sábado, 14 de novembro de 2015

Novo massacre em Paris


                 

          Para entender a facilidade com que o braço islamita atua em Paris e em outras cidades da França, carece ter-se presente que a população francesa já incluía (em princípios do século XXI) cerca de oito milhões de muçulmanos (total esse de resto não divulgado e que me fora confidenciado por funcionário francês). Diante da respeitável taxa de nascimento nessa comunidade, há de prever-se que a participação de descendentes islâmicos na República Francesa terá continuado a aumentar, diante da baixíssima taxa de natalidade da população natural do país.

         Enquanto cresce o percentual muçulmano da população do Hexágono, ainda não se percebe uma preocupação do governo francês, seja ele de direita ou de esquerda, em criar mais condições para a real integração da minoria islamita no Estado francês.

         A sua maior parte continua a viver nos HLM (habitações na periferia, com aluguer controlado), que se converteram em verdadeiros guetos, no entorno pobre e violento das principais cidades.

         Hão de recordar-se que o então Ministro do Interior (que cuida da polícia) Nicolas Sarkozy prometera aos franceses em discurso, no ensejo de protesto generalizado desse proletariado (caracterizado pelo incêndio de carros nos fins de semana),  que ele enfrentaria a racaille (gentalha).

          Essa promessa pode não ter sido acompanhada da ação repressiva a que Sarkozy aludia, mas lhe foi de grande proveito para aumentar-lhe a popularidade junto ao povo francês.

          A colonização da Argélia e a guerra pela liberdade naquele país (antes um departamento francês) exigiu longo enfrentamento diante do FLN (Front Nacional pela Libertação - da Argélia), sobretudo pelo número de pieds noirs (pés negros, com que se designava a parte européia sediada no então departamento da Argélia). A resistência francesa se explica pelo apelo da comunidade de origem francesa lá radicada.

          Somente de Gaulle conseguiria chegar ao acordo, reconhecendo a independência da antiga colônia. A transferência para a França continental não seria apenas dos colonos franceses lá antes radicados, mas também incluíu os ditos harki que são aqueles argelinos que tomaram o partido da França. Dados os ódios e os ressentimentos, deixá-los na Argélia equivaleria a condená-los à morte.

          Com o passar dos anos, e a normalização das relações,  o fluxo provindo da Argélia (e dos outros países do norte africano) se manteve. Se juntarmos a essas correntes demográficas, a taxa de natalidade desta população - bastante superior à das francesas autóctones - terá contribuído para o sensível incremento da parcela muçulmana no povo francês.

         Quando o Presidente francês, François Hollande, ao pedir união contra o terrorismo, e promete renovada atenção, há de ter-se presente que declarações similares foram feitas ao ensejo do massacre da redação da revista Charlie Hebdo, há cerca de onze meses. O número de vítimas desse ataque terrorista não está ainda fixado. Por ora,  estão computados cerca de 140 mortos em Paris.

         Esse ataque islamita radical pode ter muito a ver com a intensificação das operações de guerra contra o estado islâmico.

         A tal propósito, o jihadista mais famoso do E.I. parece ter sido liquidado por um ataque aéreo da coalizão ocidental a Raqqa (o Pentágono dá 99% de probabilidade de que esteja morto). Jihadi John - identificado como Emwazi, homem de 27 anos, nascido no Coveite, e que vivia no Reino Unido desde os seis anos de idade. Apesar de vigiado pelo serviço secreto, o jihadista logrou fugir para a Síria em 2013, e se tornou notório por suas aparições como carrasco nas brutais decapitações de reféns do ISLI, inclusive a do jornalista americano James Foley (video divulgado a 19 de agosto de 2014).

 

( Fontes:  O  Globo, The New York Times )

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