quarta-feira, 29 de março de 2017

Até quando, Trump, abusarás da paciência americana?

                    

          Não só proclamar a própria visão,  mas também  atuar  com a determinação - em geral reservada às causas nobres - tem sido atitude comum do 45º Presidente,  Donald John Trump.
           Que um país do nível dos Estados Unidos tenha eleito esse senhor será talvez discutido por muitos anos  após tal triste retrocesso que foi dado a conhecer poucas horas depois da jornada das eleições americanas.
           Se muitos tiveram naquele infausto dia sensação de desconforto e de perplexidade, que uma pessoa, enjeitada pela direção do próprio Partido Republicano,  haja logrado vencer pela votação indireta prescrita pela Constituição setecentista alguém incomparavelmente mais preparada e com atuação  que a transportara das bancas da Universidade, e dos prêmios reservados aos melhores estudantes até o Departamento de Estado, com longa trajetória política, assinalada pelo comprometimento pelas boas causas, e a promoção dos extratos mais necessitados.
          Ao deparar hoje a conduta do sucessor de Obama, o único consolo que resta ao eleitor é a ciência de que, em qualquer lugar do mundo,Hillary venceria a Trump, como venceu por três milhões de votos no cômputo numérico, seria hoje a primeira Madam President. Já é mais do que tempo de abandonar esse obsoleto, caprichoso sistema que costuma decretar a derrota dos candidatos que têm a maioria na votação numérica.
          Erasmo, o humanista, escreveu o Elogio à Loucura.  Se na pátria de Lincoln houvesse alguém à sua altura escreveria talvez a propósito o Elogio do bobo da Corte.
           Porque este senhor se empenha em desfazer o bom, como a legislação ambiental de Barack Obama? Trazer de volta o carvão e todas as demais pragas anti-ambientais, depõe não só contra a ciência, mas sobretudo contra a saúde.
  
          São três coisas inconciliáveis: não se pode ser ao mesmo tempo pessoa inteligente, honesta e opositor da teoria ambientalista. Assim, se alguém execra o ambientalismo, pode ser honesto mas não é inteligente. Tampouco será honesto se descrê da teoria ambientalista, e tendo poder, se empenha em  destruir-lhe os efeitos benéficos, como no caso do carvão.
  
          Na gilded age, escritor americano satirizava - que é a arma da inteligência - as necedades dos novos ricos. Os chamados barões ladrões - de onde saíram muitas grandes famílias - pelo menos tinham conquistado a riqueza, e contribuído a elevar a opulência do jovem Estados Unidos.
            O que dizer desse senhor, que cultiva a gente pobre do Cinturão da Ferrugem,e lhes acena com promessas que um con man do Oeste não ousaria fazer ?
            Hillary pensa que a intervenção russa na eleição americana terá sido vingança de Putin, por ela haver exposto, há algum tempo, as manipulações nesse campo eleitoral de gospodin Presidente. Quem sabe? Mas a ajuda ao amigo terá sido movida pelo consequente enfraquecimento ou, quem sabe?, sua impetuosa ajuda ao chamado declínio americano ?     

            Quem poderia dar visão mais depreciativa de o que abanar-se com esse triste arremedo de leque, qual juntar-se aos ignorantões que negam o óbvio, ou o que é ainda pior, colaborar em jogar os Estados Unidos ou no pântano do retrocesso, ou no deserto do atraso e do ridículo internacional ?


( Fontes: Apud Cicero - discurso contra Catilina;Mark Twain, The New York Times)



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