terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Diário da Mídia (VIII)

                                        

Dilma: Venezuela é diferente da Ucrânia

 
       Há decerto muitas diferenças entre a Ucrânia e a Venezuela. O que preocupa é que, sob o lulo-petismo, o Brasil tenha abandonado a diplomacia de estado para adotar a de partido. Os governos são passageiros e não é prudente escolher lados a médio prazo, e mais ainda em países vizinhos. Identificar-se com uma das partes tenderá a complicar o futuro. Ou acaso pensam que Nicolas Maduro, com a sua incompetência, vai durar tanto quanto Chávez?  
      Além disso, confrange que se instrumentalize uma organização – que até cláusula democrática tem – para censurar (ações criminosas) a oposição.

      O que salvou a Ucrânia  é que o governo Yanukovych não dispunha nem da metade do poder manipulado pelo chavismo na Venezuela. Permitiria, acaso, Maduro que a oposição ficasse meses a fio em praça central de Caracas, em permanente manifestação pela renúncia do presidente?
      Não se vá esquecer tampouco que mesmo com Hugo Chávez a situação econômica e social estivesse muito boa. Além da violência, o desabastecimento já começara, assim como os apagões. Por outro lado, não é igualmente de hoje o sucateamento  da estatal do petróleo venezuelano, o que limitava a recepção de divisas (a Venezuela é, na prática, uma monocultura).

      Se, contudo, no presente o povo venezuelano tenha saudades de Chávez, é um indicativo forte de quanto a situação se deteriorou. Quando não se tem muito a perder e as coisas vão de mal a pior, as manifestações anti-Maduro e anti-chavismo tem no desespero .um aliciador temível, que não pode ser arrastado a nenhum tribunal do regime. Por que ele não mente e está em toda parte, a sua mensagem não poderia ser mais subversiva e contaminante...

 
Ceticismo das colunas econômicas

        Dados os antecedentes, poderia ser outra a reação de economistas ? Assim, Vinicius Torres Freire resume na Folha a atitude do chamado Mercado: Me Engana que eu gosto. Logo depois dos rumores sobre o certo rebaixamento do Brasil por uma agência de Wall Street, a administração fazendária brasileira – aquela que Lula declarou estar com o prazo de validade vencido – veio a público anunciar que pretende poupar uma boa parcela dos dinheiros que pensa arrecadar em 2014. Dados os antecedentes – e a circunstância não-atenuante de estarmos em ano eleitoral – a credibilidade da assertiva, como diria um velho mestre meu, tende para zero.

       O superávit fiscal de 2013 contou com alguns ganhos una tantum (que só acontecem uma vez), e além disso mais tarde vieram a lume outros detalhes que mais entram no capítulo dos malabarismos fiscais.

 
O  Improviso na  Gestão Dilma  Rousseff

 
            Já estamos pagando, mas pagaremos no futuro um preço ainda maior pela improvisação, que é a característica central da Administração Dilma em termos de economia.
            Assim, como mostra Miriam Leitão na sua coluna, a economia brasileira está cheia  de artificialismos e gambiarras. Nesse sentido, a reportagem do “Valor” mostra como medida errada pode provocar inúmeros desequilíbrios.

            Espanta que um governo do PT tanto contribua para desestabilizar a Petrobrás, que é um ícone do capitalismo estatal e que mereceria melhor tratamento do lulo-petismo (ou será que caberia no caso dilmo-petismo?).

            Assim, o uso da Petrobrás para controlar na marra a inflação teve os seguintes resultados que certamente não estavam previstos: (a) reduziu os impostos que a estatal recolhe ao Tesouro Nacional; (b) elevou o seu nível de endividamento a uma faixa perigosa; (c) abriu um rombo nas contas externas (aumentando as importações de combustível no país que Lula declarara auto-suficiente), e assim agravando o déficit na balança comercial; e (d) enfraqueceu o etanol, eis que diminuiu o incentivo para o cultivo da cana de açúcar, diante de diferença negligenciável entre  gasolina importada e o álcool.

             Outra coisa que está desorganizando a economia e, em especial, o setor de energia é  a utilização crescente de preços administrados. O objetivo do governo é o de evitar que a inflação suba. Não se pode, é óbvio discutir tal propósito. Ninguém deseja que a inflação suba. O que está errado é o recurso a preços administrados. Esse mecanismo tem fôlego curto. Não se combate o dragão com preços e tarifas artificialmente baixos.

             Comemoramos vinte anos de Plano Real. E, no entanto, o lulo-petismo continua a considerá-lo um programa de partido oposicionista. Não lhe aplica princípios básicos e ainda por cima procede à uma desestabilização da lei da responsabilidade fiscal. Não surpreende, portanto, que a expectativa do índice de preços para 2014 continue alta: anda em torno de 6%

 

(Fontes:  O Globo, Folha de S. Paulo)  

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