sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Notas de Ocasião

                                   

Aumenta a Taxa Selic

         Agora Fazenda (Joaquim Levy) e Banco Central (Alexandre Tombini) trabalham em conjunto. Como a inflação não parece sossegar (a inflação esperada nos próximos 12 meses vai de 5,46% para 6,67%), o Copom resolveu determinar a terceira alta desde a eleição. A Selic passa para 12,5%. Como assinala a Folha, a Selic é taxa referencial para o custo do crédito e remuneração do investimento. Assim, o juro cobrado do consumidor costuma ser bem maior. Daí a recomendada atenção no emprego do cheque especial e nas compras a crédito.

         Desde julho de 2011 (quando estava a 12,5% ao ano) este é o maior patamar da Selic.

         O aperto fiscal determinado por Levy e sua equipe se destina a desanuviar os horizontes fiscais da economia, além de trabalhar contra a carestia.  Uma vez dominado o dragão, pode-se começar a pensar em baixar a Selic. Mas com todo o cuidado porque o monstro tem fôlego para dar e vender.



Cristina Kirchner muda de tática

           A Presidente argentina terá deixado desorientado o governo, pois em sua última carta postada na internet Cristina Kirchner muda de opinião. Depois de ter afirmado no Facebook que o “suicídio provoca estupor e interrogações’, deu uma guinada e encontrou nova explicação para a morte do promotor (que a tinha denunciado dias antes por suposto encobrimento da participação do Irã no atentado contra a AMIA, que matara 85 pessoas em 1994: “usaram-no vivo e depois precisavam dele”.

            A reviravolta provocou perplexidade. A promotora Viviana Fein, que é a responsável pela investigação do óbito de Alberto Nisman, declarou: “Ela (a presidente) (...) pode pensar que foi suicídio. Pode variar sua posição(...). O caso continua sendo considerado duvidoso”.

           O Secretário de Segurança, Sergio Berni,  que foi o primeiro a entrar no apartamento de Nisman após o crime – despertando suspeitas de como tivesse   a informação com tal celeridade – logo alinhou-se à nova postura presidencial: “ a teoria do suicídio parece cada vez mais distante.”

           A nova posição da Presidente irritou a oposição, que reitera a convocação dos ministros das Relações Exteriores, Hector Timerman, e do Planejamento, Julio de Vido, para dar explicações  sobre a denúncia do promotor.  Nisman acusara a Presidente, os seus Ministros e três dirigentes kirchneristas de terem armado uma ‘confabulação criminosa’ para acobertar funcionários iranianos procurados pela Justiça Argentina por sua eventual responsabilidade  no atentado à Associação Mutual Israelense Argentina  (AMIA). O escopo do suposto plano secreto do governo Kirchner era o de vender um acordo que estabelecesse a troca da impunidades para os funcionários (ou sicários) do Irã por um escambo comercial (a Argentina vendendo grãos e comprando petróleo)

           Nesse sinistro contexto, não causa espanta que o El País, em comentário de Fernando Gualdoni, considere em jogo a credibilidade externa judicial da Argentina.

Morre o Rei Abdullah, da Arábia Saudita

           No hospital desde desde dezembro do ano passado, o rei Abdullah morreu de pneumonia. Com 90 anos, estava bastante fragilizado. Deverá sucedê-lo o irmão Salman.

Violência contra jornalistas

           Relatório da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) revela que 129 sofreram violência em 2014, sendo que três foram assassinados. Em relação a 2013, houve 181 casos de violência. Em termos de homicídio, houve um caso a mais (três), do que os dois verificados em 2013.

           As agressões, portanto, diminuíram, embora o total continue alto. A viúva do jornalista Pedro Palma, dono e repórter do “Panorama Regional” – que foi assassinado com três tiros, na porta da sua casa – cobrou justiça para os responsáveis pela morte do marido. Patrícia Palma  acompanhou a divulgação do relatório, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

              Disse ela: “Vai fazer um ano (do crime).  Ele está virando uma estatística. Ele foi assassinado na porta da minha casa e eu não terei resposta nenhuma? Então, a gente está lutando é por justiça.”

              A pena de morte que não existe no Brasil, na prática é aplicada em vinganças e represálias contra repórteres que expõem crimes e podres de grupos de poder, interioranos ou não. A melhor maneira de coibir tais práticas não é através do esquecimento, por omissão ou imposição, ou da prorrogação indefinida de processos judiciais, de que Celso Daniel é exemplo de crime insepulto.


Da Arte da Política, segundo João Santana

               Apesar de ocasional linguagem chula, o marqueteiro João Santana fala grosso, fundado no seu respeitável retrospecto de vitórias com candidatos petistas.

               Segundo esse pensador: “os candidatos são tão humanos e muitas vezes mais frágeis do que o eleitor. Ninguém gosta de levar porrada (sic). Ou se enfurece e reage, ou se quebranta.”

              Os exemplos que têm à mostra parecem respeitáveis. Que o digam Marina Silva e Aécio Neves.Contra o ex-governador de Minas, o marqueteiro saíu-se com acusações de nepotismo em 2014. O tucano acabou chamando Dilma de “leviana”, doesto que se teria voltado contra o próprio Aécio. O PT passou a insinuar que, com isso, o Senador se teria mostrado agressivo com mulheres.

              Já Marina levou porque chorou – virou aquela que não aguenta pressão, e onde já se viu isso numa candidata que pretende governar o país.

              A vitória tem sido propícia para João Santana. Ele terá lido o seu Maquiavel, e por vezes recursos discutíveis permanecem incontestes pela ajuda prestada ao partido do poder, que atualmente é o PT. 

               Assim, a proposta da candidata Marina de dar autonomia ao Banco Central, foi atacada com violência em filmete do PT de Santana, em que mais do que se insinuava que tal prática iria tirar a comida da mesa do pobre. A coalizão que apoiava Marina requereu tempo de resposta, o que foi denegado por um ministro do Tribunal Superior Eleitoral. Aliás, para quem tinha pouco tempo de publicidade, a temporada estava aberta para a pletora das ‘mentiras’ (como as definiu Marina).

               Resta ver se no futuro o dito ‘mago’ marqueteiro não mais dispuser de tantas e oportunas ajudas, se a sua propaganda continuará eficaz. Pois sem contestação fica muito fácil.

O sombrio panorama energético

              O Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, é bom de gogó.  Dá melhor impressão de que o antecessor Edison Lobão.

             Ele disse: no Brasil, não falta energia.

              Mas então como  explicar  as importações da Argentina e do Paraguai?

              Só da Argentina foram 165 megawatts. E do Paraguai, o Brasil vai utilizar 300 MW da cota do país irmão, em Itaipu.

              A probabilidade do racionamento cresce, eis que das dezoito principais hidrelétricas do Brasil, dezessete já estão com o nível de seus reservatórios abaixo  do que estavam em 2001, quando é bom lembrar que o Brasil de FHC fora constrangido a fazer racionamento. Ora, todos sabemos que racionamento é anátema para D. Dilma. A pergunta da vez é como o  governo petista  sairá dessa.

Dinheiro da Petrobrás pagava aliados do PT

              O que já se presumia é colocado em documento, entregue à Justiça Federal, na defesa de Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia, um dos alvos da Lava-Jato. Aí se declara que os superfaturamentos em contratos da Petrobrás foram empregados  para bancar “o custo alto das campanhas eleitorais”, assim como para o Governo Federal pagar parlamentares em troca de apoio no Congresso. 

                 Consoante asseveram os advogados deste empresário – preso desde novembro com outros dez empreiteiros – o esquema foi montado pelo PT para se manter no poder.

                Por outro lado, o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto – que até então, fora as citações na imprensa, permanecia indenefoi exonerado da função de conselheiro da Itaipu Binacional. Havia sido designado para este posto por Dilma Rousseff, então Ministra das Minas e Energia em 2003.

Costa terá recebido US$ 1,5 milhão

               O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, confessou à Polícia Federal que recebeu US$ 1,5 milhão só para ‘não atrapalhar’ a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

               Ainda segundo Paulo Roberto (o ‘Paulinho’ de Lula), dentro da notória operação de Pasadena, o negócio em tela pode ter envolvido propina de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões – valor supostamente pago pela Astra Oil, antiga sócia do empreendimento ao ex-diretor da estatal, Nestor Cerveró, e ao lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, que são apontados como braços do PMDB no esquema.  

             “Fernando Baiano ofereceu ao declarante (Costa) o valor de US$ 1,5 milhão para não causar problemas na reunião de aprovação da compra da refinaria de Pasadena.  O ex-diretor aceitou o valor e Fernando operacionalizou a disponibilização deste valor no exterior.”

              Segundo Costa, o lobista Fernando Soares frequentava Brasília “com regularidade” e era muito próximo do empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-Presidente Lula da Silva.

Nota sobre um evento de caráter pessoal

               O blog, iniciado em junho de 2008, e tornado diário a partir de 2009,  reflete em suas  páginas a, por certo, modesta contribuição deste blogueiro. Inclui não só comentários políticos, econômicos e financeiros, mas também avaliações diplomáticas, históricas, geográficas, literárias et al., além de incursões na ficção. Nele acolhi livro de dileto amigo meu, i.e., A Crítica do Animal Político, assim como a série de Cartas ao Amigo Ausente.

              Como ninguém é de ferro, também comparece a ficção, na sua série Cidade Nua.

              Hoje, a série completa 2500 postagens.

 

Nota sobre notícia que não saíu.

 
              Infelizmente, não foi possível a este blog publicar notícia sobre a anulação judicial da inconstitucional censura prévia aplicada sobre o Estado de S. Paulo. Resultante de sentença do Desembargador Dácio Vieira (TJ/DF), até hoje – e nos aproximamos do lustro – ela persiste, com censura prévia ao Estadão. Infelizmente, malgrado diversas opiniões na imprensa, e muitos blogs neste modesto conduto,  o Supremo não teve tempo para dela ocupar-se e, se possível, prolatar súmula vinculante sobre o escândalo da inconstitucional censura prévia,  que a despeito de tudo, ainda parece ter vigência no Brasil.  

 

( Fontes: O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, The New York Times )

Um comentário:

Mauro disse...

Meus cumprimentos pelo marco das 2500 postagens, que de certo contam como muito mais se comparadas às usuais em outros blogs, tanto pelo tamanho quanto pela clareza da análise e erudição. Espero com interesse as próximas 2500!