sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Petrobrás e a Corrupção

                                   

          Não cessa, apesar de tudo, de surpreender a amplitude do ilícito que continua a atingir a principal companhia brasileira. Em ondas sucessivas, a Operação Lava-Jato mostra que ainda tem muito caminho pela frente. E, como oportunamente sublinha Ricardo Noblat, o que está fazendo a diferença no caso em tela é que muita gente graúda está caindo nas malhas da Polícia Federal.

          É tal o volume da operação fraudulenta que envolve a Petróleo Brasileiro S.A. e o peso das pessoas que vão caindo nos alçapões da Polícia Federal, que, mesmo em Pindorama, teima em persistir a estarrecida  surpresa na opinião pública, diante dos incontáveis peixões que se debatem nas malhas da P.F.

          Sempre em função das investigações da PF, a Justiça decretou bloqueio de  bens de dezesseis pessoas físicas.  Por isso, a corrente não se detém. Em consequência,  mandados de prisão são expedidos em cinco estados da Federação e no próprio Distrito Federal.

          Há grande, acintosa diferença na Lava-Jato, em relação a escândalos anteriores. Aqui não temos a ver com os sólitos peixes miúdos, aqueles costumeiros bagrinhos que vão sendo alcançados pelo braço longo da lei.  Ora, os camburões também se abrem para aqueles que, no passado, estariam acima de qualquer suspeita.

          Pelos cômputos, não obstante o pescado já nas malhas da rede ou prestes a nelas caír, ainda faltaria muita gente importante. Nesse momento, em que escasseiam os telefonemas, as mesuras e até o cafezinho,  a hora da prestação de contas sai dos gabinetes, enquanto o suspeito vê aproximar-se, inexorável, aquele momento emblemático, em que espoucam os flashes e não exatamente para as habituais sorridentes poses dos figurões. Nessa hora em que vaca desconhece bezerro, as sombras se transformam em clarões.

          Dentre os operadores partidários, Marice Correa Lima, cunhada do tesoureiro do PT, teria recebido cem mil do doleiro Youssef.  E a Polícia Federal está atrás de Fernando Baiano, que vem a ser operador do PMDB.  

         Nesse quadro, estaria acaso a cunhada do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores  entre os suspeitos ?

        No entanto, o tamanho da Lava-Jato não para de crescer. Nesta manhã, já foram detidos dezessete presidentes ou altos diretores da OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, UTC e Galvão Engenharia.

          Por outro lado, executivos da Mendes Júnior, Iesa e Engevix se achariam também entre os alvos da ação. Ainda no contexto da Lava-Jato, de manhã a sede da Odebrecht foi alvo de operação de busca e a apreensão de documentos.

          Dada a  relevância e as óbvias implicações desta ação policial, as ações da estatal registraram queda de quase 5%. Por sua vez, o Ibovespa caiu 1% e o dólar volta a subir, indo para R$ 2,61.

          Apesar dos despachos tonitruantes, o escândalo da Petrobrás, esta enorme conquista nacional, teima em estrebuchar no Congresso Nacional, e até em altas esferas do Planalto, desde que, pouco a pouco, se vai entranhando na consciência ética brasileira a podridão que avança sobre a grande criação de Getúlio Vargas e de tantos outros ínclitos brasileiros que jamais pensariam fosse ela transformada em  criadouro de escândalos de toda sorte, a começar pela estranhíssima aquisição da refinaria de Pasadena, até hoje ainda não bem compreendida, a despeito dos despachos raivosos nas altas esferas.

           Pela mão firme da Polícia Federal, instituição que se alevanta e se afirma sempre mais, sob os olhares de aprovação da cidadania, vira-se a página dos depoimentos encomendados pelas dóceis CPIs  que nada ficam a dever às comissões que se reuniam, como nos tempos de Orestes Quercia, para servir pizzas aos senhores parlamentares, e o que é pior para ilaquear a cidadania.

          A Polícia Federal vem trabalhando para pôr abaixo os alegres pavilhões  com que os Potiomkin de plantão pensam apresentar ao Povo a farsa costumeira.   

 

 

( Fontes:  Site do Globo, O Globo )      

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