segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Rescaldo do Fim de Semana

                          

A Venezuela de Maduro

 
       Os problemas criados pelo populismo de Hugo Chávez continuam a atormentar o seu sucessor, o caminhoneiro Nicolás Maduro. Se não se pensa em solução imediata para esses males – como os apagões na rede elétrica ou explosões em refinarias estatais – a ‘responsabilidade pela autoria’ está na ponta da língua.
       Que os ‘culpados’ seriam sabotadores ardilosos e indeterminados, é  desculpa tão canhestra quanto sovada que na verdade só engana as velhinhas de Taubaté,  caso elas existam na população venezuelana.
      A generalizada incompetência, de mãos dadas com a falta de manutenção por anos a fio fornece uma causa bastante mais crível, que é descartada pela simples razão de não querer admitir a responsabilidade do chavismo pelos males que atazanam o dia-a-dia do povo da Venezuela.
        A mesma reação de tentar tampar sol com  peneira se viu no desabrido abandono por Caracas de sua cadeira na Comissão de Direitos Humanos da OEA. Estaria ficando o assento quente por demais, a ponto de aconselhar aos atarantados herdeiros do caudilho Hugo Chávez a saída intempestiva, como se partir batendo com força a porta fizesse esquecer as várias pendências que devem ser respondidas por Maduro & Cia.?

 

A Europa dos Mini-estados?

 
        Apesar da pesada dívida que onera a região da Catalunha, e a sua dependência de Madrid, quanto ao respectivo serviço e pagamento, perdura e até mesmo cresce movimento catalão que reivindica a independência da antiga província. Não há negar-lhe o número e a penetração, posto que, quando colocada a voto, não haja atingido os totais que lhe assegurariam a formação de mais um mini-estado.
        Com efeito, existe tal movimento independentista, que se sucede a outro maior, voltado para a formação de uma entidade comum – a Nação Europeia – que desde os anos cinquenta, de início pela via econômica, tem procurado estabelecer a União Europeia, que substitui o pandemônio dos nacionalismos por rede mais abrangente. Quiçá o maior obstáculo para a U.E. seja o gigantismo, e a disparidade de seus associados.
        No entanto, esses mini-fenômenos de um anacrônico ressurgimento de velhas províncias e até mesmo nações, há muito submersas por seculares soberanias, depende igualmente da alegada munificência de Bruxelas.  Não é que os novos separatismos – e não só o da Catalunha, senão também o da Escócia – contam com a permanência da rede de sustentação da U.E. , que lhes permitiria a anacrônica refloração, sob  condição de continuarem a contar com a munificência da autoridade europeia ?
          Estamos diante de uma fuga para a frente, a exemplo de verdadeira corrida de lemingues.  A autoridade europeia deveria ser de contundente clareza no sentido de que estão errados esses movimentos, se pensam partir do pressuposto de que tudo será como dantes, se cruzarem o Rubicão da independência formal. Se desejam voltar ao romântico passado da independência nacional, que tenham presente ser a realização de tal aspiração o caminho mais curto para voltar ao passado longínquo, vale dizer, a sua não-participação na União Europeia.

 
A próxima Eleição Alemã

 
          Que o adversário de Angela Merkel não semelha ser dos mais temíveis, já se sabe. No entanto, como nos ensina o político mineiro Magalhães Pinto, eleições se decidem pela apuração. Assim, o socialista Peer Steinbruck pode ser propenso a gafes, como as em que se referiu de forma depreciativa às mulheres, e a chamar políticos italianos de palhaços, mas tais circunstâncias não asseguram a vitória da Chanceler (e da CDU) para novo mandato. Serão as situações locais, o desempenho dos respectivos aliados – reporto-me aos democratas-livres lograrem vencer a barreira legal dos 5%, e aos verdes  não conseguirem reforçar a coalizão liderada pela SPD (o opositor partido Social-democrata).  Por outro lado, a recente vitória na Baviera na ala autônoma dos cristãos-democratas (CSU) tende a dar melhores condições para a Merkel.
        Tais elementos não compõem todo o quadro, mas tendem a apontar para favoritismo da atual Chanceler.  Que resta a confirmar.

 

(Fontes: International Herald Tribune, Folha de S. Paulo, O Globo)  

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