terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sai acordo fiscal entre Obama e GOP ?


         Os republicanos parecem agir como se a eleição de seis de novembro não tivesse ocorrido. E quando apertados para apresentarem propostas específicas, ou partem para as sólitas reduções nas prestações dos programas sociais ( aumento da idade para eligibilidade no Medicare, cortes na Previdência Social, e fechar vantagens fiscais (loopholes). De elevação nos impostos, mesmo naquelas baixas ruinosas arrancadas por Bush jr. para os ricos, nem falar.
         Na verdade, os líderes do GOP agem como os velhos Bourbon de França, visto que nada esqueceram e tampouco aprenderam com os passados reveses. Personificam o velho regime no seu menosprezo dos 47% inúteis (a célebre confissão de Mitt Romney para seleto público de milionários, em Boca Ratón),  na sédula proteção aos multimilionários (de que os irmãos petroleiros Koch, com as suas cruzadas reacionárias são a epítome) e talvez sobretudo no absurdo compromisso de Grover Norquist,que proíbe qualquer elevação de imposto.
         O meio-termo, esse critério aristotélico cuja definição vem atrelada ao bom senso, poderia a norte do Rio Grande ser utilizado para que os abastados paguem a sua quota adequada, porque é receita de desastre a sequência dos trilionários déficits do Tesouro americano. Depois da insânia de Bush jr., jogando no vermelho o orçamento estadunidense, por um conjunto igualmente ruinoso de guerras e de ‘bondades’ fiscais, os tempos de superávit de Clinton semelham estar em outra longínqua realidade, e não imediatamente antes do desgoverno de George W. Bush .
         O Presidente Obama fez amargo aprendizado quando da negociação com o GOP, a pretexto de  novo reajuste do teto da dívida, um compromisso de índole burocrática no passado, que passou a ser cinicamente instrumentalizado pelos radicais reacionários do Tea Party, iniciando em assunto sério o  velho jogo americano de chicken. Fazendo parecer que a estabilidade fiscal do Tesouro americano seria coisa de somenos relevância, o GOP achou oportuno reeditar esse jogo juvenil para pôr à prova quem pestaneja ou cede primeiro.
         O 44º presidente americano, por obra e graça do tandem do Speaker John Boehner e do Líder da Maioria Eric Cantor atravessaria o momento mais difícil do primeiro mandato – e então o voto-ameaça do líder da minoria republicana, Senador Mitch McConnell, de fazer de Obama presidente de um só mandato ganhara foros de ominosa probabilidade.
         O Barack H. Obama é alguém hoje  calejado com as peculiares idiossincrasias do Grand Old Party, o partido dos ricos adepto da política Robin Hood às avessas, vale dizer tirar dos pobres para dar aos ricos. Em consequência da crise anterior, Obama formulou agora a própria proposta baseada em teses liberais com os ricos voltando a contribuir em níveis de justiça fiscal. Aprendeu no passado que não deve tentar adivinhar o ponto até onde os republicanos irão, eis que, se fizer concessões antecipadas, a liderança do GOP tranquilamente embolsará essas vantagens e não se mexerá em propostas alternativas, que lhes atinjam as bases de apoio.
          Por isso, o presidente pôs na mesa as suas propostas de aumento de impostos para os ricos, e fica plantado aguardando sugestões republicanas para valer. Não são mais aceitáveis os expedientes costumeiros que prometem fechar loopholes fiscais, e assim fazer economia sem desgastar-se na respectiva base, com respeito interesseiro da tese do guru Grover Norquist.
         A tática presidencial – que auguro seja mantida até a hora dos finalmente – é de exigir uma verdadeira contrapartida republicana, e não o habitual truque de faturar com a fazenda alheia.
         Malgrado todo o terrorismo fiscal feito a propósito do acionamento automático dos cortes do acordo do chamado abismo fiscal (fiscal cliff), surgem diversos economistas que não consideram uma tragédia essa virtual cama de Procrustes estabelecida ao ensejo da última crise do teto da dívida. Não obstante a influência recessiva que obviamente acentuaria, a nova fórmula teria o mérito de forçar o aprendizado do Tesouro americano a viver com os respectivos meios, e não mais recorrer continuamente a empréstimos e outras envergonhadas formas de dívida, fundado na regalia de imprimir moeda que é até agora a principal divisa internacional nas transações financeiras.

 

 ( Fonte:  International  Herald Tribune )

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