quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Só depois das eleições...

                                          

Represamento pelo IPEA



           Dentro de uma série de dados que foram represados, o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) ora confirma a interrupção do processo de redução da miséria  no Brasil.

           De acordo com as informações, o número de miseráveis cresceu de 10,08 milhões, em 2012, para 10,45 milhões, em 2013.

           Como isso se chocava com a propaganda oficial de D. Dilma, tal informação não foi disponibilizada para conhecimento do eleitorado, eis que discrepava do otimismo oficial.

           Para a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, não é possível afirmar que cresceu a extrema pobreza e sim, que houve “flutuação estatística”.

           Para analistas, no entanto, o crescimento menor da economia e a inflação explicam a alta da extrema pobreza.

 

O novo tom da oposição

 

           Assumindo a tribuna da oposição no Senado, com o respaldo de cinquenta e um milhões de brasileiros, não surpreende que Aécio Neves tenha sido ouvido com deferência pelos demais senadores.

           Em sua alocução,  o novo líder da oposição declarou: “na campanha, eles diziam que elevar os juros era tirar comida do prato dos pobres. Pois bem, foi o que ela fez logo que se elegeu. O governo escondeu o rombo das contas públicas o quanto pôde, escondeu reiteradamente que havia necessidade de ajustes e agora antecipa que eles serão duríssimos  no ano que vem, em um país que já não cresce. A candidata oficial também negou reajuste de tarifas públicas, e ela já está fazendo aquilo que disse que não faria. Na próxima semana já teremos aumento da gasolina e também da energia.”

 


A reação dos situacionistas  

 

            Em meio a profusos elogios e apartes favoráveis  - inclusive do Presidente do Senado, Renan Calheiros – coube ao líder do PT, Senador Humberto Costa, a tarefa de tentar contraditar Aécio Neves.

            Foi o único a ocupar o microfone em tom crítico, tendo sido inclusive interrompido por pesada vaia.

            O Sr. Humberto Costa chegou mesmo a declarar: “No Brasil, talvez apenas Getúlio Vargas e João Goulart tenham sido submetidos ao cerco a que essa mulher foi submetida ao longo desses quatro anos. Pela oposição, que é seu papel; pela mídia, a quem não caberia fazer, e também por muitos outros.”

            A hipérbole pode ser o refúgio dos oradores com árdua missão, mas para tudo há um limite, e a comparação com o que enfrentaram Getúlio Vargas e João Goulart foge no seu absurdo a qualquer parâmetro válido.

            Por fim, o petista – em fim de mandato – Eduardo Suplicy (SP) também aparteou Aécio, mas para se colocar como um interlocutor em possível diálogo com a presidente Dilma e o governo.

            Quanto às perspectivas de tais bons ofícios, semelham assaz questionáveis.  E quiçá tal já seja inteligível pelo conteúdo de seu aparte: ‘Podemos discordar, em alguns momentos, da sua fala, mas muitos dos seus objetivos  são comuns a nós: a defesa da transparência, da liberdade, da democracia, o combate à corrupção’.

            Com efeito, Suplicy tem traços trágicos de retidão e lisura, o que parece condená-lo ao isolamento no panorama do petismo paulista.

 

( Fontes:  O  Globo,   Folha de   S. Paulo )

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