segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Bola da Vez ?

                                   

       Apesar das peremptórias negativas do Ministro Orlando Silva (PCdoB), do Ministério do Esporte, e de sua intenção de seguir a agenda (acompanhava os Jogos Pan-Americanos no México), teve de mudar os planos às pressas, regressando a Brasília para tentar desmontar as acusações contra ele, conforme referidas pela revista Veja.
       A Presidenta Dilma Rousseff cobra explicações do Ministro acusado de corrupção. Por um tempo, no entanto, Dilma – que parece haver tomado gosto das viagens ao exterior – estará fora, em visita à África. Entrementes, delega à Ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e a Gilberto Carvalho (Secretario-Geral e sentinela informal do ex-Presidente Lula) a tarefa de questionar o ministro na berlinda, com vistas a avaliar as acusações e determinar-lhe as implicações políticas.
        A esse respeito, no âmbito do desporto – pois está é a  competência do ministro do PCdoB, a ter sob sua área de responsabilidade nada menos do que a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016) – o colunista Juca Kfouri escreve ser sem dúvida inverossímil um ministro receber propina na garagem do prédio de seu gabinete oficial, como o seria também pagar com cartão corporativo do governo federal uma simples compra de ... tapioca ? Ou então levar às custas do Estado mulher, filho e babá para hotel no Rio ?
       Se são acusações dormidas e de véspera, de tropeços éticos quiçá varridos da lembrança, como diz a canção, da sede palaciana, para onde perscrutam nervosos os ministros e secretários de estado da pequena multidão que Lula quase arredondou para os simbólicos quarenta, a pergunta que paira no ar é como procederá a imperial Presidenta.
       A respeito, Ricardo Noblat, na sua bem-informada coluna das segundas, reporta que “Dilma considerou ‘inconsistente’ a denúncia contra Orlando e fez questão de solidarizar-se com ele.”
      Tudo bem então para o Ministro Silva ? Não exatamente. Pois será o mesmo Noblat que nos recorda que ‘Dilma procedeu da mesma forma’ com os ex-ministros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais.
       Dentro do ritual desta mal-amada faxina, se os ‘malfeitos’ crescem e continuam a incomodar as vistas do poder, não obstante as melífluas promessas a prestigiá-los, a chefe do governo, consternada em perder tão válido auxiliar, se descobre tristemente compelida a acatar o pedido de demissão de alguém ‘sob suspeita de enriquecimento ilícito e outros tipos de malfeitos’.
       Na verdade, nos condói concordar que a culpa toda de tantos valiosos desfalques se atribua a esse pundonoroso vocábulo – malfeitos – uma reprovação envergonhada, de quem lamenta inculpar pessoas tão válidas e preciosas. É palavra que dá a impressão  de soberana que leva fino, suave lenço de seda às delicadas narinas, enquanto sussurra compungida o encabulado doesto, que nas sentidas e peculiares homenagens das excelsas alturas, se torna a palavra da desdita.
      E quem sabe não terão esses pobres, dedicados servidores outra chance no futuro, decorridos os prazos e atravessado o rio do Lete ?


( Fontes: Folha de S. Paulo, O Globo)     

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