sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

PIF-PAF (II)

                                          

Contas de D. Dilma

 
     Não é bom o resultado da folha de despesas do Governo.  Houve um incremento no custeio (R$ 156,9 bi em 2012 para R$ 188,6 bi em 2013.  Cresceu 20,2%. Nessa conta estão os dispêndios do Tesouro com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que subsidia a desoneração das contas de luz (em outras palavras, o agrado do Governo aos usuários custa R$ 7,8 bilhões para o Tesouro).
     Por outro lado, em tendência das Administrações petistas, que privilegiam os gastos correntes, o ítem pessoal e encargos também subiu (de R$ 186 bi para R$ 202,7 bi ). Aqui a alça foi de 8,9%. Assinale-se, por oportuno, que tanto Lula, quanto Dilma gostam de aumentar o serviço público. São enormes as somas já previstas para 2014. É uma tendência que se levada ao exagero, carrega os dispêndios do governo em ítem sem flexibilidade. A par disso, vai em contra a tendência moderna de um estado mais leve e menos engessado. Note-se que se contrata gente a custos mais altos que a iniciativa privada, com proveito menor para o Estado, além de formar castas de servidores cujo rendimento tende a ser baixo, porque não estão condicionados pelos controles de qualidade aplicados durante a respectiva trajetória profissional.

     Também subiram Benefícios assistenciais: de R$ 29,2 bi para R$ 33,5 bi (mais 14,7%) e Despesas previdenciárias -  de R$ 316,6 bi para R$ 357 bi (mais 12,8%).
      Note-se que o aumento menor foi no ítem em que seria benéfico para o país que ele fosse maior. Reporto-me ao Capital (investimentos) que teve pífio incremento de 6,4%, que passou de R$ 59,4 bi para R$ 63,2 bilhões.

      Foi justamente no setor dos gastos públicos, que as despesas da União fecharam o ano  em patamar recorde de R$ 914 bilhões, o que vem a ser 19,02% do PIB.

      Assinale-se que os dispêndios cresceram mais do que a receita – o que não é bom – com 13,6% em relação a 2012, enquanto a receita aumentou menos (12,5%).  Sem recursos una tantum (aqueles extraordinários) o Tesouro não lograria equilibrar as contas. Os totais brutos em despesas foram de R$ 914 bi contra R$ 991,1 bi, em receitas (engordadas por receitas extraordinárias em concessões – de que R$ 15 bi – campo de Libra -  e do Refis da Crise  R$ 21,8 bi.

      Por fim, a Dívida Pública continua a inchar, com elevação de 5,67%, superior ao da própria economia. Para este ano de 2014, a expansão da Dívida será ainda maior: de 9,3%, segundo estimativa do Governo.

     Como a performance é medíocre, a dívida em aumento, os gastos mal-distribuídos, tudo isso desagua em nossa moeda, que desceu para o setor das emergentes de mais deficiente rendimento. Assim, não surpreende que o valor do real despenque em relação ao dólar, com depreciação de 17,07 % (undécimo lugar nas moedas que se depreciaram) (V. blog de ontem, Notícias direto do Front, Variações nas divisas dos Emergentes).

     É preocupante o distanciamento da moeda brasileira daquelas com melhor desempenho. Que diferença dos tempos em que o real era o centro das (boas) atenções. É oportuno lembrar que a gestão econômico-financeira da economista Dilma Rousseff colocou o real na virtual rabeira das divisas emergentes, próxima das últimas e com mais elevada depreciação. Entre essas, a lanterninha é  o peso argentino, com uma desvalorização de 41,98 !

 
Reforma ministerial ?

 
         Para preparar as eleições, e com apenas um nome de primeiro escalão, Dilma Rousseff lançou o que, com certa grandiloquência, a mídia denomina de reforma ministerial. Aloizio Mercadante passa do Ministério da Educação para a Casa Civil, onde substitui Gleisi Hoffmann, que sai para a disputa política do governo estadual no Paraná. Mercadante, desde algum tempo ganhou o lugar oficioso de favorito de Dilma. A Casa Civil é a consequência e a prova dos nove desse estreito relacionamento. Por sua vez, a pasta da Saúde vai para político de nível médio (era Secretário de Saúde de São Bernardo do Campo (SP). Arthur Chioro, sócio de consultoria da área de saúde, com serviços prestados para prefeituras de municípios paulisas. Para evitar suspicácias, a empresa ora foi repassada para a esposa.

          José Henrique Paim, como número dois do MEC, agora o assume.  O seu trato com Dilma vem desde o secretariado de Olivio Dutra. Hoje petista, já foi filiado ao PSDB na década de oitenta. Tem perfil de gestor.
           Helena Chagas, a Ministra da Comunicação, semelha haver entrado nessa mini-reforma ministerial pelo lado errado, eis que perdeu a pasta a instâncias do P.T. e notadamente de Franklin Martins, aquele que luta há bastante tempo por um lei de controle da comunicação social. E o lugar vai ... para Thomas Traumann, que assessorou Palocci na Casa Civil.  Com a saída (forçada) deste último, foi pendurado no galho da Secom, de Helena Chagas.
           A sua ascensão posterior se insere nas lutas sibilinas de gabinete. Consoante a imprensa, Traumann protagonizava uma disputa velada contra a Ministra Helena Chagas. Com o apoio do PT e sobretudo de Franklin Martins – que vai voltando às boas graças de D. Dilma – conquista a ministrança, dentro de estória que não tem muito de original.

 

(Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo)

Nenhum comentário: