domingo, 13 de dezembro de 2015

O que promete o PMDB ?

 

         É difícil não apoiar Michel Temer e o PMDB nesta encruzilhada da política brasileira. O seu maior cabo eleitoral é sem dúvida Dilma Rousseff. Por quê ? Ideologias à parte, uma conclusão se impõe.

        A despeito dos esforços de seus partidários - e mais comovente será o PCdoB, esse partido comunista chapa-branquíssima, que se refestela no poder, ele e seus partidários, como Edson Fachin, o benjamin do Supremo que já quer dar lições a seus coleguinhas, como se lá estivesse desde o tempo de Celso de Mello - não há negar que Dilma é fraca como líder.

        E aí está o magno problema.  O apedeuta tem as suas limitações, mas apesar de ter azia à leitura, tem um bom faro político (excetuadas algumas de suas magnas operações, que melhores políticos teriam decerto evitado). De qualquer forma, como tudo na vida é relativo, não se pode comparar nem cotejar Lula com Dilma. Que seus cognomes tenham duas sílabas é o único traço comum.

       Lembram-se da entrevista de Jarbas Vasconcellos às páginas amarelas de VEJA? Faz tempo, será forçoso admiti-lo, mas não perdeu o seu prazo de validade. Ele disse então que o PMDB tinha a ver com corrupção, e tal declaração criou um certo rebuliço nos cacique peemedebistas.

        Nas muralhas do antigo partido de Ulysses Guimarães - posto que, ainda em vida do Senhor das Diretas, tenha virado mais grêmio de Orestes Quércia - houve rebuliço dentre os caciques e sobretudo os coronéis, a princípio revoltados com as assertivas do político pernambucano (que até hoje continua como solitária e brilhante estrela em um céu opaco).  Lanças foram levantadas, palavras de ordem gritadas, mas de todo esse energético vapor  não acabou saindo declaração alguma, nem o rosnado repúdio, nem as reiteradas razões, nem as solertes, sombrias insinuações de penas porventura mais sólidas e fortes. Já então cuidava da sigla o paulista Michel Temer e se saíra entre os chefes a colher condenações - o PMDB é menos sigla nacional do que federação de grêmios estaduais e dos coronéis correspondentes, quase assim como era o Partido Republicano ao tempo da República Velha. Acostumado a compor as toadas ligeiramente díssimiles das seções estaduais, se o cortante e mal-lapidado diamante da franqueza terá sido mal recebido pelo círculo dos coroneis, ao cabo iriam preferir a tática do silêncio - que estimam menos polêmica - para enfrentar tal situação.

        A verdade, porém, é que a incompetência de Dilma Rousseff é tão profunda e, por isso, tão destrutiva e antidemocrática, que não se tem outra opção senão mostrar-lhe através do impeachment a porta da rua.

         Michel Temer terá seus defeitos, mas tem uma qualidade, a que devemos aferrar-nos. Tem habilidade política e bom-senso, a ponto de manter-se chefe de um colégio de coronéis.

          Tendo Dilma como parâmetro governativo, e Lula, como guia político-partidário, diante do esfacelamento da estrutura petista e das alianças Ali-babá,  se cortadas afinal as pontes ilegais às grandes estatais, temos de recuar com toda urgência, guiados pelas luzes vintenais do impeachment, para buscar a salvação não apenas de nossa economia, mas sobretudo de nossa gente, que se levanta cedo para trabalhar, e, por isso, não é justo que vá topar com a porta fechada da usina, da fábrica, da loja e de que ponto seja de emprego honesto, depois de tanta promessa e tanto mau-caratismo.

          O Brasil é grande, abençoado por Deus, mas gente da nossa boa terra, vamos dar força a quem merece, a quem não se vale do gogó para enganar.

          Porque senão que benção divina nos há de salvar?

          Vamos pôr aquele partido com o seu grande timoneiro, e aquela falante Senhora, não na rua da amargura, pois essa não se encontra em guia algum, mas em algum posto de imerecido descanso, que já os aguentamos por demais.

          Enquanto isso, deixemos a Justiça seguir seu rumo. O que, se for conforme ao Juiz Sérgio Moro, creio seja do agrado da Nação brasileira.

 

( Fontes:  VEJA, O Globo, Folha de S. Paulo )

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