sexta-feira, 24 de julho de 2015

Nova investida contra Hillary ?

                                        
 

            Hillary Clinton é, de longe, a pré-candidata no Partido Democrata com maior vantagem na opinião pública americana, com vistas a sua designação com candidata oficial para as eleições de novembro de 2016.        

            No entanto, não é segredo que os Clinton (Bill e Hillary) tem muitos inimigos políticos. Entre os órgãos contrários à ex-Secretária de Estado e ex-Senadora por New York, está o maior jornal americano, The New York Times. Embora se inquirido a respeito, possa até negar, o velho Times tem um histórico de artigos desfavoráveis ao casal Clinton.

             Como assinala Michael Tomasky, em artigo “A Hillary em nosso futuro”, tudo começou no início dos anos noventa, com série de artigos do Times sobre o chamado caso ‘Whitewater’. Esse suposto escândalo, apesar dos esforços do Times, inclusive com nomeação de Promotor Especial, de nome Ken Starr,  acabou dando em nada, excluídos é claro, os milhões de dólares gastos por Starr na sua malograda tentativa de forçar o impeachment de Bill Clinton.

              Agora há dois temas de que o New York Times se vem ocupando a respeito dos Clinton. Malgrado pretextar imparcialidade, o Times procura jogar como cascas de banana para Hillary, por um lado, a questão de sua utilização, quando Secretária de Estado, de e-mails relativos a seu trabalho em conta particular, e, por outro, o tópico relativo ao dinheiro em espécie (Clinton cash), recebido pelos Clinton por suas palestras.

              Por trás da habitual postura de neutralidade, o jornalão de New York vira e remexe nos dois tópicos.

              Quanto àquele dos e-mails particulares de Hillary, quando no Departamento de Estado,  o New York Times de hoje noticia que dois Inspetores Gerais  pedirão ao Departamento de Justiça que abra investigação penal acerca da circunstância se Hillary Rodham Clinton terá tratado adequadamente informação sensível do Governo, especialmente no que concerne à conta de e-mail particular por ela empregada quando Secretária de Estado. Tal solicitação é a sequência burocrática de memorandum  de 29 de junho último, firmado pelos Inspetores Gerais  e as Agências de Inteligência, quanto ao fato de que a caixa da conta particular da Sra. Clinton ‘contém centenas de e-mails potencialmente classificáveis (como confidenciais ou secretos)’.

               Ainda segundo o New York Times, por ora o Departamento de Justiça ainda não decidiu se vai ou não abrir investigação a respeito.

 

( Fontes: The New York Times; artigo de Michael Tomasky em The New York Review, nr. 11, de 25 de junho de 2015)                       

Cenário Econômico Ruim

                                    

         Para bem entender o que está ocorrendo com a economia brasileira, precisamos ter em mente uma série de fatos incômodos, negativos, mas infelizmente verazes.

         O erro primitivo - e o que se acha na base de tudo - está na escolha por Lula da Silva de sua chefa de gabinete Dilma Rousseff para sucedê-lo. Infelizmente, o nível do eleitorado brasileiro, sobretudo aquele ao norte, não tem o discernimento e a liberdade de escolha própria dos países mais desenvolvidos.

         Foi tendo presente essa precondição, que chamei o Presidente Lula de Coronelão, eis que agiu com a mesma desenvoltura de os Chefes políticos do Nordeste. Como no antigo ritual mexicano – hoje superado porque lá não mais existe o predomínio absoluto do antigo Partido Revolucionário Institucional (PRI) – Lula ‘destapou’ a sua preferida, que, dentre os quadros do Partido dos Trabalhadores, não era decerto a mais preparada. A sua decisão se deveu exclusivamente a interesse pessoal, eis que contava com isso assegurar a própria volta já na eleição de 2010.

         Lula terá sido advertido de que poderia melhor escolher, mas optou por ir em frente, sob a premissa de que voltaria ao poder em 2011. Se as objeções tinham peso, ele não computou devidamente a influência de Presidente em exercício. Assim, a força do cargo, apesar de dados negativos já existentes (os quais, junto com o escândalo do Petrolão, viriam à tona com mais força depois da reeleição de Dilma), afastou, com surpreendente facilidade, a pretensão da maior figura do Partido.

         O estelionato eleitoral  funcionou primo para afastar Marina,  a candidata que o PT mais teme, e, em seguida, para vencer, ainda que por pequena margem o adversário Aécio Neves, no segundo turno e seria descoberto pós-pleito, com a consequente desestabilização da reeleita Presidenta, e a sua vertiginosa queda nas preferências de ulteriores pesquisas, até chegar à casa de um dígito.

         Essa casa, pela fraqueza de seus alicerces, está exposta a toda espécie de intempérie, a fortiori pela compreensível revolta do Povão em ter sido iludido  por dona Dilma e o feiticeiro João Santana.

         A quadra atravessada pelo Brasil seria ruim sem circunstâncias mitigantes, se o cenário atual se confinasse ao Dilma II e ao incrível Congresso eleito nos últimos comícios. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal, com a partida infelizmente antecipada de Joaquim Barbosa, e de suas últimas aquisições, não inspira grandes esperanças, com a Presidência de Ricardo Lewandowski, e a inflacionária proposta de aumento dos vencimentos da Magistratura.

         Nesse quadro, a presença do Ministro Joaquim Levy na Fazenda, se depara com enormes obstáculos que para resumir se cingem ao Dilma I (ou a herança maldita de péssima gestão sobretudo nas finanças públicas) e ao Congresso atual, com chefias que têm suas próprias agendas (que não são decerto as da Nação).

          O Ajuste Fiscal tem sido a vítima da vez. As causas do descalabro são demasiado evidentes: a incrível fraqueza do Poder da Presidente, incapaz de controlar a maioria que foi eleita junto com ela, mas que pelo seu interveniente enfraquecimento e a singular incompetência do principal auxiliar dela para coordenar as bancadas que nominalmente deveriam apoiá-la, está produzindo criaturas com um misto de demagogia e de irrealismo econômico financeiro. Assim, o Ministro Levy assiste, impotente, ao Ajuste Fiscal ser quase transformado pelo Congresso em bebê de Rosemary.

            Dilma foi buscar um bom quadro, que em ambiente de sanidade político-econômica principiaria a consertar as loucuras do Dilma I, que, infelizmente, estão na raiz de todo o drama (que pode transformar-se em tragédia).

             Defronte de uma realidade adversa, o Ministro da Fazenda tem feito o seu papel, com a habitual dignidade e eficiência. Mas ele não pode fazer milagres.

             Com a recessão a pleno vapor, as notícias são ruins e prometem assim continuar. Dessarte, o rendimento real do brasileiro,  descontada a inflação, caíu de 2,1% de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 2014 (pior semestre desde 2004!); o número de desempregados cresceu 45%, involuindo para 1,7 milhão. Este maior desemprego, com a renda encerrando o ano  em baixa de 4%.

             Como sói ocorrer em tais circunstâncias, o desemprego será sempre maior entre os mais jovens (de 18 a 24 anos). Essa faixa menos experiente deu um salto em um ano de 12,3% para 17,1%. Além disso, o número total de desocupados subiu 44,9% para 1,7 milhão. São as crias da irresponsabilidade fiscal de Dilma Rousseff em seu primeiro mandato, com os erros na energia (o ‘presente’ de subsídio na conta elétrica) e na economia em geral, com as renúncias fiscais nos impostos dos carros (favorecendo as ‘feitorias’, na verdade as sucursais estrangeiras da empresa automobilística infelizmente desnacionalizada há muito tempo atrás). Tampouco a inflação – que dona Dilma também trouxe de volta – anima, com 10% no Rio de Janeiro, o que é uma volta aos dois dígitos que nos relembra um tempo que pensávamos vencido com o Plano Real.

              A decisão do Governo Dilma de redimensionar o ajuste fiscal, com a  renúncia na prática deste ano de realizar  qualquer superávit fiscal representa um senhor balde de água fria. O mercado, como de hábito, reagiu com o incremento da cotação do dólar tanto de turismo (R$ 3,76), quanto o comercial  (R$ 3,296).

              E em tempos maus,  os mouros na costa aumentam. A agência Fitch, de classificação de risco, indica que a nova meta fiscal terá influência negativa na nota de crédito do Brasil (se a divida bruta aumenta, e o superávit fiscal é baixo ou inexistente, a conclusão da Fitch semelha previsível).

             Como se tal não bastasse, encaminha-se o julgamento pelo Tribunal de Contas da União, das contas do ano passado do Dilma I. Ao contrário de o que noticia O Globo, o TCU nunca rejeitou contas de Presidente em funções. Há portanto uma tradição que sinaliza para a aprovação, com observações eventualmente negativas.

             Sem embargo, o relator do processo das chamadas ‘Pedaladas Fiscais’, o Ministro Augusto Nardes, tem dado algumas sinalizações negativas, o que poderia significar recomendação de rejeição. Mas aí entram os demais ministros, com uns votando a favor de Dilma, e outros, contra.  Esse cômputo só se saberá, uma vez concluído.  Dada a realidade política, os diversos fatores em jogo – de uma parte os ministros governistas, de outra os que se alinhariam ao voto contrário – nos levam à conclusão de que tudo pode acontecer...

 

( Fontes:  O  Globo; Folha de S.Paulo )

     

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Agora Lula quer conversar

              

          A Folha de S.Paulo noticia em primeira página que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou amigos comuns para contactar o antecessor Fernando Henrique Cardoso. Nesse contexto, semelha oportuno assinalar que Lula da Silva não manteve, nos seus oito anos na presidência, qualquer  contato com FHC.

          Assim, quando Dilma Rousseff, em seu primeiro mandato, convidou Fernando Henrique a Palácio, este ao agradecer-lhe a gentileza, não deixou de assinalar-lhe a diferença da atitude com a de seu predecessor na Presidência.

          Compreende-se,  por isso, tanto a circunstância de sentir-se obrigado pelo gesto da Presidente, quanto a estranheza no que tange à frieza do sucessor.

          A fortiori, a despeito da iniciativa de Lula da Silva, o Instituto Lula – a entidade que se ocupa dos múltiplos contatos e interesses do ex-presidente – apressou-se em afirmar que o petista ‘não tem interesse em falar com o tucano’.

          Esse aparente – e contraditório – recuo de Lula da Silva, expresso por instituto que representa através de seu diretor o senhor Paulo Tarciso Okamotto a vontade e os projetos do ex-presidente, poderia ser entendido como eventual irritação de Lula com o vazamento da notícia, que atribuiria à iniciativa do seu antecessor no Palácio do Planalto.

          Malgrado as mensagens que se contradizem, FHC fez saber que aceita conversar. Mas – o que se depreende por não ser ele a parte interessada – vai esperar a iniciativa  do sucessor: “ O Presidente Lula tem meus telefones.”

           Segundo explica a reportagem da Folha, publicada após a chamada em primeira página, no espaço interior (pag.4) do Tema ‘Poder’, o móvel da conversação seria a autorização de Lula a amigos em comum a procurar seu antecessor e propor uma conversa entre os dois sobre a crise política.  O objetivo imediato é conter as pressões pelo impeachment  da presidente Dilma Rousseff.

            Sabedor da iminente viagem de Fernando Henrique a Europa, Lula disse a aliados que a conversa poderia ser por telefone e antes de FHC viajar.

             O ex-presidente tucano preferiu evitar seja um contato telefônico, seja mesmo a definição do encontro, deixando a questão para ser discutida na sua volta ao Brasil, em agosto.

             Não é a primeira movimentação de Lula da Silva. Encontrou-se, em maio último, com o Senador José Serra na festa de um amigo comum e o chamou para conversa reservada.

             O tarimbado Lula tem a intenção, segundo indica a reportagem, de buscar um conciliador  na oposição, para tentar  dissipar, pelo menos dentro do PSDB, as forças que trabalham pelo impeachment da presidenta.

             Por e-mail, segundo revela a Folha,  Fernando Henrique assim se expressou:“ O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público.”

              O ex-presidente Lula vem debatendo com seus auxiliares durante meses a decisão de buscar reaproximação com os tucanos.  Os petistas sabem que a radicalização da campanha presidencial de 2014, em que Dilma atacou o Presidente Fernando Henrique Cardoso, tornou mais difícil  o diálogo com o PSDB.

              Por outro lado, decerto não surpreende que entre os tucanos há muitas dúvidas sobre a eventual conveniência de conversa que tenha como tema a governabilidade  de Dilma. Até mesmo tucanos moderados, que hoje ainda são contra o impeachment, temem, com fundadas razões se pode acrescentar, que um diálogo com o PT seja visto como conchavo e arranhe a imagem do Partido.

              Além disso, e nessa altura do campeonato, cabe perguntar a cui prodest[1] dar ouvidos ao canto de sereia de Lula da Silva. Será que os tucanos já se olvidaram de outra oportunidade perdida pelo PSDB – na época o candidato era Geraldo Alckmin – quando do estouro do escândalo do Mensalão, e a chorosa alocução de Lula na tv?

              Agora, na vigésima-quinta hora, Lula bate à porta pronto para conversar e não só salvar a pupila da enrascada em que está metida, mas também ele próprio das três Erínias[2] que buscam vingança pelos seus desatinos.  

              Mais parece conversa  para boi dormir. Assim, segundo terá feito divulgar “o ex-presidente debateu com seus auxiliares durante meses a decisão de buscar reaproximação com os tucanos”. E agora está arrependido da radicalização de Dilma, nos seus ataques na campanha presidencial contra FHC...

              Lula é muito esperto, talvez depois de Getúlio o mais hábil político nas rasteiras que aplica naqueles ou naquelas que se atravessam no seu caminho... Nesse contexto, o que se tentou fazer contra e o quê efetivamente se fez contra Marina Silva tanto nos meses anteriores, quanto na própria campanha diante dessa grande ameaça à candidata petista constitui na verdade um claro enigma que clama por ser desvendado...

              E diante disso tudo, será mesmo que ainda existe gente que pensa  poder sair com algumas castanhas depois de conversar com ele?

 

 

 

( Fontes: Folha de S.Paulo, O  Globo - apud Ricardo Noblat; Dicionário Mítico-Etimológico, Junito Brandão, vol. I, Ed. Vozes )




[1] A quem serve.
[2] Deusas violentas, que os romanos chamavam Fúrias.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

De Cinzento para Negro


                                     

         A economia brasileira ao invés de melhorar, piora. Os  índices ruins se acumulam. Dentro do Ajuste Fiscal, se previra uma retenção de R$ 66,3 bilhões, ou 1,13 % do Produto Interno Bruto (PIB).

         Com a gastança no Congresso, criando despesas ao invés de aprovar os projetos do Governo Dilma II, a situação se deteriora, e o Ajuste Fiscal, diluído por maiorias irresponsáveis, deve ser brutalmente redimensionado. 

         Assim, a meta estabelecida por Joaquim Levy de um superávit primário de R$ 66,3 bilhões, o equivalente a 1,13% do PIB não é mais viável.

         Esses estranhos caminhos tomados pelo Congresso – na prática ignorando a existência do Governo – só podiam produzir o resultado que se nos depara.

         É difícil definir o que deseja a malta que acabou com o Ajuste Fiscal. Essa aliança de demagogos com energúmenos, e com os necessários salpicos dos saudosos  bons tempos da inflação e da baderna fiscal pode considerar-se realizada.

         Acabou com o fator previdenciário, o que provocará mais breve de o que se pensa  quebra da Previdência, como ocorreu em Portugal. Nessa ‘vitória’ da demagogia, os louros vão para o PSDB que, com o seu voto, pôs abaixo a conquista do Governo de FHC, ao instituir o fator previdenciário. Não enxergar direito as cores é um problema dos daltônicos, mas os tucanos nos deram outra lição – a de cínico (e burro!) oportunismo político e o país que vá para a breca!

         É evidente que aproveitando-se de um governo exangue, com a Presidenta em queda livre de popularidade (na última, está abaixo dos dez dígitos), a tal base de apoio, junto com o PT, arvorou a bandeira negra da pirataria e seja o que Deus quiser.

        Não sei de o que Lula terá mais medo: de a P.F. aparecer no seu triplex, com mandado de busca e apreensão do Juiz Sérgio Moro, ou com o movimento Fora Dilma! conscientizar-se de que o grande responsável é Ele mesmo, o Coronelão supremo, que em ambicioso desatino achou que podia impingir à Nação alguém sem nenhuma experiência política (e econômica!), só porque não suportava mais esperar a hora de regressar a todas as benesses do poder, nelas incluída a bomba do Petrolão.

        Depois das insanidades fiscais do Dilma I, nelas incluídas a dose de Mentiras que   esgrimiu com aquela sua antiga capacidade de moto-niveladora. Mal ou bem a candidata arrebatou o Prêmio que, em verdade, no seu caso, era dádiva maldita, com curtíssimo prazo de validade, e logo escapariam do saco de couro, demônios, duendes e, sobretudo, dona Verdade que tem o mau hábito de repontar quando menos esperada.

        E vejam só amigos de fé e de meia-fé! Não é que dona Crise está de volta ? E nesses tempos acontecem as coisas mais estranhas! Leio na primeira página da Folha o começo do artigo de Delfim Netto: “O Planalto fez uma conversão para melhor na política econômica. Mas a base do governo, apoiada no PT, aproveitou a dramática redução de seu suporte  popular para chantageá-lo e desidratar o ajuste fiscal.”

       Estarei com febre ? Me descubro concordando com o Doutor Delfim!



(Fontes:  O  Globo, Folha de S. Paulo )

Notícias de Tio Sam (III)

                                  

O Fenômeno Donald Trump

 
        Talvez o número exagerado de pré-candidatos republicanos – dezesseis hoje com o governador do Ohio, John Kasich – já seja uma das causas da súbita revelação de Donald Trump.

         Depois de patinar nos 4%, e caracterizado como mais um patético intento do magnata e bilionário Trump, de repente o eleitorado do GOP começou a gostar da irreverência e da franqueza de Trump.

        Hoje ele tem 24% nas preferências, seguido de longe pelo governador do Wisconsin Scott Walker (13%) e o badalado Jeb Bush (12%), ex-governador da Flórida, da dinastia dos Bush, que já tem dois presidentes, o pai George Herbert Walker Bush, de um só mandato (1989-1993) e George W. Bush, com dois mandatos, e principal responsável pela desastrosa guerra do Iraque.

        No entanto, o seu violento ataque contra o Senador John McCain, candidato (derrotado) em 2008 por Barack Obama repercutiu mal no meio republicano, eis que McCain é político respeitado e que serviu no Vietnam, tendo caído prisioneiro, e sido torturado pelos comunistas.  Especula-se que essa investida será o princípio do fim da  pré-candidatura de Trump, mas tal ainda está longe de ser confirmado.

       Os pundits (entendidos)  comparam, por ora, a sua trajetória a um voo de galinha, destinado a ser breve, como é o exemplo de tantos outros pré-candidatos em eleições do passado que luziram com brilhantes e inesperadas performances, para em seguida desaparecerem na raia miúda.

      De toda maneira, Trump continua com os seus 24% e a corrosiva franqueza, com que intenta desconstruir os seus (muitos) adversários pré-candidatos.  Na maioria dos casos, o pelotão republicano está formado por comovente associação de has-beens (já foram), como os pré-candidatos  Mike Huckabee, Rick Santorum e Bobby Jindal, que comparecem sempre para darem chabu em seguida...

 
A Candidata Hillary Clinton

 

        Ao contrário da eleição de 2008, em que a sua candidatura acabou naufragando nas primárias, depois de titânica luta com um rival até então quase desconhecido, de nome Barack H. Obama, Hillary Clinton continua praticamente sozinha no campo democrático, eis que o Vice Joe Biden não aparenta decolar e a Senadora Elizabeth Warren não está interessada por ora em pleitear a Presidência.

       Como todo front runner ( corredor dianteiro), Hillary tem o problema de manter a própria vantagem e evitar as armadilhas que perseguem os favoritos. Na imprensa, os Clinton cultivaram sólidas inimizades, das quais o New York Times, com todo o seu peso de maior jornal americano, não é exatamente um dileto amigo da família Clinton.

         A esse propósito, gostaria de reportar-me a um artigo na New York Review of Books, datado de 25 de junho, do respeitado articulista político Michael Tomasky, de que passo a citar trecho com o qual estou de inteiro acordo:

          “The New York Times vale a pena nesse contexto tê-lo bem presente (o autor se reporta a possíveis ataques mal-disfarçados da grande mídia à candidatura de Hillary). Irá endossar (a candidatura) de Hillary, quando chegar a hora, mas questão muito mais importante será como ele usará suas páginas de noticiário para escrever acerca da candidata entre agora e na data de então (confirmação de sua candidatura pela Convenção Democrata). Foi  chocante que o (New York) Times tenha baseado uma reportagem sobre Clinton Cash (o dinheiro em espécie dos Clinton),um  livro com óbvia motivação política que foi escrito por um antigo assessor  de políticos republicanos, alguns deles gente muito de direita.  O jornal que deu muita força à estória de Whitewater em 1992 (contra o candidato democrata Bill Clinton) e em 1998 publicou uma série de editoriais caluniando Bill Clinton e elogiando o promotor Ken Starr agora está aparentemente preparado para continuar nessa tradição.  Em semanas recentes o Times publicou mais dois artigos nessa linha, um sobre o irmão de Hillary, Tony Rodham, e outro sobre o confidente dos Clinton, Sidney Blumenthal. É de perguntar-se  se (The New York Times) empregará recursos similares para investigar Jeb Bush ou outros prospectivos candidatos republicanos parece uma pergunta oportuna (fair)’”

             É importante assinalar para que se dê o peso devido à posição de Michael Tomasky, em aval da advertência por ele feita, está a ponderada e equilibrada análise por ele feita, eis que não omite no artigo citado aspectos potencialmente negativos para o casal Clinton.

             Acompanhando não de hoje a cobertura do Times à então candidatura de Bill Clinton à presidência, ela sempre me parecera bastante negativa. Uma vez diante da continuada preferência por um viés contrário ao candidato democrata, havido então como anti-establishment Bill Clinton (vindo do pequeno estado sulino de Arkansas), e perguntada dos motivos pela campanha Clinton, a redação do Times apresentou como resposta que o tratamento corresponderia ao chamado tough love  (amor bandido, em tradução livre)...

              Talvez esse apoio merecesse ser apresentado em outro contexto, com a seguinte frase: com tais amigos, os Clinton não precisam de inimigos...     

 

 

( Fontes:  O  Globo,  The New York Times )

terça-feira, 21 de julho de 2015

Precauções do ISIS


                                             

        Pelo visto, o chefe do ISIS, Abu Bakr al-Baghdadi respeita o poder da Superpotência, e tem muito presente a respectiva mortalidade.  Ao contrário de outros chefes de movimentos terroristas, que se crêem acima de o que possa ocorrer com os seus subordinados, al-Baghdadi tem predisposto medidas de emergência, previstas para serem implementadas no caso de sua falta.

       O autoproclamado Califa dispôs que os seus alternos, assim como os comandantes nos teatros regionais na Síria e no Iraque tenham ampla autoridade, de forma a superarem de forma expedita o vácuo na organização no caso de sua morte e a de altas figuras na hierarquia do ISIS.

       A idéia que preside tal planejamento objetiva possibilitar adaptação rápida a tal contingência, com vistas à continuação da luta.

       Essa sensação de vulnerabilidade – que os bombardeios americanos, seja na ‘capital’ Raqqa, seja nos campos de petróleo, ou como força auxiliar em combates, devem enfatizar diuturnamente – e as consequentes providências predispostas pela alta chefia representam uma diferenciação marcada em relação a outros movimentos terroristas.

       Além disso, tal frieza revela igualmente dois traços a serem sublinhados: (a) os fins do movimento precedem a um eventual personalismo; e (b) o milenarismo do ISIS se conjuga com articulação tática que tenta conjugar fanatismo com realismo.

       Como os comandantes locais obedecem a diretivas operacionais, mas dispõem de autonomia significativa para efetuar as próprias operações no Iraque e na Síria, os soldados e seus chefes diretos têm informação limitada acerca do funcionamento do Estado Islâmico. Por outro lado, comandantes locais são plenamente fungíveis. Dessarte, se forem abatidos, são substituídos sem prejudicar a organização.

       Os iraquianos ocupam as posições mais altas – a partir de Abu Bakr – enquanto Tunisianos e Sauditas encabeçam cargos religiosos.

       O chefe do ISIS aprendeu da necessidade de delegar a grupo reduzido de militantes pela experiência de outros grupos terroristas, que tiveram a ação prejudicada por operações de drones ao longo dos anos. Nesse contexto, dar a comandantes de hierarquia intermediária um grau suficiente de autonomia é visto como espécie de seguro para que a continuidade da ação não seja afetada.

        Outra fonte de informação para o ISIS foram as revelações de Edward J. Snowden,  (atualmente  asilado na Rússia) que dão elementos de como os Estados Unidos coleta informações acerca de militantes.  O principal resultado é de que os principais chefes do ISIS empregam correios especiais ou canais criptados que, segundo o artigo do New York Times, não poderiam ser decifrados.

        Há fundadas dúvidas se os dois alternos de Abu Bakr al-Baghdadi seriam Abu Alaa al-Afri e Fadel al-Hayali, conhecido como Abu Muslim al-Turkmani, antigo oficial das forças especiais iraquianas, natural da cidade de Tal Afar, perto de Mosul. No entanto, há informes procedentes do Iraque de que esses chefes foram mortos recentemente em ataques aéreos...

          Quem substituiria al-Baghdadi se os bombardeios americanos lograrem matá-lo, como semelha ter sido o caso de seus dois alternos?  Reza a lei islâmica que a posição de Califa – tornada irrita, é bom frisar, por Mustafá Kemal em 1924 – deve ser ocupada por um Árabe da tribo Quraysh (que é a mesma do Profeta Maomé).

          Como é lógico inferir, muitos dos dados sobre o ISIS  e o seu comandante supremo são algo nebulosos. Para a segurança curda no Iraque do Norte, e para funcionários americanos de informação, al-Baghdadi seria efetivamente o principal executivo, dando diretivas através das áreas sob controle do movimento.

          Para outros, no entanto, al-Baghdadi teria mais presença em termos de religião e não em aspectos operacionais de campanha.

          O esforço de guerra do ISIS se baseia de forma preponderante em explosivos. Nesse sentido, foram estabelecidas fábricas para fornecer o material para os militantes.

          Não surpreende, dada a presença maciça de pessoal iraquiano, que os soldados do ISIS se valham muito dos chamados IEDS (Engenhos explosivos improvisados), que estrearam na guerra do Iraque contra os blindados americanos. Como se sabe, a mortalidade dos soldados de Tio Sam foi alta no começo da insurgência, porque a blindagem dos carros era sobre o leve, dentro da teoria do principal comandante americano Donald Rumsfeld, de que a guerra contra Saddam Hussein seria rápida e muito breve. Efetivamente a marcha contra Bagdah foi quase um passeio, mas depois da ‘Missão Cumprida’, como a encenação do piloto George W. Bush descendo no porta-aviões Abraham Lincoln dizia, o problema foi que não combinaram com os demais iraquianos e a guerra continuou, com os desastrosos resultados para os Estados Unidos sobejamente conhecidos.

 

( Fonte: The New York Times ) 

A Caixa Preta Sindical

                                     

        O jornal O Globo realiza série de reportagens sobre a desordem sindical. Há muitos dados que mais do que preocupem, inquietam.

        Intitulada ‘Sindicato para a Eternidade’ a avaliação aponta vários problemas, que tem sua origem sobretudo na falta de controle das respectivas categorias e na consequente baixa representatividade dos respectivos dirigentes.

        Como se sabe, durante o governo do PT e notadamente com dona Dilma, como se fora capitania hereditária a pasta do Trabalho foi entregue ao PDT. Revezam-se no ministério os senhores Carlos Lupi e Manoel Dias. E a outorga do ministério pelo governo petista parece feudal, eis que em recente votação de interesse direto do dílmico governo todos os deputados pedetistas votaram contra a posição da Presidenta.    

        Para começar, não há limite para a duração de mandatos. A reportagem aponta para o Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Saferj). O seu presidente, Alfredo Sampaio, assumiu a respectiva presidência em 1990. Dada a sua longuíssima permanência, há muitos problemas conexos: além da falta de representatividade (Alfredo Sampaio é técnico e não atleta), nepotismo (o filho é diretor da academia da Saferj) e conflito de interesses (tem uma empresa de marketing esportivo).

         A despeito de estar há vinte e cinco anos à testa do Sindicato, Sampaio nega que se perpetue no poder. “No ano passado”, segundo afirma “quis sair da presidência (mas) meus companheiros me convenceram a permanecer num último mandato.”  Talvez essa frase relembre os leitores de velhos governantes que dela se servem como mantra para justificar a respectiva permanência...

         Há casos de enriquecimento ilícito e desvio de sindicatos.  Em um mundo em que existem 10.620 entidades por onde, em 2014, circularam R$ 3,18 bilhões de contribuição sindical. Esse chamado imposto sindical é obtido com um dia de salário de todos os trabalhadores com carteira assinada. O próprio governo petista teria assentido em que o chamado ‘imposto sindical’ não fosse fiscalizado.

         A absurda permanência dos sindicalistas nas esferas respectivas se deve à falta de termo para os mandatos (a própria permanência nos cargos executivos federais, estaduais e municipais acaba de ser reduzida a quatro anos, com a supressão da reeleição...).

         Em termos de controle sindical, ninguém bateu a família Mata Roma, que dominou por mais de cinquenta anos o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro. Somente uma série de denúncias (desvios de verba e nepotismo) logrou afastá-los  do poder, mas ainda não apeá-los.

         A reportagem inclui igualmente entrevista com Rita de Cácia Almeida, presidente do Sindicato dos Comerciários de Niterói, que recebe cerca de R$ 50 mil para presidi-lo. Eleita em 2008, ela tem mandato de doze anos (!), podendo, portanto, ficar até 2020. Para que se tenha ideia do nível dessa senhora, basta ler as suas declarações para o repórter: “Sabe o que é uma história hilárica (sic)?”. E mais adiante: “você (o repórter) pode fazer a imagem que você quiser porque eu sou púbrica (sic)!”.

  

( Fonte:  O Globo )