

( Fonte:  Rede  Globo;   O Globo  )
                      
                     

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