quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Atoleiro Venezuelano

                                 

          Após a esmagadora vitória da oposição venezuelana, previu-se que passara o tempo em que a governança era questão a ser decidida em condomínio entre assembléia legislativa, executivo e judiciário, todos irmanados pelo dominante chavismo.
          Como ainda detinha a chave dos tribunais, inclusive o Supremo, o providente Nicolás Maduro cuidou de radicalizar a Corte Chavista, o que ele realizou com a superlotação do órgão com militantes de seu partido.
          Temendo que a Corte pudesse ser modificada, com o possível ingresso de jurisconsultos que pensassem não no partido dominante na Venezuela, mas sim em condições de dirimir as questões de acordo com a justiça, e não o interesse do partido chavista, a superlotação do Supremo logo produziria os desejados frutos.
            Assim, foi contestada a legalidade da eleição do número exato de deputados que, por surpreendente coincidência, retirou da oposição tantos legisladores quanto seriam necessários para privar a maioria anti-chavista da possibilidade de decidir emendas a Constituição.
             Com a verdadeira maioria nacional diminuída na Assembleia - com o escopo de que vote medidas importantes, como emendas à Constituição, etc. - o presidente preserva o atual caos imperante, em que ao desabastecimento e aos contínuos cortes de energia, se junta o poder das milícias que lá estão para cercear liberdades, como o acesso às seções eleitorais para inscrever-se para o recurso constitucional da revocatória do Presidente, recurso este que é a única esperança de que se a normalização democrática se realize através da cassação do mandato do ultra-incompetente Maduro.
               Na Venezuela falta tudo. É o reino do desabastecimento,  a começar pelos artigos de primeira necessidade. Além do inferno do caos no desfornecimento  energético, e comércio de prateleiras vazias, a Venezuela é uma campeã ao revés, na hiper-inflação, que passa por ser a mais alta do planeta.
               A sólida incompetência ligada com a ladronice e a deslavada corrupção são atores virtuosos (a única virtude visível nessa terra infeliz) na criação de situação impossível.  Provoca decerto assombro que o caos imperante encontre meios e modos de manter-se na sala dos botões (esta é designação italiana para os gabinetes do poder).  A única correção que me atreveria a introduzir é a substituição dos botões por qualquer coisa que lá possa funcionar sem energia.
                 Dessa maneira, a situação venezuelana é tão grave e calamitosa, que certas metáforas (como sala dos botões) deixaram há muito de serem compatíveis com a realidade lá prevalente.
                 É difícil determinar como um governo tão incompetente e corrupto quanto o chavista de Nicolás Maduro possa conseguir manter-se no poder... Será o disfuncional sistema interamericano?
                 Ou será o néo-chavismo que mesmo detestado pela população, ainda encontra brucutus armados que o protejam, enquanto impedem os eleitores de entrar nas seções de voto, e registrar-se para forçar o referendo ab-rogatório ?
                     Que o caos perdure na Venezuela, já é um escândalo. Mas não esqueçamos de dar o devido valor à barafunda e incompetência do sistema inter-americano. Para onde se dirige o olhar, maior será o nosso desalento..
                      Dizem que há limite para tudo. Nesse sentido, o enigma venezuelano cresce. Pois sob Maduro o desgoverno nesse país contraria todos os princípios e vaticínios sobre capacidade em termos de suportável sofrimento de parte de um Povo.

                       E vendo como se acham as coisas, cercadas que estão por esse abraço de tamanduá da opinião interamericana, a única dúvida que persiste se cinge não ao condicional se, mas sim ao temporal quando.

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