quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pilulas Agridoces (II)

                                         

Brasil lucra com briga alheia

 
           Por força das sanções aplicadas por Estados Unidos e União Europeia à Rússia, o  Brasil deverá aumentar as suas exportações, notadamente de carnes (frangos).
           Após o anúncio das sanções, o governo russo alargou o número de frigoríficos brasileiros autorizados a exportar para a Rússia, de trinta para cerca de oitenta.

           Em termos de frangos, as vendas anuais do Brasil saltarão de sessenta mil toneladas para duzentos e dez mil.  Em 2013, exportamos US$ 137 milhões para a Rússia, e agora se aditaria volume suplementar – se confirmado – de mais US$ 300 milhões às nossas exportações.

 
Mudar por mudar?


           A colunista Eliane Cantanhêde, da segunda página da Folha, a propósito de artigo de Maurício Puls, volta a bater na tecla de que Dilma pode ser ruim, e até muito ruim. No entanto, para ela, a despeito das avaliações negativas, vale e vale muito a circunstância de que é um fator conhecido.
            Não me convenceu a argumentação de eleitora com nível médio de escolaridade e relativamente baixo de renda. A sua melhor avaliação, ou  anti-avaliação é uma receita para a mesmice e a inoperância. O eleitorado precisa ser motivado e mais do que isso sacudido pelos argumentos da oposição.

            Se passeatas de jovens, em junho de 2013, foram capazes de comunicar-se com as ruas e bairros de todos esses brasis, trazendo de volta valores que se pensava esquecidos ou até escarnecidos, ninguém pode desdenhar à priori do grito das ruas que é essencialmente a mensagem de um povo que procura.

           E, minha gente, quem procura, acaba encontrando, como se viu em junho, e poderá ver-se nesses meses que faltam para o três de outubro.

 
A  destruição na Faixa de Gaza

 
           Como a população civil que reside em Gaza – que, normalmente, já é um exemplo de precariedade habitacional e de excessiva concentração demográfica – há de julgar a disposição belicosa da ala militar do grupo palestino Hamas?

            Qual o significado de não admitir a extensão da trégua ? Não é só demagogia, mas sim um vocação para a destruição das residências e dos cortiços que constituem a imagem de Gaza.

              De que adianta expressar a disposição de continuar a lançar os seus foguetes, a despeito de antiquados e com muito baixa possibilidade de superar a barreira tecnológica montada por Israel, com o apoio dos Estados Unidos?

              Tornar a povoação civil de Gaza refém das péssimas condições sanitárias e habitacionais, que se estendem a perder de vista, cortesia dos bombardeios israelenses, que os fanáticos profissionais do Hamas se empenham em provocar, e de forma incessante?

               Entre dois inimigos, um armado até os dentes e dispondo de mirífica e quase sempre letal capacidade,  e outro com o zelo e a intransigência alimentados por outras fontes, igualmente implacável na sua determinação de levar tudo à breca, mesmo infantes e crianças, o que dizer dos lancinantes apelos de autoridades internacionais e nacionais, que atingem os mais altos decibéis durante os conflitos, para depois recolherem-se aos salões de  diplomacia que brande resoluções e recomendações, diante da penúria e dos destroços das habitações em ruina, onde no monturo dos bombardeios e na visão cotidiana da miséria e da desesperança existe e se eleva  condenação que grita tão alto nos seus estragos absurdos e sem qualquer outro propósito que clamar a estupidez do fanatismo.

               Para eles todos, que tanto mal causam e nenhum bem, a única imagem seria a dos celerados da Guerra Civil Espanhola, que bradavam a plenos pulmões Viva la Muerte!

               Pois será o mesmo que viver em Gaza, por especial cortesia do Governo israelense e dos líderes do Hamas !

 

( Fontes: Folha de S. Paulo,  O  Globo,  CNN )

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