terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O gabinete Trump

                              

        As indicações do Presidente-eleito me parecem ser produto de um convés de navio batido por tempestade. Presa dos elementos enfurecidos,  os candidatos de Trump vão de um lado para outro, jogados para a banda direita da mediocridade ou para o lado dos tipos estranhos, bizarros, desses que vemos nos filmes do expressionismo alemão.

        Que diferença para o secretariado de John F. Kennedy, que fulgia com os melhores e os mais brilhantes!
        Há várias relações dos secretários e secretárias indicados para os postos menores, tipo político texano, Rick Perry. Desaparecido faz tanto tempo, retorna na turma de Trump, destinado para a secretaria da energia. Ceifado pela própria mediocridade, tinha então o plano de propor a extinção dessa mesma secretaria. Hoje não vê problema em assumi-la!

       Mas o presidente-eleito parece ter vocação para o suspense nas audiências de confirmação pelo Senado. Tomemos o exemplo de Rex W. Tillerson, o atual presidente da Exxon Mobil, para Chefe da diplomacia americana.
        Dada a importância do mercado russo de petróleo, não surpreendem as boas - ótimas, mesmo - relações do Executivo da Exxon com o Presidente Putin.
         Agora, trazer Mr Tillerson para o State Department é outra coisa. Como evitar as suas relações de amizade com o Presidente Vladimir Putin e a sua condição de chefe da diplomacia americana, a aplicação das sanções estadunidenses contra a Rússia (motivadas pela invasão e conquista da Criméia)? Aí temos decerto um problema, inclusive envolvendo questões de segurança.

         As complicações são tantas, que será dificil acreditar na possibilidade desse secretariado resistir por muito tempo.
          A única coisa que vejo como coerente no quadro dessa presidência é se nos dispusermos a pensá-la no cenário de eventual declínio americano,



 ( Fonte: The New York Times )        

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