quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Marina

                                                     

        Marina é a candidata natural diante da tragédia que vitimou Eduardo Campos. As razões são muitas, a começar pela aliança com Campos, e a sua coragem em oferecer-lhe guarida quando do naufrágio da jogada política da Rede  Sustentabilidade. A grandeza de Campos, ele a demonstrara uma vez mais ao formar chapa com Marina, que com ela trazia a dádiva, mas também o desafio dos seus dezenove milhões de votos.  

        E malgrado as diferenças e as aves de mau-agouro, ambos cumpriam a sua parte, construindo a terceira-via, diante do oficialismo de Dilma, e o PSDB de Aécio, com o seu baú de quizílias, disputas internas, mas também o cabedal do Plano Real.

       A crueldade das Parcas, sua milenar indiferença, nós, Povo brasileiro, a experimentamos uma  vez mais, submetidos aos imprevisíveis ditames de Agosto.

        É hora, no entanto, de virarmos a página. Se Eduardo Campos nos deixou, na manhã de um dia treze de agosto, a sua lição não pode ser esquecida.

        Diante da composta injustiça, ele não hesitara em formar chapa com Marina. Ambos mostraram grandeza. Ela, ao aceitar ser a vice da candidatura de um político mais jovem, menos experiente, mas com a solidez das próprias convicções e a serena confiança na respectiva capacidade.

        Para surpresa de muitos, a aliança entre o ainda jovem ex-governador, da linhagem de Arraes, e a ambientalista Marina, de que rosto e corpo mostram a árdua caminhada, se manteria e se reforçaria.

         O infortúnio e a desgraça, com o seu terrível legado, podem contribuir, ainda que paradoxalmente, para respostas que crescem diante do desafio e o superam, se os que ficaram lograrem entender o claro enigma colocado pela brutal, súbita saída de cena.

         Em meio à perplexidade da partida inesperada, e às mudanças trazidas pela fatalidade, pode-se ouvir o recado quanto ao caráter natural de quem deva suceder ao candidato Eduardo Campos.

         O irmão Antônio Campos, sem vacilação alguma, aponta para Marina, como quem deva suceder a Eduardo, como a candidata do  PSB.

         E tal indicação não está isolada, porque, queiram ou não, a ex-Senadora do Acre, por todos os títulos, reponta como a cabeça de chapa natural.

         Do PSB se ocupa o velho político Roberto Amaral, de comprida trajetória burocrática no partido em que Eduardo surgira como a natural liderança.

         Marina, que pertenceu ao Partido Verde, dele se afastara por dificuldades com a entrincheirada direção partidária, que muita vez prefere a aurea mediocritas da gestão burocrática às incógnitas das lideranças nacionais.

         A menos que deseje voltar à antiga aliança, na subordinação ao PT, nos moldes do PCdoB, a escolha de Marina se impõe. Além de ser a decorrência do gesto seguro e audaz de Eduardo, seria o endosso de uma via que a todos se impõe, se não cegos pelos acenos continuístas de outros mandos, que não temem decerto ao PSB no seu invólucro tradicional, mas sim a Marina.

             Se Eduardo Campos não está mais entre nós, a sua lição política permanece. E ela aponta para um PSB atuante e consciente do respectivo poder, e não uma sombra.

 

( Fontes secundárias: O Globo, Folha de S. Paulo )      

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