quarta-feira, 4 de abril de 2012

CIDADE NUA V

O  Espelho  Mágico  (19)



        Embora se sentisse um tanto desconfortável, preferiu deixar sem resposta o e-mail  de Lúcia. Tampouco atendeu às chamadas pelo celular.
        Não era que fosse um avestruz, a meter a cabeça na areia e fazer de conta que não era com ele. E, no entanto, dentro de si a certeza crescia de que não havia outro jeito. Tinha de matar o caso de modo radical. Não havia lugar para explicações ou enrolações. Ainda que a maneira o fizesse sentir-se um pouco calhorda, achava que não existia outra escolha. Carecia de virar a página e o quanto mais cedo, melhor.

                                                 *      *

         Alberto,


         estou confusa e perplexa. O seu silêncio, não sei a que atribuí-lo. De repente, você começou a não responder a todas as minhas comunicações. Os e-mails, as chamadas pelo celular e até a tentativa de um contato pessoal no seu apartamento. Esta última foi a pior de todas. Prefiro calar acerca do que me pareceu mandar dizer ao porteiro que tinha viajado.
         Por tudo isso, queria pedir-lhe um favor. Se por azar, nos encontrarmos na rua, finja que não me conhece. Não tenha dúvidas que eu farei o mesmo.

                                Lúcia Maria

                                                 *      *

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