quinta-feira, 18 de julho de 2013

Trincheiras da Liberdade (VI)

                                
Condenação de Navalny
 

       Conforme amplamente esperado,  mais uma vez os ditames de Vladimir Putin foram implementados pela dócil justiça russa.
       Em Kirov,  o opositor Alexei Navalny foi condenado a cinco anos de prisão pela suposta apropriação indébita do equivalente a 500 mil dólares em madeira, de uma companhia estatal.
      Navalny, que denunciara a corrupção de Putin e de seu círculo, declarou que não tinha ilusões sobre o juízo, preparado adrede para impossibilitar-lhe a candidatura à prefeitura de Moscou.
      O ex-chefe de estado Mikhail Gorbachev lamentou a sentença, assinalando ser fato conhecido a falta de independência da magistratura na Federação Russa.
      A U.E., através de sua Ministra do Exterior, Catherine Ashton, afirmou ter sido uma farsa o juízo de Kirov. William Hague Secretário do Exterior de Sua Majestade britânica, manifestou sua preocupação (concern) a respeito.
      Por sua vez, a Anistia Internacional verberou as acusações contra Navalny, que reputou altamente questionáveis. Foi sublinhado que o processo tinha sido encerrado por duas vezes, por falta de provas, até ser reinstituído por instruções expressas da principal autoridade investigatória na Rússia.
 

Detenção de ativista de direitos na China

 
       O advogado Xu Zhiyong, um proeminente ativista da defesa de direitos foi preso pela polícia de Beijing. Tudo indica que o caso contra Xu associe duas falsidades: a fabricada motivação da detenção que vem conjugar-se à repressão da campanha de Xu para que o PCC dê seguimento a seu compromisso expresso de expor a corrupção oficial, dentro do respeito à lei.
       A esposa Cui Zheng mostrou-se perplexa com a motivação policial, eis que Xu está em prisão domiciliar por setenta ou oitenta dias. Como é, nesses termos, possível que ele tenha sido detido pelo polícia do transporte público, sob a alegação de “valer-se de uma aglomeração para perturbar a ordem na via pública” ?
       Liu Weiguo, o advogado que Xu convidou para defendê-lo, expressou sua estranheza contra a acusação que muito provavelmente foi plantada pelos esbirros.  De um lado, é bastante esquisito que alguém em prisão domiciliar por 70 ou 80 possa provocar a quebra da ordem pública. Por outro, de que modo um estudioso do direito, conhecido por sua maneira discreta e controlada, e ainda por cima habituado a lidar com a pressão da polícia, poderia ser acusado de escapar de seus guardas e iniciar um cocoré  público ?
       A resposta obviamente está na brutalidade intrínseca das ditaduras, sejam elas burocráticas ou individuais. O discurso pode variar, mas o lado escuro, i.e., a repressão, não tende a ser muito diverso no que tange aos agentes e às masmorras respectivas, seja na Bielorrússia seja na República Popular da China.

 

( Fontes:  CNN, International Herald Tribune )

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