quarta-feira, 19 de março de 2014

Diário da Mídia (XII)


                                 

Liberalidades de D. Dilma

 

         Será que o Governo de Dilma Rousseff deseja realmente escapar da rebaixa de sua presente nota pelas agências de avaliação de risco? O seu comportamento tem sido tão descarado no capítulo que as dúvidas não são apenas retóricas.

        Quem age da maneira com que esta administração petista se vem tristemente assinalando, nos faz pensar seriamente sobre a hipótese de que este modo desavergonhado, quase cínico, não corresponda a uma escolha ao revés, como se tivesse cansado de dissimular.

         Não é necessário muito esforço para que tais dúvidas assaltem o observador do mercado econômico-financeiro. A despeito das chamadas capitalizações do final do mandato de Lula da Silva, não há nada comparável na atuação do Presidente Lula e, sobretudo, de seu Ministro da Fazenda Antonio Palocci que nos faça lembrar dos atuais truques fiscais de Mantega & Cia. A própria Fazenda de Mantega – posto que assaz diversa da conduzida pelo antecessor – não cairia tanto, quanto agora se vê.

          Malgrado as promessas de Dilma, a sua gestão tem sido ruinosa, também em termos de inflação. Tangida pela queda na popularidade trazida pela carestia, a Presidente não teve outro jeito senão o de dar certa autonomia ao Banco Central, para que intentasse controlar a alta dos preços. Malgrado a taxa Selic alta, a inflação continua a bater no teto (mais de 6%), o que infelizmente constitui característica atribuível unicamente à irresponsabilidade do Governo Dilma.

           Trocando em miúdos, a causa precípua da desordem fiscal – vale dizer, a incapacidade de pôr ordem na casa, fazendo com que receitas e despesas sejam compatíveis – está na marcada tendência de Dilma Rousseff para a gastança. O Governo petista – e isto desde os primórdios de Lula – incrementou boçalmente (sem trocadilhos) os gastos correntes, i.e., os dispêndios com salários de funcionários estáveis. O PT continua a inchar os orçamentos dos ministérios e das agências especializadas.  No entanto, não se fala de despesas produtivas: o Partido dos Trabalhadores está em marcha batida para virar o Partido dos Funcionários Públicos. Que vá fazer esta opção fisiológica justamente quando o Estado Moderno se orienta para a diminuição dos penduricalhos e dos quadros inúteis, e se volta para a eficiência, é indicação segura de que o PT manipula um projeto de poder, que nada tem a ver com desígnio de desenvolvimento e modernização.

             Há tanta gente nesse projeto neopopulista do PT, que estão afetando áreas do Estado que antes se caracterizavam por  política acima das contingências das administrações partidárias. Em outras palavras, o Itamaraty – antes o garante da política de estado que o distinguia  dos nossos hermanos (que se pautavam por considerações partidárias) – agora tem áreas sob direto controle de apparatchicks petistas. Na diplomacia, como nas finanças, surgem desenvolvimentos antes impensáveis.

             Assim, somos informados por um jornal de Brasília que o “Governo Dilma Rousseff resolveu declarar-se ‘amicus curiae’  no processo movido em New York contra a Argentina por fundos de investimentos norte-americanos”. Não é coisa de somenos importância eis que “na disputa dos fundos com a Argentina, o Brasil se apresentaria como fiador do governo de Cristina Kirchner, que responde à ação por ter dado calote nos credores.”

               O comportamento brasileiro tem sido muito diverso do argentino, em termos de garantia e de respeito aos compromissos. Nessa altura do campeonato, cabe perguntar qual o sentido de nos envolvermos em questão que nos é alheia, e que só pode acarretar danos para as nossas finanças, seja por sobrecarregar-nos com compromissos que não assumimos, seja por afetar o nosso nome na praça, se viramos ‘amicus curiae’ (sócios na ação) de processos que não nos concerniam antes?

               Mas a estranha liberalidade do Governo Dilma não para por aí. Na surdina, Dilma Rousseff passou por reunião da União Africana em Adis-Abeba.  Dada a má repercussão de perdões anteriores em dívidas de países africanos, a Presidenta preferiu que sem divulgação pela mídia dívidas decenais de países africanos fossem novamente perdoadas – em um montante de novecentos milhões de dólares !

               Estranha liberalidade esta do Estado brasileiro. E qual o objetivo do perdão? Se há dívida pendente, o pais devedor não pode contratar novos financiamentos.  Tal faz muito sentido. Dada a corrupção na África, muitas dessas dívidas são embolsadas por ditadores corruptos. Contudo, enquanto o país credor não perdoa o devedor, a dívida fica de pé e não são possíveis novos financiamentos.

               Pois é através do perdão da dívida anterior que novos negócios podem ser contratados, que vão beneficiar as nossas empreiteiras... São, ao que parece, as recomendações do ex-Presidente Lula da Silva...

               Mas será que o Brasil tem tanto dinheiro assim que deva perdoar as dívidas de países africanos, muitos dos quais dirigidos por ditadores corruptos?  Não é a regra que vige aqui no Brasil, não é D.Dilma?  Logo depois dos perdões anteriores, mais outra leva, e com o Erário perdendo US$ 900 milhões ?!

 

 

(Fontes:  Correio Braziliense, O Globo, internet)                                   

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