segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O Fator Homem no Aquecimento Global

                              
         Deu no New York Times, que o painel internacional de cientistas determinou com quase absoluta certeza que a atividade humana é a causa da maior parte do aumento de temperatura média. Por outro lado, o nível do mar poderá crescer em mais de três pés (91,44cm), até o fim deste século se as emissões de gás carbônico continuarem na sua atual disparada.

         Os cientistas – cujas observações são reportadas em projeto de sumário do próximo relatório das Nações Unidas sobre o clima – na prática desconhecem a recente redução no ritmo do aquecimento, que é muito citada pelo grupo que duvida da mudança climática. Para a maioria dos estudiosos se trata muito provavelmente de fatores de curto prazo.

          O relatório enfatiza que os fatos básicos acerca da futura mudança climática estão mais confirmados do que nunca, o que induz à maior preocupação mundial. Os cientistas reiteram, outrossim, que as consequências da escalada nas emissões serão profundas.

         Quanto à responsabilidade humana, o novo relatório será mais incisivo. Em 2007, a estimativa da participação do homem estava em 90%. Agora, os humanos são a principal causa em pelo menos 95%.

         O nível do mar se elevará, mas não é possível determinar os níveis locais, que tenderão a variar. Já no aquecimento global, o aumento será menor que o previsto em 2007: estará em torno de 1.5 Celsius. No entanto, há um detalhe importante: o projeto de relatório diz ser possível o aumento menor, mas não que seja provável.

         Quais seriam as consequências dessa elevação da temperatura média ? Causaria largo derretimento do gelo terreste, fortes ondas de calor, dificuldades para a produção de alimentos na agricultura, grandes mudanças na vida vegetal e animal, com uma provável onda de extinções.

          Como se assinala, o documento é ainda um projeto de relatório, e os seus dados não são definitivos. Contudo, se a experiência das revisões passadas é indicativa, em geral a maior parte dos resultados obtidos será confirmada por estudos posteriores.

          Com o passar do tempo, a seriedade do trabalho dos cientistas tem sido informalmente corroborada pelo aumento brutal da incidência e da força respectiva dos fenômenos climáticos. Não se encontrarão muitos negadores de boa fé na costa leste americana, depois do furacão Sandy, por exemplo. Além a multiplicação dos tornados, e não só nos Estados Unidos, mas também em terras que em décadas anteriores a eles nunca tinham sido apresentadas – V. por exemplo o fenômeno no Sul do Brasil – devem induzir a quem tem juízo na cachola a suspeitar que, com a farra das emissões de gás carbônico, as coisas só tenderão a piorar.

         Assim, no futuro, vai ficar cada vez mais difícil ser um denegador climático de boa fé. Excluídos os republicanos de boa cepa, nos Estados Unidos, e uma parte dos ruralistas no Brasil (haverá sempre os que tangidos pelas intempéries começarão a ter dúvidas sérias), sobrarão poucos os que ainda estejam dispostos a endossar as arengas dos irmãos Koch, os grandes industriais petroleiros dos Estados Unidos.

 

(Fonte: International Herald Tribune )

Nenhum comentário: